As velhas aberrações da Socialista Morena: Um “reaça” contra-ataca

Em minha saga para achar feministas para detonar, eis que me deparo com uma crítica da super-democrática Socialista Morena– vulgo Cynara Menezes, aquela que já declarou, entre outras coisas, que debate é só entre iguais e que Nelson Rodrigues, que escreveu, sobre si mesmo, um livro intitulado “O Reacionário”, não poderia ser reaça de forma alguma – à ultranazista Bruna Luiza, cujo erro, segundo Cynara, foi escrever um blog chamado “Garotas Direitas”, pois, para Cynara, toda e qualquer pessoa, especialmente uma garota, só pode ser do mesmo ramo de sua esquerda (ou seja, da extremíssima extrema-esquerda) ou, quando muito, da esquerda revolucionária um pouco menos radical (como aquela que é comunista e não se assume, como bem lembra Flávio Morgenstern).

Nelson Rodrigues lendo as declarações de Cynara Menezes sobre sua obra. Ao ser perguntado, depois, por nossa equipe, sobre o que falaria a Cynara se a encontrasse, o teatrólogo brasileiro respondeu: "Envelheça, Cynara, envelheça rápido!".

Nelson Rodrigues lendo as declarações de Cynara Menezes sobre sua obra. Ao ser perguntado, depois, por nossa equipe, sobre o que falaria a Cynara se a encontrasse, o teatrólogo brasileiro respondeu: “Envelheça, Cynara, envelheça depressa!”.

Aconteceu que, para delírio da nossa Sócrates sem dialética, a supracitada Bruna viu o post com críticas e foi lá humilhar Cynara debater com nossa intrépida e incauta Socialista Morena, que tergiversou como sempre e apanhou, retoricamente, como sempre também. Para, porém, não ficar tão mal perante seu público, além de soltar um comentário sem pé nem cabeça comparando reacionários com hienas (quando são, na verdade, os socialistas que têm uma inteligência menor que a das hienas), a nossa democrata reviveu um seu texto de 2013 sobre as novas aberrações cognitivas – id est, além da classe média, isto segundo Marxilena Shallwe Marilena Chauí – existentes em terras tupiniquins. 

Resolvi, para fins de puro masoquismo e para ver o histerismo dos fãs de Cynara, que provavelmente tomarão o título deste post literalmente, ler o texto em questão e comentar sobre cada uma das aberrações encontradas pela Sakamoto de saias. Bialmente falando, então, aos trabalhos.

Cynara, a velha esquerdista

O primeiro grupo aberrativo da lista do texto, intitulado Freak show: as novas aberrações, é o dos jovens direitistas. Segundo Cynara, o jovem direitista “é um espanto”. Realmente, deve ser um espanto para a Socialista Morena perceber que jovens podem pensar por conta própria e, ainda assim, não gostarem da esquerda, ou mesmo terem sido de esquerda e, com a desilusão ou com estudo, passarem ao outro lado. Ela, porém, explica a razão do seu espanto:

Em vez do rapaz e moça que faziam de tudo para contrariar o conservadorismo dos pais, são jovens que concordam em tudo com o que eles pregam. “Sim, mamãe”, repete o jovem direitista bem nascido. A não ser que os pais sejam moderninhos demais, aí eles preferem se mirar nos avós fãs da ditadura.

Ou seja, para nossa amálgama entre libertarianismo de boteco e socialismo de verdade, o jovem tem de, necessariamente, procurar sempre contrariar tudo o que “a sociedade” lhes “impõe”, ou, no caso, tudo o que os pais pensam. Mas, ora, não é justamente isso o que a modernidade CAPITALISTA fala que os jovens fazem? Uma dita defensora da “liberdade socialista” quer, então, que os jovens sigam o modelo capitalista “fascista” e apenas se submetam a determinado tipo de comportamento que a sociedade diz que eles têm? Será que Cynara não sabe que devemos “subverter a adolescência” em prol da liberdade dos jovens?

Entretanto, não cessa por aí. Em seguida, fora a repetição total da papagaiada antimilitar que vem dominando os meios escolares  e midiáticos nos últimos 30 anos, a Socialista Morena nos mostra seus conhecimentos sobre lógica:

Em sua visão, os governos militares foram uma época de prosperidade à qual o Brasil deve muito, e o desrespeito às liberdades individuais e aos direitos humanos, apenas um detalhe. Já os guerrilheiros que foram presos, torturados e que deram a vida para lutar contra a ditadura são terroristas sanguinários.

