Futebol

As cinco maiores injustiças futebolísticas que vi

Recentemente, estive assistindo ao documentário “1982 – Aos nossos campeões”, produzido pelo grupo ESPN. Nesse documentário, tanto comentaristas dos canais ESPN (como Arnaldo Ribeiro, Gian Oddi e Eduardo Tironi) como celebridades e jornalistas (Dan Stulbach, Ivete Sangalo e outros) comentam sobre e homenageiam uma das seleções mundiais que mais jogou bola em Copas do Mundo, mas que foi eliminada de forma surpreendente, não levando a taça.

Apenas para contextualizar um pouco melhor para o leitor que desconheça o fato, como a grande maioria dos fãs de futebol sabe, há pouco mais de 35 anos ocorria a chamada “Tragédia do Sarriá“, isto é, a eliminação da lendária seleção brasileira de 1982 para uma Itália que, apesar de suas qualidades e de grandes jogadores como Gentile e Dino Zoff, nem de longe era a favorita naquele 3 a 2 contra o Brasil de Zico, Éder, Falcão, Júnior e outros craques. Após isso, a Itália iria para a semifinal com a Polônia, para a final com a Alemanha e levantaria o caneco.

Ao se referirem a esse Brasil x Itália, muitos dos que assistiram a essa Copa definem a “Tragédia do Sarriá” como uma das maiores, se não a maior, injustiça futebolística de todos os tempos. Como, porém, não pude assistir a essa competição por nem estar perto de nascer, não posso inclui-la na lista das maiores injustiças futebolísticas que já presenciei, mas posso inspirar-me e, a seguir, conversar com o amigo leitor sobre as cinco maiores injustiças futebolísticas a que assisti e de que me lembro bem no futebol brasileiro e internacional:

5º lugar: Palmeiras 2 x 1 Santos – Final da Copa do Brasil 2015 – Palmeiras campeão

Em quinto lugar, um jogo envolvendo dois rivais de meu time. No caso, o segundo jogo da final da Copa do Brasil 2015, tendo o primeiro terminado em 1 a 0 para o Santos na Vila Belmiro, sendo este um placar que não representava o que havia sido o jogo, já que o Santos dominou a partida de ponta a ponta e perdeu no mínimo duas ótimas chances.

De novo para contextualizar para o leitor, após um 2014 catastrófico com um time para esquecer, o Palmeiras firmou a atual parceria com a Crefisa e foi às compras, montando um time que, apesar de algumas deficiências em posições específicas, tinha se tornado uma das maiores forças do Brasil, acumulando triunfos em clássicos estaduais (mais notavelmente, contra São Paulo e Corinthians) como ainda não tinha feito no século 21.

Mesmo assim, um problema antigo persistia no alviverde paulistano, e este era a falta de um técnico confiável, tanto que o time começou o ano com o Oswaldo de Oliveira e, após um vice paulista para o próprio Santos e um início de Brasileirão no mínimo questionável, trocou para Marcelo Oliveira, técnico então bicampeão nacional, mas que, no momento em que se dava aquela final, tinha seu trabalho contestado e sua cabeça sendo pedida por boa parte da torcida por causa do nível de atuação pouco satisfatório do time tanto no Brasileirão como na Copa do Brasil, ainda assim conseguindo chegar, aos trancos e barrancos, à final desta.

O Santos, por sua vez, após um frustrante ano de 2014 em que perdeu o Paulistão para o Ituano e em que passou bem longe de disputar de fato qualquer caneco nacional, arrumou a casa com o que tinha e trouxe um questionado Ricardo Oliveira para ser o centroavante do time e um dos líderes do elenco que já contava com nomes como Renato, Lucas Lima e Vanderlei.

Ainda com o treinador Marcelo Fernandes, hoje auxiliar técnico no próprio Santos, o alvinegro praiano conquistou o Paulistão para cima do poderoso Palmeiras, mas vinha de um início no mínimo preocupante no Brasileirão até contratar Dorival Júnior, treinador que, apesar de ter boas ideias, vinha de trabalhos questionáveis em times como Palmeiras e Fluminense e carregava consigo o entrevero com Neymar em 2011, fato que causou sua demissão no mesmo ano por “insubordinação”.

Com Dorival, não só a crise foi espantada como também o Santos começou a jogar o melhor futebol do Brasil, passando sem problemas na Copa do Brasil inclusive pelo futuro campeão brasileiro Corinthians e pelo rival histórico São Paulo, vencendo tanto na ida como na volta e contando com ótimas atuações de jovens como Gabriel Barbosa e Geuvânio.

Era o Santos, pois, que chegava como favorito para a final, apesar de o Palmeiras ter um elenco mais recheado e tecnicamente igual ou melhor do que o elenco santista, e esse favoritismo foi parcialmente confirmado no primeiro confronto, na Vila Belmiro, no já citado 1 a 0 em que o alviverde não viu a cor da bola, mesmo com Lucas Lima não jogando o melhor que sabia.

O Palmeiras, porém, tinha se tornado um especialista em usar o mando de campo em competições mata-mata, além de contar com um jogador que viria a ser fundamental para o time tanto ao fazer os dois gols alviverdes que levariam o jogo às penalidades como posteriormente no Brasileirão de 2016: Dudu. Tinha, também, em Fernando Prass um goleiro que, à época, vinha se consagrando como um dos maiores pegadores de pênalti do Brasil.

Tinha, por fim, Matheus Sales, jovem volante que, naquela noite, faria talvez a melhor partida de sua carreira até o momento, anulando sem piedade o armador santista, gerando, inclusive, uma série de memes com os quais os palmeirenses atormentavam Lucas Lima até este trocar a Vila pelo Allianz Parque em 2017.

Com isso, o Palmeiras, usando o mando de campo como poucos sabem usar, venceu o Santos. Sim, eu sei que o Palmeiras tinha um elenco com mais opções. Sim, eu sei que o Santos foi encurralado e não conseguiu desempenhar o bom futebol que vinha desempenhando. Sim, eu sei que, naquele jogo, o Santos não merecia o caneco. Mesmo assim, parece-me um pecado o escrete santista de 2015 ter acabado só com um Paulistão no ano.

Eles mereciam mais. O bom futebol merecia mais. No entanto, nem sempre o melhor vence, em especial quando o outro time sabe usar o mando de campo, como também veremos a seguir.

4º lugar: Sport 2 x 0 Corinthians – Final da Copa do Brasil 2008 – Sport campeão

Sim, eu sei que isso pode parecer clubista, leitor, mas não posso deixar de considerar injusto o Sport ter levado o caneco da Copa do Brasil em 2008 contra o meu time de coração.

Para quem não lembra, Sport e Corinthians encontravam-se em situações opostas. Enquanto o Sport vinha desde 2007 na Série A e parecia consolidar sua presença nessa divisão (mas só parecia, pois cairia já em 2009), o Corinthians passava pela maior reformulação de sua história após a queda para a Série B em 2007, contratando vários novos nomes (e futuros ídolos, como Alessandro, Chicão, Cristian, Elias e Douglas) para disputar esse campeonato em 2008 e voltar à elite em 2009, o que de fato ocorreria sem maiores problemas.

Já na Copa do Brasil, o quadro era bem diferente. Apesar de alguns tropeços, o Corinthians só tinha enfrentado reais problemas contra o Botafogo (time que, historicamente, causa problemas ao alvinegro paulistano) na semifinal, tendo passado sem tanto drama por outros adversários historicamente problemáticos, como Goiás e São Caetano. Além disso, o futebol apresentado pela equipe treinada por Mano Menezes, mesmo sem estar em seu melhor momento de apuração, já era consideravelmente melhor do que o do elenco que caíra para a Série B no ano anterior.

O Sport, por sua vez, não apresentava tanto em campo, dependendo várias vezes do mando de campo na Ilha do Retiro para avançar na competição, como na primeira fase contra o Imperatriz-MA, nas oitavas contra o Palmeiras-SP (mesmo com o placar elástico) e nas quartas contra o Internacional-RS, além de ter passado na semifinal nos pênaltis contra um Vasco que viria a sofrer seu primeiro rebaixamento no mesmo ano de 2008.

Houve, porém, um jogador que, ao fazer o gol de honra do Sport nos 3 a 1 no primeiro jogo no Morumbi, mudaria completamente o cenário da volta na Ilha do Retiro, jogo em que o Sport, contando com uma brilhante atuação do lendário Carlinhos Bala,  acuou o time alvinegro. Esse jogador era Enílton, o mesmo que ajudaria Luciano Henrique a marcar o segundo gol após cobrar uma falta que enganou o bom goleiro Felipe.

Se houve algum jogo em que quase chorei por futebol, foi esse. Sim, eu sei que o time de 2008 ainda não era tão forte como o de 2009, para o qual os reforços de Jorge Henrique e Ronaldo Fenômeno foram um achado e tanto. Sim, eu sei que o Corinthians poderia ter feito mais gols no primeiro jogo e matado a parada ali mesmo. Mesmo assim, a perda do título doeu-me muito naquela hora e nos dias seguintes, tanto que é, para mim, a derrota mais amarga que eu me lembre do Corinthians, superando até mesmo os 4 a 1 para o Atlético-MG em 2014 e os 5 a 1 para o São Paulo em 2005.

Penso até hoje que, se fosse campeão da Copa do Brasil em 2008, o Corinthians de 2009 teria tido uma ótima chance de conquistar a Libertadores pela primeira vez, pois o futebol demonstrado por aquele time de Ronaldo, Jorge Henrique e Dentinho no primeiro semestre, que era quando ocorria o torneio continental, pareceu-me bem maior do que o do campeão Estudiantes e do que o do vice Cruzeiro.

No entanto, não há como mudar o passado, inclusive em outra competição continental, desta vez na Europa em 2010.

