Os demônios de Pirula e os meus

“Há mais mistérios entre o americano e o estadunidense do que pressupõe nossa vã filosofia… ou não”. O que isto significa? Talvez nada, talvez tudo, talvez talvez, mas o que de fato importa é se o gracejo vos agradou, leitores. Espero francamente ser “não” a resposta, ou realmente confirmarei, como pensei em minha primeira aparição neste lugar, o tédio pelo qual vossas vidas são lentamente consumidas.

De qualquer maneira, e sobremaneira inspirado por um amigo de meu ortônimo, volto a escrever para vosso divertimento, ou nem tanto, sobre os meus próprios demônios, sobre os demônios que ainda me assombram e que, pelo andar do carrinho de pipoca (porque sequer sei se carruagens ainda existem), vão continuar a assombrar meus herdeiros, apesar de essa historieta darwiniana de herdeiros me enfadar profundamente.

Deveis saber,  antes de tudo, que não me contrario quando o supracitado paleontólogo se mostra preocupado com a falta de critérios por parte dos indivíduos ao escolherem em que vão acreditar. Paranoicas, ignorantes e histéricas, não é de se surpreender que as massas tendam a crer nas primeiras vigarices ideologicamente convenientes que surgem e que, do mesmo modo, passem a idolatrar o charlatão que as profere.

Se, porém, a honestidade e a sinceridade são as virtudes dos condenados – com o que não concordo, já que considero a sinceridade o vício dos idiotas no sentido clássico do termo -, digo que a esperança é o vício dos carrascos. Claro, não penso ser o doutor em Biologia um dos que se encaixariam nessa categoria, pois não lhe apetece a política. O problema, porém, persiste, já que há muitos outros esperançosos, de direita ou de esquerda, fazendo política terras tupiniquins afora. O resultado todos conhecemos: em nome da esperança no brasileiro, qualquer crítica a este povo é admoestada como mero viralatismo pró-americano (como se ser americano fosse, apesar dos pesares, uma postura digníssima a se tomar) ou como comunismo enrustido; protege-se, então, este povo de uma necessária reforma psicológica por meio da censura ao que explicitamente serve para essa reforma, mas nem mesmo a maior das censuras pode deter as implicitudes que de fato acabam por mudar o brasileiro para pior.

E, depois, vós ainda alegais ser um povo amistoso e digno da confiança do mundo. Patifaria. E patifaria demoníaca. O melhor que se pode fazer, e que vós brasileiros não estais fazendo, com o arco-íris da esperança em política é o óbvio: apagá-lo o mais rápido possível ou, melhor ainda, sequer acendê-lo.

Ludovico Kasprov é jornalista e trabalha de heterônimo nas horas vagas. Exorcizaria seus próprios demônios… se acreditasse em exorcismos.

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