Eu, Apolítico – A escola sem partido e a volta dos conservadores sem prudência

Havia reclamado há alguns meses sobre uma ideia muito disseminada nas trincheiras do direitismo conservador brasileiro, a de que a apologia ao comunismo e às outras doutrinas vermelhas deve ser criminalizada no mais tardar ontem. Não me cabe aqui expor novamente que argumentos me levam a rejeitar essa ideia, posto que já o fiz no supracitado texto e em outro no Sociedade Alternativa de Letras, blog de meu amigo Leonardo Levi, mas, sim, me redimir por ter achado que esta teria sido a ideia mais estúpida e mais politicamente ingênua que já tinha ouvido. Daí veio, por parte de alguns aliados do movimento chamado Escola sem Partido, a ideia da criminalização da doutrinação marxista dentro das escolas e das universidades, e fomos surpreendidos novamente.

Ingênuos e utópicos

Comecemos, como de costume, pela exposição do argumento que pretendo apreciar. Segundo nossos amigos conservadores, um dos fatores que mais compromete a educação de nossos infantes e juvenis e nos coloca entre os piores em todos os rankings possíveis e imagináveis de testes educacionais é que os professores, tão progressistas de tão politicamente comprometidos e tão politicamente comprometidos de tão progressistas, estariam na verdade usando o tempo que têm disponível com suas classes não para efetivamente lhes transmitir qualquer tipo de conhecimento científico e sim para levar-lhes a aceitar uma série de pressupostos e visões de mundo que, ao fim e ao cabo, tornariam boa parte dos alunos ou marxistas sem saber ou mesmo incapacitados de raciocinar fora das categorias de pensamento dos vários ramos do Marxismo.

Digo de antemão que, apesar de alguns pontos da argumentação direitista conservadora serem alvo de minha contestação aqui, concordo com o grosso da sua tese principalmente porque é extremamente difícil discordar, já que qualquer exame mais detalhado de discussões pela internet nos mostraria que a grande massa dos que frequentam a universidade (e que passaram, naturalmente, pelo nosso sistema educacional mesmo quando privado) podem até não ser marxistas declarados, mas raciocinam e argumentam dentro de categorias de pensamento francamente progressistas, o que tornaria a tese de doutrinação um fato, e não é possível, até onde sei, discordar de fatos.

Ainda assim, por melhores que sejam as intenções e por mais que a argumentação de que doutrinação escolar se equipara a abuso infantil seja válida e totalmente pertinente, há alguns raciocínios que, se não ligeiramente equivocados, demonstram um pouco de pressa e de falta de prudência, o que contraria um dos princípios mais primordiais do conservadorismo da tradição de Burke e Kirk, caracterizado por seus próprios adeptos justamente pela apologia à prudência na tomada de decisões e na defesa de ideias.

O primeiro deles é, sem dúvida, inofensivo enquanto tomado isoladamente, mas extremamente perigoso quando em conjunto com pelo menos mais um. Trata-se, na verdade, de um problema que também aparece quando se quer criminalizar a apologia às doutrinas vermelhas, que é justamente o de definir o que se quer tornar crime. Se, neste caso, o problema era em definir o que seriam “doutrinas vermelhas” e o que seria “apologia a crime”, naquele o problema será, definitivamente, em definir o que é “marxismo” e o que seria “doutrinação”.

Explico como já fiz no texto sobre o outro assunto: para que uma lei possa ser proposta e aprovada, isto em um congresso de razoável bom senso e com um judiciário sem compromisso ideológico ou partidário (e isto não foi uma indireta, militantes petistas, caso algum dia venham a ler este artigo), é necessário que ela seja o mais precisa possível no que se refere à matéria que contempla, ou, no caso, ao desvio ético que se deve criminalizar, o que em geral não acontece na internet quando se discute marxismo, já que qualquer um que já tenha tido meia hora de discussão que seja com um direitista comum percebeu, sem grandes dificuldades, que a grande maioria deles tem dificuldade não tanto em definir os pressupostos básicos da doutrina de Marx, Lênin et caterva, mas em delimitar justamente o que é marxista e o que não é, tanto que alguns deles apelam pifiamente para a rotulação do oponente a partir de posicionamentos em temas sociais relevantes quando há, partindo de um raciocínio marxista, tanto um sem número de argumentos para um lado quanto para o outro da pendenga.

