Notas Mensais – Abril 2014 – Maio 2014

A diferença entre religiosos fanáticos e neo-ateus fanáticos é que religiosos fanáticos desejam câncer para quem não segue sua religião, enquanto neo-ateus desejam que, se pegarem câncer, os religiosos não se tratem em hospitais, instituições de origem religiosa, com os mecanismos da ciência, concebida por um bando de catolicões ultrarreligiosos.


“Rachel Sheherazade foi censurada, voltem militares!”

1- O que o cu tem a ver com as calças?
2- No futuro: Militares voltam e Rachel expressa uma opinião desagradável à direita militarista: TERRORISTA! PTISTA! VAGABUNDA


Desinformação é ruim, Noé?

Por incressa que parível, pirulicamente falando, existem razões (e ótimas razões) fora do fanatismo religioso puro e simples para se postar a real história de Noé Facebook afora e apontar as distorções do filme homônimo. Vejamos: Algum de vocês, em alguma instância da vida escolar, já ouviu falar do Papa de Hitler, que uns dizem ser Pio XI e outros dizem ser Pio XII, certo?

Pois é, eu também, e eu acreditava sinceramente nisso até saber que, na verdade, não havia qualquer Papa de Hitler, pois Pio XI, em uma de suas encíclicas, em cuja escritura o auxiliou (oh!) Pio XII, seu sucessor, rejeita categoricamente as premissas morais do nazismo e, salvo engano, condena-o fortemente.

Esta é, portanto, uma história fácil de desmentir: É só ler a Encíclica e confirmar. Ocorre, porém, que leitura não é um hábito do brasileiro e, por isso, acredita-se em uma versão (a versão de que o Papa da época era um nazista) que, na verdade, havia sido inventada pela KGB e desmentida na mesma hora por rabinos importantes. Só que, anos depois, essa mesma versão viria a ser divulgada novamente em países ocidentais em forma de livro e, mais tardiamente, em forma de filme. Como um livro e um filme (principalmente) são bem mais acessíveis e bem mais lidos / vistos do que encíclicas, não é difícil saber por qual motivo o Papa permanece sendo de Hitler para muitos de nós.

Por mais, então, que este tipo de post possa soar como um exagero, sua existência faz todo sentido quando se leva em conta: a) que mais pessoas, provavelmente, veem esse tipo de filme do que leem a Bíblia; b) que o número de antirreligiosos e de campanhas contra a religião, em especial contra a cristã, vêm crescendo notavelmente; c) que dificilmente a geração Facebook lerá a Bíblia para confirmar os fatos APESAR dos monstros de pedra (ué, se Thor prometeu destruir gigantes de gelo, por que não poderia haver monstros de pedra na mitologia judaico-cristã?) e que, portanto, d) é mais eficaz, então, espalhar esse tipo de imagem do que esperar que, por iniciativa própria, um jovem que ainda não conhece a Bíblia e que já está tendendo a não acreditar em religiões queira ler e confirmar a história. Eis o mistério do contra-ataque à estratégia política da desinformação, meus amigos.


Coerência esquerdista: Posta um link do Pragmatismo Político falando contra um colunista da VEJA. Reclama quando se posta, como resposta, um link da coluna do cara no site da VEJA se defendendo das acusações e dos rótulos que lhe foram impostos por um escritor/filósofo/articulista/poeta com problemas cognitivos graves. É essa a coerência socialista democrática?


Valesca Popozuda, Soren Kierkegaard e a filosofia brasileira

Certo amigo descendente de italianos ficou deveras furioso com a minha pessoa por eu ter postado, em um seu comentário curto sobre o existencialista cristão Kierkegaard, que havia lido o dito cujo no ritmo do famoso sucesso valesquiano “Beijinho no Ombro”. O leitor, porém, há de convir comigo que minha leitura foi justificada se comparar, falando do modo mais tipicamente brasileiro possível, o comentário do supracitado amigo (em versos):

“A verdade é a subjetividade
e eu concordo com Kierkegaard”

E cantando, valesquianamente, o trecho correspondente do hit dos verões de 2013 e 2014:

“Não sou covarde, já tô pronta pro combate,
keep calm e deixa de recalque”.

Case closed.

