Dia dos Professores: uma mensagem apolítica

Como não é segredo para qualquer leitor deste espaço, já que o coloco no Sobre o Autor toda vez que finalizo um texto, sou um ainda inexperiente professor na área de Letras e, com isso, é óbvio que, no dia de hoje, receberia, tanto de colegas da mais alta estima quanto de alguns alunos também da mais alta estima, os parabéns pelo “meu dia”.

Problematizador como sou, porém (e, sim, ainda escreverei um artigo ou gravarei um vídeo defendendo o problematizar, fiquem tranquilos), sempre senti que havia algo ligeiramente estranho, algo incompleto nesse dia e nesses parabéns.  Há, sempre, as discussões sobre a valorização profissional (principalmente salarial) da categoria, mas nada que ultrapasse essas raias, já que, pelo visto, é proibido levantar certos tipos de tópicos no Brasil principalmente em datas comemorativas.

Quero, pois, com este pequeno ensaio, começar a discussão de algumas questões que, sinto, são deixadas de lado quando desse dia e que poderiam ser mais debatidas em nossa sociedade. Como não sou, porém, um esquerdista, não deixo de aceitar os parabéns e de ficar muito agradecido pelos votos, desejando tudo em dobro para os que me parabenizaram.

1- Aos discípulos e aos colegas de outros setores, com carinho

É justamente pela gratidão, aliás, que quero começar. Primeiro, muito se fala sobre o professor, mas é essencial qualquer professor, mesmo o ruim, ter sempre em mente que, sem aluno (e, algumas vezes, sem outros tipos de funcionários), não há dia do professor.

Por mais estranho que isso possa parecer, o que quero dizer é o seguinte: se não houver ninguém para que o professor ensine, quer aqueles com quem tem mais afinidade, quer, principalmente, aqueles com quem tem menor afinidade, não há a razão de ser e de estar empregado do professor.

Quando penso nesse dia, portanto, o que faço é talvez não uma autocrítica no sentido estrito da palavra, mas uma espécie de autoanálise: que tipo de professor tenho sido para os meus alunos? Será que o aluno vem à minha aula meramente por interesse, ou porque conseguimos construir uma sólida relação professor-aluno envolvendo cumplicidade e, talvez, até amizade? Não há algo a mais que possa fazer por ele? Não há algo a mais, principalmente, que possa fazer para demonstrar a minha gratidão?

Lembre-se, colega professor, de que você, por mais importante que seja e por melhor que tente desempenhar o seu trabalho, não é o centro da escola. O centro da escola é, sem dúvida, o aluno, não aquele idealizado de esquerda ou de direita, mas o aluno real, aquele que nos traz problemas, dificuldades, sonhos e esperanças (ou, no mínimo, renovação de esperanças), assim como o outro pilar, de que nós professores precisamos, está nos funcionários de outros setores, aqueles que muitas vezes salvam nossa pele de problemas que, sem eles, nunca seriam resolvidos.

Em suma, aos discípulos e aos colegas de outros setores, com carinho. Nada foi possível, nada seria possível, nada é possível, nada será possível sem todos vocês.

2 – O professor não é divino nem santo, nem deve ser

Se precisamos, como de fato precisamos, da contribuição de tantos para podermos desempenhar nosso papel até mesmo com má qualidade, quem dirá de modo muito satisfatório, fica óbvio que o nosso nível de ação enquanto professores, por mais que nos esforcemos, fica bem limitado.

Ao mesmo tempo, já diria a sabedoria popular e religiosa que “só Deus é perfeito” e que “nem Cristo conseguiu agradar a todos”, o que são duas formas de nos referirmos à natureza humana como limitada e decaída, ainda que não creiamos na cosmovisão cristã ou religiosa de qualquer matiz. Em suma, se não somos perfeitos, é certo que todos temos falhas morais das mais leves às mais graves e que estamos suscetíveis a cometer erros.

Como um ser humano normal, o mesmo ocorre com o professor. A mensagem, pois, é simples, e se direciona tanto a alunos como a professores, a pais e a outros colegas de trabalho: o professor não é, nem deve ser, divino nem santo. Óbvio que, enquanto exemplos para nossos alunos, devemos procurar manter um comportamento socialmente aceitável na maioria das situações, mas é necessário também nos lembrarmos de que também temos sonhos, desejos, esperanças, apreensões, medos e, principalmente, defeitos.

Não se deve, portanto, exigir do professor uma devoção quase franciscana à profissão, como se, além de ter de trabalhar “por amor” (que, aliás, é uma das ideias mais infantis que existem) ou “por vocação”, devesse exercer a perfeição moral absoluta em absolutamente todos os momentos, tornando-o praticamente um escravo de seu rótulo social.

Por outro lado, também o professor precisa admitir que não é inquestionável e que pode cometer graves erros contra alunos. Sim, um professor pode mentir compulsivamente, construindo uma relação frágil com os alunos, baseada em mentiras e não em confiança mútua. Sim, um professor pode omitir. Sim, um professor pode doutrinar, colocando em perigo seu crédito não só como profissional, mas também como pessoa digna de respeito. Sim, um professor pode fazer tudo isso, por mais que não deva, já que a ética profissional e até pessoal não lhe permite.

