O Mínimo que Bernardo Lopes precisa saber para não ser um Idiota – O show de falácias de um Lanterna Verde

É, meus amigos, finalmente vou encarar um dos membros da semi-famosa Tropa Lanterna Verde, que é, basicamente, uma congregação de neo-ateus (e um cristão moderadíssimo, Alexandre Mansinho, um dos poucos membros lúcidos da Tropa, apesar de menos lúcido do que deveria) cuja raiva pela religião, como típico de todo neo-ateu, ultrapassa o limite do razoável e os motiva a fazerem vídeos em que igualam “agredir gays” a “não permitir casamento civil igualitário” ou em que sugerem que a existência de anti-militância contra movimentos sociais é fruto pura e simplesmente da intolerância de alguns de seus membros, e não da própria natureza segregatória desses movimentos.

É também uma característica comum a quase todos (senão a todos) esses membros o ódio patológico pela figura de Olavo de Carvalho, que, segundo eles, a partir do momento em que se torna um best-seller em um país que NÃO LÊ, também se torna uma ameaça bem maior do que a mentalidade totalitária do PT ou até mesmo que os próprios religiosos que tanto combatem.

Enfim, considerando isso, não é de se surpreender, então, que venham, desses membros, ataques contra a figura do filósofo (baseados, como quase todo ataque conhecido a Olavo, no famoso “diz-que-me-diz”ou em uma ou outra falha esporádica do filósofo em assuntos QUE NÃO SÃO FILOSÓFICOS), sendo o mais recente deles produzido pelo “Nerd Cético”, também conhecido por Bernardo Lopes, um dos líderes dessa congregação neo-ateísta.

Neste ataque, intitulado “O Mínimo que você precisa saber para não ser um Idiota”, em óbvia paródia ao conhecido livro homônimo de Olavo, obra esta que o cético de boteco, em hangout posterior ao seu vídeo (não me lembro em que ponto, creio que pouco antes do 40º minuto), admite não ter lido, Bernardo faz uma série de afirmações muito interessantes de serem analisadas, além de dar provas,em seu vídeo, de que não leu mesmo a obra, visto que este está estruturado de maneira completamente divergente daquela, cujo título sequer foi escolhido por Olavo, mas pelo editor, Felipe Moura Brasil, não com intenções dogmáticas, mas como uma espécie de provocação ao leitor, e, em especial, ao leitor acostumado à literatura (se é que é digna deste nome) politicamente correta.

Estes detalhes mais profundos sobre o livro em si, entretanto, pretendo abordar em outra oportunidade, pois o que me interessa é, realmente, analisar as falácias de Bernardo. Vamos, então, aos trabalhos.

Bernardo como deseducador retórico

A primeira das 14 frases (de analfabeto funcional) que o neo-ateu posta é a seguinte:

“1- Ad hominem não é argumento”

Certa feita, em um de seus vídeos, o famoso Conde (cuja vida intelectual por hora se limita a xingar muito Francisco Razzo de “conservador em torre de marfim”) disse, sobre Yuri Grecco, outro dos líderes da manada de céticos de boteco, que este tinha uma “cultura de wikipédia”. Pelo visto, nem essa Bernardo consegue ter, visto que, até mesmo na tripudiada Wikipédia, lê-se que “uma falácia é um argumento logicamente inconsistente, sem fundamento, inválido ou falho na tentativa de provar eficazmente o que alega.”

Isto significa que, sendo o ARGUMENTUM (frise-se: ARGUMENTUM) ad hominem uma falácia, isto não o exclui, mas sim o inclui no rol dos argumentos, apesar de logicamente inválidos. O que Bernardo faz, então, é pura e simples distorção da realidade e demonstração de completo desconhecimento de qualquer estudo mais apurado sobre as retóricas grega e latina.

