“Two and a half” comentários sobre o debate entre Flávio Morgenstern e Igor Fuser

Alguns leitores, pelo Facebook, pediram-me para dissertar sobre o debate recente entre o minarquista uspiano e implicante Flávio Morgenstern e o chavista-petista Igor Fuser. O detalhe é que nem há muito o que comentar, pois, para qualquer pessoa normal que tenha visto o tal debate integralmente, transparecerá a calma e a capacidade satírica de Morgen e o absoluto desespero, constrangedor para o espectador, e a falta de costume de enfrentar o realmente divergente do professor de Relações Internacionais da UFABC.

É esta falta de costume, no entanto, que ainda torna importantes dois comentários sobre o tema:

1- “Extrema-direita! Extrema-direita!”: A partir de certo ponto do debate, mais especificamente da primeira réplica de Fuser, este começa a, constantemente, acusar Morgenstern de ser alguém da “extrema-direita” e, além disso, a frisar como é, para o homem de pavio curto (anglófonos entenderão), difícil ter de debater com esse tipo de gente que traz tanta “desinformação” e tanta mentira. Este, no entanto, é um truque já velho, denunciado brilhantemente pelo filósofo campinense Olavo de Carvalho em uma de suas réplicas ao professor de História da UFTO, Bertone de Souza, e consiste em simplesmente rotular o oponente com um termo que não o agrade ou que não agrade a plateia e, com isso, não precisar entrar no mérito da sua argumentação nem, muito menos, desmentir, se for o caso, o oponente. Cabe à direita (e perdão pelo tom ayaniano), então, se for esperta, alertar ao leigo para esse tipo de expediente e, se for mesmo honesta e comprometida com a verdade, não usá-lo para derrotar a esquerda. Duvido do segundo, mas acho o primeiro bem possível de se alcançar.

2- Vagueza intencional: Mais para o fim do debate, Fuser reclama de Morgenstern usar palavras como “populista” para definir o populista Vargas ou “terrorista” para definir a esquerda que lutava contra o regime militar, dizendo que os termos são vagos demais (e não o são de forma alguma) e que podem ser usados pelas oposições para definir governos e vice-versa. Ocorre, porém, que Fuser faz exatamente o mesmo, ao longo de todo o debate, com “conservador” e “extrema-direita”, colocando no mesmo grupo o PSDB, o DEM, Serra, Alckmin, Aécio Neves, Flávio Morgenstern, liberais, VEJA, Folha de São Paulo, Estado de São Paulo e, salvo engano, até mesmo a Rede Globo, sendo que alguns desses, caso entrassem em diálogo com os outros elementos, fariam cara de nojo. É nessas horas, então, que é bom consultar Luciano Ayan (que, espero, comentará sobre o debate mais profundamente) e seus escritos sobre propaganda, entre eles um dos mais curtos, o sobre vagueza intencional, técnica em que o que se faz é tornar um termo tão abstrato que, ao fim e ao cabo, seja usado apenas para suscitar emoções na plateia e, com isso, conquistá-la. Mais uma dica para a direita. Espero, então, que seja seguida. Ou, melhor, não espero.

Meio-comentário: Por favor, Morgen, na próxima vez que for debater, vê se dá uma firmada nessas mãos, porra. Ficou com uma pose de viadão no começo que pesaria contra você no debate se eu fosse julgá-lo, rsrsrsrsrs

           Meio-comentário do meio-comentário: Antes que me digam, esse negócio de colocar “(risos)” para representar a onomatopeia me soa muita viadagem.

PS: À esquerda “bem-intencionada” e à direita olavette, o comentário anterior foi apenas uma piada amigável. Tenho que explicar porque, pelo visto, interpretação de texto está faltando em ambos os lados. O problema é que em um dos lados, nem preciso dizer qual, falta também a habilidade de militar politicamente. E mal-aventurados são os que irão se ferrar por esse tipo de inépcia.

Sobre o Autor: Octavius é professor, graduando em Letras e polemista medíocre. Será que as morgensternettes ficarão histéricas (ou, ghiraldellicamente escrevendo, “estéricas”) com o meio-comentário?

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7 comentários

  1. Eu, como olavete confesso, gostaria de entender por que a “direita olavette” ficaria ofendida/indignada/sei-lá-o-que com o meio-comentário. Pergunto sinceramente, pois eu ri aqui, e depois, quando vi o post-scriptum, não entendi nada…

    Seu blog é top. Com um post você entrou no meu feed de notícias. Pena eu não ter conhecido antes…

    1. Cláudio,

      Primeiro, obrigado pela audiência.
      Segundo, se olavette, daqui uns dias será provocado.
      Terceiro, como sabemos, vivemos na era da hipersensibilização, como diz o próprio Morgen. Só quis mesmo garantir que as morgensternettes não viessem fungar na minha carótida.

      Abraço,
      Octavius

      1. Kkk, valeu pela resposta. E provoque mesmo, é saudável. Se for o caso, apareço por aqui pra provocar de volta, rs.
        Btw, também leio Ayan, e também odeio o que ele chama de “sensibilidade artificial histérica”. É o que faz esse tipo de post-scriptum ser necessário o tempo todo. Um saco.
        Abraço!

      2. Comento novamente aqui apenas para relembrar o contexto.

        Depois de ler seu último post, sobre o “Olavismo”, entendo o que você chama de “olavette”. Não é o meu caso, com certeza, e aproveito pra dizer que passei no teste do Joselito. Foi um dos poucos posts do Olavo que compartilhei só pra discordar… =)

        Continuo me considerando tão olavette quanto nogyette, ayanette e agora também octaviette: vocês têm todo meu apoio e admiração, mas sem fanatismo. 😉

      3. (postando novamente aqui pra relembrar o contexto)

        Acho que só agora, depois do episódio Razzo/Nogy eu entendi o que exatamente é ser olavette. Nesse sentido, só posso parafrasear: “olavette u kralh”.

        Pelo menos por enquanto continuarei acompanhando o que ele escreve, mas dessa religião eu não farei parte. Ser fã incondicional está além do meu limite.

      4. Zcla,

        Não curto esse “ukralh!” (acho a maior babaquice que os olavettes já inventaram de disseminar nos últimos 15 anos no mínimo), mas nesse contexto está válido.

        Falando nisso, viu meu novo post sobre as olavettes?

        Abraços,
        Octavius

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