Dessacro – Os Ensaios Profanos – Ideologia, antes eu quisesse uma para viver

Começo de vez a série abordando um dos pontos em que talvez imbecilidade e cinismo estejam no mais promíscuo e carnal abraço nos tempos hodiernos: a ideologia.

Primeiro, porém, é mister deixar claro que tudo o que digo sobre ideologia cabe perfeitamente para sua irmã de natureza mais metafísica, a religião, o que o leitor perceberá já com algumas caracterizações que empreenderei neste ensaio.

De um lado, os cretinos que, querendo posar de puros ou de superiores, desprezam todas as ideologias possíveis mas que, curiosamente, parecem, em seus comentários, extremamente ideologicamente comprometidos, isto quando não pura e estritamente comprados no pior sentido possível para o termo.

Não são petistas, por exemplo, mas consideram que quem se posiciona contra o Mais Médicos só pode ser da classe média racista e reacionária. Entre seus sites de notícias favoritos, os “isentos e imparciais” Brasil 247 e Pragmatismo Político.

Para adicionar ainda mais hipocrisia, vociferam contra todos os que, sem a mesma cretinice, defendem abertamente suas ideologias, tratando-os como se vivessem na ilegalidade e no abismo da ignorância, o que de fato acontece em muitos casos, como veremos posteriormente.

Esquecem-se, contudo, da lição que nos lega Orwell com seu magnum opus, 1984: é justamente no mundo ideologizado contra qualquer ideologia ou divergência ideológica em que vemos a tirania do homem contra o homem e o esmagar da nossa face mais humana, algo que acontece recorrentemente na obra supracitada, e para isso basta evocar a forma como o livro termina, isto é, com um Winston praticamente zumbificado e fanático por um governo cada vez mais controlador e totalitário.

São, pois, apenas cretinos duplipensadores, para continuar citando indiretamente o jornalista e literato indiano.

Do outro lado, e quase como um complemento aos primeiros, temos justamente aqueles que, em nome da ideologia, sacralizam a si mesmos e a seus comparsas na farsa ideológica e colocam todos aqueles que os criticam, mesmo nas menores miudezas, no grupo dos hereges a serem reconvertidos, dos machistas a serem caçados, dos capitalistas a serem aniquilados ou, falando de modo mais geral, perseguidos ideologicamente ou censurados previamente.

Feministas malucas, ateísta megalomaníacos e megalonanicos, esquerdistas pós-modernos infantis, religiosos reacionários, conservadores boçais, todos estes só não se encaixam na definição de cretinos perfeitos porque ninguém é perfeito.

Muito menos imparcial.

Octavius é professor, graduando em Letras, antiolavette e polemista medíocre. Não sabe como ainda o grito primal “Deturparam Orwell!” não apareceu nos comentários.

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