Anti-Feminismo

Eu, Apolítico – O IPEA, o estupro, o feminismo e os óbvios ululantes mais-que-rodriguianos

NELSON-RODRIGUES

Na imagem (créditos a http://www.luizberto.com/), Nelson dizendo o que todo esquerdista já deveria ter ouvido.

O saudoso autodeclarado reacionário Nelson Rodrigues, em uma sua entrevista para o também jornalista ilustre Otto Lara Rezende, afirmou, com sabedoria, que “o jovem é o cretino fundamental”, isto em uma época em que a completa decadência cultural do Brasil (indo, na esquerda, de Antônio Cândido a Gregório Duvivier) ainda não havia ocorrido, mas já começava, como os dois jornalistas bem percebem ao relatarem que de elogio “reacionário” virara um xingamento, enquanto “revolucionário” se tornara um elogio mais forte do que, lulisticamente falando, nunca antes na história deste país. Só posso imaginar agora qual seria a reação de nosso ilustríssimo dramaturgo ao saber quantos jovens realmente caíram na conversa de certo órgão governamental sobre “a cultura do estupro” com uma pesquisa agora clarividentemente estuprada.

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As velhas aberrações da Socialista Morena: Um “reaça” contra-ataca

Em minha saga para achar feministas para detonar, eis que me deparo com uma crítica da super-democrática Socialista Morena– vulgo Cynara Menezes, aquela que já declarou, entre outras coisas, que debate é só entre iguais e que Nelson Rodrigues, que escreveu, sobre si mesmo, um livro intitulado “O Reacionário”, não poderia ser reaça de forma alguma – à ultranazista Bruna Luiza, cujo erro, segundo Cynara, foi escrever um blog chamado “Garotas Direitas”, pois, para Cynara, toda e qualquer pessoa, especialmente uma garota, só pode ser do mesmo ramo de sua esquerda (ou seja, da extremíssima extrema-esquerda) ou, quando muito, da esquerda revolucionária um pouco menos radical (como aquela que é comunista e não se assume, como bem lembra Flávio Morgenstern).

Nelson Rodrigues lendo as declarações de Cynara Menezes sobre sua obra. Ao ser perguntado, depois, por nossa equipe, sobre o que falaria a Cynara se a encontrasse, o teatrólogo brasileiro respondeu: "Envelheça, Cynara, envelheça rápido!".

Nelson Rodrigues lendo as declarações de Cynara Menezes sobre sua obra. Ao ser perguntado, depois, por nossa equipe, sobre o que falaria a Cynara se a encontrasse, o teatrólogo brasileiro respondeu: “Envelheça, Cynara, envelheça depressa!”.

Aconteceu que, para delírio da nossa Sócrates sem dialética, a supracitada Bruna viu o post com críticas e foi lá humilhar Cynara debater com nossa intrépida e incauta Socialista Morena, que tergiversou como sempre e apanhou, retoricamente, como sempre também. Para, porém, não ficar tão mal perante seu público, além de soltar um comentário sem pé nem cabeça comparando reacionários com hienas (quando são, na verdade, os socialistas que têm uma inteligência menor que a das hienas), a nossa democrata reviveu um seu texto de 2013 sobre as novas aberrações cognitivas – id est, além da classe média, isto segundo Marxilena Shallwe Marilena Chauí – existentes em terras tupiniquins. 

Resolvi, para fins de puro masoquismo e para ver o histerismo dos fãs de Cynara, que provavelmente tomarão o título deste post literalmente, ler o texto em questão e comentar sobre cada uma das aberrações encontradas pela Sakamoto de saias. Bialmente falando, então, aos trabalhos.

Cynara, a velha esquerdista

O primeiro grupo aberrativo da lista do texto, intitulado Freak show: as novas aberrações, é o dos jovens direitistas. Segundo Cynara, o jovem direitista “é um espanto”. Realmente, deve ser um espanto para a Socialista Morena perceber que jovens podem pensar por conta própria e, ainda assim, não gostarem da esquerda, ou mesmo terem sido de esquerda e, com a desilusão ou com estudo, passarem ao outro lado. Ela, porém, explica a razão do seu espanto:

Em vez do rapaz e moça que faziam de tudo para contrariar o conservadorismo dos pais, são jovens que concordam em tudo com o que eles pregam. “Sim, mamãe”, repete o jovem direitista bem nascido. A não ser que os pais sejam moderninhos demais, aí eles preferem se mirar nos avós fãs da ditadura.

