Seis partidas de futebol entre clubes brasileiros para guardar na memória

petiriaNão é segredo para leitor nenhum meu que, além de política, literatura e filosofia, o futebol também é um assunto que muito me interessa, tanto que, entre os blogs que sigo, está o excelente Imortais do Futebol, cujo único pecado tem sido estar inativo desde meados do ano passado.

Tendo como evento histórico mais antigo em minha memória futebolística a última Copa que ganhamos, a de 2002, não tive a felicidade de acompanhar direito e de me lembrar, por exemplo, do auge da carreira de craques como Romário, Edmundo, Bergkamp, Kluivert, Davids, Zidane, Beckham e Figo, além de tantos outros, assim como não consigo me lembrar do talvez maior esquadrão que meu time de coração, o Sport Club Corinthians Paulista, montou entre 1998 e 2000, em que jogou muito, para variar, aquele que, para alguns corintianos, entre os quais estou incluso, é o maior ídolo de nossa história: Marcelinho Carioca, o “pé-de-anjo”.

Por ironia, aliás, o primeiro timaço brasileiro do qual me lembro, infelizmente, foi justamente um time que destroçou o meu em 2002, isto é, o Santos de Robinho, Diego, Elano, Léo, Renato e muitos outros, fato que me faz ter pouca ou nenhuma admiração por certo lateral-direito que, apesar de ter tido alguns méritos inegáveis com o manto alvinegro, hoje é mais conhecido por ter sido uma das primeiras vítimas das antológicas pedaladas do endiabrado Robinho.

De qualquer modo, apesar não ter tido a oportunidade de acompanhar qualquer time brasileiro comparável à Democracia Corintiana do grande Dr. Sócrates, ao Palmeiras de 1993-1994, ao São Paulo de Raí, ao Grêmio libertador de Felipão e Paulo Nunes ou mesmo ao Vasco de 1997-1998 (isso sem colocar o Flamengo de Zico, as duas Academias palestrinas ou o Santos de Pelé, porque aí já seria covardia), posso dizer que assisti a jogos que, se não eternos, foram, para mim, no mínimo memoráveis pelos mais diferentes motivos.

Comento, abaixo, sobre seis deles, entre os quais o quinto e o sexto lugares parecerão surpreendentes ao leitor clubista antes de examinar minhas razões.

6º Lugar – São Paulo 4 x 0 Atlético-PR – 2º jogo da final da Libertadores 2005 – São Paulo campeão

Quando um corintiano pensa em 2005, é normal que lhe venha a cabeça, com certa nostalgia, o time campeão brasileiro, cujo maior destaque foi, sem dúvida, talvez o único real craque daquele time, o hoje jogador do Boca Juniors, Carlitos Tévez.

A mim, porém, o ano de 2005 parece, para nosso time, ser totalmente esquecível. Além de um único título ganho, ainda mais altamente questionável (sou, aliás, um defensor aguerrido da tese de que o real merecedor do Brasileirão 2005 era, de fato, o Internacional de Muricy Ramalho) por toda a celeuma em torno de problemas de arbitragem até hoje mal solucionados, aquele time de 2005 em nada me parecia ter a alma corintiana de todos os nossos esquadrões de sucesso, indo desde o time campeão do Paulistão de 1954 (o “quarto centenário”) até os campeões da Libertadores de 2012.

Resumindo, como bem disse um amigo corintiano com o qual conversava um dia sobre isso, “não era Corinthians”. Não parecia Corinthians. Fora a defesa já altamente questionável e um técnico que entra certamente para a galeria dos piores, parecia algo artificial, que duraria pouco tempo e que prenunciava um grande desastre que, de fato, ocorreu, só que em 2007, com o time esforçado mas esquecível que cairia para a Série B.

