Comunismo

Eu, Apolítico – Nova Direita, novo ENEM e as velhas bizarrices política de sempre

Histórias da direita que dá furo – Ano 2015:

Manifestantes da direita planejam passeata para reclamar do tema da Redação do ENEM 2015. O organizador, Godrico Tarantino, dispara: “o tema da redação deveria ter sido: ‘combustível fóssil é o c* da sua mãe, ora porra!’. Chega dessa doutrinação esquerdista!”.

Mais um ano se passou, mais um ciclo de vestibulares de fim de ano com o ENEM começou, mas a direita brasileira, como sempre, se reciclar ideologicamente que é bom nem tentou (ih, legal, rimou!).

Nem falo, aliás, das pertinentes reclamações sobre e gozações com os atrasados de sempre. Julgo que estas, afinal, são deveres de qualquer sujeito com dois neurônios ativos no cérebro e sem a intoxicação da justiçagem social provinciana de grande parte da Nova Esquerda, a rival totalitária da Nova Direita imbecil e cretina.

Falo, isso sim, de ler, a cada 10 posts de direitistas médios (ou nem tanto), 11 reclamações sobre a doutrinação esquerdista no ENEM e sobre como isso tem levado o Brasil ao buraco, esparrela esta que comove apenas os mesmos néscios de sempre que, munidos de sua crença fanática no poder da redenção política por meio do Olavismo Cultural, fazem até o psolista médio parecer um sujeito menos desagradável e, mais grave ainda, um pouco menos distante das noções de civilização que nos são tão caras.

Este articulista, porém, não se comove. Na dura realidade, talvez nunca tenha se comovido. É hora de explicar o porquê.

Inverta a lógica para ganhar apoio na internet sim, amiguinho. Ninguém vai te achar um fracassado não, confie no seu potencial!

Histórias da direita que dá furo – Ano 2019:

Projeto “Jornalismo sem Partido” é lançado por meio do PL 666umtapanaoreia. Inquirido pela redação, o seu criador, Samuel Tarif, justifica:”Redação não é lugar de doutrinação! Chega de ideologia de gênero nas nossas notícias!”.

A mais comum das reclamações por parte dos destros brasileiros tem sido a de que, sendo o ENEM uma prova de altíssimo impacto nacional – só neste ano, por exemplo, mais de 7 milhões de estudantes pleiteiam, via Exame Nacional, vagas em universidades públicas e em programas governamentais de financiamento estudantil -, o governo petista declarada e essencialmente de esquerda a estaria usando como instrumento massificado de doutrinação ideológica, fazendo com que só aqueles que dessem a resposta ideologicamente mais próxima do purismo esquerdista pudessem adentrar, como alunos, no território também hostil aos ideais de direita que é a universidade pública. Até que ponto, porém, essa reclamação é consistente?

Tal reclamação, por mais que pareça pertinente aos que tomam essa narrativa por verdadeira, acaba por inverter a lógica dos fatos. Não é que as perguntas do ENEM sejam elaboradas para tornar o pensamento de esquerda hegemônico. É que as perguntas elaboradas refletem a já existente hegemonia esquerdista nos ambientes escolares e acadêmicos, fato que inclusive é muito citado pela própria direita ao reclamar do contraste entre a profusão de textos universitários sobre autores como Karl Marx, Michel Foucault, Jacques Lacan, Bertolt Brecht e Jean-Paul Sartre e o solene ignorar da obra de tantos outros menos à esquerda, dentre eles Ludwig von Mises, Milton Friedrich, Friedrich Hayek, Edmund Burke e Eric Voegelin.

Quando vamos ao contexto escolar em si, então, o argumento fica mais estranho, pois seria impossível cobrar do aluno que dê uma resposta para a qual a escola não o prepare antes. Como poderia o vestibulando, então, adivinhar que era “x” e não “y” a resposta demandada pelo ENEM se a escola não o tivesse previamente preparado para “x” ou, mais ainda, se sua preparação fosse para “y”?