Ou seja, para nossa amálgama entre libertarianismo de boteco e socialismo de verdade, o jovem tem de, necessariamente, procurar sempre contrariar tudo o que “a sociedade” lhes “impõe”, ou, no caso, tudo o que os pais pensam. Mas, ora, não é justamente isso o que a modernidade CAPITALISTA fala que os jovens fazem? Uma dita defensora da “liberdade socialista” quer, então, que os jovens sigam o modelo capitalista “fascista” e apenas se submetam a determinado tipo de comportamento que a sociedade diz que eles têm? Será que Cynara não sabe que devemos “subverter a adolescência” em prol da liberdade dos jovens?

Entretanto, não cessa por aí. Em seguida, fora a repetição total da papagaiada antimilitar que vem dominando os meios escolares  e midiáticos nos últimos 30 anos, a Socialista Morena nos mostra seus conhecimentos sobre lógica:

Em sua visão, os governos militares foram uma época de prosperidade à qual o Brasil deve muito, e o desrespeito às liberdades individuais e aos direitos humanos, apenas um detalhe. Já os guerrilheiros que foram presos, torturados e que deram a vida para lutar contra a ditadura são terroristas sanguinários.

Para Cynara, então, além de o governo militar ter de ser, necessariamente, apenas atacado e nunca defendido mesmo nos pontos em que foi obviamente mais virtuoso do que a democracia atual, dizer que guerrilheiros terroristas são terroristas parece excluir que se possa culpar, também, os militares por seus erros e vicissitudes. É bom, então, avisarmos a Olavo de Carvalho que suas críticas à postura dos militares perante os comunistas são só ficção, pois este também chama terroristas de terroristas (Aliás, do que Cynara sugere que os chamemos? Ah, verdade, deve ser de “heróis da democracia” ou algo do tipo).

Dando prosseguimento ao relato de sua descoberta científica de aberrações cognitivas, Cynara também aponta que “Os bizarros jovens de direita são radicalmente contra a maconha, “coisa de vagabundo”. Nossa, mas que crime inominável! Como assim esses jovens não querem que o ambiente em que circulam e que é sustentado pelo dinheiro do contribuinte tenha a livre circulação de drogas, sendo que, obviamente, toda a nossa população é composta de apoiadores da maconha? Mas são uns fascistas mesmo! E ficam ainda mais fascistas quando:

deduram para a polícia que circula pelo campus –sim, eles se mobilizaram para conseguir que o campus, antes um espaço de livre expressão, passasse a ser policiado

Isto porque, é óbvio, fumar maconha é, em si, um ato de expressão, e porque, também obviamente, apenas na cabeça desses jovens direitistas a maconha é criminalizada. Imagine. E olha que, segundo Cynara, “estudam Direito e adoram ir à missa”. Mas que anticristão respeitar a lei de César e denunciar criminosos à polícia. Como assim esses caras não seguem religiosamente todas as propostas do mestre Leonardo Boff? Fascistas! Fascistas!

"Não dou entrevista para mídia burgueso-fascista" - Leonardo Boff sobre porque se recusou a responder às perguntas de nossa equipe sobre o artigo da "cumpanhera" Cynara.

“Não dou entrevista para mídia burgueso-fascista” – Leonardo Boff sobre porque se recusou a responder às perguntas de nossa equipe sobre o artigo da “cumpanhera” Cynara.