Sendo realista e deixando o clubismo de lado, temos, infelizmente (ou felizmente, quem sabe), admitir que o time de 2005, de ponta a ponta, foi outro: o mágico São Paulo, comandado por Leão (até o título paulista) e Paulo Autuori, que podiam dispor de jogadores como o goleiro Rogério Ceni, já tido como “mito” pela torcida e próximo de quebrar o recorde de gols do excelente goleiro paraguaio Chilavert; o raçudo e habilidoso zagueiro uruguaio Lugano; os velozes laterais Cicinho e Júnior, este último já experiente e consagrado por Palmeiras e seleção brasileira; a habilidosa dupla de volantes composta por Mineiro e Josué, que infelizmente obtiveram pouco sucesso para o que pareciam que obteriam fora do Morumbi; o falso lento e, hoje, ainda mítico com a camisa alvinegra, armador “Zidanilo”, que já na época de São Paulo tinha a alma de vencedor de clássicos (um certo 5 a 1 em pleno Pacaembu ainda me traz pesadelos); e, por fim, o emblemático e decisivo atacante Amoroso, que fez pouco sucesso com a camisa alvinegra, mas que teve uma história respeitável por vários outros clubes pelos quais passo.

Um time tão poderoso, naturalmente, não teria problemas para alcançar a final da Libertadores (e olhem que havia um River Plate forte no meio do caminho), torneio para o qual tinha se classificado com um terceiro lugar no Brasileirão 2004, campeonato que havia sido dominado quase que de ponta a ponta pelo supracitado Santos de Robinho e, ironia das ironias, pelo adversário do São Paulo na final da Libertadores de 2005, o forte Atlético-PR de 2004-2005, que contou principalmente com a figura carismática e goleadora de Aloísio Chulapa, junto de outros bons jogadores, para chegar à decisão, inclusive se vingando do Santos de Robinho no meio do caminho.

Depois de um 1 a 1 no jogo de ida, com mando do Atlético-PR (o São Paulo, afinal, tinha feito melhor campanha e decidiria, pois, em casa, como manda o regulamento da Libertadores), tudo apontava para uma decisão em que prevaleceria o equilíbrio, mas da qual o São Paulo, um tanto mais forte, sairia vitorioso.

Para a infelicidade dos torcedores paranaenses, todavia, nem mesmo o prometido equilíbrio se concretizou. Jogando até melhor do que quando jogou nas partidas semifinais contra o River Plate, o esquadrão do time do Jardim Leonor de 2005 parecia enfrentar não um vice-campeão brasileiro com um forte elenco, mas um time qualquer que, por melhor que fosse, nem mesmo na base da porrada pararia aqueles tricolores do outro lado.

O resultado foi que, com um meio de campo criativo, um ataque afiado, uma defesa sólida – o que, aliás, certamente surpreenderia a garotada que passou a acompanhar futebol na era Neymar, quando a defesa são-paulina começou a se tornar digna de pena, e não mais a defesa temível que era com jogadores como Lugano, Fabão, Edcarlos, Miranda, Rodrigo, entre outros – e um toque de bola envolvente, o São Paulo fez um. Fez dois. Fez três. Fez quatro. O Atlético, por sua vez, não só fez zero como sequer chegou perto de fazer unzinho que fosse. Era um jogo praticamente perfeito para um time que, em dezembro do mesmo ano, pararia o forte Liverpool de Gerrard, mas isso é história para outro dia. Era a glória do primeiro (e, até o Santos de Neymar, o único) time brasileiro que, com todos os méritos, era tricampeão da Libertadores. E era, definitivamente, a comprovação de que o futebol bom, o futebol vencedor, se faz com um conjunto sólido e forte.

Foi, enfim, um espetáculo para nem mesmo o mais fanático alvinegro ou alviverde botar defeito. Como sou alvinegro mas não sou cego, não serei eu, pois, a desmerecer tal conquista e, principalmente, um jogo tão incrível. Memorável. Os gols do massacre seguem abaixo, assim como a lista, que continua, ironicamente, com um jogo em que o São Paulo, já longe de seus melhores dias, foi massacrado justamente pelo rival que temos em comum: o Palmeiras.

São Paulo 4 x 0 Atlético-PR – LIBERTADORES 2005 – Créditos ao canal Felipe Nora

5º Lugar – Palmeiras 3 x 0 São Paulo – Paulistão 2015 – Fase de grupos

10 anos depois, em 2015, ano em que mais um time altamente questionável do Timão se tornaria campeão brasileiro (2007 intensifies), o forte São Paulo de 2005 a 2008 já era mais do que passado e vivia, como até mesmo o próprio torcedor são-paulino mais honesto admitiria, mais das “glórias que vêm do passado” do que de um futebol marcante.

