Contos de Fadas Octavianos 1 – Memórias de minhas Cubas tristes (Ou: Vou-me embora de Pasárgada)

Era uma vez Jorge Amado, poeta da Ilha de Santa Cruz, lugar tão belo de tão verde e tão verde de tão belo. Jorjão (chamá-lo-emos assim doravante), tão antinacionalista de tão comunista e tão comunista de tão antinacionalista, estava deveras insatisfeito pela ausência da democratização dos meios de produção e da privatização, para si, das mulheres mais bonitas de sua ilhota que decidiu, de repente e não mais que de repente, pedir asilo político em outra ilhota próxima, Pasárgada, comandada pelo ultrademocrático Ernesto da Serra Guevara.

Jorjão, inicialmente, estava crente de que o imperialismo português (donos de Santa Cruz) iria persegui-lo até o mais amargo fim e, por isso, pediu ajuda a um servo de Guevara, Canjica, tão mole de tão servo e tão servo de tão mole, para chegar o quanto antes ao paraíso na terra. Sucedeu-se, não obstante, que os imperialistas tinham matérias bem mais importantes com as quais deveriam lidar, entre elas o aumento do preço da pitanga em Algarves e da maçã argentina em Coimbra, do que se preocuparem com nosso herói.

O ex-Santa Cruz, então, chegou sem dificuldades a Pasárgada, onde só encontrou, de bons, os iates tão grandes de tão luxuosos e tão luxuosos de tão grandes que Guevara utilizava em suas excursões para comprar azeite de oliva português e, com isso, derrotar o maior mal da terra. Jorjão, percebendo a roubada em que se meteu (Guevara já havia privatizado as mulheres bonitas e forçou Jorjão, um traidor de pátria, a ficar com as mais feias e viver como um cidadão comum), tentou fazer como metade da população já fizera em tempo pregresso ao seu, ou seja, fugir do lugar em que o líder fora eleito com 99,96% dos votos.

Como 95% dessa metade, porém, Jorjão ganhou, como recompensa, uma bala de fuzil tão cinza de tão mortífera e tão mortífera de tão cinza em sua cabeça, que ficou tão vermelha de tão ensanguentada e tão ensanguentada de tão vermelha. E eis o mistério de Pasárgada, ops, da fé.

Moral da História: Só leia se for maior de 15 anos.

Sobre o Autor: Octavius é professor, graduando em Letras e polemista medíocre. Não espera mais que a esquerda leve na brincadeira uma mera ironia. Prefere, aliás, apenas esperar que não seja mandado a Cuba, ops, digo, a Pasárgada

Anúncios

6 comentários

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s