Novas reflexões de um heterônimo rabugento: sobre chapéus e Estados-Babás

Amizade é um amor recalcado, diria o psicanalista afobado. O que tem isto a ver com o que escrevo a seguir, leitor? Nada, mas o caso é que sempre ouvi falar, e eis a razão para este gracejo inicial, que é de bom tom gracejar com o leitor para que o jogo da escrita com a leitura se torne o menos entediante possível – mentira, devo ter ouvido falar uma vez ou outra em algum lugar que não me vem à memória e que não vem ao caso; como plágio é crime, porém, assumo que não me cabe alegar ter sido o criador de tamanha genialidade literária.

Enfim, o caso foi terem chegado-me (e não, leitor, normalmente não sou tão xarope, o ortônimo é que não cessa de se confundir comigo) diversas notícias sobre as quais considero mister tecer comentários longuíssimos que, garanto nietzscheanamente, serão para todos (comentarem) e para ninguém (ler). Nenhum jornalista, a não ser eu próprio, se feriu (ou quase isso) durante a produção destes parágrafos e, principalmente, dos que se seguem.

Ouço, primeiro, que “in voga” está no futebol o verbo, provavelmente neologizado, “chapelar”. Ora, o ortônimo bem sabe que me entedia mortalmente esse esporte semibárbaro – sabem aquela história de as massas serem movidas por paixões mais do que tolas? Pois é -, mas não é de se descartar a chance de se alfinetar os governantes de qualquer país, quanto mais do Brasil em que vocês vivem, quando tentam chapelar a justiça alheia para, anos depois, descobrirem que são eles próprios os mais chapelados e, principalmente, os mais chapeláveis.

Nesta terra com palmeiras, meus amigos, as aves que aqui gorjearam para que Battisti pudesse ficar não cantaram tão bem lá. Nosso horizonte tem mais leis, mas nossa terra, mais horrores. De qualquer forma, é óbvio que, assim como Octavius e ao contrário de uns meus amigos da direita puritana jornalística brasileira, me dano para que substâncias um sujeito consuma nos limites quase sempre invioláveis de seu corpo, tanto é que, após ler que “lei antifumo ficará mais severa”, não tive dúvidas: traguei tanto quanto possível em casa, porque vai que a Grande Chaminé, ops, digo, que o Grande Irmão já me esteja observando, não?

Finalmente, falando em observação, até comentaria convosco sobre o caso Charlie Hebdo, mas vou deixar para que o eu que é o outro não o faça. Não, leitor, ele não tememos bombas ou fuzis tanto assim. Tememos mais, aliás, coisas piores, como conservadores ou progressistas de internet. O maior problema nesse caso é, sinceramente, que não sabemos de qual é pior ouvir “sou a favor da liberdade de expressão, mas”. Adianto, porém, que os progressistas pelo menos têm uma metafísica um pouco mais sofisticada nesse sentido. Sabem o que isso significa? Nada.

Octavius é professor, graduando em Letras, antiolavette e polemista medíocre.  Não duvida que Ludovico Kasprov consiga mais fama do que ele próprio com apenas dois textos.

Ludovico Kasprov é jornalista e trabalha de heterônimo nas horas vagas. Para quem estava falando de Todorov uns dias atrás, a coisa anda meio feia. Meio não, muito feia. Muito não, completamente feia, tão feia que ganhou o troféu Jean-Paul Sartre na categoria “coisinha mais feinha do pai”.

Anúncios

2 comentários

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s