Ensaio político-futebolístico sobre os tipos de direitistas que já deram o que tinham de dar

Em tempos de eleições municipais, nada melhor para um apolítico como o autor deste blog do que aproveitar as oportunidades existentes para achincalhar direita e esquerda sem ter de se preocupar com algum estorvo berrando nos comentários babaquices do tipo “QUEM VOTA NULO, É ALIENADO!” (a vírgula e o caps lock já revelam o nível do sujeito), já que a imensa maioria das pessoas não veem as eleições municipais como prioritárias.

Como um estudioso de guerra política, porém, não vejo motivos para achincalhar a velha e totalitária esquerda de sempre, uma porque quase sempre a achincalho ou a insulto quando falo sobre outros assuntos, duas porque, bem ou mal, os esquerdistas, mesmo com o moral em baixa pela queda do governo Dilma, ainda estão dando um banho na direita em termos de guerra política (redireciono-vos ao texto do amigo Roger Scar sobre Flávio Bolsonaro e Marcelo Freixo para servir de exemplo), essa mesma que, como todo leitor deste blog já deve estar careca de saber, é a maneira mais pacífica e mais moral para derrotar totalitários.

Resta-me, pois, fazer troça da direita e pelo menos tentar ajudar amigos como Luciano Ayan e o já citado Roger Scar em sua tentativa de fazer a Alice direitista sair do País das Maravilhas em que a mera queda de Dilma levará à vitória, não sendo necessário fazer o que quer que seja para que os petistas não voltem ao poder.

Desta vez, utilizando-me do futebol como instrumento para metáforas (afinal, é desde o famoso “tudo acaba em pizza” que as metáforas futebolísticas são as mais efetivas), sinto que ainda há tempo para falar sobre seis tipos de direitistas que já deram o que tinham de dar, quer por sua chatice galopante, quer por sua imaturidade, quer por sua perturbadora inépcia política.

1- O direitista brucutu

É dos tipos mais comuns a serem conhecidos internet afora e fora da internet. No mundo do futebol, dizemos que um jogador, principalmente um defensor, é brucutu quando este, além de demonstrar habilidade zero nos fundamentos básicos (passe, chute, drible, entre outros), só sabe fazer faltas as mais duras possíveis e, muitas vezes, machucar até mesmo bons jogadores do próprio time em treino e, no jogo, deixar o time com um a menos com 20 minutos de jogo.

Transmutando este conceito para o mundo da política, não será difícil identificar de quem estamos falando: sabe aquele seu amigo que sequer leu 10 livros na vida (e, quando leu, certamente não entendeu), mas que ostenta orgulhoso nas informações de perfil do Facebook a citação rodriguiana “sou reacionário, reajo contra tudo aquilo que não presta”? Aquele que se julga um gênio da política, mas que sequer é capaz de desativar o Caps Lock para digitar? Aquele que se diz um defensor da norma culta e da língua de Camões, mas que escreve “quem viver, verá” sem ter a mínima ideia de que esse uso só foi permitido por mudanças nos parâmetros da escrita padrão? Aquele que acusa corretamente os crimes da esquerda, mas que é tão truculento que não ganharia a simpatia nem daqueles que concordam com ele?

Pois é. Se existe um tipo dessa lista que precisa urgentemente tomar o famoso “semancol”, o brucutu é um fortíssimo candidato, já que, muitas vezes sem perceber (darei o benefício da dúvida por enquanto), acaba por machucar a reputação não apenas dos direitistas, mas de qualquer um que queira se opor aos totalitários da esquerda canalha brasileira. Refratário à política, não percebe que, ao bradar clichês como “é o fim dos tempos!”, já está agindo politicamente contra qualquer causa que esteja defendendo, assim como o brucutu típico, com sua falta de inteligência tática, acha que dá para ganhar o jogo só na base da porrada.

Não preciso nem dizer mais nada, certo?

