Notas Mensais – Julho de 2014 – Agosto de 2014

“Povo xingava a Rachel Sheherazade de nazista, agora fica tudo quietinho quando deputada do PT pede pras FARC matarem o Zúñiga.”

Eu não xinguei a Rachel Sheherazade (aliás, a defendi) e ainda não mandei a deputada do PT tomar onde bem prefira, mas acho impressionante como o povo também ficou pianinho quando alguém chamou um profissional do futebol de psicopata, sendo curtido por outra centena ou duas de bucéfalos.


Uma das melhores sensações que tenho é a de poder dizer, quando não conheço nada sobre um assunto, que só sei que nada sei. Quando digo, porém, a mesmíssima frase tendo algum conhecimento sobre determinada matéria ou quando me deparo com uma questão em cima da qual venho quebrando a cabeça há algum tempo, tudo o que sinto é não tortura, pois afirmar isto seria exagerado em demasia e seria brincar com quem de fato foi torturado em algum momento da vida, mas uma agonia que, apesar de também pequena se comparada a quem realmente tem motivos para ficar agoniado, a mim parece tão grande de tão indescritível e tão indescritível de tão grande.


Muitos reclamam (e este muitos, de fato, não é exagero) de meu apego excessivo a normas gramaticais mesmo em situações em que elas não são necessárias. Se repararem, porém, apenas corrijo três tipos de pessoas, sendo elas:

1- O pessoal da zuera, que eu sei que não vai se importar.
2- Os que realmente gostam de escrever com o maior apuro possível.
3- Normativistas convictos, mas mais especialmente aqueles que, do auge de seu desconhecimento, argumentam contra uma figura como Marcos Bagno, por exemplo, dizendo que ele seria um defensor do vale-tudo gramatical ou de “siscrever como sifala”, quando isto é falso (qualquer um que leu um artigo sequer de Bagno sabe disso, quanto mais um de seus livros) e quando há uma caralhada de argumentos melhores contra o figura e contra as teses que defende.


A esquerda, depois desse novo vtnc dirigido à presidente, deixará de ser “esquerda caviar” para se tornar “esquerda yugioh”, porque o que vamos ver de gente invocando a elite branca de olhos azuis (ou, kaibamente falando, “azuuuuuuuis”) vai ser uma grandeza.


Uma das coisas que menos me interessa é o conflito Israel x Palestina. Sinceramente? Porque acho tudo isso, pondeanamente falando, brega até dizer chega. Em tese, É ÓBVIO que todas as terras deveriam pertencer à Palestina, pois quem merece terra é quem ganhou a guerra (sempre foi assim entre potências e assim deve continuar a ser, pois é o modo mais honrado de fazer a divisão entre países), o que os judeus nunca foram capazes de fazer. O problema, porém, é que, na prática, existe o Islamismo. De resto, só mais um conflito entre vários no mundo. Diria até que o separatismo curdo me é mais caro.


Muitos pensam que, por ridicularizar a militância da nova direita, eu sou absolutamente contra qualquer tipo de militância. Não, queridos. Se eu fosse contra militância, não tentaria dar, como ex-esquerdista, diversos conselhos aos militantes da direita. O que me incomoda é quando querem me fazer sentir obrigado a sempre pensar com o grupo ou a sempre ajudar em todo tipo de campanha antiesquerdista ou, sendo mais claro do que cristal, anti-PT. Quando me engajo, faço-o voluntariamente. Entendam isso e, como diz o filósofo, “sejam felizes e não me encham o saco”. Ah, e boa sorte com a restauração da civilização ocidental cristã.

“E, no terceiro dia, ascendeu ao patamar de maior filósofo de todos os tempos e disse: CU!

Palavra da salvação. Glória a vós, Olavo.”


“Não toquem nas empresas privadas! Quem não quer vender produtos para quem quer que seja tem esse direito, pois é dono de uma empresa privada e não é obrigado a servir a todos!”

“Ora, mas como assim a Turma da Mônica aderiu ao politicamente correto? Eu posso até escolher não comprar uma revistinha, mas é um absurdo que uma empresa privada compactue com ideias com as quais eu não concordo!”

Assim falou algum conservador brasileiro em algum lugar.


Sugestão para Maurício de Sousa parar de compactuar com a alienação das criancinhas pelo politicamente correto: criar um vilão que esteja querendo impor a Nova Ordem Mundial para a Turma da Mônica. Suas táticas deverão ser não as tradicionais de Capitão Feio e de outros, mas as da guerra cultural e da subversão de valores da cultura judaico-cristã ocidental.


Distopia à esquerda: “Jornalista é presa por incitar a violência em um comentário de menos de dois minutos na televisão aberta. A pena provavelmente será o banimento de todos os canais de televisão (porque todos sabemos que o causa isso não é a vontade individual da jornalista, mas a existência por si só da mídia tradicional) e a ida da ré para um campo de reeducação. Proletários de todo o mundo, uni-vos!”.

Distopia à direita: “Professor de filosofia é acusado de incitar a doutrinação marxista em escolas com um comentário de menos de duas linhas no Facebook. Os ideólogos do regime manifestaram-se a favor de uma punição severa, incluindo o fim da carreira docente do indivíduo em questão e, naturalmente, a ida imediata para um campo de reeducação. E viva a civilização ocidental judaico-cristã!”

Octavius é professor, graduando em Letras, antiolavette e polemista medíocre. Talvez queira salvar a civilização ocidental se for bem pago para isso.

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