Esta, porém, é apenas a ponta do iceberg. Em seguida, nosso nada ilustre lanterna verde brasileiro, pensando ter descoberto a América, afirma que:

“2- Professor precisa ser formado”

Com isto, sem perceber, Bernardo coloca como mentirosas as carreiras de grandes literatos brasileiros como Machado de Assis, jornalista SEM FORMAÇÃO, e Guimarães Rosa, diplomata SEM FORMAÇÃO. O cético também descarta a existência intelectual de Mário Ferreira dos Santos, filósofo brasileiro sem formação e, quiçá, um dos maiores comentadores já existentes da obra de Nietzsche (um fato para quem tenha lido Assim Falava Zaratustra na versão prefaciada e comentada pelo filósofo brasileiro), que também NÃO TINHA FORMAÇÃO em Filosofia (Aliás, Nietzsche, se formos analisar, seria hoje formado no que chamaríamos de um curso de Letras, ou, talvez, de Letras Clássicas).

Quanto ao professor, este tipo de imbecilidade só é proferida por dois tipos de pessoas: Os que acham que formação é documento (e, não, não é, só é para áreas técnicas, o que não é o caso, por exemplo, de Filosofia ou Letras) ou os que, como dito em outro post meu, veem a educação pela ótica mussoliniana e, portanto, fascista. Aliás, que me perdoem os leitores, mas minto, pois há um terceiro tipo: aqueles que, por não terem passado por uma licenciatura, não conhecem as bizarrices intelectuais a serem aceitas pelos futuros professores, que, muitas vezes, só se capacitam para dar aulas dando aulas, e não “por formação”.

Tudo isto, entretanto, é apenas a primeira seção das bizarrices de um dito cético. Agora é que a coisa começa a pegar fogo.

Bernardo como mitômano

Um mitômano, como creio que sabem os amigos leitores e o próprio “nerd cético”, é aquele que, de tanto mentir (e mentir com convicção), passa a crer na própria mentira. Parece ser isto o que acontece com Bernardo nas afirmações seguintes, distorções descaradas do pensamento de Olavo espalhadas por seus desafetos, dentre eles o próprio Bernardo:

“3- Vermelho é só uma cor”

Segundo o nosso genial cientista político, vermelho passou a ser apenas o que antes do comunismo era, ou seja, uma cor primária. Pois é, espero que os membros do PCB, do PSTU, do PCO e do próprio PT não o ouçam dizer isto, nem as duas próximas frases, ainda mais absurdas.

PS: Isto não significa, é lógico, que tudo que tem vermelho é comunista, mas o próprio Olavo não disse isso até que se prove o contrário.

“4- Comunismo respira com aparelhos”

“5- Teorias da conspiração sem fundamentos são papo furado”

Aqui, também, Bernardo demonstra seu completo desconhecimento de tudo que se refere a comunismo e mesmo ao livro que parodia, pois, em um dos artigos lá constantes, Olavo nos mostra um trecho das memórias de George Soros (se bem me lembro), em que este se declara um internacionalista a todo custo, inclusive ao custo de financiar movimentos comunistas por todo o mundo.

Do mesmo modo, ao reclamar de “teorias conspiratórias”, Bernardo também demonstra não ter o menor conhecimento sobre o Foro de São Paulo, cujas atas estão disponíveis na internet para qualquer um que queira examiná-las. De fato, concordo com o dito cético quanto a teorias conspiratórias sem fundamento (um pleonasmo, diga-se de passagem). Mas esta teoria, de conspiratória, nada tem.

“6- AIDS não é teoria da conspiração”. 

Mais mentirosa, porém, é a frase acima, sobre a qual apenas pergunto ao nosso amigo cético (que, segundo seu próprio companheiro de tropa, Maestro Bogs, deveria, por definição, procurar as evidências daquilo que diz): Quando Olavo afirmou isso? Em que contexto? Com quais intenções? Para quem?

Para um cético, nosso amigo é um bom mitômano. Hora de mudar de assunto, no entanto e pelo menos momentaneamente, visto que as falácias bernardianas têm muitas subdivisões.