3º lugar: Barcelona 1 x 0 Inter de Milão – Semifinal da Champions League 2009/2010 – Barcelona eliminado

Camp Nou. O lendário esquadrão de Messi e cia, representando o Barcelona, é eliminado nas semifinais da Champions League após perder fora por 3 a 1 e ganhar em casa só por 1 a 0 mesmo com um a mais. O motivo? O adversário era a Inter de Milão, com uma retranca montada pelo maior especialista no assunto: o superestimadíssimo José Mourinho.

Se eu achei Palmeiras 2 x 1 Santos uma injustiça, nem preciso explicar mais nada ao leitor, até porque o próximo jogo demandará bem mais explicações.

2º lugar: Brasil 1 x 2 Holanda – Quartas de final  da Copa do Mundo de 2010

Se você, assim como eu, não apreciou o trabalho de Dunga com a seleção em 2015 e 2016, peço que respire fundo e me acompanhe, pois o que falarei pode parecer loucura agora, mas fará sentido: não, o Brasil não mereceu perder para a Holanda de Robben e Sneijder em 2010, por mais que ambos os carequinhas tenham jogado sobrenaturalmente naquela partida.

Primeiro, é importante lembrar que, apesar de Dunga ter montado um time excessivamente reativo e de ter feito escolhas no mínimo duvidosas já à época, a seleção brasileira em 2010 tinha se classificado na fase de grupos sem maiores problemas. Pode-se dizer, é claro, que o empate com Portugal no último jogo era um indício de que aquele time não iria longe, mas o fato é que, mesmo nesse jogo, o Brasil não teve grandes sustos, ao contrário da Copa seguinte, a de 2014, em que a seleção passaria apertado nos três jogos da primeira fase,  mesmo com o placar elástico contra a fraquíssima Camarões 2014.

A Holanda, por sua vez, também passou com tranquilidade na fase de grupos, mas em um grupo sem qualquer seleção de maior peso. Curiosamente, tanto Holanda como Brasil chegaram às oitavas com cinco gols marcados, sendo que, enquanto a Holanda ganhou da Eslováquia por 2 a 1 na marra, o Brasil fez 3 a 0 no Chile (que vinha melhorando seu nível técnico em relação às copas anteriores) sem muito suar, apesar da ausência de Elano, jogador que, após uma lesão, faria bastante falta ao time justamente nas quartas contra a Holanda.

Óbvio que, ainda assim, não seria possível para qualquer um que tenha visto os jogos da seleção de Dunga em 2010 concordar comigo que essa eliminação para a Holanda foi uma grande injustiça, principalmente porque não se trata de alguma zebra, mas o que me deixa inconformado até hoje é: o Brasil foi eliminado no seu melhor jogo na Copa por uma Holanda que fez, talvez, o seu pior jogo naquela Copa.

Se o que eu acabei de dizer pode parecer ousado, peço que se lembrem do primeiro tempo: um verdadeiro massacre brasileiro, com a Holanda acuada, em especial após o 1 a 0 (gol de Robinho após passe magistral de Felipe Melo), resistindo como podia às investidas brasileiras, com Robben e Sneijder praticamente ausentes do jogo.

Algo, porém, aconteceu no intervalo, pois, no segundo tempo, o Brasil diminuiu o ritmo e foi aí que a Holanda achou, ou melhor, que Robben e Sneijder acharam dois gols, primeiro em um momento de rara infelicidade de Júlio César (que havia sido eleito o melhor goleiro da Europa e do mundo na temporada 2009-2010), depois em um momento de infelicidade conjunta de Júlio César e Felipe Melo (que foi alvo de críticas imerecidas pós-jogo, pois vinha sendo um dos destaques daquela seleção). Falando no volante brasileiro, infelizmente sua expulsão após pisão em Robben foi a pá de cal definitiva.

Sim, eu sei que, se chegasse à final, o Brasil provavelmente não ganharia da Espanha. Sim, eu sei que um possível triunfo contra a Holanda naquelas quartas de final só adiariam a inevitável eliminação. Sim, eu sei que nem de longe o Brasil mereceria a final da Copa em 2010 até aquele jogo. O problema é que, justamente no jogo em que mereceu, caiu. Mais ainda, caiu e praticamente sepultou a carreira de um dos maiores injustiçados que já vi no futebol: Júlio César.

1º lugar: Fluminense 3 x 1 LDU – Final da Copa Libertadores de 2008 – LDU campeã nos pênaltis

Nenhum desses jogos, porém, passa sequer perto da maior injustiça que já vi no futebol. Diria mais: o que aconteceu naquela noite de 02 de julho de 2008 no Maracanã foi um crime cometido contra o bom futebol principalmente porque, pelo que vemos nos últimos anos, o Fluminense dificilmente terá uma nova chance de conquistar essa taça nos próximos anos.

Não me arriscarei, aqui, a contextualizar ou a narrar em detalhes o jogo em si, pois o excelente site Imortais do Futebol tem um texto melhor do que qualquer um que eu poderia escrever sobre esse jogo. Ainda assim, se digo ser esta a maior injustiça que vi, devo no mínimo descrever um pouco o jogo.

O jogo dos três gols de Thiago Neves, incluindo uma cobrança de falta magistral. O jogo em que a arbitragem esqueceu-se de que times equatorianos também podem ter seus jogadores amarelados quando cometem faltas brutais. O jogo em que um time ofensivo e bem organizado pelo então mais falastrão do que técnico Renato Gaúcho foi superado pela retranca de Edgardo Bauza, técnico que, futuramente, após ganhar nova Libertadores em 2014 com um novo time retrancado (San Lorenzo), se tornaria extremamente superestimado, vindo a comandar o São Paulo (!) e a seleção argentina (!!), nos quais provou que Libertadores não dá camisa para ninguém.

O jogo, enfim, em que um Fluminense titânico, que havia eliminado na raça e na bola Atlético Nacional-COL, São Paulo e Boca Juniors, sucumbiu nos pênaltis a um goleiro mediano em noite sobrenatural (Cevallos) e a um time que só havia chegado à final por ter tido cruzamentos mais fáceis no mata-mata, tendo, mesmo assim, que jogar com o regulamento embaixo do braço várias e várias vezes na competição.

Como corintiano desde 2000, confesso: se houve um jogo na minha vida em que torci para algum time além do Corinthians, foi aquele Fluminense x LDU. Como jogavam Thiago Neves, Conca e companhia. Aquele time merecia a América, mas, felizmente ou infelizmente, o futebol tem dessas. Se eu dissesse que aquele jogo não foi a maior injustiça que vi, seria eu mais injusto ainda.

Octavius é professor, graduado em Letras e polemista medíocre. Não quer nem imaginar como seria um jogo entre um time de Mourinho e um time de Bauza. Não responde a pergunta “Guardiola ou Mourinho?” porque não sabe nem se Mourinho é equiparável a Rafa Benítez, quem dirá a Guardiola.

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Minha seleção do Brasileirão Série A 2017

Pretendo, hoje, inaugurar neste blog o costume de montar as minhas seleções dos campeonatos brasileiros de futebol, a menos quando concordar com os números do Prêmio Bola de Prata. O leitor, é claro, está convidado a discordar, mas peço que entenda, antes de tudo, os meus critérios.

Primeiro, ganhará pontos com este blogueiro o jogador que tenha jogado de modo “constante” no ano, ou seja, que não tenha passado 38 rodadas oscilando entre ótimos e péssimos jogos. Isso, inclusive, explicará algumas escolhas de atletas em detrimento de outros.

Segundo, o esquema a ser adotado é um 4-3-3 que possa ser adaptado para um 4-2-3-1 ou mesmo um 4-1-4-1. Em outras palavras, contará não só a habilidade de cada jogador individualmente, mas também o fato de como eu os imagino jogando juntos coletivamente. Por exemplo, um meio campo com Hernanes, Diego, Éverton Ribeiro, Luan e Thiago Neves seria ótimo individualmente, mas não funcionaria pelas características desses jogadores.

Terceiro, sim, os destaques de cada time têm boas chances de aparecer nessa seleção, mas ser destaque por si só não garantirá o lugar de ninguém aqui. Um destaque, por exemplo, que tenha mais sido poupado do que jogado, por melhor jogador que seja, não estará nesta seleção.

Quarto, sim, as outras competições em que os jogadores atuaram sempre contarão, mas apenas para critério de desempate, e não para escolher o jogador, a não ser em casos em que nenhum jogador tenha feito algo de tão notável assim no campeonato brasileiro.

Dito isto, vamos às posições:

No gol, há, é claro, a cruel dúvida entre o santista Vanderlei e o corintiano Cássio. Mesmo sendo corintiano, no entanto, não posso fechar os olhos para o fato que chamo de “Vanderlei-dependência”: enquanto Cássio foi peça importante em um esquema bem montado por Fábio Carille, Vanderlei foi vítima da desorganização que imperou na Vila Belmiro o ano inteiro, sendo o craque de fato do time após um ano fraquíssimo de ícones como Lucas Lima e Ricardo Oliveira. Cássio, pois, apesar de o time santista ser superior em termos de bola ao escrete corintiano, tinha leve vantagem, o que desempata o confronto a favor de Vanderlei.

Na lateral no lado direito, Fágner reinou absoluto, apesar de ter oscilado no segundo turno, assim como todo o time do Corinthians. Fágner, porém, não teve concorrência, que foi justamente o que tirou de Guilherme Arana o lugar de lateral-esquerdo do meu time do ano, por mais que me agrade muito enquanto lateral. Enquanto Arana oscilou, Diogo Barbosa, o lateral cruzeirense, foi constante e decisivo tanto no Brasileirão como na Copa do Brasil, e levou a vaga.

Na zaga, parece-me óbvio que Pablo merece um lugar nesse time, também por ter sido decisivo e por não ter oscilado tanto quanto o resto do time alvinegro. Minha outra escolha, porém, pode surpreender: o flamenguista Juan, ex-seleção brasileira.