2- O direitista firula

Sabe aquele homem de frente do seu time que dribla, dribla e dribla, mas, na hora de concluir a gol, recua a bola para o goleiro ou a chuta para fora do estádio? A esse jogador, como qualquer amante do futebol sabe, chamamos de “firula” exatamente porque pode até ser que chame a torcida para o jogo, mas sua falta de objetividade acaba muitas vezes irritando até mesmo os próprios torcedores que um dia se divertiram com suas jogadas de efeito se a fase do time não for tão boa.

Na política, há um belo equivalente: sabe aquele seu amigo de direita que diz ser “da zuera”? Aquele que faz piada com tudo e com todos sem sequer fingir dar a mínima para os sentimentos alheios, como se ele estivesse sozinho no mundo e não precisasse que as pessoas o vissem como algo mais do que um moleque em algum momento da vida? Aquele que adora se dizer “opressor” e “reaça”, como se isso já não tivesse torrado a paciência até mesmo de outros direitistas com mais bom senso?

Óbvio que o caso não é tão grave quanto o do brucutu, mas a questão ainda persiste, já que, ao contrário do que dizemos de brincadeira na internet, a “zoeira” tem, sim, limites, e um deles é o de não passar por retardado moral ou por insensível quando se necessita que as pessoas pensem justamente o contrário.

Igualmente óbvio que piadas e sarcasmo são uma arma excelente, se não a melhor, quando o assunto é a guerra política, mas o que se vê em 90% são justamente as piadas pelas piadas, as piadas sem objetividade política, as piadas cujo único objetivo parecem ser fazer o piadista passar a imagem de lorde inglês com toda sua classe, elegância e conhecimento estético, isto é, uma espécie de “Roger Scruton zoeiro”.

Dica: Roger Scruton falando sobre o que quer que seja é mais chato do que os comentários do Craque Neto na Band. Imaginem, então, um Roger Scruton querendo pagar de engraçado.

3- O direitista individualista

Este pode até ser craque (ou, no caso da política, um bom jogador da guerra política), mas o fato é que  não lhe entra na cabeça que, no futebol moderno (na política moderna), não é o time que se deve modelar ao seu redor, mas ele que se deve adaptar e ser, quando possível, um diferencial para que vitórias e mais vitórias sejam obtidas e os objetivos sejam alcançados.

Dependendo dos casos, o máximo que o direitista individualista consegue falar em seus discursos políticos é um “graças a Deus” tão maçante quanto o de qualquer jogador de futebol. Creio nem precisar explicar muito além disso.

4- O direitista triatleta

Corre, pedala e nada, no futebol. Discursa, ironiza e nada, na política. Sua diferença para o direitista firula é que, desde o começo, nem a própria torcida tende a gostar do triatleta, pedindo sua saída do time até mesmo quando a crise sequer chegou a se instalar no grupo. Dispensa maiores comentários.

5- O direitista frangueiro

Assim como o goleiro no futebol, deixa passar gols os mais bizarros do adversário, podendo, inclusive, prejudicar o moral do time por não transmitir qualquer segurança para que os companheiros procurem, eles próprios, o caminho do gol adversário, já que estarão com um a menos na hora de defender.

6- O direitista delivery

Assim como vários famosos zagueiros e volantes, pode contribuir e muito para o despertar de um frangueiro, já que faz questão de entregar ao adversário a bola de maneira açucarada para que ele, cara a cara com o goleiro, possa até driblar com classe e tocar para o gol vazio, isto se não quiser humilhar toda a defesa com dribles desconcertantes antes de marcar, com ares de soberba, um gol antológico politicamente.

Octavius é professor, graduando em Letras, antiolavette e polemista medíocre. Espera nunca ter de dizer que a direita parece o Corinthians de 2007, ou então passará a teclar a palavra “direita” com tanto desgosto quanto tecla algum nome daquele excelente péssimo time.

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