Reductio ad absurdum

“7- Combustíveis fósseis existem”

“8- Reconheça seu erro”.

Em seguida, nas frases acima, Bernardo, como todo aquele que, assim como seus companheiros, sente medo patológico por Olavo, aproveita-se de duas falhas momentâneas e que nada têm a ver com Filosofia propriamente dita para, então, tentar, porcamente, reduzir o filósofo campinense à condição de idiota.

Para quem muito falou sobre falácias na primeira frase, porém, é estranho que o “nerd cético” (que, como vemos, de cético nada tem) seja um adepto tão fervoroso (característica que não combina com o ceticismo) da redução ao absurdo, ou reductio ad absurdum, falácia em que se pega o que o oponente falou de impróprio (ao menos aparentemente) e se usa como motivo para ridicularizar todo o seu pensamento. Mais uma vez, uma simples consulta ao artigo sobre falácias da Wikipédia é mais do que suficiente, pois, lá, lemos que:

“É importante observar que o simples fato de alguém cometer uma falácia não invalida toda a sua argumentação […] A falácia invalida imediatamente o argumento no qual ela ocorre, o que significa que só esse argumento específico será descartado da argumentação, mas pode haver outros argumentos que tenham sucesso”.

Pelo visto, então, e até que se prove o contrário, está claro que nem mesmo cultura wikipédica há em Bernardo. O mais grave, entretanto, ainda está por vir. Voltemos, então, à mitomania.

O império contra-ataca – A volta das mentiras que não foram

Voltando, então, à mitomania, vemos um claro exemplo de mentira e distorção na nona falácia bernardiana:

“9- Gays não são superpoderosos”

Ao dizer isso, Bernardo afirma, logo em seguida, que “Não existe ditadura gay”. De fato, não existe, nem Olavo disse isso. Isto não significa, entretanto, que a preocupação deva deixar de existir, especialmente porque, em nome das “minorias” (o que quer que isso signifique, pois eu mesmo achei que entendesse essa palavra dentro da língua progressista, mas não entendo), está se calando até mesmo um humorista cuja audiência sequer chega a 5 pontos no auge. Isto fora, como bem explicado por Flávio Morgenstern, o minarquista uspiano, a hipersensibilização, um dos fenômenos mais comuns na democracia socialista brasileira, em que se blinda as minorias de todos os lados sem mesmo consultar-lhes sobre isso, criada em torno dos gays pela famigerada PLC 122. Ou seja, não existe ditadura gay… ainda.

Mais bizarra, porém, é a próxima afirmação:

“10 – Cristãos NÃO SÃO COITADINHOS”

Esta afirmação, por si só, seria o óbvio ululante, visto que nenhum grupo é coitadinho, pois, a não ser no caso de pessoas com graves deficiências mentais, não existem coitadinhos (a não ser na cabeça de um rousseauniano). O que se segue, porém, é o absurdo. Bernardo afirma, sem citar qualquer fonte histórica, que o Cristianismo “mais perseguiu do que foi perseguido”.

Caro Bernardo, vamos deixar as coisas bem claras: Por mais ateu que eu seja ou por mais neo-ateu que você seja, negar os 300 anos de perseguição romana-pagã aos cristãos e os mais de 1300 anos de perseguição muçulmana a cristãos no Oriente Médio, perseguição esta que dura até hoje (isto fora a perseguição no Japão, na China e nos países comunistas e ex-comunistas), e, com base nisso, afirmar que cristãos mais perseguiram do que foram perseguidos não é  nada mais do que mentira pura e simples, e mentira das mais deslavadas. Parece, então, que não é só seu ouvinte que precisa aprender muito para não ser idiota, não?

“11- Viva a Revolução Francesa!”