Sim, eu sei que ele está velho. Sim, eu sei que Geromel, do Grêmio, chegou a jogar melhor em vários momentos. Ainda assim, o que o torna minha escolha no lugar do bom zagueiro gremista é que Juan conseguiu o que ninguém imaginaria: foi, talvez, o único jogador que passou o ano inteiro no Flamengo e que, justamente por sua constância, por sua habilidade e por sua alma rubro-negra, não foi contestado praticamente em momento algum, nem poderia. Para um atleta veterano, essa façanha não pode ser deixada de lado.

Passando ao meio campo, opto por Gabriel (Corinthians), o melhor e mais constante primeiro volante do Brasileirão, ao lado de Hernanes, o responsável pela virada tricolor de um turno patético (o primeiro) para um turno heroico e respeitável (o segundo), e Thiago Neves, o icônico meia do Cruzeiro que, apesar de subestimado pela mídia em geral, jogou muita bola e, em determinados momentos do campeonato, foi vital para o time de Mano Menezes sair com a vitória. Passou, enfim, de contestado a respeitado, podendo se tornar ídolo caso permaneça no clube mineiro.

No ataque, pela ponta esquerda, por motivos óbvios para quem assistiu jogos do Santos, Bruno Henrique é o nome, enquanto a ponta direita será ocupada por ninguém menos do que Luan, do Grêmio? Não, pois seria incoerente com o critério de ser um destaque que mais foi poupado do que levado a campo. Na ponta direita, coloco Cueva, que, apesar de um primeiro turno questionável e de contestações por parte de imprensa e torcida, levou o São Paulo e a seleção peruana adiante como protagonista ao lado de Hernanes (no São Paulo) e de Guerrero e Farfan (na seleção peruana).

Por fim, o centroavante, claro, não poderia ser outro: , um dos que ajudou o Corinthians a aposentar críticos (incluindo este que vos fala) em 2017.

Quanto ao técnico, confesso minha dúvida entre Fábio Carille e Jair Ventura. Enquanto Carille tem a seu favor o caneco incontestável, Jair levou um Botafogo ainda mais questionado e contestado a grandes feitos. Com isso, creio ser justo dizer o seguinte: Carille é meu técnico no Brasileirão, mas Ventura, por pouco, é meu técnico no ano.

Como menções honrosas, listo: Cássio, Balbuena, Geromel, Guilherme Arana, Bruno Silva, João Paulo (Botafogo), Romero (!!!), Luan (Grêmio),  Keno (que se mostrou um injustiçado pelos técnicos anteriores do escrete alviverde paulistano), Moisés e Lucas Barrios (que tiveram o azar de se machucarem, mas que foram bem nos jogos que disputaram), Jair Ventura e Renato Gaúcho.

Eis, pois, a seleção em campo, com Fábio Carille na área técnica:

Seleção Brasileirão 2017

Se curtiram, compartilhem. Se não curtiram, também compartilhem… e cornetem, é claro.

Octavius é professor, graduado em Letras e polemista medíocre. Não é Ademir Quintino do EI, mas terminará este texto com a #PRONTOFALEI.

De novo, o futebol. De novo, times paulistas e suas formações possíveis

O título explica tudo, leitores. Com as especulações sobre o possível desempenho de cada time ao longo de 2017 e sobre as mudanças a serem feitas, este que vos fala decidiu fazer as suas também, colocando duas possíveis escalações para cada grande de São Paulo.

Lembrando, claro, que são só palpites de um torcedor que tem procurado cada vez mais entender o esporte de que tanto gosta. Não tenho, pois, qualquer tipo de autoridade que torne meu palpite irrefutável ou inatacável.

Comecemos, é lógico, pelo maior deles:

Corinthians

Pensei, para o time comandado por Carille e orquestrado até o momento por ele, Reusdriguinho, o Deus da bola, em dois esquemas táticos diferentes, mas que, a depender da escalação, poderiam ser utilizados no mesmo jogo, um para o momento ofensivo, outro para o momento defensivo, ou um para um tempo, outro para o outro:

corinthians-4-1-4-1-2017corinthians-4-4-2-2017

No primeiro caso, temos um 4-1-4-1 em que, com o recuo de Maycon ou de Rodriguinho para uma função de segundo volante, auxiliando Gabriel na marcação, Fágner e Guilherme Arana poderiam ser liberados para reforçarem o ataque pelas pontas e ajudarem Jádson e Kazim  a brilharem e/ou a municiarem o centroavante Jô (ou Léo Jabá) com bolas para que ele empurre para a rede como fez no clássico diante do Palmeiras.

No segundo caso, um 4-4-2 em que Rodriguinho faria função semelhante à de Renato Augusto no 4-2-3-1 (em alguns momentos, 4-1-4-1) de Tite de 2015, sendo o sustentáculo do meio-campo para que o veloz e criativo Jádson exerça suas melhores características, podendo inclusive atuar como um terceiro atacante para ajudar Kazim e Jô a infernizar as defesas alheias.

É possível, também, colocar, quando estiverem em melhor fase, Marlone ou Marquinhos Gabriel em alguma das pontas para aumentar a técnica e a velocidade. Não se deve abdicar, do mesmo modo, da experiência de Felipe Bastos e da versatilidade de Camacho, este último que, por ter se acostumado com o modo de jogar do Audax, pode cobrir várias ausências, talvez até mesmo a de Jadson ou a de Rodriguinho.

Outras mudanças que podem ser feitas são as entradas de Pedrinho, Léo Jabá, Moisés, Léo Príncipe, Pedro Henrique, Giovanni Augusto e, pasmem, até mesmo Guilherme poderia render bons frutos nesse esquema.

Palmeiras

Para o time até o momento comandado pelo filho de Nelsinho “se perde de um, perde de sete” Baptista, Eduardo, considerarei Moisés e Tchê Tchê como indisponíveis por um bom período, em especial Moisés, para diversificar os possíveis formatos que esse time poderia assumir com os mais diversos jogadores. Obviamente, o torcedor palmeirense, com as formações dadas, saberá melhor do que eu em que posição esses jogadores se encaixam. Aí vão:

palmeiras-3-4-3-2017palmeiras-4-1-4-1-2017

No segundo caso, mantive o esquema de Eduardo Baptista, apenas trocando os machucados por Veiga e Bastos, que me parecem as opções mais interessantes do time de verde no momento, apesar de haver Guerra, Arouca e vários outros a serem experimentados. Zé Roberto, inclusive, poderia deixar a lateral para Egídio ou M. Bastos e ir ao meio-campo.

No primeiro caso, pensei em um esquema, digamos, mutante. Como o leitor pode perceber, o que tentei fazer em minha prancheta foi um 3-4-3 com, aparentemente, apenas um volante (Melo), um meia armador (Veiga, Guerra ou algum outro que o palmeirense prefira) e dois meias laterais (Jean e Zé Roberto). Coloquei, também, Mina como um líbero nesse time por me parecer, de todos os zagueiros alviverdes, o mais habilidoso em saídas de bola.

O caso é que, na verdade, seria possível, nesse time, fazer diversas mudanças táticas entre partidas ou ao longo de uma partida. Jean e Zé Roberto poderiam recuar para a defesa, Dudu poderia recuar para ajudar Veiga na criação, e Mina poderia avançar como  volante, o que daria ao time alviverde um 4-4-2 em que Keno teria chances de fazer ainda mais sucesso do que fez com Grafite em um esquema parecido no Santa Cruz, mas sem tantas opções de alta qualidade no elenco.

Por óbvio, também seria possível apenas recuar Dudu para a criação de jogadas, formando um interessante 3-5-2 ofensivo, assim como tirar um dos atacantes e colocar mais um volante, formando um 3-5-2 tradicional. Além disso, poder-se-ia recuar Jean e Zé Roberto e avançar Mina, formando um 4-3-3 no mínimo ousado. Isso, é claro, fora os nomes que poderiam substituir, ao gosto do torcedor, Jean, Zé Roberto, Veiga, Dudu, Borja, Keno…

São Paulo

No tricolor comandado por Rogério Ceni, temos, também, várias opções com as quais especular:

sao-paulo-3-4-3-2017sao-paulo-4-2-3-1-2017

No primeiro caso, mesmo esquema do São Paulo do começo do ano: um 3-4-3 em que Rodrigo Caio funcionaria como uma espécie de líbero ou de terceiro volante, além de contar com uma defesa mais sólida, com um ataque mais potente e com um meio campo mais dinâmico. Cueva poderia ser recuado como meia de criação, formando um 3-5-2, assim como Rodrigo Caio poderia avançar enquanto os laterais recuam, formando, sem recuar Cueva, um ofensivo 4-3-3, e, como o recuo de Cueva, um 4-4-2 em que a dinamicidade de Luiz Araújo seria um diferencial para auxiliar Pratto no ataque.

No segundo caso, radical mudança: um 4-2-3-1 em que o meio-campo povoado de jogadores com bom equilíbrio ajudariam a tornar a defesa mais sólida. Em um jogo em casa, a linha de 3 poderia rodar, confundindo a marcação. Em um jogo mais complicado, Thiago Mendes poderia ser recuado ao posto de volante para auxiliar mais diretamente na marcação, formando um 4-3-2-1 sólido na defesa e letal nos contra-ataques pelas pontas.

Santos

Por fim, quanto ao alvinegro praiano, o segundo esquema nem precisará ser comentado, pois já é conhecido de 10 em cada 10 torcedores santistas. O primeiro, porém, pode parecer chocante:

santos-4-1-4-1-2017santos-4-3-3-2017

Já que Dorival Júnior, pelo visto, quer promover, beneficamente, uma mudança de esquema tático, por que não utilizar o esquema da moda?

No caso, aproveitei-me da habilidade de Renato e de Thiago Maia e, em um momento em que Lucas Lima não mostra o seu melhor futebol, coloquei ambos como os centrais da segunda linha de 4. Obviamente que Maia pode ocupar o lugar de Leandro Donizete, assim como Lucas Lima o de Maia, mas, em um jogo fora de casa, não me parece ruim colocar um volante mais marcador e acompanhá-lo de dois que sabem conduzir bem o jogo, solidificando a defesa e não enfraquecendo o ataque.