Se é para expor algum tipo de plano esquerdista educacionalmente doutrinário, não seria mais exato e menos contraproducente, então, discorrer sobre como a mudança do ENEM de um exame meramente avaliativo da qualidade de ensino para um exame admissional em universidades as mais variadas teria sido um plano da esquerda para consolidar uma já existente mentalidade de doutrinação de crianças e jovens ao invés de legar ao público uma explicação inexata por sua lógica invertida e lacônica por ser exposta sem exatidão?

De novo a Escola sem Partido, de novo o conservadorismo imprudente

Histórias da direita que dá furo – Ano 2030:

“Comeu um pedaço de bolo e dividiu com um amigo? Só pode ter sido doutrinado por Paulo Freire e Antônio Gramsci!”

Nem todos os direitistas, entretanto, caem nesse erro e muitos, inclusive, explicam de maneira coerente com sua narrativa (o que não significa necessariamente que estão certos, mas apenas que pelo menos são coerentes com o que pregam) uma possível relação entre o conteúdo da prova do ENEM e a educação brasileira como moldada atualmente, apesar de muitos desses direitistas aparentemente não terem lido documentos como a LDB/96 e os PCNs antes de reclamarem sobre o possível efeito ao invés de procurarem liquidar as possíveis causas.

Seria essa falta de informação, então, o único e o maior erro da direita, certo? Ledo engano. Sempre que há polêmicas como essas, correm os ineptos a propagar, aos quatro ventos, serelepes e confiantes, a ideia de uma Escola sem Partido, ou seja, a ideia de que é necessário proibir a doutrinação escolar esquerdista para evitar que esta mesma doutrinação aconteça.

Nada mais enganoso e, ao mesmo tempo, nada mais “gugudadá”, como diria um dos mais entusiásticos defensores de tal projeto, em termos políticos.

Ora, ao mesmo tempo em que propor projetos de lei considerados extremos por muitos é uma excelente forma de fazer pressão e conseguir outros objetivos pari passu, não é esse o espírito que noto em boa parte da direita ao defender de maneira entusiasmada tal proposição legal. Fazê-lo com objetivos políticos e não moralizantes seria, afinal, uma demonstração máxima de gramscismo, doutrina política que a direita se recusa a seguir para não se igualar moralmente à esquerda, como se política, principalmente no Brasil, fosse o lugar ideal para se dar uma de freira quando se julga ter a verdade em mãos.

Defendem o projeto, portanto, não, como alega o supracitado defensor, como “forma de pressão dialética sobre a esquerda”, mas como uma panaceia educacional e política instantânea que, progressivamente, minaria por si só as ambições da esquerda no âmbito cultural. Defendem-no, pois, não por pragmatismo, mas por uma espécie de crença fanática de que um dia a verdade se revelará, não precisará ser defendida e triunfará sobre as mentiras pérfidas, cruéis e, pasmem, esquerdistas da Nova Esquerda.

Tolos! Partem, antes de tudo, de duas premissas bizarramente equivocadas. Primeiro, esquecem-se de que, se projetos de lei conseguissem ser a solução instantânea para todo tipo de problema, principalmente no Brasil, nosso povo certamente seria dos mais legalistas e não, ao contrário, dos mais antilegalistas de todos os tempos. Trocando em miúdos, creem piamente que a força da lei, ainda que com uma fiscalização frágil e cambiante inerente à fiscalização brasileira, por si faria com que um dos povos culturalmente mais refratários ao chamado legalismo, ao império da lei, lhe obedecesse, o que subverteria todo o processo sutil empregado pela esquerda nos últimos 40 ou 50 anos, isto segundo a própria narrativa adotada pela direita para explicar a política tupiniquim.

