Notas Mensais – Junho 2014 – Julho 2014

Devotos de um vigarista – O retorno

Você percebe que Marx influenciou excessivamente as ciências humanas quando vê que, para justificar o método de análise histórica que cria com o “18 de Brumário”, argumenta que pessoas, usando o método anterior, falharam em fazer uma análise justa. Detalhe 1: Pessoas falhando em aplicar um método não significa que o método é falho. Detalhe 2: Marx não dá UMA MÍSERA LINHA de espaço para aqueles aos quais está se opondo, quem dirá refutá-los.


Porra, ainda estão divulgando essa merda de foto do cara que ganhou não sei quantas olimpíadas de física, linguística, astronomia e o escambau a quatro? Não deu para perceber ainda, depois de quase três anos, que ninguém dá a menor bola MESMO para o que você, amigo intelectual de boteco, acha que as pessoas devem louvar no lugar do futebol, apesar de a sua máxima contribuição para mudar esse cenário ser ler e compartilhar texto do Sakamoto com ares de PhD em ciência política?


Presidanta e suas antas

Querem começar a dar menos mole para as frescuras de esquerda? PAREM com essa história de chamar de “ignorante” quem diz/escreve “presidenta”. A forma já era dicionarizada bem antes de Dilma, então brigar contra o vocábulo em si é dar uma de trouxa e, principalmente, se concentrar no secundário ATÉ MESMO NA QUESTÃO LINGUÍSTICA, amigos de direita.


Outra coisa em que alguns da direita dão muita mancada é quando implicam (e, sim, eu já vi isto acontecendo não uma, mas várias vezes) quando alguém argumenta que falamos “português brasileiro”. Ora, qualquer um que já tenha ouvido 15 minutos de uma fala ainda que mequetrefe sobre língua e linguagem tem plena ciência de que, quando uma língua entra em um país e lá se assenta, surgirá, com o passar dos anos, uma variante adequada para as necessidades do lugar e em vários pontos diferentes da original, como aconteceu, entre outros, com o Inglês nos EUA (daí a expressão “inglês americano”), com o Espanhol nos países latino-americanos (daí o “castelhano” e mais alguns) e, OH, com o Português não só no Brasil, mas também na Angola, em Cabo Verde e em qualquer outro país em que seja uma língua falada por parcela relevante da população.

Sérião, custa exercitar um mínimo a racionalidade e parar de falar besteira apenas por achar que isso atinge as esquerdas?


Não quero escola

Que me desculpem os ufanistas e “revolucionários de 13” ainda restantes no meu perfil, mas, parafraseando o ministro Gilmar Mendes, este sobre os embargos infringentes no julgamento do Mensalão, discutir se um black bloc mirim repreendido pelo pai deve ou não ser levado a sérioquando a resposta é um óbvio “não!” é o ridículo, e este país está beirando o ridículo quando, no Globo News, aparecem especialistas para apreciar esta matéria.


Poesia e outras inutilidades sublimes

Sempre me perguntei “Para que serve a poesia?” até descobrir que não existe pergunta mais inútil e cretina do que esta para se fazer sobre poesia e sobre qualquer outro tipo de arte. A beleza da poesia, ao menos como vejo, está exatamente nisso: em não ter qualquer serventia, em termos coletivos, de imediato ou mesmo a médio prazo, enquanto, para o indivíduo, quase sempre serve para desenvolver-lhe uma das capacidades humanas mais sublimes, que é a contemplação.


Sobre militantes e militontos

Voltando a assuntos sérios, o pessoal da direita, exceção feita APENAS a Luciano Henrique Ayan e Olavo de Carvalho, está precisando seriamente prestar um pouquinho mais de atenção ao “modus operandi” das esquerdas. Por quê? Vejam como a esquerda se comporta cada vez que alguém da direita (ou melhor, que eles consideram de direita) fala algo que soe como burrice e/ou preconceito e depois comparem com o comportamento da direita, cuja maior realização de militância, até o momento, é associar a contrariedade à Pena de Morte ao Marxismo (sendo que eu mesmo poderia me fingir de marxista e dar um milhão de argumentos marxistas defendendo a Pena Capital).


Duas notas sobre o caso Olavo de Carvalho x Razzo, em que participei muito indiretamente como revisor da entrevista de Razzo:

1- Curiosamente, a não ser por uma pessoa, absolutamente TODOS, repito, TODOS os da direita com quem eu tinha um pé atrás não me decepcionaram e, sem pestanejar, por diferentes motivos, apoiaram o luminoso mestre em absoluto e, fingindo desconhecer Razzo, deram os argumentos mais toscos possíveis para esse apoio.

2- Entretanto, os piores ainda são os cretinos que, tão militantes de direita de tão funcionais e tão funcionais de tão militantes da direita, ficam falando que “é isso que a esquerda quer”, “voltem ao bom relacionamento” e derivados. Virem homens, porra. Ficar neutro para tudo em nome de uma causa só pode ter dois nomes: esquerdismo ou outroladismo.


Um dado curioso sobre meus posicionamentos políticos é que, apesar de eu não me achar em quase nada um moralista, são aspectos morais os que, justamente, acabam por começar a afetar minha crença em uma ideia. Quando saí do esquerdismo, saí por alguns dos motivos que já listei aqui, mas os dois principais foram a minha percepção do péssimo caráter da esquerda brasileira e das esquerdas em geral (rompendo primeiro com o que eu chamava de “falsa esquerda” e depois com todo o esquerdismo) e o tom de iluminados que muitos esquerdistas têm ao pronunciar qualquer boçalidade como se estivessem falando sobre a maior descoberta do século. Foi algum tempo depois, especialmente com a ajuda dos conservadores, que outros motivos foram aparecendo e/ou ficando mais claros para mim. Agora, apesar de nunca ter me declarado um direitista (e de nunca tê-lo sido de fato), é justamente quando estava para me aproximar da direita que percebo, neste lado do espectro, um comportamento diferente mais igualmente danoso, misturando um dogmatismo irritante e o mesmo tom de iluminação transcendental usado pela esquerda, com a diferença de que dizem defender uma sociedade menos estatista e coletivista.

O que quero dizer com dogmatismo? Explico lançando um desafio a todos os meus amigos direitistas, dando-lhes voz no meu blog se estiverem dispostos a cumpri-lo (e, lógico, falo dos menos famosos), de fazerem as SUAS objeções a Paulo Freire tomando por base a obra deste (ou seja, bye bye “Viva Paulo Freire!”, texto idolatrado pelos olavettes), que tanto dizem ser a ruína da educação no Brasil, ou de explicarem (no caso dos olavettes em específico) de que premissas partem para considerar Rodrigo Gurgel o maior crítico literário brasileiro vivo quando há ainda pelo menos Alfredo Bosi produzindo. Veremos quantos realmente leram os autores que criticam ou que dizem idolatrar e, especialmente, veremos quantos estão abertos a reverem suas posições em determinados assuntos. Se eu estiver certo, o dogmatismo de boa parte dos direitistas não será refutado e minha hipótese se fortalecerá, assim como minha desconfiança.

Octavius é professor, graduando em Letras, antiolavette e polemista medíocre. Não espera que qualquer direitista responda ao seu desafio, mas vai que…

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