Sobre críticas e delírios

Olá, amigos leitores, e este é mais um de nossos papos.

Bom, depois de algum tempo sem refutar alguma besteira antirreligiosa, encontrei, por intermédio do ilustre amigo Luz Nas Trevas, um texto postado no site da Sociedade Racionalista por um tal Rodrigo Santos (se ele quiser responder, será devidamente ouvido), em que este se propunha a fazer uma Crítica ao fanatismo religioso cristão.

Esperei, confesso, por algo no mínimo bem fundamentado social ou historicamente. Pena que, ao invés de algo inovador e filosoficamente interessante,  só se viu um amontoado de impropérios e de demonstrações públicas de fé, ou, parafraseando o próprio Rodrigo, do fanatismo religioso neo-ateu, religião esta que tem entre seus gurus materiais (porque espiritualismo está fora de moda) o biólogo Richard Dawkins, que, após embriagar-se de vinho e poesia, confundiu seu nome com “Deus” e resolveu escrever sobre “um delírio” que teve dias antes. Lamentavelmente, porém, a autobiografia, ao ser revisada pela neurocientista e filósofo de pub Sam Harris, tomou outros rumos e virou, segundo os seguidores de ambos, “o que há de melhor do material FILOSÓFICO antiteísta do século XXI”.

Mas, enfim, não me convém, ao momento, contar o triste fim de Policarpo Quaresma Dawkins. Começo, então, a analisar o texto de Rodrigo, o bom filho que há de tornar à casa do ceticismo por ele abandonado ao escrever isso que se chamou artigo. Já de cara, o neo-ateu afirma que:

A diferença entre os cristãos fervorosos – fanáticos – e nós, ateus, é que descobrimos que podemos ser livres, sem o medo da culpa.

De cara, já podemos ver que, além de associar indevidamente a fervorosidade ao fanatismo – afinal, até mesmo a mais fervorosa das pessoas pode o ser apenas dentro de igrejas, ou pode apenas fingi-lo para algum fim específico -, nosso discípulo menos ilustre dos quatro cavaleiros do neo-ateísmo ainda tem o hábito de falar, parafraseando um grande amigo, “em nome de nós”. O detalhe é que, como ateu, discordo totalmente desta visão quase infantil de que a vida seja melhor sem o medo da culpa (que é o que foi inferido  nesse trecho). Aliás, diria que acompanho o relator Luiz Felipe Pondé quando este diz, em Contra um Mundo Melhor e em Guia Politicamente Incorreto da Filosofia, que não há vida moral sem culpa, pois é esta que nos faz procurar melhorar nossos hábitos em prol de uma maior maturidade em termos pessoais.

Além disso, não são apenas as religiões que se servem do sentimento de culpa, já que esta também tem sua serventia nos planos social e político, pois é por meio da culpa que se repensa as próprias ações e se age de modo a fazer as coisas de um modo mais eficaz ou mais honesto. É a mesma culpa, aliás, que pode ser usada para arrancar confissões de criminosos ou para fazer alunos ruins repensarem suas atitudes em sala de aula. Ou seja, não, ateísmo não tem a menor relação com “ausência de culpa”, que, por falar nisso, sequer é, em si, algo necessariamente bom.
 
Mas este foi só o começo. Em seguida, o novo profeta da moçada neo-ateia informa aos outros ateus, como se todos fossem iguais a ele, que:
 
Demo-nos o privilégio da dúvida, a dádiva da incerteza, e não nos sentimos ignorantes por isso.
 
Mais uma vez, o Cícero (com maconha no cérebro e cocaína na veia) do terceiro milênio, em um arroubo de retórica, esquece-se de clarificar porque a dúvida é um privilégio, mas, mesmo assim, usa-a para colocar “os ateus”, “nós”, um degrau acima dos religiosos. Digo isso porque, logo em seguida, ele afirma:
 
Os que vivem religiosamente possuem o cultivo da desagradável mania de concluir que estão certos perante aqueles que não creem naquilo que tanto acreditam. Não admitem sequer a possibilidade de estarem equivocados sobre qualquer conceito, em qualquer situação. Têm pedestal erguido, e sobre ele mantém suas supostas verdades e as veneram, defendendo-as com unhas e dentes.
 