O caso torna-se ainda mais complexo – e aqui não culpo a direita, que até está fazendo um bom trabalho nesse sentido, mas a complexidade inerente ao próprio termo -, então, quando falamos de doutrinação. Lógico que, se formos partir de premissas olavianas, teríamos de admitir, como o próprio já declarou algumas vezes, que o que está acontecendo nas escolas não é doutrinação, mas um processo tão complexo que mal pode ser encaixado no próprio conceito de “propaganda”, tamanha a sua sofisticação. Prefiro, contudo, facilitar um pouco o caso e tomar, para esta discussão, a definição de doutrinação como “apologia direta ou indireta a certa doutrina”, encaixando-me, assim, no que entendo que a própria direita quer dizer com o termo “doutrinação” nos dias de hoje.

Ocorre, neste caso, não só que um discurso em sala de aula aparentemente doutrinário pode na verdade não ser nada do que se estava pensando, mas também que lidamos com estrategistas políticos que estão acostumados a sofisticar sua forma de disseminação de ideias o quanto for necessário para que elas continuem podendo ser disseminadas. O que quero dizer, trocando em miúdos, é que, se hoje ainda há fronteiras claras em alguns casos para distinguir o doutrinador do real professor, o que provavelmente acontecerá com essa lei é que, por mais que muitos esquerdistas sejam presos e/ou proibidos de dar aulas ou algo do tipo, os doutrinadores remanescentes sentirão a necessidade de mudar de modus operandi e procurarão sofisticar a doutrinação de tal modo que esta será sutil a ponto de nem mesmo os possíveis censores de doutrinação perceberem o que deixaram passar, tornando boa parte da tentativa de desesquerdizar a mentalidade brasileira frustrada.

Distopia à direita

“We do not have the power over things, Winston. We have the power over men” (O’Brien, 1984, de George Orwell)

Esta ineficiência, porém, parecerá nada perto de uma segunda possível e provável consequência da criminalização da doutrinação marxista em escolas e universidades principalmente porque, como já disse, o primeiro erro de raciocínio é praticamente inofensivo para o coletivo se tomado isoladamente.

Acontece que, estando nós no país em que a fiscalização é parca e as leis não são cumpridas, a consequência natural para uma lei como essas seria a da maioria de nossas leis segundo a maioria da população: boas, mas impraticáveis, mas pouco cumpridas, mas lunáticas, e assim por diante. Tratando-se, no entanto, de algo tão grave ou até pior do que abuso infantil, e considerando que a direita consiga emplacar esse discurso no imaginário popular, seria natural que, ao longo do tempo, muitos obedecessem à recomendação que algumas organizações de direita já dão e agissem de modo a fiscalizar a conduta dos mestres em sala de aula e denunciá-los em caso de apologia ao marxismo. Perguntar-me-á, então, o leitor: “mas isto seria bom, não é?”

Lamentavelmente, temo que não e o faço por uma razão até bem simples. Considerando que já hoje as técnicas de doutrinação são bem sofisticadas e que só tendem a se sofisticar ao longo do tempo, já seria necessário, apenas para fiscalizar isso, uma criteriosidade e uma frieza extremas que não fossem afetadas por vaidades, por afinidades, por disputas de prestígio ou mesmo por rixas pessoais.

Na vida real, todavia, nada é tão simples e não é de se duvidar que muitos se aproveitariam da lei não tanto para fazer o que consideram justiça, mas especialmente para tirarem de circulação professores de que não gostam, colegas de trabalho que julgam detentores de privilégios excessivos com a direção, professores um pouco mais criteriosos ou até mesmo, e ainda mais grave, quem não se encaixasse não nos valores objetivos do conservadorismo, mas nos valores que o denunciante julgasse ser os do conservadorismo verdadeiro.

O que aconteceria, então, não só não seria necessariamente a purificação e a normalização do pensamento brasileiro como também, além de injustiças e arbitrariedades atrozes, uma espécie de transformação do já caótico e difícil ambiente escolar em algo como um totalitarismo em que, por meio do controle de que palavras podem ser usadas ou não para não se ser considerado um apologeta do marxismo, o que se controlaria seria, na realidade, o pensamento, o que faria o livre trânsito de ideias, algo essencial principalmente na universidade, ficar seriamente comprometido e, mesmo desconsiderando essa importância para a escola, criaria o famoso “clima ruim” em que apenas uma palavra mal colocada pode acabar com a carreira de mais de uma pessoa. Por que será que isso me soa a um certo politicamente correto?