Com a saída de Kaká para o Orlando City-EUA, o então vice-campeão brasileiro depositava todas as esperanças nos já envelhecidos, mas ainda bons, Rogério Ceni e Luís Fabiano, além de contar com um despertar futebolístico de Alexandre Pato e PH Ganso (jogador pelo qual nutro pouca simpatia e de cujo status de craque comecei a desconfiar já em 2012, quando ainda jogava pelo Santos) e esperar que os novos reforços, como Allan Kardec, Ricardo Centurión, Thiago Mendes, engrenassem e fizessem o time voltar aos bons tempos.

Mesmo assim, o tricolor paulista vinha fazendo um bom campeonato paulista, tendo, inclusive, emplacado uma vitória de 5 a 0 contra o Bragantino em Bragança Paulista, o que, apesar da pressão nos bastidores por causa da Libertadores 2015, fazia com que o ano parecesse o ideal para alçar voos mais altos.

Do outro lado, havia o Palmeiras, time que, além de nosso maior rival, tem os méritos por ter conseguido ser, na década de 60, um dos poucos times a jogar de igual para igual com o Santos de Pelé e, no início da década de 90, um dos poucos times a impedir uma supremacia do próprio São Paulo no futebol paulista e brasileiro, fora outros grandes feitos que permeiam a história alviverde.

O cenário, porém, não parecia nada favorável aos alviverdes. Entre 2010 e 2014, afinal, o torcedor do time de Parque Antártica teve de se habituar a escalações de baixa qualidade técnica que, como cantava boa parte da torcida, manchavam a história palmeirense com mais um rebaixamento (2012) e com um quase terceiro rebaixamento que só ficou no “quase” por causa da notável incompetência de Vitória e Bahia no ano de 2014.

Com a contratação de Alexandre Mattos para o staff do time no início de 2015, o Palmeiras tentou, então, uma grande reformulação para voltar aos dias de glória, trazendo mais de 20 novos jogadores, entre eles o bom volante Arouca (cujo único defeito é, até hoje, não ter jogado ainda no maior time de São Paulo, do Brasil e do mundo: o Corinthians, é claro), os promissores Victor Hugo, Gabriel e Andrei Girotto (este, no fim, não foi tão bem quanto o esperado), os laterais Egídio e Lucas, o superestimado meia Robinho, o contestado e subestimado atacante Rafael Marques, o velocista Dudu, o técnico Oswaldo de Oliveira e, last but not least, o experiente Zé Roberto, lateral e meia que já havia conseguido a consagração em times como Santos e Bayern de Munique.

Apesar de um entusiástico discurso antes da primeira partida do campeonato, contra o Audax-SP, o time de verde ainda não havia conseguido engrenar no Paulistão e, por isso, mesmo tendo o recentemente construído Allianz Parque a seu favor, a torcida temia pelo pior. Além disso, o craque do time, Valdívia, estaria, para variar, fora por ainda estar se recuperando de lesão, o que tornava as coisas ainda mais complicadas, mesmo com o fator casa pesando a favor do Palmeiras.

Diante desse cenário, até mesmo os mais otimistas palmeirenses falavam, com a prudência muitas vezes  necessária para clássicos, em “1 a 0 é goleada”, “um jogo muito equilibrado”, “buscar o resultado positivo”, entre outros discursos que fazem qualquer corintiano se lembrar do folclórico ano de 2004, quando o mítico Adenor Leonardo Bacchi começaria a mostrar por que motivos supera qualquer um como maior técnico da história alvinegra.

Os jogadores palmeirenses sabiam, pois, que precisariam jogar com toda a garra possível e que, na menor oportunidade, deveriam abrir o placar para que o jogo ficasse mais tranquilo. Imaginavam, também, que teriam de tomar cuidado com as investidas de Michel Bastos, PH Ganso, Alexandre Pato e Alan Kardec, quadrado que vinha de bons jogos e que carregava a esperança de vitória são-paulina mesmo fora de casa.

O que palmeirenses, são-paulinos, corintianos e santistas viram, porém, não foi nada do prometido pela imprensa, que em grande parte ecoou o discurso das ruas. Enquanto o Palmeiras começava marcando pressão e disputando cada bola como se fosse a última, o São Paulo parece ter sentido a pressão do Allianz Parque lotado e, com uma apatia e uma fraqueza psicológica e técnica que caracterizariam o ano de 2015 para o time do Jardim Leonor, sequer esboçava reação, com a notável exceção de Michel Bastos, jogador que, apesar de uma tola expulsão perto do fim do jogo, quando nada mais poderia ser feito, foi dos poucos a não se esconder na partida, mas que não poderia ter ajudado o São Paulo naquele jogo nem se tivesse um dia de Pelé, tamanha era a diferença de atitude das duas equipes.

