Eu, Apolítico – O IPEA, o estupro, o feminismo e os óbvios ululantes mais-que-rodriguianos

NELSON-RODRIGUES

Na imagem (créditos a http://www.luizberto.com/), Nelson dizendo o que todo esquerdista já deveria ter ouvido.

O saudoso autodeclarado reacionário Nelson Rodrigues, em uma sua entrevista para o também jornalista ilustre Otto Lara Rezende, afirmou, com sabedoria, que “o jovem é o cretino fundamental”, isto em uma época em que a completa decadência cultural do Brasil (indo, na esquerda, de Antônio Cândido a Gregório Duvivier) ainda não havia ocorrido, mas já começava, como os dois jornalistas bem percebem ao relatarem que de elogio “reacionário” virara um xingamento, enquanto “revolucionário” se tornara um elogio mais forte do que, lulisticamente falando, nunca antes na história deste país. Só posso imaginar agora qual seria a reação de nosso ilustríssimo dramaturgo ao saber quantos jovens realmente caíram na conversa de certo órgão governamental sobre “a cultura do estupro” com uma pesquisa agora clarividentemente estuprada.

Diria ele, em seu inenarrável e inesquecível tom, que isto era “o óbvio ululante”, visto que “o jovem sequer sabe dizer boa noite a uma mulher”. Acontece, porém, que, para o observador atento da realidade (como Nelson, este com brilhantismo singular), há ainda outros óbvios ululantes, estes mais-que-rodriguianos. O primeiro e sem dúvida mais escandaloso é que, como espero que o leitor lembre, a preocupação com estupros pelas feministas parece estar condicionada pela “ideologia” (termo talvez menos vulgarizado apenas do que “educação” em nossas universidades “de ponta”) da estuprada. Não fosse esse o caso, também teria tido uma enorme repercussão o caso atroz protagonizado pelo “filósofo” da cidade de São Paulo, Paulo Ghiraldelli Jr., em que “um hacker” (sabemos, Ghira, sabemos) teria desejado, para este ano em que estamos, um estupro e um abraço de tamanduá para a jornalista mais famosa – e provavelmente com mais neurônios ativos no cérebro – do SBT, Rachel Sheherazade.

Eis então que, quando nós, os “reacionários”, pensávamos que, finalmente, as nobres feministas fariam algo que prestasse, nenhuma palavra, praticamente, saiu da boca ou dos dedos das autointituladas inimigas da opressão contra a mulher. O mais surpreendente, falando nisso, é que a maioria delas recusava-se categoricamente a defender Sheherazade, pois esta seria, na verdade, apenas mais uma ferramenta para o patriarcado manter suas estruturas religiosas (porque, é óbvio, enfiar uma cruz na vagina será, certamente, de grande valia para mudar a opinião popular sobre a religião), conservadoras, nazistas, fascistas, homofóbicas, racistas e tudo mais que se queira pensar. Aliás, cá entre nós, já ouvi falar que o gênero é escolhido pela pessoa, mas nunca ouvi falar que uma mulher poderia deixar de ser mulher e de ser relevante como vítima em potencial por decisão de um grupo – o que, diga-se de passagem, é mais uma prova de que feminismo, como todo esquerdismo, só pode ser coisa de retardado mental.

O segundo óbvio, por sua vez, vem exposto com a campanha “#eunãomereçoserestuprada”, iniciada, logicamente, por uma feminista que manja tudo de coerência e de conciliação. Diria o também reacionário Olavo de Carvalho em sua mais recente exposição sobre o Regime Militar que, apesar de não deixar de ser importante e fundamental, não é prestar socorro à vítima que deve ser prioritário, mas atacar e prender o criminoso. Para as nossas feministas, porém, parece inadmissível qualquer punição mais rigorosa a um criminoso, mesmo que este seja a causa direta do que de fato aflige as mulheres, isto porque adotam de todos os determinismos o mais estúpido, o de que a raiz do crime não é individual, mas social, em uma clara manobra de eximir de culpa de seus atos o elemento mais primordial (e, randianamente falando, a menor minoria) de qualquer sociedade, que é justamente o indivíduo.

Nenhum de ambos os óbvios, contudo, pode ser corretamente ser compreendido sem o terceiro óbvio, o de que a esquerda (incluída, por corolário, a feminista) tem por método não a análise rigorosa de casos e a procura honesta por respostas para os maiores problemas existenciais humanos (talvez seja por isso, aliás, que boa parte da filosofia esquerdista beire o medíocre), mas a criação de grupos, ou, marxistamente falando, de “classes” pelas quais se poderá condenar tanto qualquer indivíduo quanto o coletivo, por mais que este, por natureza e apesar de qualquer tentativa totalitária, seja de uma heterogeneidade sublime de opiniões. Não conseguiriam então pensar que, por exemplo, Paulo Ghiraldelli (ou o misterioso hacker de sempre) tenha os desejos de um parvo qualquer porque, como demonstrado neste blog em diversas ocasiões, é uma mula stricto sensu, mas porque faz parte da “cultura patriarcal do estupro” ou porque deseja manter as estruturas da sociedade capitalista-neoliberal-machista opressora.

O detalhe é que, no fim das contas, outro óbvio ululante que as esquerdas esquecem é que não é preciso estar em um grupo para ser um demente. Mais patente, manifesto, visível, evidente e clarividente quanto os outros óbvios ululantes, no entanto, é o óbvio de que os esquerdistas, sim, sequer conseguem ser retardados fora de um grupo. Para isto (serem retardados fora do grupo) poder ser cogitado, ser-lhes-ia necessário não só ativar mais do que dois neurônios no cérebro como também abandonarem pelo menos duas de suas crenças mais bobinhas: A de que é possível definir comportamentos grupais por estatísticas e a de que é possível definir tudo e todos pelos mesmos grupos. A partir disso, não sei se fica mais difícil ser vigarista, mas tenho certeza quase absoluta de que fica bem mais fácil não ser enganado pelo matematicismo vulgar gerado por duas tabelas trocadas.

Sobre o Autor: Octavius é professor, graduando em Letras e polemista medíocre. Acha, rodriguianamente falando, que é preciso que xs feministxs “envelheçam depressa, com urgência, envelheçam!”.

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1 comentário

  1. Essa mentalidade esquerdista já me foi mostrada por ti, Constantino e tantos outros. Mas ainda me dá náusea quando eu vejo conhecidos se posicionando a favor da pesquisa, sem ao menos analisa-la friamente. Os músicos e artistas (já fui do meio) compartilham das mesmas opiniões anti… Sheherazade, Gentili, Liberal.. Os admiro pelo trabalho, mas me incomoda ver uma pessoa que tenho tanta admiração vivendo como que em outro mundo. O mundo encantado da esquerda!

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