Distopia à esquerda

Sinto informar ao leitor, porém, que tudo o que eu disse até aqui pode apenas ficar no ramo das hipóteses se considerarmos o terceiro raciocínio distorcido ao se brigar por uma escola sem partido, que é o de desconsiderar que, até o momento, quem vence a guerra cultural não são os discípulos de Kirk, Burke, Smith e Mises, mas os de Marx, Foucault, Sartre e Adorno. Digo isto porque até mesmo uma das páginas mais chinfrins da esquerda no Facebook já foi capaz de desmoralizar esse movimento pela despartidarização das escolas com um argumento dos mais elementares da  esquerda, o de que a tentativa de deixar a escola sem partido é, na verdade, uma tentativa de impor a todos uma torção à direita, visto que a ausência de ideologia, segundo eles, deixa um vácuo que se pode ser preenchido pela ideologia dominante, que, na argumentação esquerdista, seria o direitismo.

Poder-se-ia objetar a isto que o papo de que tudo é ideologia é, na verdade, uma maneira de torcer o debate em favor do lado da esquerda, que é quem denuncia isso, e de barateá-lo, já que a direita seria a portadora das ideologias e a esquerda, das virtudes e dos julgamentos mais equilibrados. O problema é que isso é de uma obviedade atroz… para quem já deu conta, com a ajuda de outros, de sair da mentalidade dominante justamente no Brasil, em sua Academia e em suas escolas, o que não só faz um movimento pelo apartidarismo nas escolas ser facilmente desacreditado e jogado no limbo da história, como também permite à esquerda retomar o discurso de vítima oprimida pelos ideólogos da mídia neoliberal, ultraconservadora e de extrema-direita.

Por consequência, o que aconteceria de imediato seria não a maior chance de se ter, novamente, um debate ideológico sadio e equilibrado em terras brasileiras, e sim mais um argumento para que a esquerda brasileira, sedenta de poder, concentre ainda mais poder em suas mãos e, com a anuência mesmo de acadêmicos e de alunos desinteressados da política, aprove uma medida atrás da outra de modo a, aí sim, esquerdizar de vez todo o processo educacional e proibirem eles mesmos qualquer pensamento que não esteja de acordo com as modas filosóficas esquerdistas do momento.

A solução: Escola Pluripartidária

“A abordagem ideológica não se caracteriza por defender um lado. Todo mundo defende um lado.” (OdeC)

Não quero dizer com tudo isto, entretanto, que toda a militância em favor da “sanitização” mental do brasileiro esteja fadada ao fracasso. Quero, na verdade, propor uma nova forma de pensar o problema.

Vejamos: a pertinente reclamação da direita é que, com esse processo de doutrinação desde a mais tenra infância, os já universitários, tão dogmáticos à esquerda de tão pobres de pensamento e tão pobres de pensamento de tão dogmáticos à esquerda, continuariam ignorando solenemente os pensadores de direita, como já faziam os professores de seus professores, estes sim os verdadeiros culpados pela insânia do atual debate cultural brasileiro. Como se pode perceber, porém, a saída da criminalização da divulgação de certas doutrinas dificilmente  gerará algo diferente de um politicamente correto de sinal trocado ou de uma ampliação certamente indesejada dos poderes da esquerda nos ambientes educacionais e acadêmicos.

Tudo, ainda assim, pode ser consertado apenas mudando o foco da luta. Afinal, por mais intrinsecamente antiético que a apologia a uma doutrina em ambiente escolar possa ser, o real problema, sendo muito utilitarista, é, na verdade, justamente o que, segundo Olavo de Carvalho, caracteriza a abordagem ideológica, que não é, ao contrário do que muitos pensam, a defesa de uma posição política ou de um lado, mas a proibição da formulação de hipóteses que se oponham a este lado  de qualquer maneira que seja, ainda que nada tenha a ver com questões político-ideológicas.

O problema, por corolário, não é, por exemplo, que um professor de Didática decida ensiná-la pelo método materialista histórico-dialético ou que o professor de História da escola de seu filho se declare um marxista frankfurtiano ou mesmo o ensine sorrateiramente de acordo com este método. O real problema é que não é facultado ao aluno ver, dentro do ambiente escolar ou universitário, outras hipóteses francamente opostas às de seus professores com a mesma facilidade com que vê aquelas que já conhece. Não é, portanto, a apologia ao marxismo que torna os alunos pendidos para o progressismo, mas a impossibilidade de ler com razoável frequência mais do que simulacros das visões que contestam a busca pelo “mundo melhor” e pelo fim da opressão capitalista contra o proletariado e  contra as outras minorias.