Tal diferença se refletiu, ao final, em três golaços, sendo o primeiro um gol antológico do meia Robinho que, quase do meio de campo, se aproveitou de uma má reposição de Rogério Ceni e, por cobertura, abriu a contagem, e outros dois de Rafael Marques que pouco devem ao primeiro. Além disso, antes do segundo gol, a esperteza de Dudu fez com que Rafael Tolói fosse expulso, o que tornou o desequilíbrio entre as duas equipes ainda maior.

Pode-se dizer, no fim, que o São Paulo teve sorte de não ter tomado mais, posto que, visivelmente, os jogadores alviverdes haviam “tirado o pé” após o terceiro gol. O são-paulino, de qualquer maneira, estava devastado. O palmeirense, por sua vez, voltava a sorrir com a esperança de que seu time voltasse a ganhar um título naquele ano, o que viria a acontecer, ainda que apenas no fim do ano na Copa do Brasil.

Será que, no fim das contas, tudo começara justamente nesse 3 a 0?

Palmeiras 3 x 0 São Paulo – Paulistão 2015 – Créditos ao canal Sempre Futebol

4º Lugar – Santos 1 x 3 Corinthians – Final do Paulistão 2009 – 1º jogo

Continuemos no Paulistão, mas voltemos mais seis anos no tempo, ao ano de 2009, no primeiro jogo da final. Tendo utilizado 2008 para se reconstruir e contando com a vinda de um certo Fenômeno no final do mesmo ano, o time de coração deste blogueiro havia vencido um então tricampeão brasileiro São Paulo nas semifinais e, com um time ofensivo comandado por Mano Menezes (!), era o virtual favorito para abocanhar mais uma taça de Paulistão, desde sempre nosso torneio predileto (1977 feelings).

Do outro lado, o Santos, apesar de ainda nem de longe o mesmo time que encantaria a todos entre 2010 e 2012 e com um elenco que, fora Neymar, tinha uma qualidade no mínimo questionável, havia se utilizado da malandragem para derrotar o então campeão paulista, o forte Palmeiras de 2008-2009, o que tornava o time de Vila Belmiro um adversário que deveria ser respeitado e sugeria, naturalmente, um equilíbrio pelo menos no primeiro jogo, que se daria justamente na casa santista.

Quanto a esse jogo, porém, nem tecerei longos comentários. Só o golaço antológico do Fenômeno, aquele do drible em Triguinho, gol este que praticamente aposentou certo goleiro pelo qual sempre senti pouca simpatia, diz tudo. Hora de relembrar os bons tempos de Felipe, Alessandro, Chicão, William “capita”, Douglas das breja, Dentinho, Jorge Henrique e, principalmente, de Ronaldo, o Fenômeno, que formaram, com vários outros, o copeiro Corinthians 2009, um xodó da torcida.

Santos 1 x 3 Corinthians – Final do Paulistão 2009 – Créditos ao canal Guto Oliveira

PS: Confesso que fiquei dividido entre esse jogo e o segundo da semi contra o São Paulo (aquele mesmo que consagrou Cristian), mas esse ganha pelo gol do Fenômeno.

3º Lugar – Santos 4 x 5 Flamengo – Brasileirão 2011

Sim, infelizmente só pude colocar derrotas do time da Vila Belmiro, aquele mesmo time que tanto me encantou em 2002, 2004, 2010 e 2011. A vida, porém, tem dessas, e acho que nem mesmo a maior viúva de Pelé deixaria de entender o porquê de essa derrota do Santos entrar na lista.

De um lado, um já muito realidade e nada “promessa” Neymar e o Santos que era, há pouco tempo, o então campeão da Libertadores, e que, apesar de não jogar tão bem quanto em 2010, ainda era o time a ser batido em termos de Brasil, junto com o Fluminense de Fred. Do outro, o Flamengo de Ronaldinho Gaúcho (me desculpem, fãs de Messi e de CR7, mas esse continua sendo o maior gênio da bola que já vi) e Vanderlei Luxemburgo lutando pela liderança contra ninguém menos do que o perseverante Corinthians de 2011.

