Ridendo castigat Sakamotores – A falta de coerência do feminismo sakamotiano

Sim, meus amigos, é hora de rirmos do famoso blogueiro da extrema-esquerda, Leonardo Sakamoto, um dos filhos da PUC que utiliza o espaço e o dinheiro desta mesma PONTIFÍCIA Universidade CATÓLICA para, entre outras coisas, poder se manter como blogueiro fazendo campanhas para o neo-ateísmo, para o feminismo em sua forma mais extremista e, por corolário, para a absoluta legalização do Aborto, entre outras causas que, muito curiosamente, de católicas ou mesmo de tolerantes com a opinião religiosa nada têm.

A cara de Leonardo Sakamoto ao ver as primeiras zoações deste blogueiro há alguns meses: "Não pago internet para você ferir meus sentimentos, cara".

A cara de Leonardo Sakamoto ao ver as primeiras zoações deste blogueiro há alguns meses: “Não pago internet para você ferir meus sentimentos, cara”.

Para os que lembram da primeira vez que ri da cara do japonês progressista – o que, aliás, é quase um paradoxo considerando a história japonesa, em especial com relação ao tema “tolerância religiosa”-, farei, basicamente, o mesmo esquema neste post, comentando uma por uma as alegações do nosso filósofo e cientista político pós-moderno-leninista-trotskysta-marxista-feminista-anarquista-socialista-comunista. Desta vez, porém, nossa conversa será, provavelmente, mais longa, pois são mais besteiras para comentar.

Bialmente falando, então, aos trabalhos. Basicamente, o texto de Sakamoto fala sobre os desejos de nosso Simone de Beauvoir de calças para o Dia da Mulher do ano passado. Como, entretanto, não creio que os desejos de Sakamoto tenham mudado, tendo, aliás, fortes evidências para crer nisto (como o fato de ter repostado, hoje, o pior texto do Sakamoto de 2013), listá-los-ei e comentá-los-ei um por um.

Após uma curta (ufa!) introdução, Sakamoto deseja que:

1) A partir de agora, o sobrenome do marido não deverá ser imposto à sua companheira contra (sic) vontade dela, como uma marca de ferro em brasa delimitando a propriedade. (Atenção aos leitores desatentos: falo da imposição que continua existindo por parte de pais e maridos apesar da (sic) legislação garantir a escolha da mulher.)

Primeiro, se temos, por qualquer dos lados, uma imposição de qualquer coisa e não uma conversa, uma negociação, já temos um problema de relacionamento, pois temos duas pessoas que, pelo visto, não estão na mesma sintonia nem tem um bom acordo  para os dois sobre como os problemas da casa serão resolvidos – afinal, se, já no começo, o marido impõe à mulher  um item, este marido, provavelmente, continuará impondo tudo, inclusive o papel que a mulher deve ter no relacionamento.

Segundo, algo que me deixou muito curioso: Como assim “pais” (e suponho que Sakamoto, feminista até o dedo do pé, tenha excluído as mães ao usar o vocábulo “pais”) impõem um nome? Impõem à filha  que tenha o nome do marido, ou impõem que a filha tenha o sobrenome paterno?

Vemos, então, que, como na outra oportunidade, Sakamoto continua não se fazendo entender. O problema, porém, é que, pelo visto, ele mesmo não consegue entender muitas coisas:

2) O currículo escolar será aprimorado para que, nas aulas de língua portuguesa, os meninos e rapazes possam compreender o real, objetivo, profundo e simples significado da palavra “não”.

Para Sakamoto, então, o currículo escolar não deve ser aprimorado porque grassa, na nação brasileira, o analfabetismo funcional inclusive nos meios universitários – o que, aliás, não surpreende quando vemos que até Sakamoto conseguiu um doutorado quando, olavianamente falando, não deveria ter nem o diploma do primário com tal domínio do próprio idioma -, mas porque alguns boçais não entendem o que as mulheres querem dizer por “não”.