Deve-se lutar, então, não pela criminalização de divulgação de ideologias, pois ainda não há ambiente cultural que sustente uma criminalização da esquerda – o que significaria que essa tentativa, na realidade, poderia sair pela culatra para a direita conservadora -, e sim pela maior abertura para o debate delas em todos os tipos de ambiente escolar, o que criaria, aí sim, um belo mercado de ideias e daria ao aluno interessado em política a maior possibilidade de uma melhor escolha e, ao aluno não tão interessado, a real possibilidade de pensar o mundo de forma diferente do progressismo politicamente correto habitual.

Enfim, posso até concordar com “mais Mises, menos Marx”, mas não consigo tolerar que isto seja alcançado por um método que envolve, no fundo, mais Marx e menos Mises.

Octavius é professor, graduando em Letras, antiolavette e polemista medíocre. Defendeu a escola sem partido até descobrir quem eram seus parceiros de luta. Costuma blogar também em Sociedade Alternativa de Letras, tendo sua mão de obra bloguística explorada quando assina uma coluna com o mesmo nome deste blog.

Update: Minha opinião sobre a questão de equiparar doutrinação escolar a abuso infantil mudou um pouco. Vejam mais aqui.

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8 comentários

  1. Você ao menos sabe do que está falando, seu animal? O Escola Sem Partido não propõe a criminalização da doutrinação marxista ou do que quer que seja. A instituição existe há dez anos, já produziu muito material, seus líderes já concederam inúmeras entrevistas e auxiliaram na criação de diversos projeto de lei e nunca — repito, nunca — falaram que a criminalização do marxismo é desejável.

    Leia ao menos o documento com os “deveres do professor” ou o “anteprojeto de lei” criados pela instituição antes de falar tanta besteira. Sua tentativa patética de criticar o Conservadorismo SEMPRE esbarra na sua ignorância e desconhecimento sobre o assunto, tornando qualquer argumento que você apresenta não só deslocado como ridículo e risível.

    De toda forma, caso você queira mesmo debater com alguém que julga plausível a criminalização do Comunismo, procure o Bruno Garschagen, que escreveu uma dissertação de mestrado para o programa de pós-graduação em Ciência Política da Universidade de Oxford que aborda o assunto. Nessa dissertação, ele mostra, dentre outras coisas, que não faz sentido banir e criminalizar os símbolos nazistas e não fazer o mesmo com o comunismo, já que este foi muito mais nocivo do que aquele.

    1. Hm, temos um conservador nervosinho por aqui, heh?

      Primeiro, de fato, o Escola Sem Partido não propõe isso. Por isso mesmo que me corrigi há pouco e coloquei o que de fato quis dizer, isto é, que “alguns aliados do movimento” estão querendo isso, como de fato querem e como queriam a criminalização da apologia ao comunismo e a outras doutrinas vermelhas.

      Segundo, minha tentativa não é de criticar o Conservadorismo de forma alguma. Do pouco que conheço, aliás, acho uma doutrina fascinante e que merece, sim, não só respeito como também muito crédito. O que critico são alguns tontos que se julgam os ícones do conservadorismo mas que, na hora do vamos ver, conhecem apenas uns poucos artigos de Olavo de Carvalho, uns TOs e nada mais(e veja, nem falo dos livros sempre bons de Olavo, falo de artigos mesmo, que, por melhores que sejam, ainda não representam os conservadores mais do que obras de caras como Kirk e Burke).

      Terceiro, eu já conheço esse argumento de que apologia ao comunismo é igual a apologia ao nazismo, tanto que, em outro texto, eu digo, aliás, que só discordo por achar apologia ao comunismo PIOR do que apologia ao nazismo, só não sabia que tinha sido Garschagen quem o tinha formulado.

      Quarto, se você diz que minha tentativa de criticar o conservadorismo (o que já disse que não faço de forma alguma, critico alguns que se acham os mais conservadores de todos) SEMPRE faz x ou y, isto quer dizer que, no mínimo, você deve ter lido mais de um texto aqui, a não ser que esteja apenas especulando. Aliás, minto, está mesmo especulando, pois, na maioria dos textos, faço é elogios aos conservadores e críticas… à esquerda.

      Quinto, o problema é que o frame, para usar uma linguagem ayaniana, ainda é fraco. Quer saber como? Segue um exemplo: http://gustavoacmoreira.blogspot.com.br/2012/04/escola-sem-partido-direitismo-mal.html

      Enfim, desculpe pelo mal entendido inicial, mas, de qualquer forma, pelo visto você, que fala corretamente sobre conhecer quem se critica, pelo visto não conhece este que digita. Por favor, antes de vir responder a isto com mais porcarias, faça o favor de ler pelo menos mais uns dez textos meus. Daí me diga se minha intenção aqui foi mesmo apenas “criticar o conservadorismo”.