O que esse jogo prometia? Equilíbrio e muitos gols. Gols de placa, diga-se, dada a qualidade dos maiores jogadores de cada um dos escretes naquele dia. O torcedor brasileiro, mesmo assim, esperava ver um jogo apático, uma espécie de “respeito” entre as duas equipes, uma partida em que a retranca prevaleceria sobre o ataque, mesmo considerando o DNA ofensivo dos dois times, sendo os donos da casa comandados por Neymar, Elano e Borges e os visitantes pelo dentuço Gaúcho e por Thiago Neves, o único jogador a marcar três gols em um mesmo jogo de final de Libertadores.

O que o torcedor esperava, enfim, era a habitual retranca do futebol brasileiro, aquela que torna cada vez mais os jogos tediosos e insuportáveis de se ver, com raríssimas exceções, sendo uma delas o Santos, um time cujo DNA sempre ofensivo faz com que sua torcida fique insatisfeita com qualquer técnico que, dentro do alçapão praiano, resolva adotar a retranca brasileira como estilo de jogo, mesmo sendo esse técnico o tricampeão brasileiro Muricy Ramalho.

Além disso, quem consegue se retrancar com eficiência contra Neymar? E contra Ronaldinho Gaúcho, então? O resultado, pois, foi o melhor possível: não um, nem dois, nem três, mas nove, isto mesmo, nove gols, entre eles no mínimo dois golaços, um deles, inclusive, merecedor, como se comprovou no final daquele 2011, do prêmio Púskas, além de uma partida inesquecível não só para santistas e flamenguistas, mas para corintianos, palmeirenses, vascaínos, botafoguenses, cruzeirenses, atleticanos, enfim, para todos os que apreciam o bom futebol, o futebol sem medo, o futebol alegre e ofensivo que nos fez ganhar em 1958, 1962 e 1970, mas que já não existia tanto nos títulos de 1994 e 2002.

O artigo do título, escrito pelo já citado Imortais do Futebol, e os gols do jogo falam tudo o que precisa ser dito.

Santos 4 x 5 Flamengo – Campeonato Brasileiro de 2011 – Créditos ao canal Michel Robertt

2º Lugar – Corinthians 5 x 0 São Paulo – Brasileirão de 2011

Continuemos em 2011 e, mais ainda, na mesma competição. Pouco tempo depois de perder para o Tolima e de amargar um vice-campeonato paulista contra o Santos de Neymar e Elano, o Corinthians iniciava o Brasileirão de 2011 invicto, mas sem convencer seu torcedor (inclusive este que vos fala). Apesar da boa vitória de virada contra o Grêmio em pleno Estádio Olímpico já na primeira rodada e de haver, no elenco, peças como Danilo, Liédson, Jorge Henrique, Sheik e Ralf, a aparente retranca montada pelo mítico Adenor Tite não transmitia confiança nenhuma até mesmo aos torcedores que, como este que vos escreve, sempre confiaram no trabalho de Tite à frente do maior do Brasil.

O adversário, então, fazia o torcedor alvinegro temer pelo pior, justamente um São Paulo que, apesar de já não ser nem sombra do campeão da Libertadores e do Mundial e do tricampeão brasileiro de 2005 a 2008, não era nem de longe um time fraco, o que se provava por seus impressionantes números até então: em cinco jogos, cinco vitórias.

Com a pressão da torcida e o fantasma da demissão sempre rondando Tite desde a perda do Brasileirão 2010 e, principalmente, da já citada derrota para o Tolima, não era incomum ver torcedores do alvinegro, ainda que os mais pessimistas, prevendo até mesmo que o apocalíptico 5 a 1 sofrido em 2005 em pleno Pacaembu se repetiria, ainda mais porque o goleiro, o bom mas azarado Júlio César, nem de longe transmitia a mesma confiança de seu antecessor, Felipe.

Quando a bola rolou, de fato a torcida corintiana presenciou cinco gols de um mesmo time no Pacaembu. Nem mesmo o mais otimista corintiano, porém, imaginaria que seriam três de Liédson, um de Danilo e um de Jorge Henrique, e que aquela partida embalaria o time de vez, apesar de tropeços ocasionais, para vencer talvez o Brasileirão mais emocionante desde o primeiro, em 1990.