Agir, então, pelo outro extremo, isto é, como se todo professor fosse automaticamente inquestionável, é igualmente desonesto não apenas com os professores, mas principalmente com aqueles que, de novo, são o centro da vida escolar: os alunos.

3- Professor merece respeito, mas não por ser professor

Com isso, chegamos ao último ponto: está mais do que na hora de pais e até mesmo de professores pararem de ensinar aos alunos que o professor deve ser respeitado por causa de sua profissão.

Lembrai-vos, amigos, de que a profissão de um indivíduo faz parte de quem ele é, mas um indivíduo não é só sua profissão. Como dito anteriormente, seus sonhos, suas esperanças, seus medos, suas qualidades e principalmente seus defeitos é que o tornam um indivíduo digno desse rótulo.

É, portanto, a individualidade, a subjetividade, enfim, a humanidade de um professor que o torna respeitável, e não sua profissão. Deve-se respeitar as pessoas não por causa de suas profissões, mas sim antes mesmo de sequer sabermos se estão empregadas ou não, se são médicas, advogadas, professoras, faxineiras ou qualquer outra profissão.

Devemos respeitar o professor, pois, não enquanto professor, mas enquanto ser humano digno, justamente por sua humanidade, de todo o nosso respeito, ao menos a priori. Condicionar respeito a uma profissão é, afinal, uma forma de reduzir o ser humano a um só aspecto de sua vida, tornando-o, justamente, o que não desejamos: um escravo de sua profissão.

Finalizo por aqui e agradeço não só aos leitores, mas também aos alunos. A esses, assim como a meus amigos professores, fico muito grato por poder mandar de volta um forte abraço e um “Feliz Dia dos Professores!”.

Peace out.

Octavius é professor, graduando em Letras, antiolavette e polemista medíocre. Orgulha-se de ser professor? Não. Orgulha-se de poder agradecer a todos que lhe permitem essa oportunidade de realização profissional.

Boas (ou más) novas: Apoliticamente Incorreto também no Youtube

Bom dia, boa tarde, boa noite.

Por uma série de motivos, que variam desde conveniência até certa curiosidade, achei por bem expandir o número de plataformas para que o leitor possa aproveitar (ou não) o conteúdo de Apoliticamente Incorreto sem ter de ficar lendo páginas e mais páginas de texto.

Agora, sob o nome de “Eu Apolítico“, o blog também estará no Youtube de uma forma bem simples: o que eu não achar que possa articular em um texto será articulado por mim por meio da fala e postado como uma espécie de podcast que pode ser ouvido pelo espectador onde melhor lhe aprouver.

Os assuntos? Os mesmos de sempre: política, futebol, filosofia, literatura ou o que quer que venha à minha cabeça no momento.

Os idiomas do canal? Português (língua nativa) e inglês (língua na qual dizem que sou fluente. Espero que estejam certos).

A frequência de postagem? Quando me der na telha.

O tom? O mesmo de sempre, ou seja, quem conhece o blog conhece o canal.

Até a próxima e nos encontramos por aí, seja no WordPress, seja no Youtube.

Octavius é professor, graduando em Letras, antiolavette, polemista medíocre e, agora, vlogger. Sabe que o canal terá no máximo três vídeos, mas não vê problema nisso.

Eu, Apolítico – Política “for real dummies”: a arte de processar

Um dos aspectos mais importantes da guerra política é, sem dúvida, a guerra judicial, isto é, aquela que se dá no seio do Judiciário, consistindo em cada um dos oponentes se utilizar de processos e de outras armas jurídicas existentes (ou não, principalmente no caso da nossa esquerda), entre as quais temos o processo como  a mais destacada.

Sim, é fato que processar alguém não só pode ser como de fato é uma arma extremamente poderosa quando o assunto é jogar a política. A esquerda, ciente disso, usa e abusa dos processos e até mesmo das ameaças de processos, ainda que o adversário não tenha de fato feito o que quer que seja que demande medidas judiciais. A direita, porém, apesar de já ter ciência disso – já que já foi avisada até mesmo por um de seus filósofos prediletos, Olavo de Carvalho, tanto em textos quanto em um vídeo a ser citado posteriormente neste artigo -, se recusa terminantemente a fazê-lo ou, quando decide por processar alguém, o faz de forma errada.

Quando se recusa terminantemente à batalha judicial de fato, as desculpas, todas mais ou menos inválidas pelas mais diversas, e ao mesmo tempo mais parecidas, razões, abundam: “Não é todo mundo que aguenta ficar lutando o tempo todo!”, falam alguns que já não lutam por 15 minutos sequer; “Não nos igualaremos à esquerda!”, falam outros que certamente estão entre os direitistas que já deram o que tinham de dar.

Quando se propõe a processar alguém, o direitista médio normalmente erra o alvo e ameaça não aqueles seus inimigos que de fato deveria ameaçar com processos, mas sim meros divergentes táticos que lhe falaram, ainda que de um jeito um tanto rude, coisas que esse mesmo conservador (liberais, em geral, não o fazem) certamente não queria ouvir, por quaisquer motivos.

