Futebolisticamente Incorreto: de como os times paulistas podem até não passar vergonha na Libertadores 2016

Desde o fim da Copa de 2014, tenho me tornado mais e mais cético quanto à capacidade do futebol brasileiro de, pelo menos nesta década, voltar a nos dar títulos e alegrias jogando um bom futebol, seja pela Seleção, seja por nossos times de coração (no caso, creio que não é mais segredo que este blogueiro é corintiano, mas não clubista).

Acho, pois, que a tendência é que, nesta Libertadores 2016, o que aconteça seja o que já aconteceu nas últimas duas edições, isto é, os times brasileiros sendo eliminados de maneira vexatória por adversários ou de pouca expressão (não é, Guarani-PAR?) ou com elencos cujas qualidades futebolísticas já são, em si, um tanto duvidosas (a eliminação do Atlético-MG em 2014 que o diga).

Ainda assim, é possível que, mesmo com uma queda cada vez mais crescente de nossos principais jogadores quanto à questão técnica, possamos utilizar algumas táticas para, no mínimo, cair com a cabeça erguida em fases além das quartas de final ou, pelo menos, não passar muito sufoco na primeira fase, o que tem se tornado rotina para quase todos os brasileiros (não é, São Paulo?).

Exponho, então, com a ajuda de imagens do aplicativo Tactical Pad versão demo, algumas ideias que tive para que os times paulistas, que me são mais próximos, possam, da forma como vejo, ter alguma “fighting chance”, mesmo que remota, nesta Libertadores.

Começarei, é claro, pelo maior dos três paulistas.

Corinthians 2016 – In Tite we trust

Quanto ao Corinthians de 2016, devo dizer que, em termos táticos, não tenho muito que acrescentar ao trabalho do atual treinador, Tite. O que me preocupa, tanto como torcedor quanto como apreciador do bom futebol, são algumas de suas escolhas técnicas. Por mais que os respeite enquanto jogadores profissionais, não me agrada, por exemplo, ver Romero e Rodriguinho entre os titulares da equipe.

Mudaria, então, apenas algumas peças. A defesa continuaria a mesma: Cássio, Fágner, Felipe, Yago e Uendel, podendo este alternar com Guilherme Arana, que, quando entrou no último clássico contra o Palmeiras no ano passado, demonstrou velocidade, visão de jogo e até mesmo um surpreendente faro de gol para um lateral-esquerdo.

Quanto ao eixo meio campo-ataque, os jogadores que permaneceriam seriam a dupla de volantes Elias e Bruno Henrique, o meia-atacante Lucca e Danilo como uma espécie de “falso 9”. Romero e Rodriguinho dariam lugar, neste time, a Guilherme/Marlone e Giovanni Augusto, respectivamente, para adicionar alguma velocidade aos contra-ataques e maior técnica no toque de bola e nas conclusões (não sou o único que pensa que Guilherme e Marlone têm mais técnica do que Romero nesses fundamentos).

Em um jogo em que a velocidade seja mais necessária do que a retenção de bola no ataque, Luciano poderia entrar no lugar de Danilo, assim como Marlone no lugar de Guilherme.

O time, então, teria a seguinte aparência:

Corinthians 2016.png

Corinthians 2016: com a entrada de Guilherme no ataque, os três homens de frente (Danilo, Lucca e Guilherme) poderiam alternar posições no ataque, tornando-o rotativo sem que a técnica fique prejudicada em qualquer dos lados do campo.

Vamos, pois, aos times em que, pelo visto, alguma mudança precisa ocorrer.

Palmeiras 2016 – De como o esquema de Marcelo Oliveira ainda pode funcionar

É notório para todos os que acompanham futebol que o atual técnico do time de Palestra Itália, o ídolo atleticano Marcelo Oliveira, tem grande predileção por um esquema vastamente utilizado tanto na Europa quanto no Brasil, o 4-2-3-1. É, por isso, contestado tanto por torcedores quanto pela imprensa, posto que o time ainda não engrenou no Paulistão e começou com um empate que poderia ter sido uma vitória na Libertadores.

Este blogueiro, porém, defenderá Marcelo Oliveira e dirá ainda mais: o 4-2-3-1 pode ser, justamente, o esquema responsável por levar o time de verde mais longe que outros brasileiros na Libertadores e em outras competições. Entretanto, esse fato dependerá mais da coragem de M.O. de pôr em prática algumas ideias um tanto ousadas. Explico abaixo:

Palmeiras 2016.png

Palmeiras 2016: não é só Gabriel que está faltando nesse time…

Primeiro de tudo, vamos começar pelo ataque: sim, eu tiraria tanto Lucas Barrios quanto Gabriel Jesus do time, trocando-os, respectivamente, por Cristaldo e Rafael Marques, por uma razão que será explicada em breve.

No meio de campo, por sua vez, Arouca deixaria o time para a entrada de Matheus Sales e Robinho daria lugar ao experiente Zé Roberto, deslocado da lateral-esquerda para o meio-campo, ou ainda a algum dos meias contratados ou a Cleiton Xavier (isso, é lógico, quando o camisa 10 palmeirense estiver fora do DM).

Na defesa, então, mudanças notáveis. A dupla de zaga seria formada ou por Victor Hugo e Edu Dracena ou, para um ganho de experiência por parte do atleta mais jovem, por Victor Hugo ou Nathan quando Dracena estiver indisponível. Nas laterais, Lucas e Zé Roberto dariam lugar a Jean e Egídio.

