Eu, Apolítico – Conservadores e justiceiros sociais são o mesmo excremento sim, amiguinho!

Zoar conservador e  SJW na internet? É claro que pode!

Zoar conservador e SJW na internet? É claro que pode!

É transparente para todos os que se envolvem em discussões políticas na internet que, nos últimos anos, foram alçados ao protagonismo do debate político dois grupos que, fossem irmãos, não seriam tão semelhantes: os conservadores do lado dextero, os justiceiros sociais (ou, em inglês, SJW) do lado sinistro.

Quando expomos tal equivalência a membros de ambos os lados, as reações são invariáveis e poucas, indo desde acusar o oponente do momento de ser um agente do outro lado querendo desestabilizar o movimento até “expor” a falta de conhecimento deste adversário retórico, fato que, tanto segundo os carolas da religião tradicional (conservadores) quanto conforme os da religião política (SJW), seria o real motivo de sua não adesão irrestrita aos princípios da bobajada ideológica que se esteja a defender no momento – e como se não ter lido nem querer ler Mein Kampf servisse como argumento válido para desmoralizar um detrator do Nazismo, seguindo a mesma lógica.

Pena para os lunáticos, entretanto, que o Partido dizer que 2 + 2 = 5 não muda o fato 2 + 2 = 4, isto é, que negar a realidade não a tornará, em momento algum, menos factual.

Vamos, então, aos fatos. Por mais que se possa defender que o conservadorismo cretino é invariavelmente bem menos prejudicial à manutenção da ordem e da paz do que a justiçagem social lunática, tese defendida até mesmo por este articulista em vários momentos, nem por isso é possível deixar de notar uma série de ideias dignas de autoritários, ou até de totalitários em potencial, que ambos os grupos fazem questão de ostentar em seus discursos.

Em primeiro lugar, só pode vir a compreensão daquele que não apoia irrestritamente os delírios autoritários de um coletivo ou de uma espécie qualquer de messias como inimigo a ser abatido, ingênuo a ser doutrinado ou massa de manobra a ser posteriormente descartada. Seja chamando de “agente da desinformação globalista” ou de “piroco falocentrista-machista”, o desejo é o mesmo, sempre beirando o totalitarismo: a adesão dos ideologicamente puros, dos covardes que, na hora H, servirão para engrossar o coro dos ressentidos que fingem representar algo que não seus próprios interesses.

Falando em pureza, também o purismo mais do que puritano é característico tanto desses dexteros quanto desses sinistros. Não existe, para eles (ou “elxs” para xs justiceirxs sociaxs), qualquer possibilidade de tentar ganhar adeptos ao evitar queimar o filme até mesmo de direitistas e esquerdistas que nenhuma relação tem com suas ideias. Não existe o falar menos, existe o falar o que vem a mente para não se igualar aos outros, aos “ideólogos”.

Não existe, por exemplo, defender ou pelo menos não ficar atacando a noção de laicidade do Estado. O que existe é um complô liberal liberal e esquerdista para destruir a moral que deve ser denunciado para aqueles que, segundo os próprios denunciantes, já estão há muito imersos nessa lama de amoralismo.

Da mesma maneira, não pode existir o homem branco como um aliado de momento. O que deve haver é um escravo mental que “desconstrua o machismo” (o que quer que isso signifique) enquanto toma cuidado para não cometer o crime herético de “apropriação cultural”, como se a própria história da humanidade e da miscigenação cultural – esta, aliás, até mesmo combatida adivinhem por quem? Pois é, por alguns setores conservadores (!) – pudessem vir a existir sem essas tais “apropriações”.

Deve-se adicionar a tudo isso, outrossim, o desprezo e o ódio mortais pelos modos mais viáveis do fazer político, sendo que ambos os grupos de carolas ideológicos vêm propondo, cada um a seu modo, a revolução, o que não é surpreendente para os esquerdistas SJWs, mas o é para os dexteros que, segundo eles próprios, têm como principais princípios políticos a paciência e a prudência.

Esse ódio à política tradicional (à qual, por sinal, nenhuma alternativa viável é proposta em momento algum), aliás, se vem materializando das mais esquisitamente semelhantes formas.

Não seria surpresa, por exemplo, a página dos justiceiros sociais que subiram ao Poder Executivo brasileiro incitar o sentimento boçal antipolíticos do brasileiro mediano contra os membros do MBL como um todo por alguns destes terem cometido o crime de expressarem o desejo de pleitearem cargos políticos nas eleições vindouras de 2016 e de 2018.

Assustadora, contudo, foi a adesão quase que irrestrita dos politicamente corretos da direita, os olavettes, ao mesmo discurso apenas porque, segundo o luminoso-mestre, isso só serve para salvar o Foro de São Paulo, como se fosse possível acabar, de uma só vez, com uma organização internacional cujas raízes foram fincadas no Brasil e em suas instituições há mais de duas décadas.

Mesmo assim, peço-lhe calma, amigo leitor, porque pior do que está sempre pode ficar. Certamente chegará o dia em que tamanha simbiose resultará em um defensor dos direitos dos gays pregando um esquerdismo conservador contra toda essa degradação moral causada pelo liberalismo defensor do patriarcado. Ou talvez venha por aí só mais uma geração que, tendo falhado no intento de mudar o Brasil, se restrinja a fumar Bob Marley e escutar maconha no quarto enquanto sabe que, para ver o dia seguinte, precisará se entupir de antidepressivos e cair em coma profundo por algumas horas. Afinal, parafraseando o sempre coerente Homer Simpson, o pesadelo de conservadores e de justiceiros sociais, SJWs e conservadores são o futuro… a menos que façamos algo a esse respeito.

Octavius é professor, graduando em Letras, antiolavette e polemista medíocre. Ainda acha que não conheceu todos os mangolões fracassados que tinha para conhecer na internet.

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6 comentários

  1. Cara, eu em defino como um conservador, mas nunca foi tão difícil ter que concordar com algo, como eu tive que, infelizmente, concordar com o seu texto

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