Por que não falo de libertarianismo?

O leitor atento deve ter notado, há muito, que, até hoje, 17 de janeiro de 2017, este blogueiro que vos digita, quer em “O Homem e a Crítica”, quer neste “Apoliticamente Incorreto”, pode ter até citado libertários em alguns textos, mas nunca se dignou a escrever um artigo sobre o tema.

Eu poderia dizer, é claro, que, apesar de achar livre-mercado uma patacoada sem tamanho, não tenho conhecimento suficiente para escrever sobre as ideias libertárias em geral por falta de interesse mesmo, tanto que, até hoje, só li A Desobediência Civil, As seis lições e A Anatomia do Estado entre livros considerados libertários.

O caso, porém, é outro. O que me impede em absoluto de falar de libertarianismo são frases como a que cito abaixo, que li em uma discussão de Facebook na página de certo analista político cuja maior característica é o olavismo:

“A união de 2 ou mais indivíduos é uma união socialista.”

Na mente de um sujeito desses, é óbvio que a relação entre pai e filho, entre namorado e namorada ou mesmo entre um par de amigos só pode ser, por lógica (!), uma relação socialista (!!). Para não ser um socialista, então, segundo esse grande pensador que precisa permanecer anônimo e intocado pelo bem da humanidade, é preciso livrar-se do instinto gregário (!!!) e, agregado a ele, das emoções e dos mecanismos biológicos que nos fazem querer criar vínculos com pessoas, pois todo vínculo com outrem é socialismo puro (!!!!).

Ainda bem que nenhum leitor me cobrou nem me criticou, ainda, por não escrever um texto sobre esse tema. Se a crítica vier, a única resposta que poderei dar é mostrar esse artigo e dizer-lhe: “É desse tipo de gente que você quer falar? Você deveria ter vergonha de sequer dar ouvidos a uma galera dessa.”

Octavius é professor, graduando em Letras, antiolavette e polemista medíocre. Teme que, daqui a alguns anos, o Star Wars se torne um filme libertário e crie o lema “não venha para o lado anarcocapitalista da Força, senão viramos socialistas.”

Eu, Apolítico – Baboseira boa é baboseira morta

Após a recente morte de 60 detentos em um presídio em Manaus, veio novamente à tona o velho discurso segundo o qual “bandido bom é bandido morto”. Sendo eu um defensor declarado da Pena Capital para crimes hediondos, certamente concordo com essa frase em gênero e em número, não é, amigo leitor?

Pois é. Para quem me conhece, é evidente que só uma resposta é possível de ser imaginada: não, não concordo, e penso, inclusive, que a direita brasileira deve descartar esse discurso ou alterá-lo parcialmente o mais rápido possível, por mais que pareça ser um discurso muito popular.

Resta, com isso, uma pergunta: mas por quê?

Diga-me como defines e eu te direi quem és

O problema que me soa mais óbvio nessa frase é o da definição das duas palavras que compõem o seu centro semântico.

Primeiro, de que “bandido” se fala exatamente nesse lema? A não ser para uma mente muito perturbada, de todo e qualquer infrator penal não pode ser, já que teríamos de punir com morte desde o ladrão de galinhas até homicidas e estupradores, o que tornaria o sistema punitivo brasileiro um dos mais injustos e desproporcionais do mundo.

Parece-me, na verdade, que, quando a maioria dos adeptos desse discurso o reverberam por aí, pensam, é claro, em criminosos hediondos, como estupradores e homicidas. O caso, porém, é que, da frase em si, não é possível nem obrigatório extrair essa informação específica, e fato é que, na maioria das vezes, tanto adeptos como detratores desse discurso pensarão nele a partir do que está escrito/dito, e não do que possa ter sido o pensamento de quem o veiculou.

Segundo, “morto” por quem, caras pálidas? Pelo Estado, após um julgamento no qual serão garantidos direitos como presunção de inocência, dúvida favorável ao réu, direito à defesa e ao amplo contraditório, recursos e outros mais que compõem o chamado “devido processo legal”, ou por qualquer um que, sedizente adepto da justiça, resolva fazê-la pelas próprias mãos sem julgamento algum e com presunção de culpa para o acusado?