Do time titular palmeirense hoje, só sobrariam, no fim das contas, Fernando Prass, Victor Hugo e Dudu (já que Gabriel estaria nesse time, mas está machucado). A pergunta é: por quê?

Primeiro, comecemos pela defesa. A escolha para a zaga é óbvia, pois, enquanto uma formação combina experiência e habilidade, a outra combina a juventude de um prata da casa que pode ganhar a experiência de que precisa  tendo ao seu lado a habilidade de um zagueiro que, desde a derrota no começo do ano passado para o time deste que vos escreve, vem amadurecendo e se tornando uma referência na posição no elenco alviverde (uma referência positiva, digo).

As laterais podem e devem ser explicadas junto com a dupla de volantes. Não seria difícil perceber, se fôssemos fazer uma análise dos jogos alviverdes em 2015, que a parceria Egídio/ Gabriel gerou, pela esquerda, grande poder ofensivo e uma defesa resguardada ao mesmo tempo, enquanto que, quando Gabriel se machucou, o desempenho do lateral-esquerdo ficou comprometido a ponto de este ser preterido por Zé Roberto em inúmeros momentos.

Com Gabriel, todavia, a liberdade de Egídio para atacar volta com tudo, o que permite deslocar Zé Roberto para a meiuca em caso de necessidade.

Quanto ao lado direito, é fato que Lucas e João Pedro não são mais qualquer unanimidade para os pagantes de ingresso da Allianz Arena. Há, porém, uma terceira opção: Jean, o volante polivalente que, apesar de preferir sua função original, pode atuar, como já provou pelo Fluminense, com eficiência e segurança na lateral-direita. Tendo a cobertura de Matheus Sales, então, o setor ficará ainda mais protegido, o que permitirá a Jean sair jogando sem muito receio.

Fica claro, pois, que esta versão do 4-2-3-1 privilegiaria as jogadas pelas laterais, que foram as grandes responsáveis, por exemplo, pelas duas goleadas aplicadas pelo time de verde ao tricolor paulista.

Quanto ao armador e ao ataque, aqui é que as mudanças se aprofundam. Aliando a técnica de Rafael Marques, a cadência de Zé Roberto e a velocidade de Dudu e Cristaldo, o que se planeja é não um ataque estanque, mas rotativo em termos de posições. Cristaldo, nesse time, teria a função não de um 9, mas a de um falso 9, posto que transitaria entre as quatro posições de linha de frente, o que é possível justamente graças à velocidade que tem e que tanto tem faltado a Barrios e Alecsandro.

Uma outra possibilidade seria utilizar Erik e Gabriel Jesus nos lugares de Cristaldo e Rafael Marques, respectivamente, em jogos em que o contra-ataque rápido fosse a arma a ser mais utilizada. Isso, claro, sem perder a rotatividade dos jogadores no ataque.

Vamos, por fim, ao São Paulo, o time que está perdendo a chance de fazer o óbvio.

São Paulo 2016 – É o 3-5-2, estúpido!

De 2005 a 2008, o São Paulo ficaria famoso por seu esquema 3-5-2 que aliava segurança defensiva com laterais rápidos e um meio de campo povoado e criativo. Óbvio que a qualidade das peças atuais do elenco tricolor são, ao menos para o torcedor, um tanto questionável, mas há ainda muitos que podem ser um ponto de partida para voos maiores.

Na defesa, temos a segurança de Lugano e a habilidade de Breno em ir ao ataque, atuando como líbero. No meio campo, Hudson pode ser o camisa 5, acompanhado de Michel Bastos e Ganso na criação, quando o jogo precisar ser mais defensivo, ou mesmo Thiago Mendes pode entrar no lugar de Hudson (na transição entre zaga e armação) ou de Michel Bastos (auxiliando Ganso na criação).

No ataque, pode-se usar a velocidade de Kelvin pelas pontas para confundir a marcação e deixar a missão de Allan Kardec ou Calleri, os possíveis centroavantes, mais fácil. É possível, também, ousar e deixar tanto Thiago Mendes e Ganso no meio-campo quanto Michel Bastos no ataque junto com Kardec.

Outra vantagem desta formação é que, mesmo se Lugano ou Breno se lesionarem, não será difícil readaptá-la aos reservas. Se Breno se lesionar, o zagueiro substituto, caso não tenha a mesma segurança de Lugano, pode atuar como líbero e ser auxiliado por Hudson. Caso seja Lugano e o zagueiro mais seguro restante seja Breno, desloca-se Breno para a posição de Lugano e deixa-se o reserva como líbero da mesma forma.

Aproveitar a velocidade de Carlinhos e Bruno pelas pontas, então, é essencial e obrigatório, assim como será necessário que Ganso comece a atuar tão bem quanto puder de modo mais constante, ou nenhuma tática ajudará o time de Morumbi a sair de seu impasse e de sua inconstância atuais.

O esquema ficaria mais ou menos assim:

São Paulo 2016.png

São Paulo 2016: com três zagueiros e  (pelo menos) um volante marcador, pode-se não só resolver o problema da insegurança defensiva como também permitir aos laterais que façam o que melhor faziam no tricolor carioca, a ida ao ataque.

Eis algumas sugestões de um palpiteiro em futebol. Quais são as suas, amigo leitor, para um ano um pouco menos vexaminoso para os brasileiros na Libertadores?

Octavius é professor, graduando em Letras, antiolavette, polemista medíocre e corintiano. Se os são-paulinos se estressaram com uma falha de Lucão no Paulistão, imagina na Copa (Libertadores)?

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s