Cynara, a trans machista

O segundo grupo de aberrações da lista de Cynara, por sua vez, é o que ela define como “mulher machista” (aliás, um clichê vagabundíssimo da esquerda feminista em massa). Segundo a nossa cientista política de banheiro, esse tipo de mulher:

é assombrosa. Trata-se de uma mulher, geralmente jovem, que cospe em todas as realizações da liberação feminina. Acha, aliás, que não deve nada ao feminismo, pelo contrário. Defende que o feminismo é a razão de toda a “infelicidade” e “frustração” das mulheres de hoje.

Para Cynara, então, todas as  mulheres têm, sem maiores questionamentos, de concordar em absoluto que a liberação feminina é o suprassumo da felicidade terrena e que, efetivamente, seria impossível, por uma mentalidade não-revolucionária, ceder às mulheres direitos iguais (isto é, liberalismo político não existe). Da mesma forma, a crítica também é distorcida pois a imensa maioria das mulheres que criticam o feminismo criticam com mais ferocidade o feminismo atual, aquele que se resume a enfiar símbolos sagrados de religiões majoritárias no orifício anal e em fazer campanha pela “menstruação livre” para lutar contra a opressão “machista” e “capitalista”, sendo que este feminismo, aliás, além de ser incomparavelmente menos sofisticado do que o antigo, também fez muito menos no sentido da real emancipação da mulher, pois, pelo visto, anda se preocupando mais em fazer apologia da mutilação genital de seus opositores do que, de fato, com os anseios da mulher contemporânea.

O cinismo cynariano, porém, não tem limites:

Por causa do feminismo, brada, se uma mulher optar por ser dona-de-casa será execrada! É muito triste, diz a mulher machista, não poder abdicar da profissão para cuidar da casa e dos filhos, pois se sentiriam constrangidas pelos olhares de reprovação das feministas, estas desalmadas, péssimas mães que não sabem nem fritar um ovo.

Gostaria, então, de ver Cynara tentando deixar de escrever suas porcarias com dinheiro estatal e publicamente recolhendo-se à vida de dona-de-casa defensora de valores conservadores e anti-feministas para ver como suas hoje amigas feministas reagiriam. Não sei porque, mas posso garantir que não seria com loas a este novo comportamento.

Ocorre, porém, que o ponto em que Cynara quer tocar ainda está por vir:

Elas odeiam que uma mulher esteja na presidência, acham um desserviço, já que todo mundo sabe que os homens são superiores nestas tarefas.

Ah, então esta é, de fato, a questão. Para a socialista morena, o fato de uma mulher se opor ao governo Dilma significa, obviamente, não que ela está descontente com um governo incompetente que pode, com a sobrecarga de impostos ao empresário, levar seu marido, seus irmãos ou ela própria à demissão, e que, ao negligenciar a punição séria aos criminosos, brinca com a vida de pais, filhos, maridos, irmãos E de mães, irmãs e filhas. Não, não é por isso que esta mulher está descontente, claro. Como assim vocês reaças não percebem que uma mulher só pode estar descontente com um péssimo governo de uma mulher por causa de machismo?

O stand-up comedy sem “comedy” de Cynara

Como terceiro grupo de esquisitices, a Socialista Morena coloca o que chama de “O palhaço sem graça” (uma óbvia referência principalmente a Danilo Gentili, conhecido por mandar à merda o politicamente correto), que define como:

é de chorar. Eles sobem no picadeiro para supostamente serem engraçados, mas não conseguem causar nenhuma risada nem fazendo cosquinhas. A reação da platéia ao que eles falam beira a depressão. Quando o palhaço sem graça faz uma piada, tem gente que sente até vontade de vomitar. O formato favorito deles é o stand-up comedy, uma fórmula norte-americana de fazer humor do qual copiaram o nome, não a criatividade. Mas há também palhaços de circo engomadinhos que se apresentam na tevê com o único objetivo de vender produtos para as crianças, com suas musiquinhas chatas e repetitivas. Ah, gente, fazer rir é tão século 20…

Ué, seria então Cynara uma stand-up comedian? Afinal, quando leio seus textos, fico realmente beirando a depressão e quase sinto vontade de vomitar. Em criatividade, aliás, ninguém, nem mesmo ultraesquerdistas como Vladimir Safatle e Emir Sader, deixa de bater Cynara, que não teve sequer a capacidade de escolher um autor esquerdista menos manjado do que Darcy Ribeiro (aliás, mais manjado do que esse só Marx, Sartre e Foucault) para servir de inspiração ao seu “esquerdismo way of life“.