Neste último caso, aliás, o que passaria a diferenciar, no Brasil, o civilizado do bárbaro? Seria mesmo uma decisão acertada deixar  a justiça nas mãos de um povo que deu conta de reeleger Lula e Dilma? Que aceitou quase sem resistência intelectual alguma o discurso de que não há diferença significativa entre pequenas e grandes corrupções? Que não só não vê problema, como também chega a achar louvável, compartilhar notícias falsas no Facebook para apoiar ou achincalhar uma causa ou uma pessoa? É a cultura desse povo que deve estar refletida nas leis? O que nos diferenciaria, neste caso, dos facínoras que já grassaram mundo afora?

Diga-me como defines e eu te direi que respostas receberás

Associado a esse problema das definições malfeitas, temos a seguinte situação: é muito fácil fazer um sujeito que adota o lema “bandido bom é bandido morto” passar vergonha em público ou em privado ou ter de se defender prolongadamente (e, lembrem-se, via de regra, na vida política, quem ataca ganha).

Se o sujeito, por exemplo, é fanático por alguma político de passado e/ou presente controverso, é só perguntar: “mas e o seu político predileto? Se bandido bom é bandido morto, então, por causa de a, b e c, ele também seria morto”, objeção à qual um jogador político experiente responderia fácil, dizendo “sim, seria, e não há problema nisso. Parece, na verdade, é que você é quem tem motivos para temer esse cenário e para defender bandido”.

Como, porém, os adeptos desse discurso são os mesmos puritanos que acham a guerra política imoral, o que fariam seria só uma longa e prolixa defesa de suas ideias (dando um ponto ao oponente) ou, pior ainda, uma relativização malfeita do malfeito do ídolo em questão, aumentando as chances de o debatedor passar vergonha e ter de se retratar e/ou ter em cima de si os rótulos de “cego”, “hipócrita” ou “fanático”, além de poder ser frameado como alguém que considera que “bandido POBRE e bom é bandido morto”.

O outro grande frame já foi, inclusive, utilizado “semidiretamente” por mim neste artigo, que é o uso do shaming (“envergonhamento”, em português) com frases como “você deveria ter vergonha de defender a barbárie/ essas ideias retrógradas”. Conecte-se esse rótulo a alguém que viva afirmando publicamente o desprezo aos direitos humanos e será impossível rebater e reverter esse tipo de acusação sem tomar um dano político irreparável (que ocorrerá, é claro, mesmo se o sujeito estiver calado).

Aliás, falando em direitos humanos…

Diga-me como discursas e eu te direi o quão errado és

O problema final do “bandido bom é bandido morto” é que, unido a ele, vem o discurso mais canalhamente burro de todos: o do desprezo aos direitos humanos.

Leitor amigo, coloquemos as cartas na mesa: se você despreza direitos como vida, liberdade e presunção de inocência, você é, no mínimo, um babaca e, no máximo, um sujeito perigoso com o qual pessoas racionais e civilizadas não deveriam sequer trocar palavra, quanto mais ideias.

Se você não os despreza, porém, adivinha? Você é um defensor dos direitos humanos, oras. O caso, na verdade, é que não lhe agrada, assim como não me agrada, o atual discurso esquerdista totalitário e psicopata que infecta essa área das relações humanas.

A solução para isso? Contra-atacar culturalmente e fazer, progressivamente, a esquerda perder terreno nos direitos humanos. Os culpados pela situação atual? A direita omissa e politicamente preguiçosa que, nos últimos anos, só soube produzir, em termos de direitos humanos, baboseiras como “bandido bom é bandido morto”. Como dito no título deste artigo, a melhor resposta a isso é: baboseira boa é baboseira morta.

Octavius é professor, antiolavette, graduando em Letras e polemista medíocre. Provavelmente desrespeitou os direitos humanos e os “direitas” desumanos nesse artigo, mas, até o momento, não se arrepende.

Eu, Estrategista – 10 jogadores que eu gostaria de ver no Corinthians em 2017

Sim, leitores, como sabem, de vez em quando gosto de palpitar acerca de meu assunto predileto: o futebol. Considerando a campanha mediana-baixa de meu time (para quem ainda não sabe, sou corintiano) no ano de 2016, relacionei 10 reforços possíveis (ou nem tanto assim) que, acho, cairiam bem em qualquer time em 2017, em especial no meu. Algumas das escolhas podem parecer ser sentido de primeira, mas peço que me acompanhem até o final nessa análise amadora feita por um torcedor e por um apreciador do futebol taticamente bem jogado.