Já passou da hora, então, de alguém, ainda que um apolítico, propor, em alguns passos muito simples, uma espécie de padrão de ação de ataque que a direita poderia executar quando tiver de lidar com a esquerda no terreno jurídico.

1- Conheça o terreno

Primeiro, já para se diferenciar da esquerda e evitar tanto acusações isentonas do tipo “nossa, mas direita e esquerda são só duas faces da mesma moeda” como acusações direitistas de “ain, vocês viraram esquerdistas de sinal trocado!”, é necessário que o direitista tenha o mínimo de conhecimento sobre a legislação brasileira vigente, representada, é claro, pela Constituição Federal de 1988, quer a adoremos, quer a repudiemos.

Não convém, portanto, tentar processar pessoas com interpretações malucas da letra da lei, assim como não é conveniente inventar crimes ainda não tipificados para ameaçar outros de processo, e a explicação para isso é simples: mentira tem perna curta, e, em política, mentir requer uma habilidade que a atual direita brasileira não tem.

Além disso, quando se está em minoria, é importante aprender a lutar não com o que se quer ter, mas sim com o que se tem, e tanto direita quanto esquerda de fato já tem muitas armas em mãos, com a diferença de que a nossa esquerda totalitária adora justamente inventar novas armas do nada ou deturpar as “armas” originais para seus objetivos.

Se for esperta, a direita deve, pois, agir com a verdade e, no caso de os esquerdistas mentirem como tanto adoram, rotulá-los aos olhos do público como canalhas, fascistas, entre outros tantos adjetivos. Ou é isso, ou  a batalha já começa metade perdida, já que uma diferença entre as duas iria para o espaço se a direita começasse também a mentir ou a deturpar a lei.

2 – Se você tem medo de perder, você já perdeu

Lembram-se do vídeo de Olavo citado anteriormente? Pois é. Nesse vídeo (cujo link não tenho), o hoje revolucionário contrário ao “estamento burocrático” – porra, Olavo, pelo menos poderia falar “establishment” ou “burocracia” para ficar mais elegante e menos tiozão nacionalista – explica a seus devotos justamente que, em política, a utilização dos meios judiciais é uma arma das mais válidas a serem exploradas também pela direita.

O ponto alto para este que vos fala, no entanto, é quando o filósofo campineiro discursa sobre como muitos direitistas não aceitam processar os seus adversários políticos porque acham que isso não vai levar a nada, já que a justiça atual está totalmente a favor da esquerda brasileira, e, para convencê-los do contrário, cita como exemplo a parábola cristã do juiz iníquo, que, segundo Olavo, acabou por ceder alguma espécie de ganho de causa a uma comunidade que lotou sua mesa com pedidos e mais pedidos referentes a certo problema que lá havia.

Olavo conclui, então, explicando que o objetivo político de um processo não é necessariamente ganhar a causa na primeira tentativa, mas gerar uma pressão (no nosso caso, política) para que, futuramente, os objetivos dos acusadores sejam alcançados, ainda que uma boa quantidade de dinheiro e de tempo tenha de ser gasta para isso. Segundo o campineiro, então, se alguém não está disposto sequer a devotar recursos financeiros e tempo a uma causa, esse indivíduo só faz transparecer que, talvez, a causa não valha a pena.

Neste caso em específico, de fato, as olavettes estão certas: Olavo tem razão. Digo, porém, mais ainda: se você tem medo de processar um esquerdista e perder, por qualquer motivo que seja, então você já perdeu. O problema é que, nesse caso, a consequência virá não só para você em um curto prazo, mas para todo o país em um médio e longo prazo.

A consequência, aliás, já até veio: mais de duas décadas de domínio cultural petista absoluto. Nesse caso, meus amigos, o medo foi e continua sendo o pior dos conselheiros.

3 – Conheça o oponente

Um dos passos mais importantes quando lidamos com um oponente na guerra judicial é, por óbvio, conhecer o oponente de quem falamos. Para os que procuram perder o mínimo de dinheiro e de tempo e tirar o máximo de poder possível da esquerda, qual é o propósito de ameaçar divergentes táticos, quer de direita, quer não, com processos, inquéritos ou o que quer que seja? Por que não gastar tamanha iniciativa e tamanhos recursos financeiros dificultando a vida do adversário totalitário que até hoje provavelmente nunca sentiu o que é ser processado por alguém?

Outro ponto importante é que, algumas vezes, o curso de ação mais inteligente e mais produtivo pode ser justamente apenas não agir judicialmente, mas deixar as provas para um momento futuro, mas isto se houver outro alvo mais importante e mais urgente. Pegando um exemplo da própria esquerda, qualquer esquerdista sabe que é muito mais rentável politicamente processar Jair Bolsonaro ou Marco Feliciano do que gastar tempo e dinheiro com o tiozão reacionário do Caps Lock que, muito provavelmente, nunca sairá do anonimato e não dará ibope algum para o processo em questão.