Para Cynara, então, além de o governo militar ter de ser, necessariamente, apenas atacado e nunca defendido mesmo nos pontos em que foi obviamente mais virtuoso do que a democracia atual, dizer que guerrilheiros terroristas são terroristas parece excluir que se possa culpar, também, os militares por seus erros e vicissitudes. É bom, então, avisarmos a Olavo de Carvalho que suas críticas à postura dos militares perante os comunistas são só ficção, pois este também chama terroristas de terroristas (Aliás, do que Cynara sugere que os chamemos? Ah, verdade, deve ser de “heróis da democracia” ou algo do tipo).

Dando prosseguimento ao relato de sua descoberta científica de aberrações cognitivas, Cynara também aponta que “Os bizarros jovens de direita são radicalmente contra a maconha, “coisa de vagabundo”. Nossa, mas que crime inominável! Como assim esses jovens não querem que o ambiente em que circulam e que é sustentado pelo dinheiro do contribuinte tenha a livre circulação de drogas, sendo que, obviamente, toda a nossa população é composta de apoiadores da maconha? Mas são uns fascistas mesmo! E ficam ainda mais fascistas quando:

deduram para a polícia que circula pelo campus –sim, eles se mobilizaram para conseguir que o campus, antes um espaço de livre expressão, passasse a ser policiado

Isto porque, é óbvio, fumar maconha é, em si, um ato de expressão, e porque, também obviamente, apenas na cabeça desses jovens direitistas a maconha é criminalizada. Imagine. E olha que, segundo Cynara, “estudam Direito e adoram ir à missa”. Mas que anticristão respeitar a lei de César e denunciar criminosos à polícia. Como assim esses caras não seguem religiosamente todas as propostas do mestre Leonardo Boff? Fascistas! Fascistas!

"Não dou entrevista para mídia burgueso-fascista" - Leonardo Boff sobre porque se recusou a responder às perguntas de nossa equipe sobre o artigo da "cumpanhera" Cynara.

“Não dou entrevista para mídia burgueso-fascista” – Leonardo Boff sobre porque se recusou a responder às perguntas de nossa equipe sobre o artigo da “cumpanhera” Cynara.

Cynara, a trans machista

O segundo grupo de aberrações da lista de Cynara, por sua vez, é o que ela define como “mulher machista” (aliás, um clichê vagabundíssimo da esquerda feminista em massa). Segundo a nossa cientista política de banheiro, esse tipo de mulher:

é assombrosa. Trata-se de uma mulher, geralmente jovem, que cospe em todas as realizações da liberação feminina. Acha, aliás, que não deve nada ao feminismo, pelo contrário. Defende que o feminismo é a razão de toda a “infelicidade” e “frustração” das mulheres de hoje.

Para Cynara, então, todas as  mulheres têm, sem maiores questionamentos, de concordar em absoluto que a liberação feminina é o suprassumo da felicidade terrena e que, efetivamente, seria impossível, por uma mentalidade não-revolucionária, ceder às mulheres direitos iguais (isto é, liberalismo político não existe). Da mesma forma, a crítica também é distorcida pois a imensa maioria das mulheres que criticam o feminismo criticam com mais ferocidade o feminismo atual, aquele que se resume a enfiar símbolos sagrados de religiões majoritárias no orifício anal e em fazer campanha pela “menstruação livre” para lutar contra a opressão “machista” e “capitalista”, sendo que este feminismo, aliás, além de ser incomparavelmente menos sofisticado do que o antigo, também fez muito menos no sentido da real emancipação da mulher, pois, pelo visto, anda se preocupando mais em fazer apologia da mutilação genital de seus opositores do que, de fato, com os anseios da mulher contemporânea.

O cinismo cynariano, porém, não tem limites:

Por causa do feminismo, brada, se uma mulher optar por ser dona-de-casa será execrada! É muito triste, diz a mulher machista, não poder abdicar da profissão para cuidar da casa e dos filhos, pois se sentiriam constrangidas pelos olhares de reprovação das feministas, estas desalmadas, péssimas mães que não sabem nem fritar um ovo.

Gostaria, então, de ver Cynara tentando deixar de escrever suas porcarias com dinheiro estatal e publicamente recolhendo-se à vida de dona-de-casa defensora de valores conservadores e anti-feministas para ver como suas hoje amigas feministas reagiriam. Não sei porque, mas posso garantir que não seria com loas a este novo comportamento.