Em segundo lugar, mas não menos importante, nossos sebastianistas de quinta categoria acreditam ainda mais fervorosamente que, sem apelar à guerra cultural e apelando apenas ao senso moral dos brasileiros, conseguirão em pouco tempo a desejada inversão de papéis entre direita e esquerda na mente do cidadão comum. São, pois, duplamente tolos, porque se esqueceram de ler o tomo de Hannah Arendt sobre as origens do totalitarismo, principalmente na parte em que esta explica que, quando um país beira o totalitarismo (que é o que, segundo a própria direita tupiniquim, está acontecendo), seu senso de moral já está totalmente pervertido, do que podemos concluir que só alguém sem o mínimo de senso de coerência acredita na narrativa liberal-conservadora enquanto repudia a guerra cultural em detrimento do apelo à moralidade popular.

Equivoco-me, aliás: triplamente tolos! Afinal, apenas um nível extremo de tolice messiânica leva o sujeito a crer na salvação rápida, bela e moral de sua própria pele quando se lida com um oponente cujos limites morais são bem mais flexíveis. Hoje e ontem foram o ENEM, o Marco Civil, o financiamento exclusivamente público de campanha, o desarmamento. Até quando a direita politicamente inepta e moralmente arcaica terá, no fim das contas, um amanhã para vislumbrar?

Octavius é graduando em Letras, professor, antiolavette e polemista medíocre. Será que a direita pretende fazer como Luiza e ir para o Canadá em 2018?

Dessacro – Os Ensaios Profanos – Breve introdução

Como venho dizendo aos leitores há algum tempo, uma série de posturas que tenho visto internet afora vêm me perturbando.

Entre elas, cito algumas das que já abordei, como a imprudência política da direita raivosa, a pressa desnecessária da esquerda imbecil, o legalismo delirante de ambos os lados e, last but not least, o reacionarismo inerente não a uma ideologia específica, mas ao típico homo brasilis massificado.

Mesmo tendo abordado todas essas de várias maneiras diferentes, vim cometendo um erro muito grande. Esqueci-me de explicar ao leitor sobre a pior de todas as posturas, e justamente a mais recorrente entre elas, isto é, a sacralização de qualquer bobagem surgida na cabeça de um indivíduo ou de um grupo iluminados metafisicamente, ou nem tanto.

Estes pretendem ser, pois, não apenas ensaios, muito menos ensaios profanos. Muito mais do que isso, o que o leitor já começou a ler são justamente OS ensaios profanos, e nada mais profano do que escrevê-los especialmente para uma era que sacraliza os piores dos valores: a imbecilidade e, principalmente, a cretinice intelectual.

Octavius é professor, graduando em Letras, antiolavette e polemista medíocre. Promete ao leitor que nenhum texto terá mais de 3 páginas. Pede desculpas por provavelmente descumprir a promessa algum dia.

Eu, Apolítico – Legalismo, um delírio

*Texto originalmente publicado por este que vos escreve em Sociedade Alternativa de Letras há alguns meses.

Escrevi, recentemente, um texto sobre quão incautos são aqueles que defendem a tese de que, por ser o Comunismo (ou, na linguagem esquerdista, “Socialismo real”) um sistema tão ou mais mortífero do que o Nazismo, e sendo a apologia a esta doutrina criminalizada, a apologia às “doutrinas vermelhas” também deveria ser considerada um crime.

No texto, abordei as diversas facetas do problema, entre elas a de que não há uma cultura que sustente essa criminalização e a de que esse tipo de projeto apenas reforça a ideia de que somos necessitados de um Estado-babá que nos diga em que pensar ou não, mas uma em especial, aquela que intitulei Legalismo, um delírio, merece um texto exclusivamente seu, pois não é difícil ver que, em muitos outros casos e em ambos os lados do espectro político-ideológico, esse é um erro comum.

Como no texto supracitado, defino legalismo não tanto como o sentimento de que as leis devem ser cumpridas a qualquer custo, mas principalmente como a crença de que são elas, e não a moral, a cultura ou outro fator de coesão social, que fazem as pessoas serem capazes de discernir entre o certo e o errado, o bom e o mau (e o bem e o mal, por corolário), o verdadeiro e o falso, o belo e o grotesco et cetera.