Algumas observações devem ser postas, porém, antes de tudo:

1- Considero, nos cenários propostos, que Cássio sairá do clube e que Walter não terá dificuldade em ser titular absoluto em 2017. Caso prefiram Cássio no lugar de Walter, é só alterarem o nome do goleiro  e ficamos conversados.

2- Considero, também, que todos os jogadores do presente elenco permanecerão para 2017, incluindo Marlone, que é sondado pelo Atlético-MG no momento. Caso aconteça, saibam que, para mim, Lucca seria o substituto mais próximo de Marlone nos cenários em que este estiver como titular.

3- Caso queiram fazer os seus próprios esquemas, visitem o seguinte aplicativo, que foi o que usei: http://buildlineup.com/

4- Caso eu tenha errado a posição de algum jogador, enviem a correção nos comentários, pois posso ter me enganado e posso ter de rever algum conceito. Quanto às numerações, não são o mais importante no momento.

Depois de alguma pesquisa, consegui descobrir e esquematizar a escalação do último jogo do Corinthians no Brasileirão, contra o Cruzeiro de Mano Menezes. Ei-la:

corinthians-x-cruzeiro-dezembro-2016

Primeiro, mesmo não sendo um simpatizante do técnico Marcelo Oliveira, creio que, pelas características dos jogadores do Corinthians, uma formação um pouco mais ideal em 2017 seria o 4-2-3-1, para que o primeiro volante não ficasse sobrecarregado (como aconteceu com Camacho na derrota por 4 a 2 para o Cruzeiro na Copa do Brasil) e para que os laterais pudessem subir com mais tranquilidade ao ataque.

Considero, também, que, dado o time, Jô não terá muitas dificuldades para ser titular, já que todos os que foram improvisados na posição não renderam nem metade do esperado. Guilherme, porém, não seria sacado do time, e sim jogaria no seu setor de origem, isto é, no meio-campo. Com as presentes peças do elenco, seriam sacados do time: Vilson, Cristian, Romero e Rodriguinho. A formação sem qualquer reforço, fora Jô, em 2017, ficaria da seguinte maneira:

corinthians-semi-ideal-2017

Corinthians quase ideal 2017: Maycon e Camacho garantiriam a saída de bola com qualidade, enquanto Marquinhos Gabriel e Marlone teriam o papel de infernizar os adversários pelas pontas. O cérebro da equipe seria Guilherme ou, na ausência dele, Rodriguinho ou Danilo.

Vamos, então, aos reforços, que colocarei em cenários separados, considerando que o clube não terá dinheiro em caixa para contratar muitos deles. Começando por São Paulo, e, mais especificamente, por nosso arquirrival alviverde, o nome a ser contratado seria o volante Gabriel, atleta que provou sua qualidade várias vezes mas que, por causa de seguidas lesões, ainda não tem a titularidade no time de Palestra Itália. Com Gabriel em campo, pensei em algo no seguinte estilo:

Corinthians com Gabriel (PAL).png

Com Gabriel no time, tanto Camacho como Fágner e Uendel teriam mais liberdade de atacar (considerando, claro, que Gabriel consiga fazer o que estava fazendo, antes de se lesionar em 2015, por Egídio), além de a saída de bola ser quase impecável.

Ainda em São Paulo, dessa vez no time das três cores, o mais óbvio dos reforços, se fosse um pouco mais barato, seria Maicon (apelidado pelos tricolores como “The God of Zaga”) para suprir a falta de experiência na zaga e para, claro, adicionar muita segurança à frágil defesa corintiana:

Corinthians com Maicon (SAO).png

Com Maicon na zaga, Balbuena ou Pedro Henrique teriam forte concorrência, mas ganhariam um parceiro mais experiente que, certamente, poderia ajudar a aumentar a performance de ambos.