Pena, porém, que, além de ele não ter provado que a dúvida seja de fato algo bom – e, segundo a própria lógica de um de seus gurus, Christopher Hitchens, poderíamos muito bem descartar sem evidências todo esse trecho, visto que partiu de uma afirmação sem evidências -, nosso amigo também esqueceu-se de que não são apenas religiosos tradicionais, como os cristãos, que vivem religiosamente, mas também os religiosos políticos, como humanistas, marxistas e afins. Curiosamente, Rodrigo se recusa a citá-los, apesar de esta, a religião política, ter um saldo de mortos bem maior do que a religião tradicional, como é possível constatar com as mais de 100 milhões de vítimas em menos de 100 anos de governos comunistas.
 
Agora, gostaria de saber, já que o discípulo de Dawkins reclamou da “defesa de supostas verdades”, o que ele próprio entende por verdade. Seria a verdade inexistente? Seria a inexistência de Deus? Ou seria qualquer coisa diferente de “religioso”? 
 
Alguns poderiam objetar que, por ser a verdade no mínimo difícil de determinar, não convém que as pessoas defendam as suas versões com tanto fervor. O problema, meus amigos, é que foi justamente por defender uma verdade e excluir outras que a nossa sociedade ocidental formou não só seus valores morais, mas também sua cultura e política. Mesmo que estejamos errados, o caso é que, se a dificuldade em determinar a verdade nos tivesse feito abdicar de nossa versão, não teríamos construído o que hoje se chama “civilização ocidental”. 
 
Digo com isto, então, que a questão não é se alguém deve ou não defender uma verdade, mas como esta deve ser propagada. Obviamente, apesar de não ser um partidário do pacifismo, também não acho que seja a morte de “infiéis” o melhor caminho, mas, de fato, essa prática não é comum no Brasil nem no Ocidente. Aliás, do que eu saiba, por estas bandas a “defesa da verdade” se dá por palavras, não por armas. Se é com isso que Rodrigo está “encafifado”, então recomendo um bom tratamento psiquiátrico e um pouco mais de leitura sobre como se solidifica um contrato social.
 
No entanto, a coisa não parou por aí:
 
Tolos, não sabem o quanto é gratificante aceitar que não sabemos quando realmente não sabemos. Maior ato de humildade não há, e isso é o que tanto pregam. Talvez sejam hipócritas sem saber que o são.
 
E talvez seja mais honesto definir o que é humildade antes de sair usando o conceito por aí e acusando os outros, os “irracionais”, de hipocrisia. Além disso, pelo menos em tese, os religiosos têm, na verdade, acesso a uma resposta a mais do que os ateus, pois, enquanto estes, no máximo, podem confiar na ciência e na filosofia, os religiosos podem confiar também em seu deus, já que religiosidade e ciência, apesar de estarem em planos diferentes, não tem necessariamente relação de contrariedade. Caso o leitor queira provas disso, é só analisar biografias como a de René Descartes, Isaac Newton, Gregor Mendel e muitos outros “fanáticos religiosos”.
 
Talvez possuam muitas características negativas sem saber, pois dificilmente fazem exames de consciência.
 
E como era aquela conversa de “nós ateus temos o privilégio da dúvida” mesmo? Ou será que Rodrigo tem acesso a dados privilegiados acerca do comportamento religioso? Se tivesse, deveria tê-los mostrado, pois seria muito interessante ver como um cientista conseguiu relacionar “religiosidade” com falta de autocrítica, sendo que é justamente o “medo da culpa”, como disse Rodriguin, o neo-ateuzinho camarada, que faz com que muitas pessoas repensem suas atitudes, como dito parágrafos acima.
Aliás, isto é, por vezes, proibido perante os ditames bíblicos. 
 
O que pode ser afirmado sem evidências pode ser descartado sem evidências. Tsc tsc, Hitchens não curtiu seu truquezinho retórico barato, neo-guru neo-ateu.
 
Apenas vivem acreditando em verdades entregues de bandeja, pois assim é que conhecem a vida.
 
Ah, sei, como aqueles tipos que compartilham imagens refutadas sobre “outros profetas antigos” sem sequer pesquisar sobre? É, fato, não gosto dessas pessoas… opa, tá certo, esses são os neo-ateus, rsrs.
 