Neste esquema, coloco Bruno Henrique no lugar de Copete porque Bruno me parece melhor no papel de meia criativo do que Copete, mas, é claro, o torcedor santista sabe que, para as quatro posições da segunda linha de quatro, não faltam boas opções, entre elas Thiago Ribeiro, Hernández, Longuine, Léo Cittadini, o já citado Lucas Lima, entre outros.

C’est fini, amigo leitor. Espero que tenha gostado.

Octavius é professor, graduado em Letras, antiolavette e polemista medíocre. Agradece à imprensa esportiva brasileira por lhe dar inspiração para escrever algo depois de um mês or so.

Eu, Estrategista – 10 jogadores que eu gostaria de ver no Corinthians em 2017

Sim, leitores, como sabem, de vez em quando gosto de palpitar acerca de meu assunto predileto: o futebol. Considerando a campanha mediana-baixa de meu time (para quem ainda não sabe, sou corintiano) no ano de 2016, relacionei 10 reforços possíveis (ou nem tanto assim) que, acho, cairiam bem em qualquer time em 2017, em especial no meu. Algumas das escolhas podem parecer ser sentido de primeira, mas peço que me acompanhem até o final nessa análise amadora feita por um torcedor e por um apreciador do futebol taticamente bem jogado.

Algumas observações devem ser postas, porém, antes de tudo:

1- Considero, nos cenários propostos, que Cássio sairá do clube e que Walter não terá dificuldade em ser titular absoluto em 2017. Caso prefiram Cássio no lugar de Walter, é só alterarem o nome do goleiro  e ficamos conversados.

2- Considero, também, que todos os jogadores do presente elenco permanecerão para 2017, incluindo Marlone, que é sondado pelo Atlético-MG no momento. Caso aconteça, saibam que, para mim, Lucca seria o substituto mais próximo de Marlone nos cenários em que este estiver como titular.

3- Caso queiram fazer os seus próprios esquemas, visitem o seguinte aplicativo, que foi o que usei: http://buildlineup.com/

4- Caso eu tenha errado a posição de algum jogador, enviem a correção nos comentários, pois posso ter me enganado e posso ter de rever algum conceito. Quanto às numerações, não são o mais importante no momento.

Depois de alguma pesquisa, consegui descobrir e esquematizar a escalação do último jogo do Corinthians no Brasileirão, contra o Cruzeiro de Mano Menezes. Ei-la:

corinthians-x-cruzeiro-dezembro-2016

Primeiro, mesmo não sendo um simpatizante do técnico Marcelo Oliveira, creio que, pelas características dos jogadores do Corinthians, uma formação um pouco mais ideal em 2017 seria o 4-2-3-1, para que o primeiro volante não ficasse sobrecarregado (como aconteceu com Camacho na derrota por 4 a 2 para o Cruzeiro na Copa do Brasil) e para que os laterais pudessem subir com mais tranquilidade ao ataque.

Considero, também, que, dado o time, Jô não terá muitas dificuldades para ser titular, já que todos os que foram improvisados na posição não renderam nem metade do esperado. Guilherme, porém, não seria sacado do time, e sim jogaria no seu setor de origem, isto é, no meio-campo. Com as presentes peças do elenco, seriam sacados do time: Vilson, Cristian, Romero e Rodriguinho. A formação sem qualquer reforço, fora Jô, em 2017, ficaria da seguinte maneira:

corinthians-semi-ideal-2017

Corinthians quase ideal 2017: Maycon e Camacho garantiriam a saída de bola com qualidade, enquanto Marquinhos Gabriel e Marlone teriam o papel de infernizar os adversários pelas pontas. O cérebro da equipe seria Guilherme ou, na ausência dele, Rodriguinho ou Danilo.

Vamos, então, aos reforços, que colocarei em cenários separados, considerando que o clube não terá dinheiro em caixa para contratar muitos deles. Começando por São Paulo, e, mais especificamente, por nosso arquirrival alviverde, o nome a ser contratado seria o volante Gabriel, atleta que provou sua qualidade várias vezes mas que, por causa de seguidas lesões, ainda não tem a titularidade no time de Palestra Itália. Com Gabriel em campo, pensei em algo no seguinte estilo:

Corinthians com Gabriel (PAL).png

Com Gabriel no time, tanto Camacho como Fágner e Uendel teriam mais liberdade de atacar (considerando, claro, que Gabriel consiga fazer o que estava fazendo, antes de se lesionar em 2015, por Egídio), além de a saída de bola ser quase impecável.

Ainda em São Paulo, dessa vez no time das três cores, o mais óbvio dos reforços, se fosse um pouco mais barato, seria Maicon (apelidado pelos tricolores como “The God of Zaga”) para suprir a falta de experiência na zaga e para, claro, adicionar muita segurança à frágil defesa corintiana:

Corinthians com Maicon (SAO).png

Com Maicon na zaga, Balbuena ou Pedro Henrique teriam forte concorrência, mas ganhariam um parceiro mais experiente que, certamente, poderia ajudar a aumentar a performance de ambos.

Indo para a Vila Belmiro, não, senhores, não é no caro Lucas Lima que penso. Ricardo Oliveira? Ainda não, apesar de ser um ótimo nome. Zeca e Victor Ferraz? Também não, as laterais corintianas parecem-me bem satisfatórias. Penso, por incrível que pareça, no jovem volante Yuri, ex-Audax, que, unido a Camacho, poderia até mesmo aumentar a ofensividade do time, mantendo a qualidade da saída de bola, além, é claro, de ser, como quase todo jogador do Audax 2015, polivalente:

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Reeditando os tempos de Audax, Yuri e Camacho certamente garantiriam qualidade ao meio-campo corintiano tanto no ataque como na defesa.

No Rio de Janeiro, começo com o vascaíno Nenê. Sendo um jogador experiente e habilidoso, pode não ter muitos anos de carreira pela frente, mas certamente não deixaria Guilherme ou qualquer outro jogador do meio se acomodar:

Corinthians com Nenê (VAS).png

Guilherme, Marquinhos Gabriel e Marlone teriam tanto um ótimo concorrente como um ótimo parceiro. Com Nenê, um meio campo quase estático poderia flutuar no momento ofensivo.

No rubro-negro, nem Guerrero, nem Damião, nem Diego. O nome que me vem à mente é Felipe Vizeu, jovem centroavante que, no pior dos cenários, faria sombra a Jô e, no melhor, poderia abocanhar para si a titularidade, graças à sua velocidade e ao seu faro de gol já demonstrados em 2015 na Copa SP e no Brasileirão pelo Flamengo:

Corinthians com Vizeu (FLA).png

Com características um pouco diferentes das de Jô, Vizeu poderia ser, além de uma boa opção no segundo tempo, um ótimo titular em uma eventual má fase do hoje 9 corintiano.

No time das Laranjeiras, o zagueiro Henrique seria a melhor opção, podendo jogar também de volante. Nos dois casos, a saída de bola não perderia qualidade e, é claro, seria mais uma boa surpresa na ida ao ataque:

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No primeiro cenário, um experiente zagueiro que também vai com facilidade marcar gols no ataque, dando mais uma opção em tempos de seca de gols por Jô e cia.

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Neste cenário, um volante mais recuado, podendo inclusive atuar como o primeiro 1 de um 4-1-4-1 em que Camacho teria liberdade para lançar e passar sem maiores preocupações defensivas.

 

Em General Severiano, o versátil Sassá certamente poderia bater de frente com Jô, além, é claro, de talvez servir como segundo atacante em algum cenário de 4-4-2:

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Sassá não parece ter a mesma qualidade de Vizeu, mas ainda é boa opção para o segundo tempo.

Em Minas, no alvinegro, não são os caros Robinho e Lucas Pratto, ou o superestimado Fred, que me atraem. Cazares? O melhor dos quatro nomes, mas também não está no orçamento no momento. Por incrível que pareça, uma excelente contratação seria o atacante Hyuri, cuja velocidade e habilidade pelas pontas são já famosas, apesar de ter jogado muito pouco com o já citado gênio da lâmpada que deu de presente ao Atlético-MG o vice da Copa do Brasil contra um tecnicamente inferior, mas taticamente superior, Grêmio:

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Quer no lugar de Marquinhos Gabriel, quer no lugar de Marlone, Hyuri, se bem alimentado por Guilherme, Maycon e Camacho, certamente ajudaria a infernizar os adversários.

Do lado azul de Minas, o polivalente meia-atacante Alisson é, sem dúvida, o bola da vez, podendo ser utilizado em vários cenários, caso as lesões não o atrapalhem:

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Além de ter algumas similaridades com Hyuri, Alisson também pode jogar como armador, ainda que precise se revezar com Marlone e algum outro meia também veloz.

Em Porto Alegre, desconsiderando certo time que caiu para a Série B depois de um ano ridículo, só um nome gremista seria interessante e viável: o habilidoso zagueiro Fred, que também nos daria cobranças de falta como uma arma para um jogo mais complicado:

Corinthians com Fred (GRE).png

Seria essa a chance de redenção de Fred, injustiçado ex-zagueiro do Goiás?

Por fim, ainda no Sul do país, vamos ao Atlético-PR, com o pouco aproveitado Marcos Guilherme, meia-atacante polivalente cujos predicados e problemas parecem ser os mesmos do cruzeirense Alisson:

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Rápido e bom armador, Marcos Guilherme certamente poderia mudar a dinâmica do meio campo corintiano

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Pela ponta direita, uma dupla Fágner-Marcos Guilherme não soaria nada mal mesmo aos mais descrentes ouvidos corintianos.

Seguem alguns cenários com alguns desses reforços juntos:

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4-2-3-1: defesa reforçada com Gabriel e Maicon daria muito mais liberdade para os talentos ofensivos de Camacho, Hyuri, Marlone, Vizeu e vários outros não colocados neste cenário, como Giovanni Augusto, Lucca e Marquinhos Gabriel.

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Com um 3-5-2 disfarçado e Jô mais centralizado, as pontas com Fágner, Uendel e substitutos, além de Maicon, Henrique ou Fred líberos, seriam os grandes elementos surpresa.

