Arthur Rizzi Ribeiro

Eu, Apolítico – O politicamente correto, o apoliticamente incorreto e o equívoco parcial de Arthur Rizzi

Recentemente, o colunista do site Minuto Produtivo, Arthur Rizzi Ribeiro, tido como pessoa respeitável por este blogueiro, escreveu um artigo contestando uma matéria do El País que culpa implicitamente os conservadores pelo surgimento do “politicamente correto”. Segundo o pedagogo, “atribuir o politicamente correto ao conservadorismo é picaretagem das grossas”. Até que ponto, porém, teria Rizzi a razão?

Uma questão genética

Uma das razões pelas quais o colunista democrata cristão rejeita os argumentos do artigo contestado é que, segundo Rizzi, “todo mundo minimamente informado sabe que, nos EUA e, especialmente, no Brasil, a luta contra o Politicamente Correto tem sido uma pauta de pensadores que se dizem conservadores”, do que o leitor deve inferir que seria praticamente impossível que o conservadorismo tivesse culpa no cartório quanto à existência do politicamente correto em si.

Por mais que, de fato, conservadores brasileiros venham lutando até com certa galhardia contra a marcha totalitarista e imbecilizante do politicamente correto – o que, convenhamos, não é mais do que a obrigação de qualquer pessoa sensata, mas vindo de conservadores já é um ótimo sinal de melhora -, e por mais que este que vos digita continue preferindo qualquer conservador a qualquer esquerdista, é inegável: se não culpados, os conservadores foram, no mínimo, cúmplices do politicamente correto por um tempo longo demais que faria com que, no mínimo, os esquerdistas adeptos da praga PC conseguissem colher muito eficientemente o que plantaram em termos de política.

Vamos por partes. Segundo o articulista capixaba, a diferença essencial entre o politicamente correto e o conservador é que, enquanto os conceitos de verdade e de moralidade deste estão atrelados a uma moral eterna e imutável, os daquele se adaptam à verdade política mais conveniente para o momento. Trocando em miúdos, enquanto um conservador dirá que a vida humana é inviolável por princípios, o politicamente correto só enunciará o mesmo se lhe for conveniente para o momento.

Esquece-se o democrata cristão, porém, que, por mais que as premissas sejam diferentes, os métodos de politicamente corretos típicos e de conservadores que apelam ao moralismo (ou seja, à redução do mundo puramente ao elemento moral, uma distorção do conservadorismo que não deixa de ter sua origem nesse sentimento de que a moral guia ou deve guiar o mundo) em nada diferem, e que, cronologicamente, quem apareceu primeiro não foram os adeptos da praga PC, e sim os moralistas que tomavam por base justamente uma moralidade formada a partir de princípios imutáveis e verdades absolutas.

Por exemplo, como bem critica o vlogueiro Clarion de Laffalot por meio de um interessante quiz,  chegou-se ao ponto em que, quando o assunto é sexualidade humana, distinguir um conservador moralista de uma feminista ultrapoliticamente correta se tornou uma tarefa quase impossível, tamanha a semelhança dos discursos, fato que tem duas implicações: a primeira, que a praga PC finalmente viralizou a ponto de poder se radicalizar contra um inimigo que, politicamente inepto, não consegue atacá-la com frames suficientemente bons; a segunda, que a forma do discurso certamente não é nova, isto é, que os PCs certamente aprenderam muito bem com alguém, sendo esse alguém justamente os conservadores moralistas, muitas vezes religiosos fanáticos, todas as vezes chatos ao ponto de serem intragáveis como aliados políticos.

Uma questão instrumental

Não se esgota por aí, contudo, a questão. Rizzi também ressalta, com metade da razão, em certo momento, que “A ferramenta principal dos politicamente corretos é a reforma da linguagem, acreditando que só pode ser pensado aquilo que pode ser dito (quando na verdade é o contrário), o que pode ser dito (com maior ou menor precisão) é aquilo que pode ser concebido mentalmente, seja coerente ou não”.

Metade da razão? Sim, porque Rizzi também se esquece de que uma série de movimentos conservadores e moralistas emprestaram uma ferramenta ao politicamente correto, tendo este a associado ao seu plano de reforma da linguagem: a censura sistemática de tudo o que não se encaixe na caixa de sua ideologia ou de sua moral, sendo a base desta censura sempre causas mais elevadas, como “a moralidade de nossas crianças” quando o assunto é o acesso a jogos violentos ou, na versão esquerdista, “a não-mercantilização da infância” quando o assunto é a proibição da publicidade infantil.

Tal semelhança instrumental, aliás, fica ainda mais transparente quando olhamos para o caso Charlie Hebdo, ocorrido no início do ano na França. Seja sob o pretexto de que “eles estavam zombando da religião alheia, portanto não merecem ser defendidos”, seja sob o pretexto de que “humor não se faz com o oprimido, mas com o opressor”, diversos setores politicamente corretos e diversos setores conservadores bradavam, em uníssono, o mantra cretino “sou a favor da liberdade de expressão, mas…”, usado por 12 a cada 10 sujeitos que abusam do poder de censura caso o tenham em mãos, ainda que pareça que os conservadores estão começando a entender que não é assim que a banda toca.