Não é muito difícil perceber que, a não ser que se creia em direitos naturais (e, portanto, em moral objetiva), este tipo de pensamento faria seus defensores caírem automaticamente no relativismo, pois lugares e culturas diferentes, por mais que tenham algumas leis em comum, inevitavelmente terão muitas que diferirão por causa de suas necessidades de momento, das diferentes ideias que sustentam e até mesmo dos gostos pessoais dos seus líderes de momento.

O problema, porém, é que quando se fala em “o certo”, “o bom”, “o verdadeiro”, “o belo”, especialmente para essas mesmas pessoas que defendem a criminalização de certas condutas ou doutrinas por não se encaixarem em qualquer dessas características – e aqui não falo com o neutralismo tedioso de muitos dos meios intelectuais, pois acho comunismo algo abominável em quase todos os sentidos -, não se intenciona discutir sobre o que é mutável até mesmo por simples preferências pessoais, e sim sobre o que, independente de tempo e de espaço, serve como regra universal de julgamento moral, factual, político e estético.

Aliás, falando em tempo, volto às necessidades de momento e pergunto aos legalistas: se são as leis o principal instrumento para discernir o certo do errado, seria a Pena Capital certa durante o Regime Militar e errada em nossos tempos? E, principalmente, se esta mudança se deu pela mudança de percepção da verdade (como de fato ocorreu), como garantir que as atuais leis são as melhores e mais corretas? Seria a verdade, novamente, dependente do que o personagem O’Brien, do genial 1984, escrito pelo mais genial ainda George Orwell, chama de “solipsismo coletivo”, isto é, do julgamento de um coletivo determinado sobre o que é verdadeiro e o que é falso?

Já se o apelo for aos direitos naturais, essa crença na força das leis como elementos de geração de repúdio ou apoio moral a determinado item fica ainda mais fragilizada, pois, se os direitos naturais pressupõem (como de fato ocorre) uma moral objetiva, isto significa justamente que, antes de qualquer direito ou dever existir, deve haver uma moral imutável e universalmente válida que o sustente. Como seria, então, o direito responsável pela moral se é a moral que dá origem ao direito, e não o contrário?

O legalismo nos termos aqui colocados, entretanto, é tão frágil que apenas a observação atenta da realidade que nos cerca já seria mais do que suficiente para desmontá-lo. Afinal, se pirataria é crime, por exemplo, por que tantos não só a toleram e dela se utilizam como, em determinadas circunstâncias, também a apoiam moralmente? Será, também, que se certas condutas já não fossem repudiadas quase que por todos em nossa sociedade haveria como sustentar, apenas pela lei, que estão erradas sem cair em uma argumentação circular?

E enquanto os legalistas tentam nos mostrar o mistério de sua fé, os que queriam ver criminalizados e mandados para a lata de lixo da história é que, tão politicamente habilidosos de tão estratégicos e tão estratégicos de tão politicamente habilidosos, sequer precisam se esforçar muito para mostrar quaisquer mistérios que bem prefiram. Eis, meus amigos, o triste fim de quem não acredita no conselho de Goethe: “é urgente ter paciência”.

Octavius é professor, graduando em Letras, antiolavette e polemista medíocre. Considera que “solipsismo coletivo” é um ótimo termo para explicar muitas coisas, mas não fará dele seu “marxismo cultural”.

Sobre a má aventurança

Mal aventurados os que, em nome de ideias retrógradas  e de um ranço injustificável em todas as faixas etárias possíveis, consideram possível a verdade apenas ser dita pelos que porventura e por ventura tenham mais idade. Tolos, ignorantes, hipócritas e incultos, como vós reagiríeis ao saber que, dentre os maiores gênios chineses de todos os tempos, há nada menos do que um garoto cuja vida expirou antes de completar treze  já mais do que promissoras primaveras? Reduzi-lo-íeis à condição de mero molecote arrogante, mesmo quando até seu pai, reconhecidamente um dos maiores generais de seu tempo, já o considerava mais inteligente e tão valoroso quanto a maioria de seus servos e até do que ele próprio?