Ah, não, está certo, em alguns casos eu rio mesmo. Pô, Cynara, desculpa aí, mas como socióloga, você deveria virar comediante. E, como comediante, deve ser uma ótima poetisa, pelo visto.

A colunista “crítica” a favor do status quo esquerdista

Por fim (finalmente, diga-se de passagem), nossa ilustríssima discípula de Marilena Chauí inventa de, por meio da imagem do “rockeiro a favor do status quo” – como se ninguém soubesse que está se referindo, em especial, a seus ex-ídolos de adolescência (ou seja, há muito tempo) Lobão e Roger Moreira – , dar seus pitacos sobre como deveria ser a música. Sobre este personagem, aliás, diz que:

é de arrepiar os cabelos. Acabou-se o tempo do roqueiro que criticava a burguesia e o sistema. Hoje a onda é falar bem de quem tem grana, um “vencedor”, e elogiar a direita “progressista” –esta, sim, sabia o que era bom para o povo, este imbecil.

Realmente, é de arrepiar os cabelos, em um país dominado pela mentalidade concurseira e de absoluto desprezo a qualquer coisa que sequer se pareça com a direita (inclusive uma social-democracia assumida como o PSDB (!)), apesar de ninguém saber direito quais são as ideias da direita, que um rockeiro ouse não criticar “a burguesia” e “o sistema” – este ilustre anônimo sempre criticado e nunca definido. Também é de arrepiar os cabelos que, com tantos neoliberais no poder, alguém ouse criticar os pobres esquerdistas inocentes que recebem algum dinheiro do governo para criticar a pérfida direita! Mas quanta maldade no coração!

Cynara, pelo visto, também não sabe que, se há uma coisa normal em todo tipo de arte, é justamente a mudança de parâmetros. Afinal, assim como um rockeiro pode fazer outro tipo de crítica que não “ao sistema” (aliás, btw, onde fica a liberdade artística para a Socialista Morena?), um teatrólogo, baseando-se em escritos de Diderot, pôde iniciar, de vez, o rompimento com o padrão clássico-aristótelico da construção do texto teatral. Ah, não, esqueci que, para Cynara, uma vez rebelde, sempre rebelde e, igualmente, uma vez clássico, sempre clássico. Com certeza, este é realmente um padrão democrático e aberto a todas as mudanças, inclusive às de posicionamento político.

Mais para o fim, Cynara repete a papagaiada antimilitar e anti-“roqueiro burguês” e mostra, cabalmente, que o detalhe que até agora fingiu não ter entendido é exatamente que, de forma alguma, o “status quo” do Brasil, a não ser sob uma perspectiva de extremíssima-extrema esquerda como a de Cynara, pode ser considerado direitista. Como um país em que se preza o concurso ao invés do empreendedorismo, a ajuda estatal ao invés da busca pela máxima autonomia individual possível, os bons sentimentos progressistas ao invés da liberdade de opinião (e, antes que algum progressista venha me dizer que sou “homofóbico” ou “racista”, favor definir o que é homofobia e racismo), a imposição da educação estatal ao invés da busca autônoma pelo conhecimento, entre outros, poderia ser considerado, como infere Cynara, “de extrema-direita”, se o fundamento mais básico da direita é, justamente, prezar o indivíduo em toda a sua integridade?

Para despedir-se do leitor, Cynara demanda: “Venham, venham ver as aberrações! O espetáculo não tem hora para acabar.”. Realmente, Cynara, o espetáculo não tem hora para acabar. Lamentavelmente, porém, não foi a direita a palhaça da vez.

Sobre o Autor: Octavius é professor, graduando em Letras, polemista medíocre e estudante diletante da Filosofia. Será, provavelmente, chamado pelos socialistas morenos de “neofascista”, “fascista” ou “preconceituoso da extrema-direita”. Já adianta que se sentirá honrado com tão elevados ideologios, ops, digo, elogios.

