Notas Mensais – Outubro de 2014 – Novembro de 2014

A disputa política no Brasil vai melhorar 200% a partir do momento em que as pessoas aprenderem a diferença entre ser réu em um processo e ser culpado de um crime. Onde há fumaça há fogo, claro, mas nem sempre se trata de um incêndio, conterrâneos tupiniquins.


Outra coisa que melhoraria e MUITO o debate político no Brasil seria se as pessoas parassem de misturar a profissão de um sujeito com suas convicções políticas, chamando-o de “médico” por pertencer ao partido X ou de “sociólogo” por pertencer ao partido Y. Infeliz ou felizmente, mesmo que seja o maior boçal do mundo, continuará sendo médico, professor, advogado, engenheiro ou o escambau-a-quatro, pois um profissional de uma área só deixará de sê-lo quando aposentado, quando abandonar a área ou quando tiver o seu diploma cassado, três coisas que raramente acontecem em terras tupiniquins.

A mensagem, portanto, é clara: eu sei que vocês da esquerda e da direita (principalmente os esquerdistas, frise-se) acreditam que tudo é ideologia, tudo é política (no sentido de direita x esquerda) e toda essa punhetação metafísica, mas, sério, não insultem tanto assim a inteligência do eleitor. Ele não vai deixar de chamar o sujeito de “doutor” ou de “professor” apenas porque vocês querem.


 Ei, direitistas, sabem por que ninguém da esquerda escreveu até hoje um livro chamado “A anatomia dos coxinhas”? Porque viram que o autor de “Esquerda Caviar” comprometeu seriamente a qualidade do frame, pois ficou difícil não associar esquerda caviar ao babaca que quer o “homem-homem”.


Desacreditava as pesquisas que apontavam larga vantagem de Dilma no primeiro turno. Acredita nas pesquisas que apontam vantagem crescente de Aécio e, mais ainda, trata um possível revés do bananão como “golpe petista”. Eis, meus amigos, o mistério do duplipensamento. Pena, porém, que a esquerda brasileira também não é nenhuma santa quando se trata disso.


Da série “Coisas que direitistas em geral precisam aprender”:

Se você nada diz sobre quem diz falar Inglês Americano, mas chama de “marxista cultural” todo aquele que defende a existência do Português Brasileiro, você é não só incoerente, mas também mal informado e muito, muito, muito burro. E ainda ficam faltando alguns “muito”.


Ando vendo tanta gente chamando a Folha de esquerdista ou de direitista que não sei se começo a lê-la para verificar por mim mesmo ou se dou uma de democrata e confio na maioria de meus amigos.


Amigos direitistas, sabem o que é culpar quem votou ou fez propaganda de voto nulo pela eleição de Dilma? Vitimismo. Não se esqueçam, afinal, de que até o dia do início das eleições, a maior parte dos votos é de votos nulos. Cabe, portanto, a ambos os candidatos trazer os nulos para si mesmos. Se Aécio e seu partido não tiveram competência para isso, paciência. É melhor, aliás, ter paciência do que ficar propondo merdas do tipo “não reconhecer a eleição”. Vocês sabiam que o resultado seria esse. Culpar quem de nada tem culpa é canalhice, nada mais.


Não me surpreende que, após a vitória de Dilma, muitos patriotas estejam declarando luto pelo Brasil. O que me surpreende cada vez mais é que ainda existe quem acredita que patriotismo vale a pena ou, ainda mais, que deve ser levado a sério por qualquer pessoa com mais de dois neurônios no cérebro.


Em política, a maioria dos estrategistas propõem ações com base apenas em um objetivo final. Tolos! Mil vezes tolos! Uma proposta política deve levar em conta também a maneira como é formulada linguisticamente e, principalmente, qual será o seu impacto (tanto da proposta em si quanto da formulação em palavras) sobre uma maioria de leigos que é de fato quem decide o futuro nas nações democráticas. Por isso, a arte de fazer política é, antes de tudo, a arte de ter paciência mesmo quando as circunstâncias parecem demandar pressa. Entenderam ou querem um desenho, ó conservadores imprudentes?


Querem entender (se é que já não entenderam), amigos da direita, por que acho péssima a proposta de impeachment contra Dilma neste momento? Simples: vocês podem até crer em moral objetiva e até conhecer a fundo as bases em que se assenta a nossa democracia, mas quantos além de vocês conhecem isso e creem nas mesmas coisas? Quantos entendem o que é um processo de impeachment? Quantos não cairiam no papo de que impeachment é golpe? Sério mesmo que vocês não pensaram nisso até agora?


Octavius é professor, graduando em Letras, antiolavette e polemista medíocre. Acabará já com estas Notas Mensais por saber o quão chatas são.

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