Indo para a Vila Belmiro, não, senhores, não é no caro Lucas Lima que penso. Ricardo Oliveira? Ainda não, apesar de ser um ótimo nome. Zeca e Victor Ferraz? Também não, as laterais corintianas parecem-me bem satisfatórias. Penso, por incrível que pareça, no jovem volante Yuri, ex-Audax, que, unido a Camacho, poderia até mesmo aumentar a ofensividade do time, mantendo a qualidade da saída de bola, além, é claro, de ser, como quase todo jogador do Audax 2015, polivalente:

corinthians-com-yuri-san

Reeditando os tempos de Audax, Yuri e Camacho certamente garantiriam qualidade ao meio-campo corintiano tanto no ataque como na defesa.

No Rio de Janeiro, começo com o vascaíno Nenê. Sendo um jogador experiente e habilidoso, pode não ter muitos anos de carreira pela frente, mas certamente não deixaria Guilherme ou qualquer outro jogador do meio se acomodar:

Corinthians com Nenê (VAS).png

Guilherme, Marquinhos Gabriel e Marlone teriam tanto um ótimo concorrente como um ótimo parceiro. Com Nenê, um meio campo quase estático poderia flutuar no momento ofensivo.

No rubro-negro, nem Guerrero, nem Damião, nem Diego. O nome que me vem à mente é Felipe Vizeu, jovem centroavante que, no pior dos cenários, faria sombra a Jô e, no melhor, poderia abocanhar para si a titularidade, graças à sua velocidade e ao seu faro de gol já demonstrados em 2015 na Copa SP e no Brasileirão pelo Flamengo:

Corinthians com Vizeu (FLA).png

Com características um pouco diferentes das de Jô, Vizeu poderia ser, além de uma boa opção no segundo tempo, um ótimo titular em uma eventual má fase do hoje 9 corintiano.

No time das Laranjeiras, o zagueiro Henrique seria a melhor opção, podendo jogar também de volante. Nos dois casos, a saída de bola não perderia qualidade e, é claro, seria mais uma boa surpresa na ida ao ataque:

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No primeiro cenário, um experiente zagueiro que também vai com facilidade marcar gols no ataque, dando mais uma opção em tempos de seca de gols por Jô e cia.

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Neste cenário, um volante mais recuado, podendo inclusive atuar como o primeiro 1 de um 4-1-4-1 em que Camacho teria liberdade para lançar e passar sem maiores preocupações defensivas.

 

Em General Severiano, o versátil Sassá certamente poderia bater de frente com Jô, além, é claro, de talvez servir como segundo atacante em algum cenário de 4-4-2:

Corinthians com Sassá (BOT).png

Sassá não parece ter a mesma qualidade de Vizeu, mas ainda é boa opção para o segundo tempo.

Em Minas, no alvinegro, não são os caros Robinho e Lucas Pratto, ou o superestimado Fred, que me atraem. Cazares? O melhor dos quatro nomes, mas também não está no orçamento no momento. Por incrível que pareça, uma excelente contratação seria o atacante Hyuri, cuja velocidade e habilidade pelas pontas são já famosas, apesar de ter jogado muito pouco com o já citado gênio da lâmpada que deu de presente ao Atlético-MG o vice da Copa do Brasil contra um tecnicamente inferior, mas taticamente superior, Grêmio:

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Quer no lugar de Marquinhos Gabriel, quer no lugar de Marlone, Hyuri, se bem alimentado por Guilherme, Maycon e Camacho, certamente ajudaria a infernizar os adversários.

Do lado azul de Minas, o polivalente meia-atacante Alisson é, sem dúvida, o bola da vez, podendo ser utilizado em vários cenários, caso as lesões não o atrapalhem:

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Além de ter algumas similaridades com Hyuri, Alisson também pode jogar como armador, ainda que precise se revezar com Marlone e algum outro meia também veloz.

Em Porto Alegre, desconsiderando certo time que caiu para a Série B depois de um ano ridículo, só um nome gremista seria interessante e viável: o habilidoso zagueiro Fred, que também nos daria cobranças de falta como uma arma para um jogo mais complicado:

Corinthians com Fred (GRE).png

Seria essa a chance de redenção de Fred, injustiçado ex-zagueiro do Goiás?

Por fim, ainda no Sul do país, vamos ao Atlético-PR, com o pouco aproveitado Marcos Guilherme, meia-atacante polivalente cujos predicados e problemas parecem ser os mesmos do cruzeirense Alisson:

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Rápido e bom armador, Marcos Guilherme certamente poderia mudar a dinâmica do meio campo corintiano

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Pela ponta direita, uma dupla Fágner-Marcos Guilherme não soaria nada mal mesmo aos mais descrentes ouvidos corintianos.