Isto significa, na prática, que a motivação de nosso mais novo filósofo da educação (como se Paulo Ghiraldelli Jr. não bastasse) não é a solução de um problema geral, mas a mera proteção de um grupo como se este, apenas por ter sido escolhido como o oprimido da vez, merecesse mais direitos do que os outros. Da mesma forma, não seria anormal, para Sakamoto, que começassem a pulular, por aí, em nome das minorias, leis que censurassem determinadas palavras por estas terem, muitas vezes, conotação negativa. Ah, não, espera, é mesmo, ele não só aceita como defende essas leis.

3) As frases “Onde você acha que vai vestida assim?”, “A culpa não é minha, olha como você tá vestida!”, “Se saiu de casa assim, é porque está pedindo” a partir de agora serão banidas da boca de maridos, pais, irmãos, filhos, netos, namorados, amigos e outros barbados.

Ou seja, a partir de agora, mesmo uma frase que retrate preocupação, ainda que na boca de um pai naturalmente preocupado com a criminalidade que se espraia cada vez mais pela , deverá ser proibida. Da mesma forma, uma frase que pode, inclusive, ajudar a mulher a filtrar desde babacas puros e simples a reais ameaças deverá ser banida da língua (alguém mais lembrou da “novilíngua”?) simplesmente pelo fato de que, para Sakamoto, são frases, e não uma mentalidade de falta de respeito ao outro (que não necessariamente é sempre enunciada, podendo ficar implícita), que causam todas as arbitrariedades contra mulheres. Seria genial, se não fosse, em essência, esquerdista… Ah, não, não seria genial mesmo.

4) Está terminantemente proibido empregar apenas atrizes em comerciais de detergentes, desinfetantes, saches de privada, sabão em pó, rodos, vassouras, esponjas de aço, palhas de aço, aspiradores de pó, cera para chão e afins. A associação direta de mulheres e produtos de limpeza em comerciais de TV está extinta.

Ou seja, são os comerciais os culpados pelo machismo,  e não o machismo culpado pelos comerciais. Aliás, com que direito Sakamoto interfere na propaganda alheia? Seria ele, também, doutor em Publicidade para saber o que é mais efetivo ou não em uma propaganda? Ou será que, para ele, seria válido associar apenas homens à limpeza da casa? Onde está, então, a igualdade nisso, quando apenas um lado pode ser associado às propagandas? Não seria isto, então, misandria?

5) Empresas estão proibidas de distribuir flores no dia de hoje como prova de seu afeto às mulheres. Em vez disso, implantarão políticas para: 1) impedir que elas ganhem menos pela mesma função; 2) não sejam preteridas em promoções para cargos de chefia pelo fato de serem mulheres; 3) não precisem temer que a maternidade roube seu direito a ter uma carreira profissional; 4) seja punido com demissão o assédio de gênero como crime à dignidade de suas funcionárias.

Ou seja, que se interfira no funcionamento e na política interna de empresas PRIVADAS (se bem que Sakamoto não gosta muito desse termo, preferindo socializar, desde que seja o dos outros) para satisfazer os desejos de Sakamoto de igualdade, nos quais nada cita sobre proibir políticas para que homens ganhem menos do que mulheres – o que, aliás, não faz o menor sentido, pois, na maioria dos casos, não é só a função mas também os anos na empresa que contam – ou para que homens não sejam preteridos em promoções para cargo de chefia pelo fato de serem homens (aliás, Sakamoto tem provas de que mulheres são preteridas exclusivamente pelo fato de serem mulheres?), ou, ainda, para que se demita o assédio de gênero como crime à dignidade dos funcionários. Ou será que Sakamoto, em sua ânsia por defender as minorias, se esquece, propositalmente, de que estas também são capazes de cometer atos ruins e de serem preconceituosas?

Antes que me falem, não, eu não acho razoável que se faça qualquer dos quatro itens que Sakamoto apontou dentro de uma empresa. Ocorre, porém, que, no auge de sua mentalidade totalitária, Sakamoto quer proibir até mesmo que se mostre, ao menos uma vez no ano, a apreciação pelo trabalho de uma funcionária. Será que Sakamoto funciona de modo tão totalitário que só conhece a palavra “proibir” ao invés de “desincentivar”?

