Eu, Apolítico – De como a barbárie no Rio de Janeiro mostra que a direita precisa ser mais inteligente, mais direta e menos retranqueira

Uma barbárie, leitor. Esse é o adjetivo mais leve que se pode usar para descrever o que aconteceu com uma jovem de 16 anos, vítima de um estupro coletivo por parte de 33 canalhas, de 33 lixos humanos que ainda tiveram a ousadia repugnante de divulgar tamanho crime nas redes sociais como se estivessem divulgando um ato de heroísmo ou mesmo um fato banal e cotidiano.

Horas depois, já choviam mensagens as mais variadas. Alguns, naturalmente, dando toda a solidariedade à família e à vítima, que, independente de sua vida pregressa ao acidente, passou por um trauma inimaginável sobre o qual piadas são moralmente inadmissíveis. Outros, os de esquerda, mais oportunisticamente, aproveitaram a ocasião para fazer política e divulgar aos quatros ventos, mais uma vez, a narrativa de que haveria uma cultura de estupro no Brasil, cultura esta que teria sido uma das causas de tamanha calamidade.

Por fim, há ainda os da direita, que, divididos em três grupos e determinados a cumprir mais uma vez papéis ridículos na política, fazem qualquer sujeito com pelo menos dois neurônios ativos no cérebro querer chorar ao ler tantas bobagens. No fim, o que a barbárie no Rio de Janeiro mostra   é, na verdade, o que muitos deveriam já saber: que a direita precisa ser mais inteligente, mais direta e menos retranqueira.

A direita precisa ser mais inteligente porque só mesmo burrice pode explicar o fato de alguém ainda se arriscar a ser o palhaço da turma e fazer piada com um caso tão grave, desrespeitando qualquer noção de moralidade conhecida. Adivinhe, amigo leitor, quem se dispôs a cumprir esse papel de um ridículo e de uma canalhice inigualáveis?

Precisa ser mais direta porque continua apostando, como sempre, em textos longos, prolixos, chatos e detalhistas para tentar emplacar o seu discurso, sendo que, além de ser um discurso tremendamente fraco em termos retóricos (sério mesmo que ainda estão tentando convencer a internet a ser contra a esquerda com a conversa de que esta é imoral? Faz-me dormir), é muito mais fácil colocar qualquer discurso na boca do povo com algumas frases de efeito bem postas em um parágrafo curto do que com dezenas  de argumentos em um ensaio filosófico que ninguém lerá.

Precisa ser, principalmente, menos retranqueira, porque, em política, via de regra, quem ganha é quem ataca, e não quem defende. Trocando em miúdos, dizer que não existe cultura do estupro no Brasil e que a direita defende as mulheres é, por mais incrível que isso possa parecer, rigorosamente inútil.

Útil, leitor direitista, é atacar a esquerda, chamando-lhe de “mentirosa” e “canalha” para baixo constantemente, não com moralismos baratos ou com factoides, mas acusando-a do que ela faz e xingando-a do que ela é: como mentora intelectual de esse e vários outros estupros que aconteceram, acontecem e ainda acontecerão, isto é, como a mentora intelectual da real cultura de estupro, aquela em que estupradores fazem o que querem e saem ilesos graças a um sistema penal ridiculamente brando e em que, ainda, chegam até a ser defendidos por totalitários que, em nome do partido, colocarão mulheres e todas as outras minorias em risco.

Ou é isso, ou é a barbárie sendo aceita e até endossada por uma direita que, de tanto se dizer moralmente pura enquanto se omite ou erra de modo criminoso, tem se mostrado mais poluída do que muito devasso declarado por aí.

Octavius é professor, graduando em Letras, antiolavette e polemista medíocre. Pensa que,  se Argel Fucks treinasse a direita brasileira politicamente, esta seria um pouco mais ofensiva. Considera esse um péssimo sinal.

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9 comentários

  1. Cometeram um básico na guerra política: se você adotar uma postura defensiva, tentando se explicar para a plateia sem rotular o adversário, você já perdeu o debate. Afinal, é uma guerra de posição.

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