Notas Mensais: Janeiro 2014 – Fevereiro 2014

Primeiras notas mensais no novo blog, coincidindo com o aniversário de 3 anos. Aproveitem, leitores.

Algumas palavras sobre a arte de escrever *

Algumas pessoas, após terem lido uma caralhada de textos meus, começaram a espalhar, por aí, o boato de que eu seria um bom escritor. Para estas, então, pode parecer estranho o que falarei a seguir, mas, por menos que eu goste disto, qualquer ser humano com QI acima de 30 e com alguma experiência de leitura filosófica, política ou literária mais elaborada que leia os meus textos perceberá ali um péssimo escritor e um retoricista de nível entre o medíocre e o baixo, tudo isto fruto de uma inteligência, no máximo, mediana, e isto porque, praticamente, não me aventuro fora do gênero que, em tese, mais domino, ou seja, o gênero dissertativo.

Logicamente, minha pouca habilidade mesmo com um tipo de escrita ao qual estou mais habituado não se dá fortuitamente, mas sim por uma série de motivos, dentre os quais posso elencar três principais. O primeiro, e talvez menos importante, é que, por alguma razão, simplesmente não consigo revisar nenhum texto que escrevo. Alguns diriam que seria porque, como qualquer escritor, tenho dificuldade em perceber meus próprios erros, enquanto eu diria que é por pura preguiça em nível agudo mesmo. Ao leitor cabe, então, confiar em quem preferir quanto a esse aspecto (eu, porém, apostaria todas as minhas fichas na segunda avaliação).

Como dito, entretanto o primeiro motivo, apesar de um dos principais, nem de longe é o mais importante. Outro, desta vez bem mais importante, tanto que, possivelmente, o mais importante de todos, é que, após ser advertido por um grande amigo, com razão, que meus textos, apesar de curtos (isso no meio do ano retrasado), eram excessivamente prolixos, entrei em uma espécie de crise estilística e, para fugir dela, tento, até hoje, a cada texto, inovar, seja em questão de tamanho, seja trazendo imagens ou mesmo anexando, a certas palavras, links para catapultar meu leitor a outros posts e vídeos interessantes sobre o assunto tratado.

Lamentavelmente, não senti melhora significativa desde meados de 2012 em qualquer desses setores, não tanto por causa das respostas medíocres que recebo algumas vezes, mas por uma questão de autocrítica: Continuo, apesar de querer escrever menos, escrevendo cada vez mais. E o problema é que estou começando a gostar tanto desse estilo que não sei quando conseguirei me livrar dele.

Mas, enfim, passando, agora, ao terceiro motivo possível (lembrando que os motivos não são, necessariamente, excludentes entre si), também poderia dizer que alguns dos melhores escritores que eu já vi, apesar de não todos, quase sempre seguirem, especialmente no que se refere a textos opinativos, uma linha de pensamento que, sem muito esforço, conseguem encaixar, perfeitamente, em todas as análises que fazem. Ocorre, no entanto, que, ao me desfiliar do esquerdismo e ao me propor o excruciante desafio de não me filiar a mais nenhum nicho ideológico, perdi justamente isso, uma linha de pensamento minimamente coerente que pudesse usar como parâmetro para análise de teorias, fatos e derivados – tanto que o mesmo cara que dá total respaldo à direita quanto o assunto é ambientalismo, pena de morte ou porte de armas TAMBÉM dá apoio à esquerda em assuntos como o casamento gay ou mesmo as Cotas em universidades públicas (apesar de, principalmente neste último, adotar linhas de pensamento que qualquer um dos grupos dificilmente toleraria, seja por hipocrisia, seja sinceramente).

De tudo isto, então, podemos abstrair que, “quod erat demonstrandum”, quando se tratar de minhas habilidades escritas, o defensor deve tomar cuidado para não cair em desgraça ao defender como prodigioso alguém que, na verdade, pode ser simplesmente mais um dos vários escritores na multidão. Ai de mim, se não pude nascer com as habilidades retóricas de um esquerdista e com as habilidades de escrita de um direitista, mas sim com o inverso disso!

* Não o livro genial de Schopenhauer, mas a arte de escrever em si, alvo de especulações de ordem estética e filosófica

Diderotismo I

Uma das primeiras grandes lições que posso tirar do filósofo francês Denis Diderot em “Jacques, o Fatalista, e seu Amo”, após terminar de ler o genial episódio de Madame Pommeraye, personagem que faz Bento Santiago, de Dom Casmurro, parecer, quando o assunto é vingança, apenas um moleque birrento, e que, nesse mesmo quesito, só perde para Medeia porque a vingança de Pommeraye, ao contrário daquela da mãe grega, não foi efetiva, é algo já enunciado, magistralmente, pelo inigualável e inenarrável Seu Madruga do Chaves, ou seja, que “a vingança nunca é plena, mata a alma e a envenena”.

Imprensa reacionária? Tem certeza, cara-pálida?

Em uma postagem nova, a famosa página da extremíssima extrema-esquerda “Meu Professor de História”, uma sátira bobinha à página “Meu Professor de História Mentiu para Mim”, contra-ataca. Desta vez, para “provar” que a afirmação “reaça” de que a mídia brasileira é esquerdista é fraude, colocam, em uma foto, algumas personalidades conhecidas do grande público (Gentili, Sheherazade, Bonner, Casoy, Datena, etc) e algumas de que, confesso, nunca ouvi falar, totalizando, assim, 20 jornalistas “de direita” no Brasil.O detalhe é que, como dito, boa parte das personalidades colocadas ali ou é de esquerda (por exemplo, Sheherazade, Datena e Arnaldo Jabor), ou é desconhecida do grande público – eu, aliás, truco que a grande massa saiba quem são Rodrigo Constantino, Diogo Mainardi, Luiz Felipe Pondé e Reinaldo Azevedo – justamente porque, ao contrário dos maiores ídolos da esquerda, como Chico Buarque, Caetano Veloso e Jean Wyllys, todos membros da imprensa, esses ditos “direitistas” não têm, a não ser em um ou outro jornal cuja redação não seja um inferno e em que se acredite em diversidade de opiniões DIFERENTES (e não da mesma opinião, fique claro), um grande espaço em qualquer tipo de mídia.

