Mensagem de fim de ano: o legado de 2015 ao Brasil, e o que começar a fazer em 2016

Os leitores bem sabem que questões religiosas e morais pouco me interessam, apesar de reconhecer suas relevâncias quando o assunto é manter a coesão social. Não me faria sentido, então, ficar discorrendo longamente acerca da simbologia por trás das festas de fim de ano ou algo do tipo, posto que outros o fazem melhor do que eu e, mais importante, que esse tipo de discussão me causa um sono inenarrável e um tédio inexorável.

Minha mensagem de fim de ano é, pois, essencialmente política, já que considero que o maior legado de 2015 aos brasileiros é, justamente, essencialmente político.

2015, em minha opinião, foi o ano em que se escancararam duas terríveis verdades já visíveis ao analista um pouco menos desatento: a de que o problema dos canalhas totalitários é que sempre encontrarão um jeito de se esquivarem de discutir a realidade e a de que o problema dos tolos não-totalitários é que eles sempre cairão nesse jogo.

Se, para a nossa esquerda, 2015 simboliza o ano em que o feminismo “veio para ficar” nas discussões políticas, o mesmo fenômeno significa, para a direita, mais uma prova de sua total ineficiência quando o assunto é jogar a política, tendo em vista que os canhotos ganharam mais uma arma permanente de desvio de foco quando a situação lhes estiver desfavorável com relação aos fatos.

Afinal, não foi muito difícil para a esquerda totalitária nem tão dentro do armário assim que temos no Brasil desviar, por muitas vezes, o foco em cima da discussão acerca da canalhice perpetrada por certo ParTido governante durante os últimos 13 anos e redirecioná-lo para qualquer evento que quisessem, tenha o evento tido uma relevância de fato muito grande, tenha esta relevância sido grandemente exagerada pela nossa esquerda que, de utópica, não tem nada.

Estatistas e totalitários até o limite do inaceitável, os esquerdistas brasileiros não hesitaram por um minuto em proteger um governo no mínimo altamente questionável em suas decisões e, no máximo, com intenções que fariam qualquer George Orwell se arrepiar em poucos segundos de propaganda partidária.

De pequenas corrupções às mais bizarras justiçagens sociais, o desvio de foco intencional foi tão impecável que, no fim das contas, não seria nenhum exagero dizer que, por mais que o pedido de impeachment contra Dilma Rousseff ainda esteja tramitando no Congresso, foi a esquerda, contra tudo e contra todos, incluindo mais de 80% da população brasileira, a grande vencedora.

De nada serve, porém, parabenizar-lhes pelos méritos. O que é útil, na verdade, é ressaltar, mais uma vez, que a culpa é toda de uma direita que, se se finge de inocente julgando ser possível destronar os canhotos sem jogar a guerra política, exagera demais quando discute politicamente (o que, aliás, nem deveria acontecer: adversário político é alvo de desmascaramento, não de discussão) justamente nos termos em que a esquerda quer, chamando-a de utópica, de inocente iludida, até mesmo de ingênua sonhadora, enquanto os únicos ingênuos são, pelo visto, aqueles que reclamam do oportunismo político da esquerda ao mesmo tempo que se recusam a aprender com ele.

Para 2016, pois, se a direita ainda quiser alguma chance de derrotar o totalitarismo que alega ser uma ameaça por parte da esquerda contra os brasileiros, é bom que se afogue, metaforicamente, n’A Revolta de Atlas e passe a seguir um conselho politicamente valioso legado pelo personagem Hank Rearden no início do segundo volume da obra da filósofa russa Ayn Rand.

E o conselho, meus amigos, é o seguinte: a hora é de nomear as coisas e os fatos não segundo as conveniências do momento, mas segundo o que são. Ficar dizendo que certo grupo é totalitário e, simultaneamente, tratá-lo meramente como um ingênuo iludido definitivamente deveria fazer qualquer adorador de Rearden e dos outros icônicos personagens ter um infarto.

Falamos, porém, de uma direita infantil e moralista. Bom, pelo menos que, em 2016, eu pare de criar expectativas de que estou discursando para alguém além dos convertidos.

Octavius é professor, graduando em Letras, antiolavette e polemista medíocre. Poderia ter intitulado este texto “A Revolta de Octavius”, mas prefere não se misturar tanto assim com liberteens.

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