Seguem alguns cenários com alguns desses reforços juntos:

corinthians-ideal-4-3-3

4-2-3-1: defesa reforçada com Gabriel e Maicon daria muito mais liberdade para os talentos ofensivos de Camacho, Hyuri, Marlone, Vizeu e vários outros não colocados neste cenário, como Giovanni Augusto, Lucca e Marquinhos Gabriel.

corinthians-ideal-2017-3-5-2-disfarcado

Com um 3-5-2 disfarçado e Jô mais centralizado, as pontas com Fágner, Uendel e substitutos, além de Maicon, Henrique ou Fred líberos, seriam os grandes elementos surpresa.

corinthians-ideal-2017-4-1-4-1

4-1-4-1: no esquema favorito de Tite, Gabriel e Fred/Maicon poderiam ser sobrecarregados, mas o ataque, com maior velocidade, teria muito mais chances de balançar as redes adversárias.

corinthians-ideal-2017-4-2-3-1

Em um eventual 4-3-3 que, como na imagem, poderia se transformar em um 4-2-3-1 sem muitas dificuldades, caberia a Guilherme ou a Nenê (em um cenário com Nenê) ser o cérebro a coordenar as ações de Marcos Guilherme/Marquinhos Gabriel/Hyuri e Marlone/Lucca

corinthians-ideal-2017-4-4-2

Em um tradicional 4-4-2, a dupla de volantes poderia variar, podendo haver inclusive a chance de Rodriguinho entrar junto com Gabriel e cumprir, como bem cumpriu contra o Atlético-MG no Independência em 2015, função similar à de Elias no 4-1-4-1 titeano. Na dupla de ataque, nomes como Jô e Alisson também poderiam aparecer com destaque.

 

Agradeço pela atenção e espero que tenham gostado.

Octavius é professor, graduando em Letras, antiolavette e polemista medíocre. Espera estar errado sobre a grande eficiência do até agora projeto Série B 2018.

Eu, Apolítico – Sobre rótulos e imoralidades

Proponho ao leitor uma reflexão. Imagine, amigo leitor, que você, na verdade, vive na Alemanha pré-nazista, em que Hitler ainda não havia chegado ao poder, mas já flertava seriamente com essa possibilidade. Por algum motivo, você sempre desconfiou dos resultados do projeto de Hitler, achando que todo aquele discurso e toda a narrativa nazista seriam, na verdade, só um pretexto para genocídios, censuras, antissemitismo e tudo aquilo que já deveria ser passado em um mundo civilizado.

Um amigo seu, porém, acabou de perder o emprego e está vendo as contas e as dificuldades familiares se acumularem. Sendo um cara mais emotivo do que racional, esse seu amigo ouve um discurso do canalha totalitário em questão e começa a dar sinais cada vez mais claros de estar se tornando um defensor fervoroso de uma ideologia que, para você, só pode gerar tristeza e desespero, inclusive para o seu próprio amigo.

Diante dessa situação, você tem duas opções: ou você simplesmente deixa um bom amigo traçar o seu caminho e cometer um grave erro de que se arrependerá depois, ou você tenta convencê-lo de que dar suporte à narrativa nazista é um erro que não deve cometer.

Para qualquer pessoa normal que ache que sua cabeça estará em risco, é óbvio que a primeira opção é de uma imoralidade tão grande que sequer se deve flertar com ela. O leitor inteligente, portanto, partirá para a segunda opção, e tentará convencer seu amigo, um sujeito altamente guiado pelas sensações e pelas emoções, a não cometer um terrível erro.

Em uma situação como essas, é claro, há diversas formas de convencer as pessoas, mas quero que o leitor escolha entre as duas principais que vemos, considerando, sempre, as características desse amigo. Leitor, para convencer o amigo em questão, o que você acha melhor: ir simplesmente refutando racionalmente um a um os argumentos nazistas ou rotular os adeptos do Nazismo (entre os quais o seu amigo ainda não se inclui) pelo que de fato são, isto é, racistas, egoístas, genocidas e ditadores?