Ocorre, porém, que o ponto em que Cynara quer tocar ainda está por vir:

Elas odeiam que uma mulher esteja na presidência, acham um desserviço, já que todo mundo sabe que os homens são superiores nestas tarefas.

Ah, então esta é, de fato, a questão. Para a socialista morena, o fato de uma mulher se opor ao governo Dilma significa, obviamente, não que ela está descontente com um governo incompetente que pode, com a sobrecarga de impostos ao empresário, levar seu marido, seus irmãos ou ela própria à demissão, e que, ao negligenciar a punição séria aos criminosos, brinca com a vida de pais, filhos, maridos, irmãos E de mães, irmãs e filhas. Não, não é por isso que esta mulher está descontente, claro. Como assim vocês reaças não percebem que uma mulher só pode estar descontente com um péssimo governo de uma mulher por causa de machismo?

O stand-up comedy sem “comedy” de Cynara

Como terceiro grupo de esquisitices, a Socialista Morena coloca o que chama de “O palhaço sem graça” (uma óbvia referência principalmente a Danilo Gentili, conhecido por mandar à merda o politicamente correto), que define como:

é de chorar. Eles sobem no picadeiro para supostamente serem engraçados, mas não conseguem causar nenhuma risada nem fazendo cosquinhas. A reação da platéia ao que eles falam beira a depressão. Quando o palhaço sem graça faz uma piada, tem gente que sente até vontade de vomitar. O formato favorito deles é o stand-up comedy, uma fórmula norte-americana de fazer humor do qual copiaram o nome, não a criatividade. Mas há também palhaços de circo engomadinhos que se apresentam na tevê com o único objetivo de vender produtos para as crianças, com suas musiquinhas chatas e repetitivas. Ah, gente, fazer rir é tão século 20…

Ué, seria então Cynara uma stand-up comedian? Afinal, quando leio seus textos, fico realmente beirando a depressão e quase sinto vontade de vomitar. Em criatividade, aliás, ninguém, nem mesmo ultraesquerdistas como Vladimir Safatle e Emir Sader, deixa de bater Cynara, que não teve sequer a capacidade de escolher um autor esquerdista menos manjado do que Darcy Ribeiro (aliás, mais manjado do que esse só Marx, Sartre e Foucault) para servir de inspiração ao seu “esquerdismo way of life“.

Ah, não, está certo, em alguns casos eu rio mesmo. Pô, Cynara, desculpa aí, mas como socióloga, você deveria virar comediante. E, como comediante, deve ser uma ótima poetisa, pelo visto.

A colunista “crítica” a favor do status quo esquerdista

Por fim (finalmente, diga-se de passagem), nossa ilustríssima discípula de Marilena Chauí inventa de, por meio da imagem do “rockeiro a favor do status quo” – como se ninguém soubesse que está se referindo, em especial, a seus ex-ídolos de adolescência (ou seja, há muito tempo) Lobão e Roger Moreira – , dar seus pitacos sobre como deveria ser a música. Sobre este personagem, aliás, diz que:

é de arrepiar os cabelos. Acabou-se o tempo do roqueiro que criticava a burguesia e o sistema. Hoje a onda é falar bem de quem tem grana, um “vencedor”, e elogiar a direita “progressista” –esta, sim, sabia o que era bom para o povo, este imbecil.

Realmente, é de arrepiar os cabelos, em um país dominado pela mentalidade concurseira e de absoluto desprezo a qualquer coisa que sequer se pareça com a direita (inclusive uma social-democracia assumida como o PSDB (!)), apesar de ninguém saber direito quais são as ideias da direita, que um rockeiro ouse não criticar “a burguesia” e “o sistema” – este ilustre anônimo sempre criticado e nunca definido. Também é de arrepiar os cabelos que, com tantos neoliberais no poder, alguém ouse criticar os pobres esquerdistas inocentes que recebem algum dinheiro do governo para criticar a pérfida direita! Mas quanta maldade no coração!

Cynara, pelo visto, também não sabe que, se há uma coisa normal em todo tipo de arte, é justamente a mudança de parâmetros. Afinal, assim como um rockeiro pode fazer outro tipo de crítica que não “ao sistema” (aliás, btw, onde fica a liberdade artística para a Socialista Morena?), um teatrólogo, baseando-se em escritos de Diderot, pôde iniciar, de vez, o rompimento com o padrão clássico-aristótelico da construção do texto teatral. Ah, não, esqueci que, para Cynara, uma vez rebelde, sempre rebelde e, igualmente, uma vez clássico, sempre clássico. Com certeza, este é realmente um padrão democrático e aberto a todas as mudanças, inclusive às de posicionamento político.