Transportando isso para a direita, deixo uma reflexão: será que vale mais processar um divergente tático que o xingou no Facebook, um esquerdista sem público que pode crescer em cima de você ou uma figura pública de esquerda cuja reputação pode de fato ser afetada quando tiver uma ação judicial nas costas?

(Dica: responder a primeira ou a segunda opções não é o que devem fazer aqueles que dizem entender como o mundo funciona, mas, assim, só falando de boas, né…)

4- Conheça a plateia

Ah, a plateia, sem dúvida o elemento a ser o alvo de maior atenção de qualquer combatente político que se preze. O princípio aqui é muito simples: se um vendedor precisa conhecer o público com o qual deseja fazer negócios favoráveis, se um professor deve procurar o conhecimento sobre a realidade dos alunos aos quais legará lições, se um jogador de futebol precisa saber o máximo possível sobre as características do estádio em que disputará uma partida, então o mesmo vale para o jogador político, que precisa conhecer o terreno em que está pisando antes de tomar qualquer ação.

Ficando em um exemplo simples, é conhecimento comum que, apesar de ser crime, a pirataria de jogos ou de programas não é tão mal vista assim entre brasileiros e brasileiras. Outros crimes, porém, são tão repudiados que a mera imputação deles a alguém pode acabar com a vida do acusado em questão de minutos. Entre eles, temos a ameaça de morte, em especial quando praticada contra indivíduos em posição social mais fraca.

Suponhamos, então, um jogador político que tenha, contra seu oponente, tanto o fato de este ter copiado um programa seu ilegalmente quanto o de tê-lo ameaçado de morte. Não há dúvida de que, por mais que os dois atos tenham sido criminosos, processar o oponente pela ameaça de morte refletirá muito mais sobre a plateia do que a acusação de pirataria ou de quebra de direitos autorais, certo?

5- Se estiver atacando, alardeie. Se estiver sendo atacado, aja o mais rápido possível

Explico este princípio com um simples exemplo, para o qual demando o julgamento honesto do amigo leitor. Se os leitores se lembram, o hoje senador (pelo PSB) Romário foi acusado (e, vejam, nem falamos de via judicial aqui), meses atrás, pela revista VEJA de ter certas contas no exterior com algum dinheiro não declarado. Qual foi a primeira ação de Romário? Ele defendeu-se o mais rápido possível e ainda aproveitou para rotular a revista, certo?

Já em um episódio mais recente, o deputado Marco Feliciano, do PSC de SP, vem sendo acusado de tentativa de estupro contra uma ex-colega de partido. Ao contrário de Romário, a resposta de Feliciano, além de bem menos assertiva, demorou bem mais a aparecer. Além disso, por mais que a verdade, segundo os fãs do deputado, tenha prevalecido, fica óbvio que a postura de Feliciano certamente prolongou e prolongará (afinal, houve até abertura de inquérito contra o deputado no STF, como bem relata Luciano Ayan) uma batalha que, dada a gravidade da acusação contra o deputado, poderia ter sido ganha com larga vantagem há muito tempo, correto?

Peço ao leitor, pois, que, independente de preferências eleitorais, me diga com honestidade: ainda que se queira dizer que nenhum dos dois perderá as próximas eleições por causa dessas notícias, quem mais perdeu possíveis novos eleitores ou apoiadores para uma próxima empreitada, quem se defendeu logo de cara e não deixou a conversa se alongar demais (Romário) ou quem demorou a fazê-lo (Feliciano)?

Se forem honestos, descobrirão que há mais moralidade na guerra política (e, por extensão, na guerra judicial) do que supõe a nossa vã direita sedizente esclarecida.

Octavius é professor, graduando em Letras, antiolavette e polemista medíocre. What’s the point in not suing somebody who should be sued, anyway?

Ensaio político-futebolístico sobre os tipos de direitistas que já deram o que tinham de dar

Em tempos de eleições municipais, nada melhor para um apolítico como o autor deste blog do que aproveitar as oportunidades existentes para achincalhar direita e esquerda sem ter de se preocupar com algum estorvo berrando nos comentários babaquices do tipo “QUEM VOTA NULO, É ALIENADO!” (a vírgula e o caps lock já revelam o nível do sujeito), já que a imensa maioria das pessoas não veem as eleições municipais como prioritárias.

Como um estudioso de guerra política, porém, não vejo motivos para achincalhar a velha e totalitária esquerda de sempre, uma porque quase sempre a achincalho ou a insulto quando falo sobre outros assuntos, duas porque, bem ou mal, os esquerdistas, mesmo com o moral em baixa pela queda do governo Dilma, ainda estão dando um banho na direita em termos de guerra política (redireciono-vos ao texto do amigo Roger Scar sobre Flávio Bolsonaro e Marcelo Freixo para servir de exemplo), essa mesma que, como todo leitor deste blog já deve estar careca de saber, é a maneira mais pacífica e mais moral para derrotar totalitários.

Resta-me, pois, fazer troça da direita e pelo menos tentar ajudar amigos como Luciano Ayan e o já citado Roger Scar em sua tentativa de fazer a Alice direitista sair do País das Maravilhas em que a mera queda de Dilma levará à vitória, não sendo necessário fazer o que quer que seja para que os petistas não voltem ao poder.