Este, porém, foi apenas o primeiro parágrafo, amigo leitor. O pior ainda está por vir, e eis um prelúdio:
 
Nós, ateus, somos minoria em relação à massa religiosa. Eles, que defendem o amor, a compreensão, a tolerância, oprimem-nos. Se nos sentimos como vítimas? Por vezes, sim. Mas vítima maior do que que os próprios cristãos não há! Mal sabem eles que seus preceitos estão, há muito, falidos. Mal sabem interpretar mensagens, são máquinas de reprodução de conhecimento falho.
 
Primeira coisa: O que é “opressão” na cabeça de Rodrigo? Sim, a pergunta é adequada, pois, da forma como o protótipo de Dawkins colocou as coisas, parece que, apenas pelo fato de os religiosos serem maioria, há uma clara opressão, seja lá o que isso for. Seria a opressão o isolamento de pessoas que, como ele, escrevem boçalidades como “seus preceitos estão falidos” – novamente, afirmação sem provas – com ar de imensa superioridade? Seria a opressão deixar de lado arrogantes que colocam todos de um mesmo grupo como meras “máquinas de reprodução de conhecimento falho”, sem sequer provar por que este é falho? Se for, lamento, Rodrigão, mas eu também serei “religioso” em muitos momentos.
 
E não quero aqui fazer julgo de como deveriam enxergar a vida. 
 
Então por que acabou de fazê-lo ao dizer que seus conhecimentos são falhos?

Não sou eu quem deve apresentar os melhores caminhos a se seguir. Não sou eu e ninguém mais. Muito embora, afirmo que aquele que não se permite enxergar as incoerências da vida e questionar os mistérios que circundam essa mesma vida jamais estará apto a dizer verdades absolutas.
 
Espera um pouco… Se você nem ninguém devem apresentar o melhor caminho a se seguir, de onde virá, então, a coesão social? Do vento? Além disso, se não deve apresentar esse caminho, por que exige que, para dizer verdades absolutas, alguém questione os mistérios da vida? Aliás, é muito estranho ouvir isso de alguém que, do que vimos até agora, apenas trocou de deuses: do Deus cristão para os deuses do neo-ateísmo.
 
Como poderiam fazê-lo se nem ao menos conhecem as outras faces que podem contradizer seus valores? São marionetes que escutam as palavras impostas sem filtrá-las, como fazem as crianças que aceitam tudo aquilo que dizem seus pais. São o que de mais clichê existe: criaturas alienadas.
 
Poderiam fazê-lo caso tivessem fé em alguma verdade que lhes relevaram. Além disso, ao longo da história da humanidade, especialmente em períodos de guerras, foi justamente o não questionar mas obedecer que permitiu que alguns vencessem e/ou sobrevivessem. O detalhe é que, ao contrário do que quer nosso amigo pseudocético, sobrevivência vem antes de desobediência intelectual.
 
Curiosamente, amigo leitor, olhe só: a versão ateísta de Leonardo Sakamoto, apesar de se dizer alguém com “o privilégio da dúvida”, parece ter aceitado, sem maiores questionamentos, a “alienação” de pessoas como verdade absoluta e irrefutável, inclusive usando-a como argumento contra seus inimigos políticos. Será que ele também nunca questionou os seus colegas neo-ateus que igualaram Cristo a Hórus sem provas? 
 
Oh, seria a dúvida, então, ao invés de apenas um privilégio, também um castigo (como o é muitas vezes, e falo isso por experiências próprias), ou é Rodrigo apenas um baita mentiroso político?
 
Enfim, terminado o prelúdio, vamos agora ao pior:
Não mais consigo me sentir bem perante um culto religioso. Inquieto-me ao observar como as pessoas ali presentes agem. Tudo robotizado, ritualizado, metódico, simbólico demais. Usam de exercícios de repetição de falsas verdades absolutas até o momento em que elas se tornem verdades reais para aqueles que tanto realizam tais exercícios. Muitas vezes sem saber, apenas o fazem.
 
Primeiro de tudo, se Rodrigo não é religioso, por que fica “perante um culto religioso”? Aliás, sendo Rodrigo um neo-ateu, sua opinião sobre cultos religiosos é ainda mais irrelevante, pois é mera ferramenta de que ele se utiliza para tentar desmoralizar a religião alheia.
 