6) Cuidar da casa e criar os filhos passa a ser visto também como coisa de homem. E prazer e orgasmo também como coisa de mulher.

Isto, é lógico, por meio da imposição pura e simples, não do convencimento ou do incentivo a outras visões sobre o papel da mulher na sociedade. Eis, de novo, o totalitarismo sakamotiano revivendo a novilíingua orwelliana em nome das minorias e do “mundo melhor”.  Gostaria de saber, porém, o que ele fará quando perceber que este “mundo melhor” pode ser uma cilada. Aliás, não quero. Ele teria de escrever outro texto sobre isso, e um texto mal escrito por mês para refutar já é mais do que suficiente.

George Orwell vendo a lista de todos os esquerdistas que entenderam a mensagem de 1984: "Seria melhor ter ido ver o filme do Pelé", declarou o escritor inglês.

George Orwell vendo a lista de todos os esquerdistas que entenderam a mensagem de 1984. “Seria melhor ter ido ver o filme do Pelé”, declarou o escritor inglês.

Em seguida, vem uma ideia até interessante:

7) Os editoriais dos veículos de comunicação não serão escritos por equipes eminentemente masculinas. Da mesma forma, as agências se comprometem a derrubar a hegemonia XY em suas equipes de criação, contribuindo para diminuir o machismo na publicidade.

Aqui, sou réu confesso quando a questão é concordar com Sakamoto – que, pelo visto, não entende que a conditio sine qua non para que haja mais mulheres nos editoriais e nas equipes de criação de veículos de comunicação é que mais mulheres se interessem por Jornalismo e por essas áreas dentro do Jornalismo, e não a imposição sakamotiana pura e simples. Diria, aliás, que deveria estender essa regra aos artigos de jornais também (pois há mais “hegemonia XY” do que em artigos de jornais?). Afinal, imaginem, podemos nos livrar de gente como Sakamoto, Safatle, Duvivier et caterva e colocar mulheres que saibam acionar mais de dois neurônios do cérebro ao discutirem uma questão. E aí, Saka, aceita esses termos?

Sakamoto, então, resolve levar o totalitarismo além do bem e do mal dos limites do ridículo:

8) O direito da mulher a ter autonomia sobre o próprio corpo e o direito de interromper uma gravidez indesejada não precisarão ser questionados. Nem devem requerer explicação.

Id est, a mulher será absolutamente soberana sobre seu corpo mesmo quando este estiver mantendo uma vida que não a dela e que não gerada por ela unicamente, e quem a questionar sobre qualquer decisão que esta tome (em especial a decisão pelo Aborto, que é o real desejo de Sakamoto) não passará de um mero atrasado que deverá, por corolário, ser reeducado ou ser levado ao ostracismo. Não se deverá levar em conta, portanto, a opinião e os argumentos pertinentes dos melhores “pró-vida”, mas simplesmente relegá-los ao limbo como “interferência indevida sobre a decisão da mulher”.

Da mesma forma, uma mulher irresponsável sexualmente que aborte a torto e a direito terá o direito absoluto de sequer ser questionada pelas pessoas que com ela convivem sobre a retidão desse seu ato contra outras vidas que impediu de florescer (afinal, isso é intrometer-se na decisão soberana da mulher!). Não se deve, então, sequer questionar os motivos de uma mulher para levar uma vida desse jeito, por mais que ela esteja incentivando, com sua promiscuidade, outras a seguirem o mesmo caminho (sim, senhor Sakamoto, isto, segundo suas próprias premissas, também é um incentivo à desvalorização da mulher).

Outro ponto a ser abordado é que, ao contrário de argumentadores apenas pró-legalização do Aborto, Sakamoto sequer fala em motivos sérios (como o estupro, que já não é mesmo questionado, ao menos pela lei), mas apenas em “gravidez indesejada”. O que seria, contudo, um feto indesejado? Será que não passou pela cabeça de Sakamoto, ao menos por um microssegundo, que pode estar propondo aquilo que as esquerdas dizem combater veementemente, a eugenia social?