Ridendo castigat Sakamotores – A falta de coerência do feminismo sakamotiano

Sim, meus amigos, é hora de rirmos do famoso blogueiro da extrema-esquerda, Leonardo Sakamoto, um dos filhos da PUC que utiliza o espaço e o dinheiro desta mesma PONTIFÍCIA Universidade CATÓLICA para, entre outras coisas, poder se manter como blogueiro fazendo campanhas para o neo-ateísmo, para o feminismo em sua forma mais extremista e, por corolário, para a absoluta legalização do Aborto, entre outras causas que, muito curiosamente, de católicas ou mesmo de tolerantes com a opinião religiosa nada têm.

A cara de Leonardo Sakamoto ao ver as primeiras zoações deste blogueiro há alguns meses: "Não pago internet para você ferir meus sentimentos, cara".

A cara de Leonardo Sakamoto ao ver as primeiras zoações deste blogueiro há alguns meses: “Não pago internet para você ferir meus sentimentos, cara”.

Para os que lembram da primeira vez que ri da cara do japonês progressista – o que, aliás, é quase um paradoxo considerando a história japonesa, em especial com relação ao tema “tolerância religiosa”-, farei, basicamente, o mesmo esquema neste post, comentando uma por uma as alegações do nosso filósofo e cientista político pós-moderno-leninista-trotskysta-marxista-feminista-anarquista-socialista-comunista. Desta vez, porém, nossa conversa será, provavelmente, mais longa, pois são mais besteiras para comentar.

Bialmente falando, então, aos trabalhos. Basicamente, o texto de Sakamoto fala sobre os desejos de nosso Simone de Beauvoir de calças para o Dia da Mulher do ano passado. Como, entretanto, não creio que os desejos de Sakamoto tenham mudado, tendo, aliás, fortes evidências para crer nisto (como o fato de ter repostado, hoje, o pior texto do Sakamoto de 2013), listá-los-ei e comentá-los-ei um por um.

Após uma curta (ufa!) introdução, Sakamoto deseja que:

1) A partir de agora, o sobrenome do marido não deverá ser imposto à sua companheira contra (sic) vontade dela, como uma marca de ferro em brasa delimitando a propriedade. (Atenção aos leitores desatentos: falo da imposição que continua existindo por parte de pais e maridos apesar da (sic) legislação garantir a escolha da mulher.)

Primeiro, se temos, por qualquer dos lados, uma imposição de qualquer coisa e não uma conversa, uma negociação, já temos um problema de relacionamento, pois temos duas pessoas que, pelo visto, não estão na mesma sintonia nem tem um bom acordo  para os dois sobre como os problemas da casa serão resolvidos – afinal, se, já no começo, o marido impõe à mulher  um item, este marido, provavelmente, continuará impondo tudo, inclusive o papel que a mulher deve ter no relacionamento.

Segundo, algo que me deixou muito curioso: Como assim “pais” (e suponho que Sakamoto, feminista até o dedo do pé, tenha excluído as mães ao usar o vocábulo “pais”) impõem um nome? Impõem à filha  que tenha o nome do marido, ou impõem que a filha tenha o sobrenome paterno?

Vemos, então, que, como na outra oportunidade, Sakamoto continua não se fazendo entender. O problema, porém, é que, pelo visto, ele mesmo não consegue entender muitas coisas:

2) O currículo escolar será aprimorado para que, nas aulas de língua portuguesa, os meninos e rapazes possam compreender o real, objetivo, profundo e simples significado da palavra “não”.

Para Sakamoto, então, o currículo escolar não deve ser aprimorado porque grassa, na nação brasileira, o analfabetismo funcional inclusive nos meios universitários – o que, aliás, não surpreende quando vemos que até Sakamoto conseguiu um doutorado quando, olavianamente falando, não deveria ter nem o diploma do primário com tal domínio do próprio idioma -, mas porque alguns boçais não entendem o que as mulheres querem dizer por “não”.