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4-1-4-1: no esquema favorito de Tite, Gabriel e Fred/Maicon poderiam ser sobrecarregados, mas o ataque, com maior velocidade, teria muito mais chances de balançar as redes adversárias.

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Em um eventual 4-3-3 que, como na imagem, poderia se transformar em um 4-2-3-1 sem muitas dificuldades, caberia a Guilherme ou a Nenê (em um cenário com Nenê) ser o cérebro a coordenar as ações de Marcos Guilherme/Marquinhos Gabriel/Hyuri e Marlone/Lucca

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Em um tradicional 4-4-2, a dupla de volantes poderia variar, podendo haver inclusive a chance de Rodriguinho entrar junto com Gabriel e cumprir, como bem cumpriu contra o Atlético-MG no Independência em 2015, função similar à de Elias no 4-1-4-1 titeano. Na dupla de ataque, nomes como Jô e Alisson também poderiam aparecer com destaque.

 

Agradeço pela atenção e espero que tenham gostado.

Octavius é professor, graduando em Letras, antiolavette e polemista medíocre. Espera estar errado sobre a grande eficiência do até agora projeto Série B 2018.

O “Mineirazo” em 2034: 20 anos depois, o que terá mudado?

“O ano é 2034. Depois de uma série de fracassos em competições internacionais, incluindo uma eliminação nas eliminatórias para a Copa de 2018 na Rússia e um vergonhoso 6 a 0 para a Argentina nas quartas de final da Copa América de 2023, o Brasil, antes o país do futebol com suas cinco estrelas na amarelinha, pode agora ser considerado nada mais do que uma seleção mediana em declínio, tendo inclusive deixado de ser o maior campeão do mundo 4 anos atrás quando a Alemanha, depois de uma final surpreendente contra a sempre perigosa Itália, conquistou sua sexta Copa do Mundo de maneira brilhante e mostrou a força de seu futebol coletivo, leal, inteligente e tático.

Amanhã, os alemães tentarão seu sétimo título contra a poderosa Espanha, que, depois de alguns anos no limbo por causa da goleada sofrida para a Holanda em 2014, também se reinventou e voltou a ser uma das seleções que ditam as tendências no futebol.

Sobre isso, o coordenador de seleções, Carlos Alberto Parreira, chamado para o cargo para trazer a renovação ao Brasil, preferiu se abster de maiores declarações”

Não, amigos, isto não é qualquer tipo de previsão sobre as próximas Copas do Mundo e seus vencedores. É, na verdade, apenas uma distopia futebolística que, para este blogueiro, pode muito bem acontecer no ritmo que as coisas andam no futebol brasileiro. Afinal, o que mais esperar de um futebol em que a discussão sobre esquemas táticos é considerada algo desnecessário porque envolve muitos detalhes? Em que volantes, fora raras exceções, ainda são utilizados como meros brucutus para “liberar o lateral para o ataque”? Em que o que importa é o resultado, e não demonstrar um bom futebol? Em que “espetáculo” é não um futebol coletivo e inteligente, mas um futebol individualista, cheio de firulas e de craques que servem como salvadores da pátria que devem carregar o time nas costas?

Concordo com o amigo Marcos Lannes quando diz que, dois anos depois do “espetáculo alemão na partida da abertura de olhos” (entendam essa citação aqui), não aprendemos nada. O que me preocupa, porém, é saber que é bem possível que, daqui a 20 anos, não estejamos mais falando que nada mudou, mas sim que tudo piorou.

Octavius é professor, graduando em Letras, antiolavette e polemista medíocre. Espera sinceramente que Tite não tenha de ser o técnico quando o Brasil sofrer novo grande revés.

Futebolisticamente Incorreto: de como os times paulistas podem até não passar vergonha na Libertadores 2016

Desde o fim da Copa de 2014, tenho me tornado mais e mais cético quanto à capacidade do futebol brasileiro de, pelo menos nesta década, voltar a nos dar títulos e alegrias jogando um bom futebol, seja pela Seleção, seja por nossos times de coração (no caso, creio que não é mais segredo que este blogueiro é corintiano, mas não clubista).

Acho, pois, que a tendência é que, nesta Libertadores 2016, o que aconteça seja o que já aconteceu nas últimas duas edições, isto é, os times brasileiros sendo eliminados de maneira vexatória por adversários ou de pouca expressão (não é, Guarani-PAR?) ou com elencos cujas qualidades futebolísticas já são, em si, um tanto duvidosas (a eliminação do Atlético-MG em 2014 que o diga).

Ainda assim, é possível que, mesmo com uma queda cada vez mais crescente de nossos principais jogadores quanto à questão técnica, possamos utilizar algumas táticas para, no mínimo, cair com a cabeça erguida em fases além das quartas de final ou, pelo menos, não passar muito sufoco na primeira fase, o que tem se tornado rotina para quase todos os brasileiros (não é, São Paulo?).

Exponho, então, com a ajuda de imagens do aplicativo Tactical Pad versão demo, algumas ideias que tive para que os times paulistas, que me são mais próximos, possam, da forma como vejo, ter alguma “fighting chance”, mesmo que remota, nesta Libertadores.

Começarei, é claro, pelo maior dos três paulistas.

Corinthians 2016 – In Tite we trust

Quanto ao Corinthians de 2016, devo dizer que, em termos táticos, não tenho muito que acrescentar ao trabalho do atual treinador, Tite. O que me preocupa, tanto como torcedor quanto como apreciador do bom futebol, são algumas de suas escolhas técnicas. Por mais que os respeite enquanto jogadores profissionais, não me agrada, por exemplo, ver Romero e Rodriguinho entre os titulares da equipe.

Mudaria, então, apenas algumas peças. A defesa continuaria a mesma: Cássio, Fágner, Felipe, Yago e Uendel, podendo este alternar com Guilherme Arana, que, quando entrou no último clássico contra o Palmeiras no ano passado, demonstrou velocidade, visão de jogo e até mesmo um surpreendente faro de gol para um lateral-esquerdo.

Quanto ao eixo meio campo-ataque, os jogadores que permaneceriam seriam a dupla de volantes Elias e Bruno Henrique, o meia-atacante Lucca e Danilo como uma espécie de “falso 9”. Romero e Rodriguinho dariam lugar, neste time, a Guilherme/Marlone e Giovanni Augusto, respectivamente, para adicionar alguma velocidade aos contra-ataques e maior técnica no toque de bola e nas conclusões (não sou o único que pensa que Guilherme e Marlone têm mais técnica do que Romero nesses fundamentos).

Em um jogo em que a velocidade seja mais necessária do que a retenção de bola no ataque, Luciano poderia entrar no lugar de Danilo, assim como Marlone no lugar de Guilherme.

O time, então, teria a seguinte aparência:

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Corinthians 2016: com a entrada de Guilherme no ataque, os três homens de frente (Danilo, Lucca e Guilherme) poderiam alternar posições no ataque, tornando-o rotativo sem que a técnica fique prejudicada em qualquer dos lados do campo.

Vamos, pois, aos times em que, pelo visto, alguma mudança precisa ocorrer.

Palmeiras 2016 – De como o esquema de Marcelo Oliveira ainda pode funcionar

É notório para todos os que acompanham futebol que o atual técnico do time de Palestra Itália, o ídolo atleticano Marcelo Oliveira, tem grande predileção por um esquema vastamente utilizado tanto na Europa quanto no Brasil, o 4-2-3-1. É, por isso, contestado tanto por torcedores quanto pela imprensa, posto que o time ainda não engrenou no Paulistão e começou com um empate que poderia ter sido uma vitória na Libertadores.

Este blogueiro, porém, defenderá Marcelo Oliveira e dirá ainda mais: o 4-2-3-1 pode ser, justamente, o esquema responsável por levar o time de verde mais longe que outros brasileiros na Libertadores e em outras competições. Entretanto, esse fato dependerá mais da coragem de M.O. de pôr em prática algumas ideias um tanto ousadas. Explico abaixo:

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Palmeiras 2016: não é só Gabriel que está faltando nesse time…

Primeiro de tudo, vamos começar pelo ataque: sim, eu tiraria tanto Lucas Barrios quanto Gabriel Jesus do time, trocando-os, respectivamente, por Cristaldo e Rafael Marques, por uma razão que será explicada em breve.

No meio de campo, por sua vez, Arouca deixaria o time para a entrada de Matheus Sales e Robinho daria lugar ao experiente Zé Roberto, deslocado da lateral-esquerda para o meio-campo, ou ainda a algum dos meias contratados ou a Cleiton Xavier (isso, é lógico, quando o camisa 10 palmeirense estiver fora do DM).

Na defesa, então, mudanças notáveis. A dupla de zaga seria formada ou por Victor Hugo e Edu Dracena ou, para um ganho de experiência por parte do atleta mais jovem, por Victor Hugo ou Nathan quando Dracena estiver indisponível. Nas laterais, Lucas e Zé Roberto dariam lugar a Jean e Egídio.

Do time titular palmeirense hoje, só sobrariam, no fim das contas, Fernando Prass, Victor Hugo e Dudu (já que Gabriel estaria nesse time, mas está machucado). A pergunta é: por quê?

Primeiro, comecemos pela defesa. A escolha para a zaga é óbvia, pois, enquanto uma formação combina experiência e habilidade, a outra combina a juventude de um prata da casa que pode ganhar a experiência de que precisa  tendo ao seu lado a habilidade de um zagueiro que, desde a derrota no começo do ano passado para o time deste que vos escreve, vem amadurecendo e se tornando uma referência na posição no elenco alviverde (uma referência positiva, digo).

As laterais podem e devem ser explicadas junto com a dupla de volantes. Não seria difícil perceber, se fôssemos fazer uma análise dos jogos alviverdes em 2015, que a parceria Egídio/ Gabriel gerou, pela esquerda, grande poder ofensivo e uma defesa resguardada ao mesmo tempo, enquanto que, quando Gabriel se machucou, o desempenho do lateral-esquerdo ficou comprometido a ponto de este ser preterido por Zé Roberto em inúmeros momentos.

