Eu, Apolítico – Os óbvios macaquianos nem tão ululantes assim (Ou: Inépcias do direitismo militante)

Ontem, no jogo do Barcelona com o Villareal, o jogador da seleção brasileira e do Barça, Daniel Alves (um bom lateral-direito, mas eu prefiro o Maicon nessa posição, diga-se de passagem), deu uma resposta e tanto a algum imbecil dentre os torcedores de algum dos times que jogou, nele, uma banana, em uma óbvia alusão à etnia a que Daniel pertence (no caso, é negro, o que, para o tal torcedor, parece ser um crime): Comeu a banana e simplesmente prosseguiu jogando sem se abalar.

O mais óbvio seria que, considerando como foi primorosa a resposta de Daniel e como ele não se fez de vítima nem procurou, até o momento, os holofotes globais para reclamar da situação, todo o caso fosse esquecido e/ou minimizado por nossa esquerda, o que, no fim das contas, apesar de não apagar o ato de Daniel, não faria a menor diferença a favor dos esquerdistas justamente porque Daniel não se fez de rogado quanto a tomar uma atitude individual e não de classe contra o seu agressor. Entretanto, horas depois, seu companheiro de time e principal jogador da seleção brasileira, Neymar, postou, em alguma de suas redes sociais, algo sobre todos sermos macacos, e foi apoiado, posteriormente, pelo colunista de VEJA Reinaldo Azevedo e pelo apresentador global Luciano Huck, ambos “personas non gratas”, por algum motivo a mim desconhecido, pela esquerda brasileira – minto, até sei qual é o de Huck, mas nunca me explicaram qual a birra com Reinaldo mesmo em meus tempos de militante comunista que tinha birra contra o Tio Rei.

Fora, se entrarmos em tecnicalidades, o erro de Neymar quanto aos postulados da Teoria da Evolução, pois não nos tratamos de macacos, mas de hominídeos que descendem de um ancestral em comum com as diversas espécies de primatas que povoam a Terra, houve, como se esperava, a aderência de alguns de direita à campanha (por conta de Tio Rei, esse “faxxista maxxista omofobicu catolicu duma figa”), a rejeição da maioria dos direitistas ao #somostodosmacacos e, claro, como não poderia faltar, o oportunismo das esquerdas em divulgar suas defecações mentais internet afora.

Este último ponto, contudo, só pode ser analisado se dividido em duas partes, sendo a segunda, na verdade, a grande falha… do direitismo pseudo-militante brasileiro. Bialmente falando, vamos, então, aos trabalhos de mostrar, à direita, o óbvio macaquiano.

Altivez negra e coitadismo de esquerda

Como sabemos, toda vez que algo acontece com um negro, uma mulher, um gay, um transsexual, um pobre – que, para eles, estranhamente, não pode enriquecer, devendo permanecer pobre para não ser enburguesado e ideologizado, como se o esquerdismo não fosse a mais nociva das ideologias –  um ateu ou, mais recentemente, até mesmo contra um esquerdista assumido, especialmente se envolve morte, temos algumas rotinas esquerdistas sendo empregadas. A primeira delas, em qualquer dos casos, é a de que há, necessariamente, por trás de todos esses atos, não um indivíduo boçal que não tem as mais elementares noções de civilidade, dentre elas o respeito à vida do outro e ao próprio outro em toda a sua integralidade, mas “a sociedade machista-racista-transfóbica-homofóbica-ateofóbica-cristã-conservadora-de-extrema-direita”, que, com sua mídia igualmente “machista-racista-transfóbica-homofóbica-ateofóbica-cristã-conservadora-de-extrema-direita”, faz com que todos os não-iluminados pela fé extrema-esquerdista repitam, necessariamente, o mesmo discurso que veem na “mídia” e que ouvem pela boca de seus clérigos e matem ou atentem contra a vida de um negro ou de qualquer outra minoria que eles considerem, mesmo sem consultá-la, mais merecedora de proteção do que toda a população e/ou de benesses ou facilidades por parte do Estado para que sejam “compensadas historicamente” ou alguma besteira do gênero.

Há, no caso, dois erros óbvios. O primeiro é o de polarizar a questão como se todos os que não fossem da extremíssima-extrema esquerda fossem, obrigatoriamente, meros alienados pela mídia e pela religião, quando o caso é que qualquer um que estude algo mais do que os autores da esquerda e que se proponha a pensar honestamente sobre o caso perceberá, como diria o já citado Azevedo, “o fundo falso e o desastre moral da perspectiva de esquerda”. O segundo, que decorre do primeiro, é o de subestimar o intelecto humano, pois não é porque alguém ouviu algo de um famoso que vai, obrigatoriamente, seguir suas ordens ou aderir às mesmas ideias que ele.