Mais para o fim, Cynara repete a papagaiada antimilitar e anti-“roqueiro burguês” e mostra, cabalmente, que o detalhe que até agora fingiu não ter entendido é exatamente que, de forma alguma, o “status quo” do Brasil, a não ser sob uma perspectiva de extremíssima-extrema esquerda como a de Cynara, pode ser considerado direitista. Como um país em que se preza o concurso ao invés do empreendedorismo, a ajuda estatal ao invés da busca pela máxima autonomia individual possível, os bons sentimentos progressistas ao invés da liberdade de opinião (e, antes que algum progressista venha me dizer que sou “homofóbico” ou “racista”, favor definir o que é homofobia e racismo), a imposição da educação estatal ao invés da busca autônoma pelo conhecimento, entre outros, poderia ser considerado, como infere Cynara, “de extrema-direita”, se o fundamento mais básico da direita é, justamente, prezar o indivíduo em toda a sua integridade?

Para despedir-se do leitor, Cynara demanda: “Venham, venham ver as aberrações! O espetáculo não tem hora para acabar.”. Realmente, Cynara, o espetáculo não tem hora para acabar. Lamentavelmente, porém, não foi a direita a palhaça da vez.

Sobre o Autor: Octavius é professor, graduando em Letras, polemista medíocre e estudante diletante da Filosofia. Será, provavelmente, chamado pelos socialistas morenos de “neofascista”, “fascista” ou “preconceituoso da extrema-direita”. Já adianta que se sentirá honrado com tão elevados ideologios, ops, digo, elogios.

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14 comentários

    1. Comentário de mau gosto (porque não existe “bem gosto”, caro), mostrando um psicanalista de merda que não sabe argumentar e que, por isso, apela para as características que supõe serem as do articulista. É uma besta, em suma.

  1. O texto está ótimo. Não fala mais do que a verdade. Tente argumentar uma opinião no blog da socialista morena que não esteja de acordo com seus padrões: ela esperneia e bem ao estilo tergiversante de esquerda, tenta desmerecer o comentário em questão. Logo, o autor desse texto acima tem razão.

  2. Olá Octavius. Beleza? Eu acabei de ler teu texto logo acima e está excelente. Também sou graduado em letras e estudo filosofia de modo particular, ou seja, livre e em casa. Fui aluno do Olavo e, como todo bom estudante, sou contra o comunismo, pois na medida em que vou estudando sobre a história do mesmo, mais claro fica o seu perigo para o espírito. Essa tal de Cynara Socialista Morena não tem nada para contribuir para a inteligência de ninguém, já que ela mesma distorce sua própria mente, pois inteligência nos textos dela é algo ausente. Acessei o blog dela e para mim é como acessar um programa de comédia de mau gosto. Parabéns pelos argumentos.

    1. Obrigado pelas palavras, Paulo, mas não é aqui que encontrará simpatia a Olavo. O astrólogo, porém, não é meu alvo principal no momento, portanto não há o que temer.

      Agradeço pelo acesso e pelo apoio. Já leu meus textos mais recentes?

      Abraços,
      Octavius

      1. Conheci essa página hoje, portanto ainda não li, mas lerei, pois toda informação é importante. Quanto ao Olavo realmente não tem importância para mim se as pessoas tem ou não simpatia por ele. É um professor muito competente, entre os melhores que conheci, mas não é o único e tenho divergências em relação a muitos de seus escritos. Não sou seguidor de ninguém, mas um aprendiz sempre disposto a reconhecer pessoas inteligentes.

      2. Ótimo. Terá, certamente, seu espaço aqui. Paulo, só uma pergunta: você procurou esse texto no Google ou alguma página o divulgou e eu não estou sabendo?

  3. Olá Octavius. Foi pelo google. Eu só queria conferir quem era essa mané estúpida da Socialista Morena, e ao acessar o blog dela, e ler três artigos lá, confirmei que não passa de uma mané estúpida metida a intelectual cult. Voltei à página de pesquisa no google e deparei com o título de teu texto na terceira linha dos resultados de pesquisa.

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