Com Gabriel, todavia, a liberdade de Egídio para atacar volta com tudo, o que permite deslocar Zé Roberto para a meiuca em caso de necessidade.

Quanto ao lado direito, é fato que Lucas e João Pedro não são mais qualquer unanimidade para os pagantes de ingresso da Allianz Arena. Há, porém, uma terceira opção: Jean, o volante polivalente que, apesar de preferir sua função original, pode atuar, como já provou pelo Fluminense, com eficiência e segurança na lateral-direita. Tendo a cobertura de Matheus Sales, então, o setor ficará ainda mais protegido, o que permitirá a Jean sair jogando sem muito receio.

Fica claro, pois, que esta versão do 4-2-3-1 privilegiaria as jogadas pelas laterais, que foram as grandes responsáveis, por exemplo, pelas duas goleadas aplicadas pelo time de verde ao tricolor paulista.

Quanto ao armador e ao ataque, aqui é que as mudanças se aprofundam. Aliando a técnica de Rafael Marques, a cadência de Zé Roberto e a velocidade de Dudu e Cristaldo, o que se planeja é não um ataque estanque, mas rotativo em termos de posições. Cristaldo, nesse time, teria a função não de um 9, mas a de um falso 9, posto que transitaria entre as quatro posições de linha de frente, o que é possível justamente graças à velocidade que tem e que tanto tem faltado a Barrios e Alecsandro.

Uma outra possibilidade seria utilizar Erik e Gabriel Jesus nos lugares de Cristaldo e Rafael Marques, respectivamente, em jogos em que o contra-ataque rápido fosse a arma a ser mais utilizada. Isso, claro, sem perder a rotatividade dos jogadores no ataque.

Vamos, por fim, ao São Paulo, o time que está perdendo a chance de fazer o óbvio.

São Paulo 2016 – É o 3-5-2, estúpido!

De 2005 a 2008, o São Paulo ficaria famoso por seu esquema 3-5-2 que aliava segurança defensiva com laterais rápidos e um meio de campo povoado e criativo. Óbvio que a qualidade das peças atuais do elenco tricolor são, ao menos para o torcedor, um tanto questionável, mas há ainda muitos que podem ser um ponto de partida para voos maiores.

Na defesa, temos a segurança de Lugano e a habilidade de Breno em ir ao ataque, atuando como líbero. No meio campo, Hudson pode ser o camisa 5, acompanhado de Michel Bastos e Ganso na criação, quando o jogo precisar ser mais defensivo, ou mesmo Thiago Mendes pode entrar no lugar de Hudson (na transição entre zaga e armação) ou de Michel Bastos (auxiliando Ganso na criação).

No ataque, pode-se usar a velocidade de Kelvin pelas pontas para confundir a marcação e deixar a missão de Allan Kardec ou Calleri, os possíveis centroavantes, mais fácil. É possível, também, ousar e deixar tanto Thiago Mendes e Ganso no meio-campo quanto Michel Bastos no ataque junto com Kardec.

Outra vantagem desta formação é que, mesmo se Lugano ou Breno se lesionarem, não será difícil readaptá-la aos reservas. Se Breno se lesionar, o zagueiro substituto, caso não tenha a mesma segurança de Lugano, pode atuar como líbero e ser auxiliado por Hudson. Caso seja Lugano e o zagueiro mais seguro restante seja Breno, desloca-se Breno para a posição de Lugano e deixa-se o reserva como líbero da mesma forma.

Aproveitar a velocidade de Carlinhos e Bruno pelas pontas, então, é essencial e obrigatório, assim como será necessário que Ganso comece a atuar tão bem quanto puder de modo mais constante, ou nenhuma tática ajudará o time de Morumbi a sair de seu impasse e de sua inconstância atuais.

O esquema ficaria mais ou menos assim:

São Paulo 2016.png

São Paulo 2016: com três zagueiros e  (pelo menos) um volante marcador, pode-se não só resolver o problema da insegurança defensiva como também permitir aos laterais que façam o que melhor faziam no tricolor carioca, a ida ao ataque.

Eis algumas sugestões de um palpiteiro em futebol. Quais são as suas, amigo leitor, para um ano um pouco menos vexaminoso para os brasileiros na Libertadores?

Octavius é professor, graduando em Letras, antiolavette, polemista medíocre e corintiano. Se os são-paulinos se estressaram com uma falha de Lucão no Paulistão, imagina na Copa (Libertadores)?

Seis partidas de futebol entre clubes brasileiros para guardar na memória

petiriaNão é segredo para leitor nenhum meu que, além de política, literatura e filosofia, o futebol também é um assunto que muito me interessa, tanto que, entre os blogs que sigo, está o excelente Imortais do Futebol, cujo único pecado tem sido estar inativo desde meados do ano passado.

Tendo como evento histórico mais antigo em minha memória futebolística a última Copa que ganhamos, a de 2002, não tive a felicidade de acompanhar direito e de me lembrar, por exemplo, do auge da carreira de craques como Romário, Edmundo, Bergkamp, Kluivert, Davids, Zidane, Beckham e Figo, além de tantos outros, assim como não consigo me lembrar do talvez maior esquadrão que meu time de coração, o Sport Club Corinthians Paulista, montou entre 1998 e 2000, em que jogou muito, para variar, aquele que, para alguns corintianos, entre os quais estou incluso, é o maior ídolo de nossa história: Marcelinho Carioca, o “pé-de-anjo”.

Por ironia, aliás, o primeiro timaço brasileiro do qual me lembro, infelizmente, foi justamente um time que destroçou o meu em 2002, isto é, o Santos de Robinho, Diego, Elano, Léo, Renato e muitos outros, fato que me faz ter pouca ou nenhuma admiração por certo lateral-direito que, apesar de ter tido alguns méritos inegáveis com o manto alvinegro, hoje é mais conhecido por ter sido uma das primeiras vítimas das antológicas pedaladas do endiabrado Robinho.

De qualquer modo, apesar não ter tido a oportunidade de acompanhar qualquer time brasileiro comparável à Democracia Corintiana do grande Dr. Sócrates, ao Palmeiras de 1993-1994, ao São Paulo de Raí, ao Grêmio libertador de Felipão e Paulo Nunes ou mesmo ao Vasco de 1997-1998 (isso sem colocar o Flamengo de Zico, as duas Academias palestrinas ou o Santos de Pelé, porque aí já seria covardia), posso dizer que assisti a jogos que, se não eternos, foram, para mim, no mínimo memoráveis pelos mais diferentes motivos.

Comento, abaixo, sobre seis deles, entre os quais o quinto e o sexto lugares parecerão surpreendentes ao leitor clubista antes de examinar minhas razões.

6º Lugar – São Paulo 4 x 0 Atlético-PR – 2º jogo da final da Libertadores 2005 – São Paulo campeão

Quando um corintiano pensa em 2005, é normal que lhe venha a cabeça, com certa nostalgia, o time campeão brasileiro, cujo maior destaque foi, sem dúvida, talvez o único real craque daquele time, o hoje jogador do Boca Juniors, Carlitos Tévez.

A mim, porém, o ano de 2005 parece, para nosso time, ser totalmente esquecível. Além de um único título ganho, ainda mais altamente questionável (sou, aliás, um defensor aguerrido da tese de que o real merecedor do Brasileirão 2005 era, de fato, o Internacional de Muricy Ramalho) por toda a celeuma em torno de problemas de arbitragem até hoje mal solucionados, aquele time de 2005 em nada me parecia ter a alma corintiana de todos os nossos esquadrões de sucesso, indo desde o time campeão do Paulistão de 1954 (o “quarto centenário”) até os campeões da Libertadores de 2012.

Resumindo, como bem disse um amigo corintiano com o qual conversava um dia sobre isso, “não era Corinthians”. Não parecia Corinthians. Fora a defesa já altamente questionável e um técnico que entra certamente para a galeria dos piores, parecia algo artificial, que duraria pouco tempo e que prenunciava um grande desastre que, de fato, ocorreu, só que em 2007, com o time esforçado mas esquecível que cairia para a Série B.

Sendo realista e deixando o clubismo de lado, temos, infelizmente (ou felizmente, quem sabe), admitir que o time de 2005, de ponta a ponta, foi outro: o mágico São Paulo, comandado por Leão (até o título paulista) e Paulo Autuori, que podiam dispor de jogadores como o goleiro Rogério Ceni, já tido como “mito” pela torcida e próximo de quebrar o recorde de gols do excelente goleiro paraguaio Chilavert; o raçudo e habilidoso zagueiro uruguaio Lugano; os velozes laterais Cicinho e Júnior, este último já experiente e consagrado por Palmeiras e seleção brasileira; a habilidosa dupla de volantes composta por Mineiro e Josué, que infelizmente obtiveram pouco sucesso para o que pareciam que obteriam fora do Morumbi; o falso lento e, hoje, ainda mítico com a camisa alvinegra, armador “Zidanilo”, que já na época de São Paulo tinha a alma de vencedor de clássicos (um certo 5 a 1 em pleno Pacaembu ainda me traz pesadelos); e, por fim, o emblemático e decisivo atacante Amoroso, que fez pouco sucesso com a camisa alvinegra, mas que teve uma história respeitável por vários outros clubes pelos quais passo.

Um time tão poderoso, naturalmente, não teria problemas para alcançar a final da Libertadores (e olhem que havia um River Plate forte no meio do caminho), torneio para o qual tinha se classificado com um terceiro lugar no Brasileirão 2004, campeonato que havia sido dominado quase que de ponta a ponta pelo supracitado Santos de Robinho e, ironia das ironias, pelo adversário do São Paulo na final da Libertadores de 2005, o forte Atlético-PR de 2004-2005, que contou principalmente com a figura carismática e goleadora de Aloísio Chulapa, junto de outros bons jogadores, para chegar à decisão, inclusive se vingando do Santos de Robinho no meio do caminho.