A esquerda, contudo, pensa não para entender, mas para não permitir que outrem entenda o mundo diferente do seu esquema. Eis, então, o terceiro erro, mas esse não tão óbvio: O pensamento de esquerda não é desenvolvido partindo-se da premissa de que existem indivíduos com desejos e aspirações os mais diversos, mas apenas classes sociais que, igualmente obrigatoriamente, estão em conflito. Para o esquerdista, então, não só não há conciliação possível (e é só ler “O 18 Brumário” de Marx para constatar isso) como também qualquer um que o tente não o faz por pensar diferente e por poder pensar diferente, visto que há trocentas formas de analisar a humanidade, mas apenas porque tem “interesse de classe”, o de  “manter privilégios conquistados historicamente”.

É por isso, então, que, ao depararem-se com a campanha protagonizada por um direitista convicto (Reinaldo, óbvio) e por alguns que eles chamam de direitistas conservadores, a reação foi imediata: “RACISTAS!”. Gostaria de saber, porém, o que há de racista em procurar, justamente, aboli as fronteiras entre as raças e abraçar alguém que foi vítima de um crime horrendo. Ser antirracialista, então, é ser racista?

Entretanto, um status de Facebook mostrou qual era o real problema da esquerda com o caso todo: Daniel Alves é um negro rico, alguém que, apesar de se poder contestar que futebol seja tão valorizado pelo mercado e por nossa sociedade, conquistou, por méritos próprios, tudo o que tem e que, sabendo disso, não se fez de rogado em mandar, quase literalmente, uma banana ao racismo pútrido de alguns parvos. É por isso, então, que, segundo esse status, “quando é preto pobre não tem instagram para tirar fotinho”, dizendo, obviamente, que, fosse Alves um morador de favela, por exemplo, nada disso ocorreria.

Ora, caro comentarista indignado, vejamos: Em um país de 50 mil homicídios e, segundo a esquerda, de maioria de homicídios contra jovens pobres e negros, qual seria a melhor solução que não a prisão rigorosa ou mesmo a Pena de Morte, duas propostas dessa “direita racista”, para que esse genocídio contra todos pare e, com isso, beneficie não só também como principalmente a população negra? Afinal, se os homicidas não mais existem ou vão para a cadeia por um bom tempo, não é só o “classe média cristão heterossexual branco” que fica mais seguro, mas também negros pobres não-cristãos e gays. Não seria, então, justamente a esquerda que procura “motivações sociais para o crime” e que chega ao desplante de propor a criminalização da “ostentação” a maior racista no fim das contas?

Os erros da “militância de direita”: Primeiro como farsa, segundo como farsa, 2014 como mais farsa ainda

É aqui, então, que chegamos ao ponto crucial. Qualquer observador mais atento do Facebook, por exemplo, poderá perceber que, mesmo entre as pessoas que não seguem o extremo-esquerdismo, a tal campanha e seus encabeçadores não só já foram completamente desacreditados como, em alguns casos, já são tidos como uma espécie de novos nazistas que apenas querem bajular negros ricos enquanto riem sobre pilhas de cadáveres de jovens negros pobres que morrem, cotidianamente, Brasil afora.

Isto, todavia, não ocorre de graça. Vejamos: Quando um bando de inexperientes militaristas de direita começou a berrar, Facebook afora, pela volta dos militares (o que este blogueiro, desde o começo, rejeitou, com orgulho e até certa galhardia, repetidas vezes), o que a esquerda fez? Uma pletora de textos em seus blogs, mesmo nos de menor expressão, ridicularizando até o mais amargo fim a causa e os que por ela lutavam. Igualmente, no caso (provavelmente já esquecido pelos brasileiros) do jovem Victor Hugo Deppman, não houve pouca mobilização da esquerda contra os reaças que queriam o óbvio: que o canalha que cometeu tamanha atrocidade ao menos pagasse pelo crime cometido.

Poderia, então, como o leitor bem percebe, citar uma pletora de outros casos em que a esquerda brasileira, se ao menos não convenceu os neutros de que “os reaças” são pérfidos e malévolos, convenceu-os a continuar usando argumentos como “mas isso é muito radicalismo”, “você está sendo extremista” e tantos outros não contra os dois lados, mas apenas contra a chamada direita “machista-racista-transfóbica-homofóbica-ateofóbica-cristã-conservadora-nazista”.

E a direita, amigo leitor, o que fez para revidar e, principalmente, o que fez com perseverança e em massa para desacreditar os argumentos esquerdistas sobre a condição humana? Ah, entendi, esperou, apesar de Luciano Ayan, Flávio Morgenstern, Constantino, Reinaldo, Olavo et cetera, que eu, um apolítico declarado, postasse esse óbvio macaquiano não-tão-ululante assim.

Sobre o Autor: Octavius é professor, graduando em Letras e polemista medíocre. Só não agradece ao Deus cristão por ter aprendido alguma coisa militando pela esquerda por não acreditar nele. Sabe, porém, que de boas intenções…

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