PS: Por favor, não estou sugerindo a professores (especialmente de cursinho) de Filosofia que façam essa correspondência usando a música toda e outros filósofos. NÃO USEM Sócrates, Aristóteles, Descartes, Kant, Schopenhauer ou qualquer outro dos grandes nisso. Isto é só zueira, e como zueira deve permanecer, rsrsrsrsrs


Olavettes e carótidas

Vejo, na linha do tempo do grande filósofo e jornalista campinense Olavo de Carvalho, a seguinte publicação:

Portais que publicam notícias falsas sob o pretexto de fazer humor são, no meu entender, entidades criminosas. Isso não é humor de maneira alguma, é indústria da confusão.

Por mais que este seja nada mais que um juízo pessoal de Olavo – que, provavelmente, pelo que conheço, não tentaria, apesar dos pesares, transformar sua opinião em palavra da lei, algo em que já é muito melhor do que a maioria dos articulistas atuais da própria direita -, essa ideia de limitar ainda mais o humor a certas condições deve ser continuamente rechaçada. Ora, se queremos uma sociedade de gente intelectualmente madura e, portanto, capaz de diferenciar o falso do verdadeiro e a galhofa da austeridade, não é criminalizando sites de humor que vamos fazê-lo, certo? Afinal, criminalizar um site por este dar notícias manifestamente falsas seria o mesmo que se igualar aos esquerdistas que, em nome ” do bem-estar social”, “da luta contra o preconceito” e “dos direitos humanos”, vêm tentando calar as vozes de Prates e Sheherazade, dois jornalistas, e de Danilo Gentili e, ocasionalmente, de Rafinha Bastos, dois, OH, humoristas (!!!). Genial, não?


Esquerdistas da “Meu Professor de História” – que, ainda assim, conseguem ser INFINITAMENTE superiores à página que satirizaram e satirizam (e, sim, uso sátira aqui no sentido mais literário-filosófico da palavra), pois pelo menos passam, com frequência razoável, uma bibliografia para seus leitores – estão, agora, encafifados com como as pessoas simplesmente não acham a tal Lupita bonita e que, pior ainda, façam escárnio da tal eleição ou achem que “negras com traços europeus” como Beyoncé ou Rihanna são mais bonitas.

Para eles, ofensa não está incluso em liberdade de expressão. Devo avisá-los de que “processo” é algo bem mais democrático do que restringir a liberdade de expressão ou os deixo pensando que é necessário tirar, por tempo indeterminado, a palavra de uma pessoa por um erro ou por UMA besteira que tenha dito?

É, pelo visto Hitchens estava certíssimo ao dizer que “a religião envenena tudo”. Pena que seu comentário estava direcionado à religião tradicional e não à religião política.


Maestro Bogs, em um hangout sobre o texto do Pondé, fala que Letras, Psicologia, Sociologia e outros não podem ser de esquerda, pois “a ciência não tem ideologia”. Ao contrário do que pensam alguns de meus colegas de curso, Bogs está certíssimo sobre a ciência – a não ser que você seja um retardado dos que acredita na parafernalha metafísica desconstrucionista-, o erro dele está é em acreditar que esses cursos são científicos.


Pessoal da esquerda que ainda não entendeu (ou, melhor dizendo, que finge não entender) qual é o problema do Marco Civil, vamos explicar cabalmente exercitando a lógica elementar: Se qualquer um que se sentir lesado ou vítima de crime puder pedir para que determinado conteúdo “ofensivo” seja retirado, sendo a injúria um crime, isto significa que qualquer um que sinta que foi vítima deste crime pode pedir a retirada de conteúdo. Dados, também, o atual estado de hipersensibilidade das pessoas e o conveniente ano eleitoral em que essa estrovenga metafísica foi aprovada, não é muito difícil perceber o que os amantes da democracia e seus defensores farão com humor dirigido contra si. Se isto não for censura, então a censura, de fato, deixou de existir e não me avisaram.

Sobre o Autor: Octavius é professor, graduando em Letras e polemista medíocre. Adoraria ver olavettes fungando sua carótida para lembrar-lhes, carinhosamente, dos textos sobre Frank Jaava e Bernardo Lopes. Espera, porém, que nenhum dos dois, ao ver este post, acione contra este blogueiro o Marco Civil.

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