Depois de um 1 a 1 no jogo de ida, com mando do Atlético-PR (o São Paulo, afinal, tinha feito melhor campanha e decidiria, pois, em casa, como manda o regulamento da Libertadores), tudo apontava para uma decisão em que prevaleceria o equilíbrio, mas da qual o São Paulo, um tanto mais forte, sairia vitorioso.

Para a infelicidade dos torcedores paranaenses, todavia, nem mesmo o prometido equilíbrio se concretizou. Jogando até melhor do que quando jogou nas partidas semifinais contra o River Plate, o esquadrão do time do Jardim Leonor de 2005 parecia enfrentar não um vice-campeão brasileiro com um forte elenco, mas um time qualquer que, por melhor que fosse, nem mesmo na base da porrada pararia aqueles tricolores do outro lado.

O resultado foi que, com um meio de campo criativo, um ataque afiado, uma defesa sólida – o que, aliás, certamente surpreenderia a garotada que passou a acompanhar futebol na era Neymar, quando a defesa são-paulina começou a se tornar digna de pena, e não mais a defesa temível que era com jogadores como Lugano, Fabão, Edcarlos, Miranda, Rodrigo, entre outros – e um toque de bola envolvente, o São Paulo fez um. Fez dois. Fez três. Fez quatro. O Atlético, por sua vez, não só fez zero como sequer chegou perto de fazer unzinho que fosse. Era um jogo praticamente perfeito para um time que, em dezembro do mesmo ano, pararia o forte Liverpool de Gerrard, mas isso é história para outro dia. Era a glória do primeiro (e, até o Santos de Neymar, o único) time brasileiro que, com todos os méritos, era tricampeão da Libertadores. E era, definitivamente, a comprovação de que o futebol bom, o futebol vencedor, se faz com um conjunto sólido e forte.

Foi, enfim, um espetáculo para nem mesmo o mais fanático alvinegro ou alviverde botar defeito. Como sou alvinegro mas não sou cego, não serei eu, pois, a desmerecer tal conquista e, principalmente, um jogo tão incrível. Memorável. Os gols do massacre seguem abaixo, assim como a lista, que continua, ironicamente, com um jogo em que o São Paulo, já longe de seus melhores dias, foi massacrado justamente pelo rival que temos em comum: o Palmeiras.

São Paulo 4 x 0 Atlético-PR – LIBERTADORES 2005 – Créditos ao canal Felipe Nora

5º Lugar – Palmeiras 3 x 0 São Paulo – Paulistão 2015 – Fase de grupos

10 anos depois, em 2015, ano em que mais um time altamente questionável do Timão se tornaria campeão brasileiro (2007 intensifies), o forte São Paulo de 2005 a 2008 já era mais do que passado e vivia, como até mesmo o próprio torcedor são-paulino mais honesto admitiria, mais das “glórias que vêm do passado” do que de um futebol marcante.

Com a saída de Kaká para o Orlando City-EUA, o então vice-campeão brasileiro depositava todas as esperanças nos já envelhecidos, mas ainda bons, Rogério Ceni e Luís Fabiano, além de contar com um despertar futebolístico de Alexandre Pato e PH Ganso (jogador pelo qual nutro pouca simpatia e de cujo status de craque comecei a desconfiar já em 2012, quando ainda jogava pelo Santos) e esperar que os novos reforços, como Allan Kardec, Ricardo Centurión, Thiago Mendes, engrenassem e fizessem o time voltar aos bons tempos.

Mesmo assim, o tricolor paulista vinha fazendo um bom campeonato paulista, tendo, inclusive, emplacado uma vitória de 5 a 0 contra o Bragantino em Bragança Paulista, o que, apesar da pressão nos bastidores por causa da Libertadores 2015, fazia com que o ano parecesse o ideal para alçar voos mais altos.

Do outro lado, havia o Palmeiras, time que, além de nosso maior rival, tem os méritos por ter conseguido ser, na década de 60, um dos poucos times a jogar de igual para igual com o Santos de Pelé e, no início da década de 90, um dos poucos times a impedir uma supremacia do próprio São Paulo no futebol paulista e brasileiro, fora outros grandes feitos que permeiam a história alviverde.

O cenário, porém, não parecia nada favorável aos alviverdes. Entre 2010 e 2014, afinal, o torcedor do time de Parque Antártica teve de se habituar a escalações de baixa qualidade técnica que, como cantava boa parte da torcida, manchavam a história palmeirense com mais um rebaixamento (2012) e com um quase terceiro rebaixamento que só ficou no “quase” por causa da notável incompetência de Vitória e Bahia no ano de 2014.

Com a contratação de Alexandre Mattos para o staff do time no início de 2015, o Palmeiras tentou, então, uma grande reformulação para voltar aos dias de glória, trazendo mais de 20 novos jogadores, entre eles o bom volante Arouca (cujo único defeito é, até hoje, não ter jogado ainda no maior time de São Paulo, do Brasil e do mundo: o Corinthians, é claro), os promissores Victor Hugo, Gabriel e Andrei Girotto (este, no fim, não foi tão bem quanto o esperado), os laterais Egídio e Lucas, o superestimado meia Robinho, o contestado e subestimado atacante Rafael Marques, o velocista Dudu, o técnico Oswaldo de Oliveira e, last but not least, o experiente Zé Roberto, lateral e meia que já havia conseguido a consagração em times como Santos e Bayern de Munique.

Apesar de um entusiástico discurso antes da primeira partida do campeonato, contra o Audax-SP, o time de verde ainda não havia conseguido engrenar no Paulistão e, por isso, mesmo tendo o recentemente construído Allianz Parque a seu favor, a torcida temia pelo pior. Além disso, o craque do time, Valdívia, estaria, para variar, fora por ainda estar se recuperando de lesão, o que tornava as coisas ainda mais complicadas, mesmo com o fator casa pesando a favor do Palmeiras.

Diante desse cenário, até mesmo os mais otimistas palmeirenses falavam, com a prudência muitas vezes  necessária para clássicos, em “1 a 0 é goleada”, “um jogo muito equilibrado”, “buscar o resultado positivo”, entre outros discursos que fazem qualquer corintiano se lembrar do folclórico ano de 2004, quando o mítico Adenor Leonardo Bacchi começaria a mostrar por que motivos supera qualquer um como maior técnico da história alvinegra.

Os jogadores palmeirenses sabiam, pois, que precisariam jogar com toda a garra possível e que, na menor oportunidade, deveriam abrir o placar para que o jogo ficasse mais tranquilo. Imaginavam, também, que teriam de tomar cuidado com as investidas de Michel Bastos, PH Ganso, Alexandre Pato e Alan Kardec, quadrado que vinha de bons jogos e que carregava a esperança de vitória são-paulina mesmo fora de casa.

O que palmeirenses, são-paulinos, corintianos e santistas viram, porém, não foi nada do prometido pela imprensa, que em grande parte ecoou o discurso das ruas. Enquanto o Palmeiras começava marcando pressão e disputando cada bola como se fosse a última, o São Paulo parece ter sentido a pressão do Allianz Parque lotado e, com uma apatia e uma fraqueza psicológica e técnica que caracterizariam o ano de 2015 para o time do Jardim Leonor, sequer esboçava reação, com a notável exceção de Michel Bastos, jogador que, apesar de uma tola expulsão perto do fim do jogo, quando nada mais poderia ser feito, foi dos poucos a não se esconder na partida, mas que não poderia ter ajudado o São Paulo naquele jogo nem se tivesse um dia de Pelé, tamanha era a diferença de atitude das duas equipes.

Tal diferença se refletiu, ao final, em três golaços, sendo o primeiro um gol antológico do meia Robinho que, quase do meio de campo, se aproveitou de uma má reposição de Rogério Ceni e, por cobertura, abriu a contagem, e outros dois de Rafael Marques que pouco devem ao primeiro. Além disso, antes do segundo gol, a esperteza de Dudu fez com que Rafael Tolói fosse expulso, o que tornou o desequilíbrio entre as duas equipes ainda maior.

Pode-se dizer, no fim, que o São Paulo teve sorte de não ter tomado mais, posto que, visivelmente, os jogadores alviverdes haviam “tirado o pé” após o terceiro gol. O são-paulino, de qualquer maneira, estava devastado. O palmeirense, por sua vez, voltava a sorrir com a esperança de que seu time voltasse a ganhar um título naquele ano, o que viria a acontecer, ainda que apenas no fim do ano na Copa do Brasil.

Será que, no fim das contas, tudo começara justamente nesse 3 a 0?

Palmeiras 3 x 0 São Paulo – Paulistão 2015 – Créditos ao canal Sempre Futebol

4º Lugar – Santos 1 x 3 Corinthians – Final do Paulistão 2009 – 1º jogo

Continuemos no Paulistão, mas voltemos mais seis anos no tempo, ao ano de 2009, no primeiro jogo da final. Tendo utilizado 2008 para se reconstruir e contando com a vinda de um certo Fenômeno no final do mesmo ano, o time de coração deste blogueiro havia vencido um então tricampeão brasileiro São Paulo nas semifinais e, com um time ofensivo comandado por Mano Menezes (!), era o virtual favorito para abocanhar mais uma taça de Paulistão, desde sempre nosso torneio predileto (1977 feelings).

Do outro lado, o Santos, apesar de ainda nem de longe o mesmo time que encantaria a todos entre 2010 e 2012 e com um elenco que, fora Neymar, tinha uma qualidade no mínimo questionável, havia se utilizado da malandragem para derrotar o então campeão paulista, o forte Palmeiras de 2008-2009, o que tornava o time de Vila Belmiro um adversário que deveria ser respeitado e sugeria, naturalmente, um equilíbrio pelo menos no primeiro jogo, que se daria justamente na casa santista.