Mais mal aventurados, porém, os que, em nome da inovação irresponsável e da rebeldia fingidamente altruísta, clamam por “todo poder ao povo” enquanto o que querem é, na verdade, “todo poder a nós mesmos”. Demagogos e calhordas, sois vós tão cegos a ponto de não perceberem que, se vosso desejo se tornar realidade, vossas causas é que podem naufragar de vez? Ou sereis vós tão gananciosos como penso que vos faltará o escrúpulo necessário para que não coloqueis em risco inclusive vossos próprios familiares em nome de uma antiutopia amaldiçoada em sua origem?

Finalmente, ainda mais mal aventurados os que querem se chamar de “povo” enquanto sequer cogitam observar esta entidade com mais proximidade e com mais sinceridade. Cretinos e irresponsáveis, como conciliareis voluntariedade com filhadaputagem? Como defendeis o menor Estado sem pregar, também, o fim do coronelado? É vossa irresponsabilidade tão grande que vos deixa tão cegos quanto os outros mal aventurados?

A vós, que não julgais pela reta justiça nem pela clareza dos fatos, só haverá um reino reservado: vosso é o reino do esquecimento.

Octavius é professor, graduando em Letras, antiolavette e polemista medíocre. Pergunta-se quantos leitores reclamaram de tantos “vós” antes do fim do texto.

Eu, Apolítico – Notas para a discussão da criminalização da apologia às “doutrinas vermelhas”

Existem ideias estúpidas. Existem ideias muito estúpidas. Existem ideias que nem néscios completos teriam. E existe, com a política de hoje, a “criminalização da apologia ao socialismo e outras doutrinas vermelhas”, ideia esta que, apesar de bem embasada na lógica, é, politicamente, se não apenas prova da inépcia política da direita, também suicídio. Aos trabalhos, então, de explicar ao amigo John Aley (quem primeiro me pediu) e a todos os interessados, a seguir, primeiro por que esta criminalização é, hoje, uma má ideia, depois por que razões é, em essência, péssima ideia.

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O óbvio ululante: Um recorte

"Envelheça, leitor, envelheça depressa, com urgência, envelheça!"

“Envelheça, leitor, envelheça depressa, com urgência, envelheça!”

“Não me interessa a expressão numérica da ‘festiva’. O que importa é sua capacidade de influir nos usos, costumes, ideias, sentimentos, valores do nosso tempo. Ela não briga, nem ameaça as instituições. Mas, em todas as áreas, as pessoas assumem as poses das esquerdas.”

Nenhuma máxima melhor do que esta para começar o recorte de O óbvio ululante: primeiras confissões, do reacionário autodeclarado e maior teatrólogo de todos os Brasis já existentes, Nelson Rodrigues. E foi justamente como reacionário, e não como teatrólogo, que Nelson, o obsessivo pelos amigos (e como o sabia Otto Lara Rezende), pela pobreza e pela morte, entre outras coisas – afinal, o próprio se dizia “uma flor de obsessão”-, nos legou não só um apanhado de frases geniais sobre as esquerdas brasileiras como também uma pletora de textos em que, como um dos melhores senão o melhor dos moralistas brasileiros, disseca com precisão cirúrgica e por meio dos dramas cotidianos a alma humana. Vejamos, então, o que há de melhor no Nelson dessa obra.

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Contos de Fadas Octavianos 1 – Memórias de minhas Cubas tristes (Ou: Vou-me embora de Pasárgada)

Era uma vez Jorge Amado, poeta da Ilha de Santa Cruz, lugar tão belo de tão verde e tão verde de tão belo. Jorjão (chamá-lo-emos assim doravante), tão antinacionalista de tão comunista e tão comunista de tão antinacionalista, estava deveras insatisfeito pela ausência da democratização dos meios de produção e da privatização, para si, das mulheres mais bonitas de sua ilhota que decidiu, de repente e não mais que de repente, pedir asilo político em outra ilhota próxima, Pasárgada, comandada pelo ultrademocrático Ernesto da Serra Guevara.

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