Se escolheu a primeira opção, leitor, imagine que você precisa convencer esse seu amigo da forma mais rápida possível, para que ele, ainda que não se filie à ideologia que você quer, se mantenha bem longe do Nazismo. Ainda acha a primeira opção tão viável?

Creio que, diante desses fatos, os leitores mais sensatos, de qualquer grupo ideológico, em especial o da direita conservadora que se diz antitotalitária e que alega haver um projeto totalitário em curso no Brasil, responderiam nos dois casos com as segundas opções, que são as únicas opções viáveis e morais a serem exercidas.

Pergunto, então: se vocês não achariam imoral rotular uma ideologia totalitária como o Nazismo, e se vocês consideram de fato que a esquerda brasileira abraça um projeto totalitário de poder, por que tanta recusa em rotular a esquerda como de fato creem que ela merece ser rotulada?

Octavius é professor, graduando em Letras, antiolavette e polemista medíocre. Se rotular fosse crime, já teria pegado prisão perpétua. Se ser omisso politicamente fosse crime, a direita brasileira já estaria há muito tempo na fila de espera da cadeira elétrica.

Eu, Apolítico – Triste começo da direita que não conversa com as pessoas

Tenho acompanhado, recentemente, um canal de Youtube chamado Charisma on Command, cujo nome já dá metade da explicação sobre seu propósito: é, em poucas palavras, um canal destinado a dar dicas aplicáveis no cotidiano sobre como podemos ser mais carismáticos e mais bem sucedidos em nossas interações sociais, entre elas, mas não só, as interações políticas.

Uma das dicas mais valiosas dadas por Charlie Houpert, apresentador do canal, é: quando quiser a atenção e o apoio das pessoas para uma causa, procure contar histórias sobre indivíduos concretos, em especial quando sofrem por não terem tido certa oportunidade, em vez de se prender a estatísticas gigantescas ou a ameaças abstratas e, muitas vezes, intangíveis para o homem comum.

Por exemplo, se você quer que João se una ao seu partido político preferido, é mais eficaz contar a João a história de José, que foi vítimas das políticas de governo empregadas pela facção rival, do que apelar ao fato de que 50 mil pessoas com as quais João provavelmente não tem relação foram vítimas dessas políticas, ou ainda para a imoralidade dessas políticas.

Para saber que histórias são mais efetivas, porém, é preciso conhecer o interlocutor e/ou a plateia com quem estamos lidando, e isso pode ocorrer de várias formas, sendo a principal delas o diálogo e, em especial, a parte em que sabemos ouvir o que os outros pensam, querem, apoiam, repudiam e, principalmente, teme.

A esquerda, sem dúvida, é mestre nisso, já que até mesmo esquerdistas mirins de 15 ou 16 anos já sabem, ainda que instintivamente, que pessoalizar é bem mais efetivo do que tornar abstrato. Os esquerdistas, pois, podem até falar em “feminismo” ou “direitos LGBT”, mas sabem que, se não colocarem na mesa casos no mínimo plausíveis de pessoas que sofreram pela ausência de um ou de outro, suas chances de convencerem o público estarão altamente comprometidas.

E quanto à direita? Quanto a eles, que dizem ter ressurgido no Brasil, tudo aponta para um triste (re)começo, já que 8 entre cada 10 direitistas apelam, de forma chata e monótona, a uma moralidade abstrata pela moralidade abstrata ou a um arcano livre-mercado em vez de mostrarem, com casos no mínimo plausíveis, como a ausência de algum dos dois piorou a vida de um indivíduo que tinha/tem planos, sonhos, ambições e desejos, ou seja, alguém com que se pode ser solidário.

É, em suma, o triste começo da direita que não conversa com as pessoas. Que se acha mestre em economia, mas que é reprovada com nota 3, no máximo, em Marketing. Que despreza a política em nome de ideais excessivamente rebuscados e, portanto, intangíveis à maioria, nos campos moral e estético. Que não sabe contar uma história. Que, enfim, só não terá um triste fim pior do que o de Policarpo Quaresma não por suas próprias forças, mas se o adversário enfraquecer demais a ponto de sequer reagir, o que, adivinhem?, não acontecerá.

Octavius é professor, graduando em Letras, antiolavette e polemista medíocre. Quando ouve algum liberal falando em livre-mercado, saca logo sua arma: um travesseiro. Anda pagando de Youtuber no canal Eu Apolítico.