Desta vez, utilizando-me do futebol como instrumento para metáforas (afinal, é desde o famoso “tudo acaba em pizza” que as metáforas futebolísticas são as mais efetivas), sinto que ainda há tempo para falar sobre seis tipos de direitistas que já deram o que tinham de dar, quer por sua chatice galopante, quer por sua imaturidade, quer por sua perturbadora inépcia política.

1- O direitista brucutu

É dos tipos mais comuns a serem conhecidos internet afora e fora da internet. No mundo do futebol, dizemos que um jogador, principalmente um defensor, é brucutu quando este, além de demonstrar habilidade zero nos fundamentos básicos (passe, chute, drible, entre outros), só sabe fazer faltas as mais duras possíveis e, muitas vezes, machucar até mesmo bons jogadores do próprio time em treino e, no jogo, deixar o time com um a menos com 20 minutos de jogo.

Transmutando este conceito para o mundo da política, não será difícil identificar de quem estamos falando: sabe aquele seu amigo que sequer leu 10 livros na vida (e, quando leu, certamente não entendeu), mas que ostenta orgulhoso nas informações de perfil do Facebook a citação rodriguiana “sou reacionário, reajo contra tudo aquilo que não presta”? Aquele que se julga um gênio da política, mas que sequer é capaz de desativar o Caps Lock para digitar? Aquele que se diz um defensor da norma culta e da língua de Camões, mas que escreve “quem viver, verá” sem ter a mínima ideia de que esse uso só foi permitido por mudanças nos parâmetros da escrita padrão? Aquele que acusa corretamente os crimes da esquerda, mas que é tão truculento que não ganharia a simpatia nem daqueles que concordam com ele?

Pois é. Se existe um tipo dessa lista que precisa urgentemente tomar o famoso “semancol”, o brucutu é um fortíssimo candidato, já que, muitas vezes sem perceber (darei o benefício da dúvida por enquanto), acaba por machucar a reputação não apenas dos direitistas, mas de qualquer um que queira se opor aos totalitários da esquerda canalha brasileira. Refratário à política, não percebe que, ao bradar clichês como “é o fim dos tempos!”, já está agindo politicamente contra qualquer causa que esteja defendendo, assim como o brucutu típico, com sua falta de inteligência tática, acha que dá para ganhar o jogo só na base da porrada.

Não preciso nem dizer mais nada, certo?

2- O direitista firula

Sabe aquele homem de frente do seu time que dribla, dribla e dribla, mas, na hora de concluir a gol, recua a bola para o goleiro ou a chuta para fora do estádio? A esse jogador, como qualquer amante do futebol sabe, chamamos de “firula” exatamente porque pode até ser que chame a torcida para o jogo, mas sua falta de objetividade acaba muitas vezes irritando até mesmo os próprios torcedores que um dia se divertiram com suas jogadas de efeito se a fase do time não for tão boa.

Na política, há um belo equivalente: sabe aquele seu amigo de direita que diz ser “da zuera”? Aquele que faz piada com tudo e com todos sem sequer fingir dar a mínima para os sentimentos alheios, como se ele estivesse sozinho no mundo e não precisasse que as pessoas o vissem como algo mais do que um moleque em algum momento da vida? Aquele que adora se dizer “opressor” e “reaça”, como se isso já não tivesse torrado a paciência até mesmo de outros direitistas com mais bom senso?

Óbvio que o caso não é tão grave quanto o do brucutu, mas a questão ainda persiste, já que, ao contrário do que dizemos de brincadeira na internet, a “zoeira” tem, sim, limites, e um deles é o de não passar por retardado moral ou por insensível quando se necessita que as pessoas pensem justamente o contrário.

Igualmente óbvio que piadas e sarcasmo são uma arma excelente, se não a melhor, quando o assunto é a guerra política, mas o que se vê em 90% são justamente as piadas pelas piadas, as piadas sem objetividade política, as piadas cujo único objetivo parecem ser fazer o piadista passar a imagem de lorde inglês com toda sua classe, elegância e conhecimento estético, isto é, uma espécie de “Roger Scruton zoeiro”.

Dica: Roger Scruton falando sobre o que quer que seja é mais chato do que os comentários do Craque Neto na Band. Imaginem, então, um Roger Scruton querendo pagar de engraçado.

3- O direitista individualista

Este pode até ser craque (ou, no caso da política, um bom jogador da guerra política), mas o fato é que  não lhe entra na cabeça que, no futebol moderno (na política moderna), não é o time que se deve modelar ao seu redor, mas ele que se deve adaptar e ser, quando possível, um diferencial para que vitórias e mais vitórias sejam obtidas e os objetivos sejam alcançados.

Dependendo dos casos, o máximo que o direitista individualista consegue falar em seus discursos políticos é um “graças a Deus” tão maçante quanto o de qualquer jogador de futebol. Creio nem precisar explicar muito além disso.

