Eu, Apolítico – A fanfic de esquerda e a direita que precisa aprender a se indignar… politicamente

Tenho defendido, em meus textos mais recentes, que a maneira mais pacífica e mais moral para se derrotar a esquerda é jogar a guerra política, essa mesma que é tão vilipendiada pela direita puritana babaca que prefere promover um banho de sangue por meio de uma “revolução popular democrática” ou alguma canalhice do gênero a chamar totalitários de totalitários.

Parece, no entanto, que, antes de qualquer coisa, a direita precisa aprender a se indignar politicamente, ou seja, aprender a se mostrar revoltada não tanto contra aquilo que afronta seus valores morais, mas em especial com aquilo que, além dessa afronta, também esteja claramente sendo utilizado em nome de um projeto de poder que ceifará vidas e que trará a miséria em todos os seus aspectos a todos.

Emblemático caso, nesse sentido, é o das chamadas “fanfics de esquerda”, isto é, histórias ficcionais de baixa qualidade literária que circulam na rede cujo objetivo é transparente: promover sutilmente, na internet, por meio de personagens-chave, as agendas da esquerda totalitária brasileira, sendo as principais delas o feminismo e a defesa de certo ParTido que fará de tudo, principalmente mentir, para não perder o poder.

Muito se tem comentado, na direita, sobre essas fanfics, mas ninguém chegou ao verdadeiro ponto em que se pode deitar e rolar para cima de qualquer esquerdista nesse assunto. Por pior que seja, o problema desses textos não é o fato de que histórias mentirosas estão sendo espalhadas como verdades para fins de desinformação. Lógico, este é um grave problema, mas o maior problema desses escritos, na realidade, não é apenas político, mas moral e político.

O mais grave problema das fanfics de esquerda é que, na verdade, ao misturar histórias totalmente irreais com histórias plausíveis de terem ocorrido e ao adicionar a isso personagens com os quais o brasileiro sente algum grau de  identificação (crianças e idosos, por exemplo) e valores e causas com os quais muitos se solidarizam (a construção de um “mundo melhor” e a defesa de direitos de minorias, entre outros), a esquerda faz de suas próprias mentiras totalitárias uma arma para demonizar seus opositores.

Estes, por sua vez, ao invés de comentarem tais escritos de maneira indignada rotulando-os pela canalhice e pela barbárie que são, ficam fazendo piadas cujas eficiências se restringem apenas a fazer rir o antiesquerdista já convertido, enquanto o neutro, mesmo diante de uma história claramente mentirosa, ainda sentirá mais simpatia pelo contador justamente por este ter se associado a valores e causas pelos quais é fácil ter simpatia, além de ter demonizado o outro com grande sucesso.

Em suma, não é vomitando bobagens do tipo “essas fanfics com criança só provam que a ideologia desses caras é infantil” (ah, sim, dar o frame de “inocente” para a esquerda é brilhante, só que não) ou “é impossível uma senhora ter ido rezar por Dilma Rousseff” que se fará danos à imagem da esquerda, que continuará parecendo bem intencionada apesar dos pesares.

O segredo para derrotar as fanfics, pois, não está em expô-las como ilógicas, mas sim como imorais e desumanas. Não é a lógica, afinal, que importa em política, mas sim a aparência de moralidade.

Para isso, direitistas, é necessário que vos indignai politicamente, isto é, que aprendam a, como bem diz Luciano Ayan, deixar de apenas narrar os fatos e passar a mostrar a justa indignação devida a alguns deles. Duvido muito, porém, que pessoas que odeiam a política e não se envergonham de dizer isso em público sejam capazes de uma ação tão moral, mas tão política ao mesmo tempo.

Octavius é professor, graduando em Letras, antiolavette e polemista medíocre. Começará a escrever fanfics apolíticas para ver se também consegue capitalizar politicamente em cima da direita. Do jeito que andam as coisas, é bem capaz de conseguir.

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