Dia dos Professores: uma mensagem apolítica

Como não é segredo para qualquer leitor deste espaço, já que o coloco no Sobre o Autor toda vez que finalizo um texto, sou um ainda inexperiente professor na área de Letras e, com isso, é óbvio que, no dia de hoje, receberia, tanto de colegas da mais alta estima quanto de alguns alunos também da mais alta estima, os parabéns pelo “meu dia”.

Problematizador como sou, porém (e, sim, ainda escreverei um artigo ou gravarei um vídeo defendendo o problematizar, fiquem tranquilos), sempre senti que havia algo ligeiramente estranho, algo incompleto nesse dia e nesses parabéns.  Há, sempre, as discussões sobre a valorização profissional (principalmente salarial) da categoria, mas nada que ultrapasse essas raias, já que, pelo visto, é proibido levantar certos tipos de tópicos no Brasil principalmente em datas comemorativas.

Quero, pois, com este pequeno ensaio, começar a discussão de algumas questões que, sinto, são deixadas de lado quando desse dia e que poderiam ser mais debatidas em nossa sociedade. Como não sou, porém, um esquerdista, não deixo de aceitar os parabéns e de ficar muito agradecido pelos votos, desejando tudo em dobro para os que me parabenizaram.

1- Aos discípulos e aos colegas de outros setores, com carinho

É justamente pela gratidão, aliás, que quero começar. Primeiro, muito se fala sobre o professor, mas é essencial qualquer professor, mesmo o ruim, ter sempre em mente que, sem aluno (e, algumas vezes, sem outros tipos de funcionários), não há dia do professor.

Por mais estranho que isso possa parecer, o que quero dizer é o seguinte: se não houver ninguém para que o professor ensine, quer aqueles com quem tem mais afinidade, quer, principalmente, aqueles com quem tem menor afinidade, não há a razão de ser e de estar empregado do professor.

Quando penso nesse dia, portanto, o que faço é talvez não uma autocrítica no sentido estrito da palavra, mas uma espécie de autoanálise: que tipo de professor tenho sido para os meus alunos? Será que o aluno vem à minha aula meramente por interesse, ou porque conseguimos construir uma sólida relação professor-aluno envolvendo cumplicidade e, talvez, até amizade? Não há algo a mais que possa fazer por ele? Não há algo a mais, principalmente, que possa fazer para demonstrar a minha gratidão?

Lembre-se, colega professor, de que você, por mais importante que seja e por melhor que tente desempenhar o seu trabalho, não é o centro da escola. O centro da escola é, sem dúvida, o aluno, não aquele idealizado de esquerda ou de direita, mas o aluno real, aquele que nos traz problemas, dificuldades, sonhos e esperanças (ou, no mínimo, renovação de esperanças), assim como o outro pilar, de que nós professores precisamos, está nos funcionários de outros setores, aqueles que muitas vezes salvam nossa pele de problemas que, sem eles, nunca seriam resolvidos.

Em suma, aos discípulos e aos colegas de outros setores, com carinho. Nada foi possível, nada seria possível, nada é possível, nada será possível sem todos vocês.

2 – O professor não é divino nem santo, nem deve ser

Se precisamos, como de fato precisamos, da contribuição de tantos para podermos desempenhar nosso papel até mesmo com má qualidade, quem dirá de modo muito satisfatório, fica óbvio que o nosso nível de ação enquanto professores, por mais que nos esforcemos, fica bem limitado.

Ao mesmo tempo, já diria a sabedoria popular e religiosa que “só Deus é perfeito” e que “nem Cristo conseguiu agradar a todos”, o que são duas formas de nos referirmos à natureza humana como limitada e decaída, ainda que não creiamos na cosmovisão cristã ou religiosa de qualquer matiz. Em suma, se não somos perfeitos, é certo que todos temos falhas morais das mais leves às mais graves e que estamos suscetíveis a cometer erros.

Como um ser humano normal, o mesmo ocorre com o professor. A mensagem, pois, é simples, e se direciona tanto a alunos como a professores, a pais e a outros colegas de trabalho: o professor não é, nem deve ser, divino nem santo. Óbvio que, enquanto exemplos para nossos alunos, devemos procurar manter um comportamento socialmente aceitável na maioria das situações, mas é necessário também nos lembrarmos de que também temos sonhos, desejos, esperanças, apreensões, medos e, principalmente, defeitos.