Isto significa, na prática, que a motivação de nosso mais novo filósofo da educação (como se Paulo Ghiraldelli Jr. não bastasse) não é a solução de um problema geral, mas a mera proteção de um grupo como se este, apenas por ter sido escolhido como o oprimido da vez, merecesse mais direitos do que os outros. Da mesma forma, não seria anormal, para Sakamoto, que começassem a pulular, por aí, em nome das minorias, leis que censurassem determinadas palavras por estas terem, muitas vezes, conotação negativa. Ah, não, espera, é mesmo, ele não só aceita como defende essas leis.

3) As frases “Onde você acha que vai vestida assim?”, “A culpa não é minha, olha como você tá vestida!”, “Se saiu de casa assim, é porque está pedindo” a partir de agora serão banidas da boca de maridos, pais, irmãos, filhos, netos, namorados, amigos e outros barbados.

Ou seja, a partir de agora, mesmo uma frase que retrate preocupação, ainda que na boca de um pai naturalmente preocupado com a criminalidade que se espraia cada vez mais pela , deverá ser proibida. Da mesma forma, uma frase que pode, inclusive, ajudar a mulher a filtrar desde babacas puros e simples a reais ameaças deverá ser banida da língua (alguém mais lembrou da “novilíngua”?) simplesmente pelo fato de que, para Sakamoto, são frases, e não uma mentalidade de falta de respeito ao outro (que não necessariamente é sempre enunciada, podendo ficar implícita), que causam todas as arbitrariedades contra mulheres. Seria genial, se não fosse, em essência, esquerdista… Ah, não, não seria genial mesmo.

4) Está terminantemente proibido empregar apenas atrizes em comerciais de detergentes, desinfetantes, saches de privada, sabão em pó, rodos, vassouras, esponjas de aço, palhas de aço, aspiradores de pó, cera para chão e afins. A associação direta de mulheres e produtos de limpeza em comerciais de TV está extinta.

Ou seja, são os comerciais os culpados pelo machismo,  e não o machismo culpado pelos comerciais. Aliás, com que direito Sakamoto interfere na propaganda alheia? Seria ele, também, doutor em Publicidade para saber o que é mais efetivo ou não em uma propaganda? Ou será que, para ele, seria válido associar apenas homens à limpeza da casa? Onde está, então, a igualdade nisso, quando apenas um lado pode ser associado às propagandas? Não seria isto, então, misandria?

5) Empresas estão proibidas de distribuir flores no dia de hoje como prova de seu afeto às mulheres. Em vez disso, implantarão políticas para: 1) impedir que elas ganhem menos pela mesma função; 2) não sejam preteridas em promoções para cargos de chefia pelo fato de serem mulheres; 3) não precisem temer que a maternidade roube seu direito a ter uma carreira profissional; 4) seja punido com demissão o assédio de gênero como crime à dignidade de suas funcionárias.

Ou seja, que se interfira no funcionamento e na política interna de empresas PRIVADAS (se bem que Sakamoto não gosta muito desse termo, preferindo socializar, desde que seja o dos outros) para satisfazer os desejos de Sakamoto de igualdade, nos quais nada cita sobre proibir políticas para que homens ganhem menos do que mulheres – o que, aliás, não faz o menor sentido, pois, na maioria dos casos, não é só a função mas também os anos na empresa que contam – ou para que homens não sejam preteridos em promoções para cargo de chefia pelo fato de serem homens (aliás, Sakamoto tem provas de que mulheres são preteridas exclusivamente pelo fato de serem mulheres?), ou, ainda, para que se demita o assédio de gênero como crime à dignidade dos funcionários. Ou será que Sakamoto, em sua ânsia por defender as minorias, se esquece, propositalmente, de que estas também são capazes de cometer atos ruins e de serem preconceituosas?

Antes que me falem, não, eu não acho razoável que se faça qualquer dos quatro itens que Sakamoto apontou dentro de uma empresa. Ocorre, porém, que, no auge de sua mentalidade totalitária, Sakamoto quer proibir até mesmo que se mostre, ao menos uma vez no ano, a apreciação pelo trabalho de uma funcionária. Será que Sakamoto funciona de modo tão totalitário que só conhece a palavra “proibir” ao invés de “desincentivar”?