Quanto a esse jogo, porém, nem tecerei longos comentários. Só o golaço antológico do Fenômeno, aquele do drible em Triguinho, gol este que praticamente aposentou certo goleiro pelo qual sempre senti pouca simpatia, diz tudo. Hora de relembrar os bons tempos de Felipe, Alessandro, Chicão, William “capita”, Douglas das breja, Dentinho, Jorge Henrique e, principalmente, de Ronaldo, o Fenômeno, que formaram, com vários outros, o copeiro Corinthians 2009, um xodó da torcida.

Santos 1 x 3 Corinthians – Final do Paulistão 2009 – Créditos ao canal Guto Oliveira

PS: Confesso que fiquei dividido entre esse jogo e o segundo da semi contra o São Paulo (aquele mesmo que consagrou Cristian), mas esse ganha pelo gol do Fenômeno.

3º Lugar – Santos 4 x 5 Flamengo – Brasileirão 2011

Sim, infelizmente só pude colocar derrotas do time da Vila Belmiro, aquele mesmo time que tanto me encantou em 2002, 2004, 2010 e 2011. A vida, porém, tem dessas, e acho que nem mesmo a maior viúva de Pelé deixaria de entender o porquê de essa derrota do Santos entrar na lista.

De um lado, um já muito realidade e nada “promessa” Neymar e o Santos que era, há pouco tempo, o então campeão da Libertadores, e que, apesar de não jogar tão bem quanto em 2010, ainda era o time a ser batido em termos de Brasil, junto com o Fluminense de Fred. Do outro, o Flamengo de Ronaldinho Gaúcho (me desculpem, fãs de Messi e de CR7, mas esse continua sendo o maior gênio da bola que já vi) e Vanderlei Luxemburgo lutando pela liderança contra ninguém menos do que o perseverante Corinthians de 2011.

O que esse jogo prometia? Equilíbrio e muitos gols. Gols de placa, diga-se, dada a qualidade dos maiores jogadores de cada um dos escretes naquele dia. O torcedor brasileiro, mesmo assim, esperava ver um jogo apático, uma espécie de “respeito” entre as duas equipes, uma partida em que a retranca prevaleceria sobre o ataque, mesmo considerando o DNA ofensivo dos dois times, sendo os donos da casa comandados por Neymar, Elano e Borges e os visitantes pelo dentuço Gaúcho e por Thiago Neves, o único jogador a marcar três gols em um mesmo jogo de final de Libertadores.

O que o torcedor esperava, enfim, era a habitual retranca do futebol brasileiro, aquela que torna cada vez mais os jogos tediosos e insuportáveis de se ver, com raríssimas exceções, sendo uma delas o Santos, um time cujo DNA sempre ofensivo faz com que sua torcida fique insatisfeita com qualquer técnico que, dentro do alçapão praiano, resolva adotar a retranca brasileira como estilo de jogo, mesmo sendo esse técnico o tricampeão brasileiro Muricy Ramalho.

Além disso, quem consegue se retrancar com eficiência contra Neymar? E contra Ronaldinho Gaúcho, então? O resultado, pois, foi o melhor possível: não um, nem dois, nem três, mas nove, isto mesmo, nove gols, entre eles no mínimo dois golaços, um deles, inclusive, merecedor, como se comprovou no final daquele 2011, do prêmio Púskas, além de uma partida inesquecível não só para santistas e flamenguistas, mas para corintianos, palmeirenses, vascaínos, botafoguenses, cruzeirenses, atleticanos, enfim, para todos os que apreciam o bom futebol, o futebol sem medo, o futebol alegre e ofensivo que nos fez ganhar em 1958, 1962 e 1970, mas que já não existia tanto nos títulos de 1994 e 2002.

O artigo do título, escrito pelo já citado Imortais do Futebol, e os gols do jogo falam tudo o que precisa ser dito.

Santos 4 x 5 Flamengo – Campeonato Brasileiro de 2011 – Créditos ao canal Michel Robertt

2º Lugar – Corinthians 5 x 0 São Paulo – Brasileirão de 2011

Continuemos em 2011 e, mais ainda, na mesma competição. Pouco tempo depois de perder para o Tolima e de amargar um vice-campeonato paulista contra o Santos de Neymar e Elano, o Corinthians iniciava o Brasileirão de 2011 invicto, mas sem convencer seu torcedor (inclusive este que vos fala). Apesar da boa vitória de virada contra o Grêmio em pleno Estádio Olímpico já na primeira rodada e de haver, no elenco, peças como Danilo, Liédson, Jorge Henrique, Sheik e Ralf, a aparente retranca montada pelo mítico Adenor Tite não transmitia confiança nenhuma até mesmo aos torcedores que, como este que vos escreve, sempre confiaram no trabalho de Tite à frente do maior do Brasil.

O adversário, então, fazia o torcedor alvinegro temer pelo pior, justamente um São Paulo que, apesar de já não ser nem sombra do campeão da Libertadores e do Mundial e do tricampeão brasileiro de 2005 a 2008, não era nem de longe um time fraco, o que se provava por seus impressionantes números até então: em cinco jogos, cinco vitórias.

Com a pressão da torcida e o fantasma da demissão sempre rondando Tite desde a perda do Brasileirão 2010 e, principalmente, da já citada derrota para o Tolima, não era incomum ver torcedores do alvinegro, ainda que os mais pessimistas, prevendo até mesmo que o apocalíptico 5 a 1 sofrido em 2005 em pleno Pacaembu se repetiria, ainda mais porque o goleiro, o bom mas azarado Júlio César, nem de longe transmitia a mesma confiança de seu antecessor, Felipe.

Quando a bola rolou, de fato a torcida corintiana presenciou cinco gols de um mesmo time no Pacaembu. Nem mesmo o mais otimista corintiano, porém, imaginaria que seriam três de Liédson, um de Danilo e um de Jorge Henrique, e que aquela partida embalaria o time de vez, apesar de tropeços ocasionais, para vencer talvez o Brasileirão mais emocionante desde o primeiro, em 1990.

Jogando o fino da bola, contando com a pontaria de Liédson, apostando na leveza de Jorge Henrique, adicionando a categoria de “Zidanilo” e as táticas de Tite e se utilizando do fator casa com perfeição, o time de Parque São Jorge atropelaria de maneira inapelável o maior rival de então, considerando que o Palmeiras já não era mais o mesmo, e traria o alívio e a confiança necessárias para uma campanha que fez até o mesmo o forte Vasco da época ficar em segundo (para variar, não?) naquele Brasileiro inesquecível.

Mesmo assim, nem de longe foi aquela a maior façanha da geração de 2011-2012, que ficaria marcada por um Brasileirão, um Mundial e, finalmente, a tão sonhada Libertadores. E falando em Libertadores…

Corinthians 5 x 0 São Paulo – Brasileirão 2011 – Créditos ao canal louco7777

1º Lugar – Corinthians 1 x 0 Vasco – Libertadores de 2012 – 2º jogo das quartas de final

O Pacaembu lotado. Uma atuação antológica de Adenor Tite no meio da massa corintiana. A tensão por enfrentar o forte Vasco vice-campeão brasileiro e sul-americano, ainda mais nas quartas de final da Libertadores, que vinham sendo uma “maldição” corintiana durante todo o terceiro milênio. Um erro atípico do capitão e lateral-direito Alessandro. Um erro bizarro do injustiçado Diego Souza ou uma defesa espetacular do novo goleiro do time, Cássio?

Um cruzamento. Uma cabeçada inigualável e inesquecível de um volante que gerou milhões de viúvas após sua saída em 2013, e que só foi substituído à altura com a volta de Elias em 2014. Um gol que mostraria à América que, se não fosse daquela vez, não seria nunca que o maior dos alvinegros ganharia, finalmente, a tão sonhada Taça Libertadores da América.

Uma defesa sólida, começando por Cássio, que ainda fecha o gol corintiano, e passando pelos bons e constantes Alessandro, Paulo André, Leandro Castán e Fábio Santos. Um meio campo experiente e habilidoso com o pitbull Ralf, o heroico (principalmente nesse jogo) Paulinho e dois armadores cheios de categoria, Alex e Danilo. De um lado do ataque, a velocidade e a ousadia de Jorge Henrique. E do outro, ah, do outro, o espírito campeão e o jeito provocador de Emerson Sheik, que, junto com Paulinho, foi talvez a figura mais carimbada daquela Libertadores (não é, Rafael e Schiavi?).

O técnico? Era, em 2010, o burro. Em 2011, o desacreditado, o burro com sorte. Em 2004, o salvador. Em 2005, o injustiçado. Em 2012, foi gênio. Foi indescritível. Foi sortudo, é claro, mas não deixou que a sorte sobrepujasse a tática. Foi, enfim, o já citado Adenor Leonardo Bacchi, o Tite.

Qualquer corintiano pode questionar se, de fato, esse time triunfaria contra o time de 2009. O de 2005. O de 2000. O de 1990. O de 1982. O de 1977. Nenhum corintiano, porém, pode negar o fato de que foi só a geração de 2012 que foi capaz de vencer, em sequência, Deportivo Táchira (VEN), Nacional (PAR), Cruz Azul (MEX), Emelec (EQU), Vasco (BRA), Santos (BRA) e Boca Juniors (ARG), e ser, depois do Santos de Pelé, o único time brasileiro a ser campeão invicto do maior torneio das Américas.

Da mesma forma, nenhum corintiano pode se esquecer dessa escalação e, principalmente, do jogo que começaria a dar glórias merecidas não só a Paulinho, mas a toda uma geração que, desacreditada em 2010 e 2011, não só protagonizou jogos inesquecíveis, mas também goleou de maneira histórica alguns rivais e, principalmente, mostrou a força de um bom coletivo, mesmo quando o futebol brasileiro vem perdendo o seu encanto.

Viva, enfim, o Corinthians de 2012. E que seja eterno, na memória corintiana, o jogo em que o sonho passou a se mostrar, cada vez mais, a realidade. Obrigado pelo título que, para outros, pode até não ser uma novidade, mas, para nós, será eterno. Será, citando de novo o Imortais do Futebol, imortal.

Corinthians 1 x 0 Vasco – Libertadores 2012 – Créditos ao canal Elias Amaral Corintiano