4- O direitista triatleta

Corre, pedala e nada, no futebol. Discursa, ironiza e nada, na política. Sua diferença para o direitista firula é que, desde o começo, nem a própria torcida tende a gostar do triatleta, pedindo sua saída do time até mesmo quando a crise sequer chegou a se instalar no grupo. Dispensa maiores comentários.

5- O direitista frangueiro

Assim como o goleiro no futebol, deixa passar gols os mais bizarros do adversário, podendo, inclusive, prejudicar o moral do time por não transmitir qualquer segurança para que os companheiros procurem, eles próprios, o caminho do gol adversário, já que estarão com um a menos na hora de defender.

6- O direitista delivery

Assim como vários famosos zagueiros e volantes, pode contribuir e muito para o despertar de um frangueiro, já que faz questão de entregar ao adversário a bola de maneira açucarada para que ele, cara a cara com o goleiro, possa até driblar com classe e tocar para o gol vazio, isto se não quiser humilhar toda a defesa com dribles desconcertantes antes de marcar, com ares de soberba, um gol antológico politicamente.

Octavius é professor, graduando em Letras, antiolavette e polemista medíocre. Espera nunca ter de dizer que a direita parece o Corinthians de 2007, ou então passará a teclar a palavra “direita” com tanto desgosto quanto tecla algum nome daquele excelente péssimo time.

Eu, Apolítico – Habemus Impeachment… mas, e agora?

Depois de trocentos e tantos meses de governo provisório do agora presidente efetivo, Michel Temer, finalmente acabou o processo de impeachment de Dilma Rousseff, agora ex-presidente do Brasil. Óbvio que, para qualquer defensor da liberdade que se preze, há muito o que comemorar, mas, para qualquer defensor consciente da liberdade que se preze, há também muito a se fazer. Temos o impeachment… mas, e agora?

Agora, meus amigos, não é a hora de dizer apenas que “não houve golpe algum”, mas sim de fazer o cidadão comum perceber e aceitar que “só um perfeito cretino, ou um fascista descarado, ainda pode dizer que houve qualquer golpe”. É hora, pois, de aprender que, em política, via de regra, quem mais ataca é quem vence, ou, em termos de guerra política, o agressor geralmente prevalece.

Não é a hora de ficar falando simplesmente que “o PT nunca desistirá da retórica do nós contra eles” como se isto fosse algum tipo de segredo arcano só acessível a quem tem conhecimento elevado sobre política, e sim a hora de fazer os militantes da esquerda totalitária brasileira sentirem como é ser o alvo de um “nós contra eles”. Em termos de guerra política, não existe hora melhor para falar aos corações das pessoas sobre todas as barbaridades cometidas por 14 anos de petismo e sobre como eles, os petistas e os esquerdistas totalitários em geral, não podem mais voltar ao poder nem em um milhão de anos.

Não é a hora, também, de bradar aos quatros ventos “eu não tenho político de estimação!”, rotulando a si mesmos como os mais virtuosos da terra. É, na verdade, a hora de mostrar como os oponentes retóricos, os esquerdistas totalitários, é que são tão repletos de vícios que conseguem ser piores até mesmo do que os piores políticos anteriores a eles. Novamente em termos de guerra política, é hora, pois, de rotular não a direita ou o antiesquerdismo como o bem na terra, mas o esquerdismo como um mal intolerável, e, portanto, como inadmissível em um mundo civilizado e livre.

É, em resumo, a hora de a direita aprender de vez a utilizar a guerra política a seu favor, e não de os direitistas ficarem choramingando bobagens do tipo “ain, a esquerda só ganha na política porque é trapaceira e imoral”. Guerra política, afinal, não tem nada de trapaça e de imoralidade, pois, além de ser o mais moral e o mais pacífico dos métodos de combate ao totalitarismo, é também a mera aplicação, ao contexto político, de alguns princípios que já utilizamos na vida social, ainda que não percebamos.

É, pois, a hora de a direita crescer (de envelhecer, inclusive) e aparecer. Ou é isso, ou é Lula 2018, Lula 2022, Haddad 2026, Haddad 2030…

Octavius é professor, graduando em Letras, antiolavette e polemista medíocre. Não é dizendo nada, mas seu ebook sobre guerra política esclarece muita coisa.

Eu, Apolítico – As Olimpíadas do “mimimi”? Muita hora nessa calma, conservadores

Não é segredo para ninguém, a não ser para alguém extremamente alienado em relação aos fatos do dia, que, no dia de hoje, se encerraram os jogos olímpicos de 2016, sediados no Rio de Janeiro. Em termos desportivos, houve alguns destaques já previstos por todos, como o corredor jamaicano Usain Bolt, o ginasta japonês Ushimura e o nadador americano Michael Phelps, e houve alguns que, por seu ineditismo, surpreenderam até o mais otimista dos brasileiros, sendo dois fortes candidatos o ouro do futebol olímpico masculino e o desempenho do Brasil na canoagem com o jovem Isaquias Queiroz e suas três medalhas (duas pratas e um bronze).