Falando ainda em Cristianismo, o “nerd cético”, então, reproduz a mentira mais deslavada de todos os tempos, também reproduzida por seu comparsa Yuri Grecco e refutada por Conde, a de que nossos valores morais atuais existem graças à revolução francesa. Quanto a isto, não há muito o que falar fora do já dito por Conde: Ao afirmar que liberdade, justiça e igualdade foram introduzidas pela Revolução Francesa, afirma-se também, categoricamente, que estes conceitos não eram sequer discutidos antes desse período. Isso não só se desmente lendo OS FILÓSOFOS INSPIRADORES da Revolução (Diderot, Rousseau e Voltaire) como também qualquer obra clássica grega ou latina, nas quais se discute muitos conceitos melhor do que qualquer Foucault ou Ponty por aí.

Há, porém, o que se indagar quanto à frase em si: Como um cético pode vir com a cara mais deslavada do mundo dizer que tem orgulho de uma Revolução que, em poucos meses, ceifou mais de 40 mil vidas com a guilhotina? (17 mil só durante o Terror)

Após isto, Bernardo vem com a mesma apelação do item 9:

“12- Marx não tem superpoderes”

De fato, Marx não é superpoderoso, assim como Aristóteles, Agostinho, Tomás de Aquino, Descartes e Kant também não eram. Detalhe: Estes cinco foram, talvez, os filósofos mais influentes da história, tendo influenciado inclusive o modus vivendi dos homens posteriores a eles (Aristóteles na Grécia e em Roma e nas ciências por muitíssimos séculos, Agostinho e Tomás na era Medieval, Descartes e Kant na Modernidade). Tem certeza, então, ó CÉTICO, de que Marx está morto?

Por fim, mais uma distorção:

“13- Geocentrismo = caô”

E Olavo nunca disse o contrário. Do que eu saiba, aliás, o que Olavo diz, e que está CERTO, é que não existem provas cabais para se provar a teoria heliocêntrica ou qualquer outra teoria sobre o Universo, pois isto não é verificável para humanos.

ADENDO: Pouco depois desse post, Olavo esclareceu a situação de vez dizendo que não é porque se rejeita uma hipótese que se aceita, necessariamente, a contrária, o que é uma regra elementar de lógica. O cético, pelo visto, porém, ainda precisa aprender o que é isso.

E mais uma distorção e uma mostra de desconhecimento:

“14- Nunca houve ditadura comunista no Brasil.”

Nem é isso que se diz. O que se diz é que, sem a intervenção militar, o risco de um golpe era iminente. Ou será que não era, apesar de a esquerda já estar armada no Brasil da época, do apoio cubano e soviético e de todo o cenário de caos no país com as guerrilhas? Investigue, “cético”, investigue.

Vemos, então, que, para um cético, Bernardo tem muitas certezas, e que, para um nerd, falta estudo. Poderíamos dizer, então, que, como cético, Bernardo é um neo-ateu medíocre, e, como debatedor, Bernardo é um estudante mediano de Ensino Fundamental. Como contestador de Olavo, então, o “nerd cético” teria muito futuro como sósia de Emir Sader.

NOTA: Não espero resposta a este post, mas, caso ela venha, será apreciada como qualquer outra foi em oportunidades anteriores.

Sobre o Autor: Octavius é graduando em Letras e, melhor do que muitos “céticos”, caminha pela estrada da Filosofia. É ateu e até acreditaria piamente no fim da religião como panaceia mundial, mas deixou de crer nessas histórias da carochinha há algum tempo. Faria sátira de O Mínimo que você precisa saber para não ser um Idiota, mas, ao contrário de Bernardo Lopes, leu o livro em questão.

*Originalmente publicado em “O Homem e a Crítica” em 25/12/2013

PS: Quem vier com a conversa de um dos comentadores desse post no outro blog de que “só refutei a frase, e não o que ele disse” não terá seu comentário excluído (pois só o faria se o comentário fosse uma ofensa pura e simples), mas será convidado a enfiar o objeto que prefira no próprio orifício anal.

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