Segundo, se Rodrigo não se sente bem com “tudo robotizado, ritualizado, metódico, simbólico demais”, como, então, trabalha? Afinal, na imensa maioria dos trabalhos, tudo é “robotizado” e existem dezenas de métodos a seguir, símbolos a “louvar” e rituais a cumprir. 
 
Terceiro, olha que curioso, nosso amigo neo-ateu acaba de descrever uma sala de aula. Ou será que as “verdades” de sala de aula são absolutas? Opa, mas, espera aí, não lhe foi dado “o privilégio da dúvida”? 
 
Como diria o velho lobo Mário Jorge Lobo Zagallo, “é estranho, é estranho!”
 
Sinto pena de tais criaturas, e não quero com isso demonstrar pretensão ou arrogância. Sinto pena pois um dia estive em situação semelhante, pensando que havia maldade em meus pensamentos, que eu não podia questionar o que me inquietava, que eu deveria seguir retamente e cegamente o “caminho dos justos”.  Estive em momentos obscuros de minha vida enquanto assim pensava, e não sabia disso! Achava que estar em escuridão era estar na situação daqueles que se indagam, que indagam a igreja, que indagam o próprio deus. Não!
 
Resumindo, como Rodrigo foi um religioso burro, ele imputa a todos os outros este rótulo. Nem merece mais comentários.
 
Que mal há em ser curioso? Por que acreditar que é errado deixar que os próprios impulsos instintivos, impulsos contestadores, fluam?
 
Pera lá… Desde quando um RACIONALISTA acredita na validade dos instintos? Aliás, será que os instintos são algo que não pode ser questionado por aqueles com “a dádiva da incerteza”?
 
Depois disso, vou escrever um livro: Quando Leibniz Chorou
 
Por falar em choro, e como este é grátis, vejam o apelo emocional que Rodrigo faz em seguida:
 
Não é errado se você não fere o seu semelhante, se não prejudica a sociedade. Errado é abusar da inocência das pessoas, deturpar a mente humana, impedindo-a de se expandir. Errado é continuar com esse estupro psicológico!
 
Uma simples pergunta: Qual a fundamentação do neo-guru neo-ateu para arbitrar sobre “errado” quando sequer definiu o que é “verdade” ou o que é “certo”?
 
Calma, leitor, estamos quase no fim. Mas, enquanto este não chega, mais choro no início do quarto parágrafo:
 
Sinto que faço parte de uma sociedade laboratorial, como se estivesse participando de um processo de iluminação, de saída das trevas, como foi na Idade Média. Imagino a mitologia grega, os mitos dos antigos, como sendo análogos ao que hoje temos. Tenho a sensação de que um dia olharão para trás e usarão nossa contemporaneidade como objeto de estudo, apenas.
 
Lógico, porque, sem dúvidas, ainda vemos bruxas sendo queimadas por aí ou pessoas sendo mortas porque contestaram a interpretação oficial da Bíblia. E, sinceramente, pode mesmo ser que a “mitologia” atual sirva de objeto de estudo para as pessoas do futuro, assim como isso pode não acontecer. Ainda bem para nós – e nisso incluo não só cristãos e religiosos em geral, mas também ateus que, como eu e alguns amigos, não dão esses ataques de choro esquizofrênico – que essa grande mudança, que pode simbolizar uma nova era de turbulência ou mesmo o fim da humanidade ou da civilização ocidental, não parece estar tão perto assim. Espero, porém, que muitos Rodrigos estejam vivos para verem os resultados do que tanto queriam. Quem acha que mudar o atual patamar “religioso-cristão-opressor-repressor-preconceituoso” vai certamente dar em algo pacífico e bonito, além de não estar imbuído do “privilégio da dúvida”, precisa também aprender o que significa a palavra distopia.
 
E se mais pessoas compartilhassem desse pensamento talvez poderíamos modificar essa realidade, para que fôssemos referenciados como uma sociedade da revolução, aquela que encontrou a luz e pôde avançar com o conhecimento
 
VIVA LA REVOLUCIÓN, HERMANO! Ernesto Guevara, “el Che”, que também quis ser um “revolucionário” e encontrar a luz fora da “opressão capitalista americana”, curtiu sua bestial incitação a forçar mudanças.
 