6) Cuidar da casa e criar os filhos passa a ser visto também como coisa de homem. E prazer e orgasmo também como coisa de mulher.

Isto, é lógico, por meio da imposição pura e simples, não do convencimento ou do incentivo a outras visões sobre o papel da mulher na sociedade. Eis, de novo, o totalitarismo sakamotiano revivendo a novilíingua orwelliana em nome das minorias e do “mundo melhor”.  Gostaria de saber, porém, o que ele fará quando perceber que este “mundo melhor” pode ser uma cilada. Aliás, não quero. Ele teria de escrever outro texto sobre isso, e um texto mal escrito por mês para refutar já é mais do que suficiente.

George Orwell vendo a lista de todos os esquerdistas que entenderam a mensagem de 1984: "Seria melhor ter ido ver o filme do Pelé", declarou o escritor inglês.

George Orwell vendo a lista de todos os esquerdistas que entenderam a mensagem de 1984. “Seria melhor ter ido ver o filme do Pelé”, declarou o escritor inglês.

Em seguida, vem uma ideia até interessante:

7) Os editoriais dos veículos de comunicação não serão escritos por equipes eminentemente masculinas. Da mesma forma, as agências se comprometem a derrubar a hegemonia XY em suas equipes de criação, contribuindo para diminuir o machismo na publicidade.

Aqui, sou réu confesso quando a questão é concordar com Sakamoto – que, pelo visto, não entende que a conditio sine qua non para que haja mais mulheres nos editoriais e nas equipes de criação de veículos de comunicação é que mais mulheres se interessem por Jornalismo e por essas áreas dentro do Jornalismo, e não a imposição sakamotiana pura e simples. Diria, aliás, que deveria estender essa regra aos artigos de jornais também (pois há mais “hegemonia XY” do que em artigos de jornais?). Afinal, imaginem, podemos nos livrar de gente como Sakamoto, Safatle, Duvivier et caterva e colocar mulheres que saibam acionar mais de dois neurônios do cérebro ao discutirem uma questão. E aí, Saka, aceita esses termos?

Sakamoto, então, resolve levar o totalitarismo além do bem e do mal dos limites do ridículo:

8) O direito da mulher a ter autonomia sobre o próprio corpo e o direito de interromper uma gravidez indesejada não precisarão ser questionados. Nem devem requerer explicação.

Id est, a mulher será absolutamente soberana sobre seu corpo mesmo quando este estiver mantendo uma vida que não a dela e que não gerada por ela unicamente, e quem a questionar sobre qualquer decisão que esta tome (em especial a decisão pelo Aborto, que é o real desejo de Sakamoto) não passará de um mero atrasado que deverá, por corolário, ser reeducado ou ser levado ao ostracismo. Não se deverá levar em conta, portanto, a opinião e os argumentos pertinentes dos melhores “pró-vida”, mas simplesmente relegá-los ao limbo como “interferência indevida sobre a decisão da mulher”.

Da mesma forma, uma mulher irresponsável sexualmente que aborte a torto e a direito terá o direito absoluto de sequer ser questionada pelas pessoas que com ela convivem sobre a retidão desse seu ato contra outras vidas que impediu de florescer (afinal, isso é intrometer-se na decisão soberana da mulher!). Não se deve, então, sequer questionar os motivos de uma mulher para levar uma vida desse jeito, por mais que ela esteja incentivando, com sua promiscuidade, outras a seguirem o mesmo caminho (sim, senhor Sakamoto, isto, segundo suas próprias premissas, também é um incentivo à desvalorização da mulher).

Outro ponto a ser abordado é que, ao contrário de argumentadores apenas pró-legalização do Aborto, Sakamoto sequer fala em motivos sérios (como o estupro, que já não é mesmo questionado, ao menos pela lei), mas apenas em “gravidez indesejada”. O que seria, contudo, um feto indesejado? Será que não passou pela cabeça de Sakamoto, ao menos por um microssegundo, que pode estar propondo aquilo que as esquerdas dizem combater veementemente, a eugenia social?