Até mesmo o próprio Jabor, tão chamado pela esquerda de um dos representantes da “extrema-direita” brasileira (o que quer que isso signifique, pois até hoje não descobri), tem sua participação restrita, na programação aberta da TV Globo, a um comentário diário de menos de 2 minutos no Jornal da Globo, que, com seu horário sempre fixo (só que não), deve ter, obviamente, a maior audiência dessa televisão (só que não, novamente).

Curiosamente, apesar de tanto dizerem sobre a imprensa não ser de esquerda, mas sim, para piorar a situação, REAÇA, citaram, com muito esforço, apenas 20 (dos quais 7, pelo menos, nunca vi mais magros, gordos ou meio-pesados) dos milhares de jornalistas, pensadores, opinadores e palpiteiros que, em geral, povoam a imprensa brasileira. Problemático, para eles, é que, se for para citar conhecidos E ilustres desconhecidos, também posso entrar no jogo com gente como Caetano, Chico e Wyllys, mais conhecidos, e, um pouco menos conhecidos, Leonardo Boff, Mino Carta, Matheus Pichonelli, Paulo Nogueira, Paulo Henrique Amorim, Breno Altman, Marcos Bagno, João Pedro Stédile, Emir Sader, Vladimir Safatle, André Singer, Suzana Singer, Mônica Iozzi (ligeiramente mais conhecida), Maurício Meireles (CQC esquerdista), Guga Noblat (outro CQC, assumidamente esquerdista), Marcelo Rubens Paiva, Sírio Possenti, Idelber Avelar, Cynara Menezes, Lola Aronovich, Leonardo Sakamoto, Luís Nassif, Antonio Prata, Bárbara Gancia, Clóvis Rossi, Luís Fernando Veríssimo, entre outros, e isso apenas começando a descida às minudências.

E então, esquerdalhas, não acham melhor dar meia-volta nessa questão de “imprensa reacionária”?

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Já que, pelo visto, ganhei uma horda de fãs, puxa-sacos e afins mesmo antes da divulgação do meu post sobre Frank Jaava por Olavo de Carvalho, quem dirá depois, sinto que devo vir aqui e confessar uma “humilhante” verdade: Eu não sei, não posso saber e nem QUERO saber sobre tudo que existe no mundo, mesmo quando o assunto é filosófico ou político. Desconheço profundamente, por exemplo, as filosofias de Ortega y Gasset, Fichte, Schelling, Bergson, Heidegger, Kelsen, Peirce, William James, John Dewey, Richard Rorty, Voltaire (apesar de que este, garanto, perde de MUITO longe para seu colega iluminista francês, Diderot, imagine então para outros filósofos), São Tomás de Aquino, Santo Agostinho, Plotino, Diógenes (e todos os outros pós-aristotélicos), Cícero e até mesmo Platão.

Quando o assunto é Filosofia Brasileira então, aí é que a coisa piora, pois sou um completo ignorante sobre Mário Ferreira dos Santos (deste, aliás, só conheço uma parte dos comentários em “Assim Falava Zaratustra”, traduzido genialmente por ele), Miguel Reale, Vilém Flusser, Gustavo Corção, Oswaldo Porchat Pereira et cetera.

Do mesmo modo, também não sei responder, por exemplo, se o livre-mercado é, de fato, a panaceia mundial, se deve haver o salário-mínimo, se a verdade é ou não absoluta e objetiva, se a Psicologia como um todo é ou não uma ciência, se qualquer divindade existe ou não (como sempre digo, eu não ACREDITO porque não SEI, não porque sei que não existe), se o Comunismo está de fato totalmente errado, entre tantas outras coisas.

Isto, porém, não é tudo, pois também devo admitir, igualmente “humilhado”, que tenho dúvidas até mesmo sobre o que creio ser certo, e que algumas dessas dúvidas, com o passar dos tempos e com mais debates e leituras, não têm diminuído em nada. Por exemplo, por mais que viva me dizendo favorável à legalização do Aborto, me pego em dúvida, pois, INEGAVELMENTE, não se trata de alguém com culpa no cartório e que, portanto, mereça a morte, mas sim, na maior parte das vezes, de uma vítima de um casal irresponsável ou até mesmo da pressão familiar contra uma mulher que talvez quisesse, de fato, ser mãe. Igualmente, por mais que me julgue um defensor das Cotas, também me pego duvidando sobre este posicionamento, especialmente porque sei que os riscos que envolvem a aprovação desse tipo de medida.

Enfim, o detalhe é que o que quero que os puxa-sacos entendam é que, por mais que gostem de minhas opiniões, EU NÃO SOU INFALÍVEL e, OH, eu MUDO DE OPINIÃO. O que eu mais detesto, aliás, são, justamente, essas amarras detestáveis em que, muitas vezes, um “fã” pode meter seu ídolo, esperando dele o que ele, mais vezes ainda, pode não dar ou mesmo pode não querer dar.

Sobre o Autor: Octavius é graduando em Letras, mas é réu confesso quando o crime é preferir a filosofia. Acreditava no mito da “imprensa reacionária”, mas, felizmente, conheceu as ideias revolucionárias a tempo. Gosta de ter fãs, mas nunca curtiu ser considerado um intocável ou inquestionável.

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