      1. Você está enganado. Este não é o primeiro texto deste blog que eu leio. Mas confesso que não tenho animo para discutir com alguém que carrega no rigor ao criticar “olavettes” e se revolta quando vê alguém cometendo uma imprecisão sobre o pensamento de Nietzsche, mas diz que o Conservadorismo é uma doutrina.

        Só comentei porque não acho justo que o trabalho de alguém tão sério quanto o Miguel Nagib seja machado por bobagens como as que vão acima, sobretudo quando escritas por alguém que se arroga a capacidade de compreender os conservadores — como se ler meia dúzia de discursos do Burke e uma coletânea de conferências transcritas do Kirk proporcionassem isso.

        Nada mais patético do que ver quem se porta como omebudsman do conhecimento alheio mostrando o próprio rabo. Quis custodiet ipsos custodes?

      2. “Você está enganado. Este não é o primeiro texto deste blog que eu leio.”

        E leu quais outros?

        “Mas confesso que não tenho animo para discutir com alguém que carrega no rigor ao criticar “olavettes” e se revolta quando vê alguém cometendo uma imprecisão sobre o pensamento de Nietzsche, mas diz que o Conservadorismo é uma doutrina.”

        De fato o fiz, mas como você sabe que critiquei a professora conservadora de História se eu sequer te conheço, rapaz? Você fica vigiando o perfil de quem faz crítica contra aqueles com que você concorda, é isso? É uma espécie de MAV-Olavo (ou, no caso, MAV-Bellei)?

        E Conservadorismo é uma doutrina… filosófica, mas, mesmo que não fosse, não seria de forma alguma necessariamente ruim. Aliás, sendo bem sincero, usei “doutrina” mais como “conjunto de ideias” do que qualquer outra coisa. Não foi minha intenção comparar o conservadorismo a religiões políticas como o Marxismo.

        “Só comentei porque não acho justo que o trabalho de alguém tão sério quanto o Miguel Nagib seja machado por bobagens como as que vão acima,”

        Manchado por um texto de um blog insignificante? Porra, vocês da direita são mesmo ruins de estratégia. Ou seja, para evitar que alguém manche o trabalho de Nagib (que, sim, sei que é um homem seríssimo, tanto é que nunca foi minha intenção acusar seu movimento de buscar a criminalização dos doutrinadores, mas sim detonar alguns dos que simpatizam com esse movimento e querem isso) com um texto, vocês compartilham esse texto, dão audiência para o sujeito e ainda correm o risco de ele ganhar fama às vossas custas? Por favor, não é meu blog que você está precisando ler, mas o do Luciano Ayan e os textos do Olavo de novo.

        ” sobretudo quando escritas por alguém que se arroga a capacidade de compreender os conservadores — como se ler meia dúzia de discursos do Burke e uma coletânea de conferências transcritas do Kirk proporcionassem isso.”

        Não me arrogo a capacidade de compreender os conservadores também porque, como já disse várias vezes aqui e no perfil de Facebook que você está aparentemente stalkeando, ainda preciso ler muito para compreender essa filosofia pela qual tenho muito respeito. Aqueles contra os quais eu me movo são, como eu também já disse, alguns que se julgam mais conservadores do que outros mas que, no final das contas, conhecem pouco sobre o que dizem defender. Aliás, quando falo em olavettes, falo contra apenas os mais fanáticos, tanto que você dificilmente me verá criticar as atitudes de homens de bom senso como o Falcón ou o Ronald Robson por exemplo – além do que, sendo bem franco, acho positivo que o número de olavettes cresça consideravelmente, apenas quero que seja por um caminho de mais bom senso.

        E, sim, eu sei que ler apenas discursos do Burke e conferências do Kirk não me fará compreender os conservadores e que eu ainda tenho muito a aprender nesse sentido. Será que é por isso que nunca fiz neste blog qualquer post com o título “Crítica ao Conservadorismo”, como já fizeram muitos amigos liberais e libertários meus? (A pergunta é retórica, btw).

        “Nada mais patético do que ver quem se porta como omebudsman do conhecimento alheio mostrando o próprio rabo. ”

        Nunca me portei como ombudsman do conhecimento alheio. Prove isso que diz.

        “Quis custodiet ipsos custodes?”

        Quem quiser.

  2. Muito bom o texto e o caminho é este mesmo. O Olavo fala por ai que quando esses jovens doutrinados lerem pensadores de direita como os citados no texto e um tal de Scruton, eles certamente, deixariam de ser esquerdistas.

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