Ocorre, porém, que nosso ilustríssimo cientista político também está preocupado e cheio das melhores intenções com os partidos políticos:

9) Os partidos políticos não apenas garantirão cotas para a participação das mulheres nas eleições, mas investirão pesado em suas candidaturas a fim de contribuir para que os parlamentos representem, realmente, a sociedade brasileira. Da mesma forma, nomear mulheres como secretárias de governo, ministras e em cargos de confiança, na mesma proporção que homens, será ato corriqueiro.

Ou seja, não é o carisma do candidato ou mesmo suas propostas (ou sua competência, no caso de cargos administrativos) que, para nosso filho da PUC, deverão fazê-lo vencer uma eleição, mas sim o simples fato de pertencer a uma minoria (Ou você acha que não sabemos que você defende a estupidez das Cotas para deputados, Saka?). Realmente, para alguém que julga combater preconceitos, Sakamoto está muito discriminatório, não acham?

Sakamoto, ao ser encontrado ostentando seu MacBook, recusou-se a prestar maiores esclarecimentos e gritou: "Fascista! Fascista!" - o que em nada nos surpreendeu

Sakamoto, ao ser encontrado ostentando seu MacBook, recusou-se a prestar maiores esclarecimentos e gritou, contra os membros de nossa equipe, “Fascistas! Fascistas!”. Não ficamos surpresos.

Calma, leitor, estamos quase no fim. Vamos, então, ao penúltimo item:

10) Homens entenderão que “um tapinha não dói” é uma idiotice sem tamanho.

E Sakamoto entenderá, também, o que Nelson Rodrigues queria dizer por “Nem todas as mulheres gostam de apanhar, só as normais”. Mas, enfim, vamos terminar de vez sua lista com algo muito interessante:

11) Por fim, feminismo será considerado sim assunto de homem. E meninos e rapazes, mas também meninas e moças, deverão ser devidamente educados desde cedo para que não sejam os monstrinhos formados em ambientes que fomentam o machismo, como a família, colégios e universidades.

Muito curiosamente, parece que Sakamoto não sabe que setores dentro DO PRÓPRIO FEMINISMO rejeitam sua afirmação, dizendo que feminismo é assunto que apenas as mulheres são capazes de discutir. Ah é, mas esqueci, Sakamoto não gosta de discussão, mas de ponto de vista único. O que ele quer, então, não é que haja um debate verdadeiramente honesto, de lado a lado, sobre as qualidades e os problemas do feminismo, mas a pura e simples aceitação de todo tipo de maluquice que as feministas venham a inventar para que todos não sejam “formados em ambientes que fomentam o machismo, como a família, colégio e universidades”.

Aliás, falando nestas, não foi justamente na universidade CATÓLICA em que Sakamoto leciona que, contra o machismo e a opressão religiosa, se malhou o Papa? E não foi na Fefelixo FFLCH, um dos campi da USP, universidade mais famosa do Brasil, que se promoveu, contra a “homofobia”, o “saiaço”? E não foram, também, os universitários alguns dos que mais se movimentaram contra a suposta homofobia feliciana? De que universidades, então, o nosso aprendiz de Paulo Ghiraldelli estaria falando?

Para finalizar o texto, Sakamoto resolve “omenagear” (sim, com “o” mesmo, pois sua “omenagem” foi indigna de um esmero maior com a grafia correta desse vocábulo contido na última flor do Lácio) as mulheres de sua vida:

Em tempo: aproveito para agradecer novamente às mulheres que passaram pela minha vida e foram fundamentais para que fosse um homem menos idiota.

Em tempo: Então não adiantou muita coisa, Saka. Não adiantou mesmo.

Sobre o Autor: Octavius é professor, graduando em Letras e polemista semi-profissional, além de caminhar, ocasionalmente, pelas ruas da Filosofia. Tem orgulho de ter sido esquerdista e, mesmo assim, nunca ter achado Sakamoto um autor sequer digno de atenção.