Jogando o fino da bola, contando com a pontaria de Liédson, apostando na leveza de Jorge Henrique, adicionando a categoria de “Zidanilo” e as táticas de Tite e se utilizando do fator casa com perfeição, o time de Parque São Jorge atropelaria de maneira inapelável o maior rival de então, considerando que o Palmeiras já não era mais o mesmo, e traria o alívio e a confiança necessárias para uma campanha que fez até o mesmo o forte Vasco da época ficar em segundo (para variar, não?) naquele Brasileiro inesquecível.

Mesmo assim, nem de longe foi aquela a maior façanha da geração de 2011-2012, que ficaria marcada por um Brasileirão, um Mundial e, finalmente, a tão sonhada Libertadores. E falando em Libertadores…

Corinthians 5 x 0 São Paulo – Brasileirão 2011 – Créditos ao canal louco7777

1º Lugar – Corinthians 1 x 0 Vasco – Libertadores de 2012 – 2º jogo das quartas de final

O Pacaembu lotado. Uma atuação antológica de Adenor Tite no meio da massa corintiana. A tensão por enfrentar o forte Vasco vice-campeão brasileiro e sul-americano, ainda mais nas quartas de final da Libertadores, que vinham sendo uma “maldição” corintiana durante todo o terceiro milênio. Um erro atípico do capitão e lateral-direito Alessandro. Um erro bizarro do injustiçado Diego Souza ou uma defesa espetacular do novo goleiro do time, Cássio?

Um cruzamento. Uma cabeçada inigualável e inesquecível de um volante que gerou milhões de viúvas após sua saída em 2013, e que só foi substituído à altura com a volta de Elias em 2014. Um gol que mostraria à América que, se não fosse daquela vez, não seria nunca que o maior dos alvinegros ganharia, finalmente, a tão sonhada Taça Libertadores da América.

Uma defesa sólida, começando por Cássio, que ainda fecha o gol corintiano, e passando pelos bons e constantes Alessandro, Paulo André, Leandro Castán e Fábio Santos. Um meio campo experiente e habilidoso com o pitbull Ralf, o heroico (principalmente nesse jogo) Paulinho e dois armadores cheios de categoria, Alex e Danilo. De um lado do ataque, a velocidade e a ousadia de Jorge Henrique. E do outro, ah, do outro, o espírito campeão e o jeito provocador de Emerson Sheik, que, junto com Paulinho, foi talvez a figura mais carimbada daquela Libertadores (não é, Rafael e Schiavi?).

O técnico? Era, em 2010, o burro. Em 2011, o desacreditado, o burro com sorte. Em 2004, o salvador. Em 2005, o injustiçado. Em 2012, foi gênio. Foi indescritível. Foi sortudo, é claro, mas não deixou que a sorte sobrepujasse a tática. Foi, enfim, o já citado Adenor Leonardo Bacchi, o Tite.

Qualquer corintiano pode questionar se, de fato, esse time triunfaria contra o time de 2009. O de 2005. O de 2000. O de 1990. O de 1982. O de 1977. Nenhum corintiano, porém, pode negar o fato de que foi só a geração de 2012 que foi capaz de vencer, em sequência, Deportivo Táchira (VEN), Nacional (PAR), Cruz Azul (MEX), Emelec (EQU), Vasco (BRA), Santos (BRA) e Boca Juniors (ARG), e ser, depois do Santos de Pelé, o único time brasileiro a ser campeão invicto do maior torneio das Américas.

Da mesma forma, nenhum corintiano pode se esquecer dessa escalação e, principalmente, do jogo que começaria a dar glórias merecidas não só a Paulinho, mas a toda uma geração que, desacreditada em 2010 e 2011, não só protagonizou jogos inesquecíveis, mas também goleou de maneira histórica alguns rivais e, principalmente, mostrou a força de um bom coletivo, mesmo quando o futebol brasileiro vem perdendo o seu encanto.

Viva, enfim, o Corinthians de 2012. E que seja eterno, na memória corintiana, o jogo em que o sonho passou a se mostrar, cada vez mais, a realidade. Obrigado pelo título que, para outros, pode até não ser uma novidade, mas, para nós, será eterno. Será, citando de novo o Imortais do Futebol, imortal.

Corinthians 1 x 0 Vasco – Libertadores 2012 – Créditos ao canal Elias Amaral Corintiano

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