Eu, Apolítico – A tragédia de Orlando e a direita desarmada

Não é mistério para qualquer leitor deste blog ou mesmo do finado O Homem e a Crítica que este blogueiro é um ardoroso defensor da liberdade de as pessoas, desde que sejam maiores de 18 anos e mentalmente sãs, comprarem quantas armas quiserem pelos motivos que bem entenderem principalmente porque me oponho à mania de nossa esquerda totalitária de ficar fazendo exercício de futurologia e querendo prevenir crimes que talvez sequer aconteçam.

Naturalmente, então, conforme muitos pensariam, eu seria um dos primeiros a defender as armas (e sua legalização no Brasil, por óbvio) contra seus detratores após o massacre em uma boate gay em Orlando perpetrado por um terrorista do Estado Islâmico, certo?

Errado. Mesmo sendo um defensor da liberdade de as pessoas comprarem quantas armas quiserem (com as ressalvas acima feitas, é lógico) preciso dizer: não é o momento para defender a legalização de armas no Brasil. Não é o momento para defender as armas. Não é o momento para defender o modelo americano de posse de armas. Não é, aliás, nem mesmo o momento para defender a civilização ocidental americana contra seus detratores (o que, aposto e ganho, certo site que diz não ser contaminado pelo senso comum fará as soon as possible). Isso porque, meus amigos, não é o momento para defender o que quer que seja, mas para atacar.

É o momento para atacar retoricamente políticos como Jean Wyllys, aquele mesmo que já está instrumentalizando, em prol de sua ideologia nefasta, 50 vidas humanas ceifadas em uma tragédia. Atacá-lo, porém, não falando que é um gayzista ou qualquer neoconzice do gênero que só trará à direita mais ridicularização, mas atacá-lo como o mentiroso moral, o canalha que de fato é, mostrando como as ideias que defende só trazem a dor e o sofrimento até mesmo àqueles que diz representar (os gays), mas que, no fim, só usa como uma escada em sua busca totalitária pelo poder.

É o momento para atacar retoricamente ideólogos cretinos como os escritores das fanfics de esquerda, aqueles mesmos que adoram utilizar crianças, idosos e outros personagens icônicos em suas histórias que, se fossem só irreais, seriam inofensivas. Atacá-los, porém, não rindo da falta de lógica dos escritos (que é um problema, claro, só que nem de longe o mais grave), mas sim mostrando a justa indignação contra o fato de que instrumentalizam com histórias moralmente deploráveis todo e qualquer grupo e causa, especialmente aqueles e aquelas com que os brasileiros mais se identificam, em nome de poder comandar a vida e o pensamento alheio de maneira irrestrita.

É o momento para atacar retoricamente, por fim, mas não menos importantes, os isentos que curiosamente votarão no PSOL nas próximas eleições; os não-binários que, vez sim e outra também, demonstram covardia impressionante ao atacarem a esquerda totalitária brasileira; os canalhas que, ao comentarem sobre atentados como o Charlie Hebdo, estavam mais preocupados com a “islamofobia” do que com o ataque à liberdade de expressão e o ceifar de vidas humanas; e, claro, também os direitistas que, confundindo honestidade com ser um babaca língua de trapo e se esquecendo de que à mulher de César não basta ser honesta, deve também parecer honesta, falam “toda a verdade” em Caps Lock sobre “como esses gays malditos merecem morrer por estarem destruindo a moral e os bons costumes” – estorvos que, inclusive, não me lembro se registrei no meu texto sobre o assunto, mas que ficam registrados por aqui mesmo.

Como esperar bons ataques, entretanto, de uma direita que está em grande parte retoricamente desarmada e que rejeita o mais pacífico e mais moral método para derrotar a esquerda?

Octavius é professor, graduando em Letras, antiolavette e polemista medíocre. Sabe que é repetitivo, mas também sabe que seu alvo é um tanto teimoso para aprender certas coisas com estas sendo ditas só uma vez.

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