Ocorre, porém, que nosso ilustríssimo cientista político também está preocupado e cheio das melhores intenções com os partidos políticos:

9) Os partidos políticos não apenas garantirão cotas para a participação das mulheres nas eleições, mas investirão pesado em suas candidaturas a fim de contribuir para que os parlamentos representem, realmente, a sociedade brasileira. Da mesma forma, nomear mulheres como secretárias de governo, ministras e em cargos de confiança, na mesma proporção que homens, será ato corriqueiro.

Ou seja, não é o carisma do candidato ou mesmo suas propostas (ou sua competência, no caso de cargos administrativos) que, para nosso filho da PUC, deverão fazê-lo vencer uma eleição, mas sim o simples fato de pertencer a uma minoria (Ou você acha que não sabemos que você defende a estupidez das Cotas para deputados, Saka?). Realmente, para alguém que julga combater preconceitos, Sakamoto está muito discriminatório, não acham?

Sakamoto, ao ser encontrado ostentando seu MacBook, recusou-se a prestar maiores esclarecimentos e gritou: "Fascista! Fascista!" - o que em nada nos surpreendeu

Sakamoto, ao ser encontrado ostentando seu MacBook, recusou-se a prestar maiores esclarecimentos e gritou, contra os membros de nossa equipe, “Fascistas! Fascistas!”. Não ficamos surpresos.

Calma, leitor, estamos quase no fim. Vamos, então, ao penúltimo item:

10) Homens entenderão que “um tapinha não dói” é uma idiotice sem tamanho.

E Sakamoto entenderá, também, o que Nelson Rodrigues queria dizer por “Nem todas as mulheres gostam de apanhar, só as normais”. Mas, enfim, vamos terminar de vez sua lista com algo muito interessante:

11) Por fim, feminismo será considerado sim assunto de homem. E meninos e rapazes, mas também meninas e moças, deverão ser devidamente educados desde cedo para que não sejam os monstrinhos formados em ambientes que fomentam o machismo, como a família, colégios e universidades.

Muito curiosamente, parece que Sakamoto não sabe que setores dentro DO PRÓPRIO FEMINISMO rejeitam sua afirmação, dizendo que feminismo é assunto que apenas as mulheres são capazes de discutir. Ah é, mas esqueci, Sakamoto não gosta de discussão, mas de ponto de vista único. O que ele quer, então, não é que haja um debate verdadeiramente honesto, de lado a lado, sobre as qualidades e os problemas do feminismo, mas a pura e simples aceitação de todo tipo de maluquice que as feministas venham a inventar para que todos não sejam “formados em ambientes que fomentam o machismo, como a família, colégio e universidades”.

Aliás, falando nestas, não foi justamente na universidade CATÓLICA em que Sakamoto leciona que, contra o machismo e a opressão religiosa, se malhou o Papa? E não foi na Fefelixo FFLCH, um dos campi da USP, universidade mais famosa do Brasil, que se promoveu, contra a “homofobia”, o “saiaço”? E não foram, também, os universitários alguns dos que mais se movimentaram contra a suposta homofobia feliciana? De que universidades, então, o nosso aprendiz de Paulo Ghiraldelli estaria falando?

Para finalizar o texto, Sakamoto resolve “omenagear” (sim, com “o” mesmo, pois sua “omenagem” foi indigna de um esmero maior com a grafia correta desse vocábulo contido na última flor do Lácio) as mulheres de sua vida:

Em tempo: aproveito para agradecer novamente às mulheres que passaram pela minha vida e foram fundamentais para que fosse um homem menos idiota.

Em tempo: Então não adiantou muita coisa, Saka. Não adiantou mesmo.

Sobre o Autor: Octavius é professor, graduando em Letras e polemista semi-profissional, além de caminhar, ocasionalmente, pelas ruas da Filosofia. Tem orgulho de ter sido esquerdista e, mesmo assim, nunca ter achado Sakamoto um autor sequer digno de atenção.

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