 Sinto demasiada tristeza quando percebo que aqueles que lutam para com isso fazem parte da minoria. 
 
Ah, a minoria, sempre ela. Mas, será mesmo que aqueles que lutam pelo conhecimento fazem parte de uma minoria? Aliás, o que é “o conhecimento”? O que seria “a revolução pelo conhecimento”? Tantas certezas, tão pouco uso do “privilégio da dúvida”.
 
Temos uma maioria sedimentada, estagnada em conceitos ultrapassados. Usam como verdade para hoje aquelas verdades que serviam para ontem, e apenas para ontem.
 
Vamos lá, Rodrigão, repita comigo e com titio Hitchens: “O que pode ser afirmado sem evidências pode ser descartado sem evidências”. Isso,  muito bem, agora arrume evidências de que as verdades que sustentam nossa sociedade há mais de 2000 anos “só serviam para o ontem”, e depois converso contigo.
 
Não saímos do zero, e se saímos, é devagar demais, visto nosso potencial para evoluirmos exponencialmente.
 
Primeiro, falar que “não saímos do zero” é igualar a civilização ocidental a índios que vivem no neolítico político, o que, de nenhuma forma, é possível, a não ser que o igualador tenha 10 anos ou seja politicamente correto, ou seja, se tiver pouco ou nenhum conhecimento ou pouco ou nenhum caráter.
 
Segundo, suponho que este senhor saiba que, pelo menos no sentido darwinista da palavra, “evolução” não tem nada a ver com progresso, mas com adaptação. Se este for o sentido que o dadivado pela incerteza adota, então ele deveria se contentar, pois a nossa sociedade já está bem adaptada, obrigado, ao ambiente, apesar de danificá-lo de quando em quando.
 
E, enfim, o quinto parágrafo, que começa com esta pérola:
Sou amante do conhecimento humano, da análise do comportamento psicológico.
 
Estou é achando que deveria ser amante de um(a) analista ou terapeuta, isso sim. Aliás, quando se analisa “comportamento psicológico”, traz-se casos específicos para a mesa, coisa que nosso amigo neo-ateu, até o presente momento, não fez.
 
Sinto que tudo depende do que se pensa, visto que isso é o ponto inicial para aquilo que se faz. 
 
Ou seja, se eu pensar que o estupro é algo correto, será correto então? Espero, sinceramente, que eu não tenha entendido.
 
Desejo profundamente que pessoas como eu não mais precisem ser taxadas como loucas, escórias, mal da humanidade pelos religiosos. 
 
Com esse tipo de texto, até eu, ateu, concordo com essa pecha.
 
Almejo um caminho de luz, de abandono de tudo aquilo que impede a humanidade de crescer em virtude, sabedoria real, de consenso de ideias. 
 
O que é luz? O que é virtude? O que é sabedoria real? Por que o consenso é necessário? É, a dúvida falta aqui, mas o salto de fé no neo-ateísmo está muito presente.
 
Sou adorador das utopias, das coisas ideais, vejo-as como um alvo inalcançável que me inspira a alcançar o que é possível.
 
É adorador das utopias, mas não admite que existam pessoas adorando outras utopias, as religiosas? Poser. Poser e, sem dúvida, – da qual Rodrigo se esqueceu ao longo do texto – muito burro.
 
“O texto não necessariamente representa a postura adotada pela sociedade racionalista, em virtude em plena responsabilidade do autor.”
 
Autor, convenhamos, que de racionalista nada tem.
Enfim, amigo leitor, esse é o fim dos delírios de Rodrigo. Pena para ele, porém, que ele não é amigo de Sam Harris, o metafísico de bar, para editar esse delírio e transformá-lo em algo vendável. Aliás, parafraseando o ilustre ex-presidente do Corinthians, Vicente Mateus, eu diria que este delírio, a que se convencionou chamar de texto, está “invendável e imprestável”.
Sobre o Autor: Octavius é professor, graduando em Letras e polemista medíocre. Só não descrê mais do neoateísmo porque ainda existem os comunistas.
*Originalmente publicado em “O Homem e a Crítica” em 07/07/2013
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