Não se deve, portanto, exigir do professor uma devoção quase franciscana à profissão, como se, além de ter de trabalhar “por amor” (que, aliás, é uma das ideias mais infantis que existem) ou “por vocação”, devesse exercer a perfeição moral absoluta em absolutamente todos os momentos, tornando-o praticamente um escravo de seu rótulo social.

Por outro lado, também o professor precisa admitir que não é inquestionável e que pode cometer graves erros contra alunos. Sim, um professor pode mentir compulsivamente, construindo uma relação frágil com os alunos, baseada em mentiras e não em confiança mútua. Sim, um professor pode omitir. Sim, um professor pode doutrinar, colocando em perigo seu crédito não só como profissional, mas também como pessoa digna de respeito. Sim, um professor pode fazer tudo isso, por mais que não deva, já que a ética profissional e até pessoal não lhe permite.

Agir, então, pelo outro extremo, isto é, como se todo professor fosse automaticamente inquestionável, é igualmente desonesto não apenas com os professores, mas principalmente com aqueles que, de novo, são o centro da vida escolar: os alunos.

3- Professor merece respeito, mas não por ser professor

Com isso, chegamos ao último ponto: está mais do que na hora de pais e até mesmo de professores pararem de ensinar aos alunos que o professor deve ser respeitado por causa de sua profissão.

Lembrai-vos, amigos, de que a profissão de um indivíduo faz parte de quem ele é, mas um indivíduo não é só sua profissão. Como dito anteriormente, seus sonhos, suas esperanças, seus medos, suas qualidades e principalmente seus defeitos é que o tornam um indivíduo digno desse rótulo.

É, portanto, a individualidade, a subjetividade, enfim, a humanidade de um professor que o torna respeitável, e não sua profissão. Deve-se respeitar as pessoas não por causa de suas profissões, mas sim antes mesmo de sequer sabermos se estão empregadas ou não, se são médicas, advogadas, professoras, faxineiras ou qualquer outra profissão.

Devemos respeitar o professor, pois, não enquanto professor, mas enquanto ser humano digno, justamente por sua humanidade, de todo o nosso respeito, ao menos a priori. Condicionar respeito a uma profissão é, afinal, uma forma de reduzir o ser humano a um só aspecto de sua vida, tornando-o, justamente, o que não desejamos: um escravo de sua profissão.

Finalizo por aqui e agradeço não só aos leitores, mas também aos alunos. A esses, assim como a meus amigos professores, fico muito grato por poder mandar de volta um forte abraço e um “Feliz Dia dos Professores!”.

Peace out.

Octavius é professor, graduando em Letras, antiolavette e polemista medíocre. Orgulha-se de ser professor? Não. Orgulha-se de poder agradecer a todos que lhe permitem essa oportunidade de realização profissional.

Boas (ou más) novas: Apoliticamente Incorreto também no Youtube

Bom dia, boa tarde, boa noite.

Por uma série de motivos, que variam desde conveniência até certa curiosidade, achei por bem expandir o número de plataformas para que o leitor possa aproveitar (ou não) o conteúdo de Apoliticamente Incorreto sem ter de ficar lendo páginas e mais páginas de texto.

Agora, sob o nome de “Eu Apolítico“, o blog também estará no Youtube de uma forma bem simples: o que eu não achar que possa articular em um texto será articulado por mim por meio da fala e postado como uma espécie de podcast que pode ser ouvido pelo espectador onde melhor lhe aprouver.

Os assuntos? Os mesmos de sempre: política, futebol, filosofia, literatura ou o que quer que venha à minha cabeça no momento.

Os idiomas do canal? Português (língua nativa) e inglês (língua na qual dizem que sou fluente. Espero que estejam certos).

A frequência de postagem? Quando me der na telha.

O tom? O mesmo de sempre, ou seja, quem conhece o blog conhece o canal.

Até a próxima e nos encontramos por aí, seja no WordPress, seja no Youtube.

Octavius é professor, graduando em Letras, antiolavette, polemista medíocre e, agora, vlogger. Sabe que o canal terá no máximo três vídeos, mas não vê problema nisso.