Em termos políticos, porém, é que aconteceram os destaques que mais captaram a atenção deste articulista. Do caso de um garoto fã de futebol instrumentalizado pelas feministas para seus discursos políticos à implicância contra a faixa 100% Jesus exibida por Neymar ao comemorar o ouro olímpico, o fato é que tivemos, talvez, as Olimpíadas mais politizadas da história recente, superando e muito qualquer politização que tenhamos visto em Atlanta, Sidney, Atenas, Pequim e até mesmo em Londres, sendo que a politização já havia sido relativamente alta na capital inglesa.

Em face disso, alguns dos direitistas, quer conservadores, quer liberais, que não têm vergonha de declarar seu asco quanto a esse mundo superpolitizado criado pela esquerda foram rápidos e taxativos. Segundo eles, as Olimpíadas Rio 2016 entrarão para a história como “As Olimpíadas do mimimi”, já que a esquerda não hesitou por um minuto e reclamou abundantemente sobre qualquer conduta dos atletas que fugisse aos desejos totalitários e fascistas dessa mesma esquerda que finge se preocupar com oprimidos, mas que, na verdade, como qualquer ser humano mais ou menos racional já está careca de saber, só quer saber do poder pelo poder.

O caso, na verdade, é que o direitista que for inteligente enxergará, nos presentes jogos olímpicos, não “As Olimpíadas do mimimi”, e sim “As Olímpiadas da oportunidade”. Oras, se formos francos e se tivermos visão suficiente para ver para além das aparências, o fato é que, depois dessas Olimpíadas, a direita, independente de a que matiz religioso ou ideológico se filie, acabou de ganhar não só uma, mas várias oportunidades para começar a derrota de vez a esquerda em termos culturais.

A esquerda, por exemplo, desdenhou de e execrou sem dó os atletas militares, desde o atirador Felipe Wu até a dupla de vôlei de praia Alison e Bruno, que prestaram continência à bandeira nacional quando subiram ao pódio. O problema para a esquerda, no entanto, foi que, nos esportes individuais ou em dupla, foram justamente esses atletas os maiores responsáveis por, além de evitar um completo vexame brasileiro, também levar o Brasil, junto com os esportes coletivos, ao seu melhor desempenho em Olimpíadas.

Ficou claro para todos os que queiram ver, então, que, para a nossa esquerda canalha e fascista, suas fantasias ideológicas perversas são tão importantes que nem mesmo um momento de felicidade que seja é permitido se tudo não for feito de acordo com os delírios esquerdistas.

O brasileiro, pois, que se sentisse humilhado e ainda mais deprimido do que de costume ao assistir às Olimpíadas por semanas e ao ver, no quadro final, só as medalhas dos esportes coletivos e dos atletas civis: o que importa é que a ideologia dita protetora de oprimidos não seja desafiada, não é mesmo? Será que tamanha falta de empatia com os sentimentos dos outros passará impune e que os direitistas militaristas não tentarão lembrar o povo de tamanha crueldade constantemente?

Outro exemplo destacado é, sem dúvida, a implicância com a já citada faixa de cunho cristão na cabeça de Neymar. Contra ela, esquerdistas usam os erros passados de católicos e evangélicos (Cruzadas, Inquisição e tudo o mais que já conhecemos), alegando que um atleta utilizar esse adereço seria propaganda religiosa e que, mais ainda,  o próprio Neymar, além de vários outros que querem ser como Neymar, só professam certa religião porque foram doutrinados por seus pais ou responsáveis a fazê-lo.

Que moral tem para falar de qualquer tipo de doutrinação ideológica ou religiosa de crianças, porém, uma esquerda que usa despudoradamente um garoto inocente para fazer propaganda de feminismo às custas da seleção feminina de futebol, em quem caiu, também, uma pressão gigantesca que quase certamente atrapalhou  o bom time montado por Vadão na busca pelo inédito ouro olímpico?

Pior ainda: como uma esquerda podre como a nossa quer falar com autoridade moral sobre qualquer tipo de doutrinação ou sobre uso da imagem de  crianças para angariar simpatizantes a uma causa quando não tem a menor vergonha de se utilizar de crianças, de idosos, de gestantes e de qualquer outra figura pela qual o brasileiro médio sente empatia para divulgar mentiras totalitárias por meio das asquerosas fanfics de esquerda, cujo claro objetivo sempre foi aumentar a soberania psicológica dos esquerdistas sobre a cultura e sobre a sociedade?

Será, porém, que os direitistas cristãos (os mais diretamente ofendidos pela crítica à faixa de Neymar) e mesmo quaisquer direitistas seculares de bom senso deixarão sair impune uma esquerda que não perderá tempo e que apelará para canalhices dessa natureza para continuar a ganhar poder sobre todos, quer direitistas, quer não? Ou será, na verdade, que finalmente partirão de vez para a guerra política, isto é, para a alternativa mais moral e mais pacífica para derrotar a esquerda?

Reafirmo, em suma, a tese inicial deste artigo: só mesmo um direitista com pouca visão poderá notar apenas “mimimi” em tudo o que ocorreu nessas Olimpíadas. O direitista esperto, na verdade, notará oportunidades, sendo a principal delas, na realidade, a oportunidade de fazer que a esquerda não mais saia impune, politicamente falando, das totalitarices que prega. Ou é isso, ou continuarão a provar que ainda não entenderam como o mundo de fato funciona.