Começaram, porém, tarde demais. Serão, portanto, condenados pela história como aqueles que, se não foram criminosos, foram no mínimo omissos e até mesmo cúmplices por um período de tempo excessivo com os ataques insanos da praga PC. Se cúmplices de crimes também são malvistos pela sociedade, nada mais natural que esse processo ocorra com os conservadores. E que quem tem a esperteza política para capitalizar em cima disso o faça sem dó nem piedade.

Octavius é professor, graduando em Letras, antiolavette e polemista medíocre. Tentou censurar a si mesmo quanto à escrita deste artigo, mas seu esforço nasceu malfadado.

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Crítica à religião que mais cresce no Brasil: o Olavismo

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(Aviso: Antes de vir fungar em minha carótida, caro amigo olavette, quero aqui deixar claros o meu respeito e a minha admiração pelo pensamento de Olavo de Carvalho, do qual divirjo em pontos periféricos e que não abordarei aqui, ao menos não em detalhes. Minha crítica, então, direciona-se única e exclusivamente a vós, e não ao maior filósofo do hemisfério. Se ainda quiserem, depois de isto ser esclarecido, falar que tenho a pretensão de “refutar Olavo”, favor ler os seguintes posts, entre os quais os dois primeiros foram divulgados, há algum tempo, pelo próprio Olavo, e o terceiro foi divulgado há mais ou menos um ano por Flávio Morgenstern, um aluno de Olavo (e, portanto, definitivamente alguém que não quer “humilhar o Olavo de Carvalho”:

Manifesto Jaaviano contra Olavo de Carvalho e outros arrogantes, inconsistentes, desonestos intelectuais e “fechados à diversidade da experiência humana e da realidade que nos constitui” / O Mínimo que Bernardo Lopes precisa saber para não ser um Idiota – O show de falácias de um Lanterna Verde / Eu, Apolítico – Ceticismo x Academia (Ou: Por que desconfiar de Renato Janine Ribeiro et caterva) /

E, caso queiram mais evidências disso, consultem a tag Olavo de Carvalho neste blog)

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Eu, Apolítico – A Marcha do Fracasso – Da série “Eu avisei”

Ouviram do Ipiranga as margens plácidas / A Marcha do fracasso retumbante – Este blogueiro sobre os resultados do tema deste post.

Já deve ser mais do que fato notório para os amigos leitores que, de fato, a super-hiper-mega-ultra-blaster-conservadora Marcha da Família com Deus pela Liberdade contra o Comunismo: O Retorno – e nunca é demais frisar, pela cinquentésima vez, que colocar “O Retorno” em um título de uma marcha dita séria já é, per se, um tiro no pé, visto que esta indicação não é adequada nem em filmes do Batman – foi, na verdade, em homenagem ao hino da pátria que estes ultraconservadores dizem defender, um fracasso retumbante (diga-se de passagem, retumbantíssimo).

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Introdução

E, como prometido ao leitores de O Homem e a Crítica, finalmente dá-se o pontapé inicial em “Apoliticamente Incorreto”, o novo blog que também terá alguns posts do blog antigo para situar novos leitores e para melhor criar “tags”. Ainda assim, algumas explicações precisam ser dadas.

Primeiro, como os leitores bem sabem, o nome que venceu, de fato, na enquete não foi “Apoliticamente Incorreto”, sugestão de meu amigo Arthur Rizzi Ribeiro, mas “Octagon”, sugerido por um outro amigo, Francisco Razzo. Ocorre que esse nome já estava ocupado no WordPress em todas as suas variações, o que fez, então, com que eu precisasse me fiar no plano B, que deu certo.

Isto significa, portanto, que vamos de “Apoliticamente Incorreto” mesmo. Porém, cabe também explicar o significado deste nome para o contexto do blog. Basicamente, como os leitores bem sabem, após um longo período no comunismo (brincadeira, foi só um ano e meio) e muitas desilusões com ideologias em geral, este blogueiro decidiu que não mais analisaria a realidade por ideologias políticas, mas pela lógica e pela própria realidade em si, e percebeu, então, que não era nada mais do que um apolítico sem medo da polêmica. Por isso, talvez este nome seja justamente o que melhor traduza o espírito deste blog: A polêmica sem subordinação a qualquer ideologia e sem medo do “politicamente correto”, de qualquer lado que ele venha.

Enfim, como devem ter percebido, não sou bom com introduções nem com finais. Verei aqui se posso colocar meus podcasts também no site e começarei a mandar bala assim que estiver com maior tempo livre. Até lá, até breve, amigos leitores.

Sobre o Autor: Octavius é graduando em Letras e ainda inicia seu caminho pela Filosofia. Deveria ter verificado se Octagon poderia ter sido utilizado em seu blog, mas não adianta chorar pelo leite derramado.