Octavius é professor, graduando em Letras, antiolavette e polemista medíocre. Espera francamente estar errado quando pensa que a direita, mais uma vez, irá comer bola politicamente.

Uma solução parcial para o dilema da direita quanto à guerra política

Vejo muitos amigos de direita incomodados quando eu, o Luciano Henrique Ayan ou o Roger Roberto dizemos que a direita precisa passar a jogar a guerra política ou continuará à mercê dos canalhas da esquerda, podendo inclusive ser jogada na lata de lixo da história se a esquerda continuar ganhando mais e mais poder.
Confesso que entendo o incômodo. De certa forma, afinal, algumas vezes nós três (principalmente eu, bem mais do que o Luciano e o Roger) acabamos sendo um pouco inflexíveis demais e, do jeito que colocamos as coisas, fica parecendo que tudo o que queremos é uma direita que seja, na verdade, uma “esquerda de sinal inverso”, ou, como diria o amigo Marcos Aurelio Lannes Jr. em recente artigo, parece que queremos que os direitistas tratem a guerra política como um fim em si mesmo.
Lógico que acusar qualquer um de nós de sugerir que a guerra política deva ser um fim por si própria é uma objeção ridícula, já que, por definição, só se faz a guerra política em prol de algum objetivo exterior à guerra política, mas o fato é que, realmente, algumas pessoas simplesmente não vão conseguir aplicar a maior parte dos princípios da guerra política.
Isso não se dá, ao contrário do que muitos pensam, porém, por elas serem católicas, ateístas, muçulmanas, evangélicas, ex-esquerdistas ou o que quer que queiram ser. Isso se dá, muitas vezes, porque essas pessoas simplesmente partem de premissas diferentes daquelas adotadas pelos adeptos da guerra política, quer sejam liberais, como Luciano Ayan, quer sejam libertários como Roger.
Poucos conservadores que eu conheço, por exemplo, conseguiriam tratar todo tipo de militante de esquerda como um canalha consciente da aberração moral representada pelo esquerdismo, preferindo tratá-lo como um “utópico”, um “pobre iludido” que foi enganado, aí sim, por canalhas com objetivos totalitários na cabeça.
É óbvio que eu enxergo o tratamento como “canalha” como muito mais eficiente do que o tratamento como “utópico”, mas o fato é um só: ao menos nos próximos anos, boa parte dos direitistas simplesmente não vai conseguir tratar como canalha quem eles acreditam ser um mero iludido, e isto porque eles ainda não conseguem entender que nem sempre, principalmente em política, nossas crenças devem ser enunciadas como verdades para todos e em qualquer circunstância.
O problema, porém, é que, ao mesmo tempo que essas pessoas não conseguirão ir ao modo mais “hardcore” de combate político, aqueles que conseguem continuarão precisando da ajuda dessas pessoas para combater a esquerda exatamente porque, no presente momento, o que os direitistas mais precisam é de aliados, ainda que temporários e ainda que não perfeitos. Como, então, conseguir fazer que essas pessoas ajudem mais do que atrapalhem a esquerda na guerra política?
A resposta é até bem simples. Ora, antes mesmo de fazer os direitistas enxergarem os esquerdistas como bem mais do que meros ingênuos, bem mais importante é fazer a direita perceber que, à mulher de César, não basta ser honesta, esta também deve parecer honesta, ou, trocando em miúdos para o nosso assunto, não basta um sujeito estar com a verdade, este também precisa fazer que essa verdade ganhe a simpatia das pessoas, ou estas simplesmente se recusarão a segui-la, ainda que os fatos a corroborem de maneira inexorável.
Em resumo, não é necessário o direitista abdicar de suas verdades, mas sim saber quando dizê-las e, mais urgentemente, saber como torná-las mais simpáticas, mais didáticas e mais atraentes não para os já convertidos, mas principalmente para os neutros que andam tendendo mais à esquerda exatamente pelo fato de a esquerda ter percebido, há muito tempo, o princípio enunciado acima.
Para isso, é, claro, preciso aplicar pelo menos um princípio da guerra política, o de falar ao coração das pessoas para ganhar apoio (ou para, pelo menos, fazer o inimigo perder apoio), mas que é, antes de tudo, um princípio de convívio social que muitos desses direitistas já usam. Afinal, quando se quer, por qualquer motivo que seja, ganhar a simpatia e até a amizade de uma pessoa, mentiras não são necessárias nem úteis, sendo necessário, na verdade, mostrar a essa pessoa que não somos monstros ou insensíveis, mas sim pessoas compreensivas com as quais se poderá contar em momentos mais difíceis da vida.
Se a direita mais resistente à adesão à guerra política não conseguir aplicar esse princípio, aí perceberemos que o problema não é negação da política, e sim negação da vida social em si, o que, aí sim, será ainda mais preocupante do que as negações que a direita já faz.
Octavius é professor, graduando em Letras, antiolavette e polemista medíocre.  Sabe que empatia tem limite, mas acha que a direita não está nem perto dele ainda.