Filosofia

Eu, Apolítico – Nova Direita, novo ENEM e as velhas bizarrices política de sempre

Histórias da direita que dá furo – Ano 2015:

Manifestantes da direita planejam passeata para reclamar do tema da Redação do ENEM 2015. O organizador, Godrico Tarantino, dispara: “o tema da redação deveria ter sido: ‘combustível fóssil é o c* da sua mãe, ora porra!’. Chega dessa doutrinação esquerdista!”.

Mais um ano se passou, mais um ciclo de vestibulares de fim de ano com o ENEM começou, mas a direita brasileira, como sempre, se reciclar ideologicamente que é bom nem tentou (ih, legal, rimou!).

Nem falo, aliás, das pertinentes reclamações sobre e gozações com os atrasados de sempre. Julgo que estas, afinal, são deveres de qualquer sujeito com dois neurônios ativos no cérebro e sem a intoxicação da justiçagem social provinciana de grande parte da Nova Esquerda, a rival totalitária da Nova Direita imbecil e cretina.

Falo, isso sim, de ler, a cada 10 posts de direitistas médios (ou nem tanto), 11 reclamações sobre a doutrinação esquerdista no ENEM e sobre como isso tem levado o Brasil ao buraco, esparrela esta que comove apenas os mesmos néscios de sempre que, munidos de sua crença fanática no poder da redenção política por meio do Olavismo Cultural, fazem até o psolista médio parecer um sujeito menos desagradável e, mais grave ainda, um pouco menos distante das noções de civilização que nos são tão caras.

Este articulista, porém, não se comove. Na dura realidade, talvez nunca tenha se comovido. É hora de explicar o porquê.

Inverta a lógica para ganhar apoio na internet sim, amiguinho. Ninguém vai te achar um fracassado não, confie no seu potencial!

Histórias da direita que dá furo – Ano 2019:

Projeto “Jornalismo sem Partido” é lançado por meio do PL 666umtapanaoreia. Inquirido pela redação, o seu criador, Samuel Tarif, justifica:”Redação não é lugar de doutrinação! Chega de ideologia de gênero nas nossas notícias!”.

A mais comum das reclamações por parte dos destros brasileiros tem sido a de que, sendo o ENEM uma prova de altíssimo impacto nacional – só neste ano, por exemplo, mais de 7 milhões de estudantes pleiteiam, via Exame Nacional, vagas em universidades públicas e em programas governamentais de financiamento estudantil -, o governo petista declarada e essencialmente de esquerda a estaria usando como instrumento massificado de doutrinação ideológica, fazendo com que só aqueles que dessem a resposta ideologicamente mais próxima do purismo esquerdista pudessem adentrar, como alunos, no território também hostil aos ideais de direita que é a universidade pública. Até que ponto, porém, essa reclamação é consistente?

Tal reclamação, por mais que pareça pertinente aos que tomam essa narrativa por verdadeira, acaba por inverter a lógica dos fatos. Não é que as perguntas do ENEM sejam elaboradas para tornar o pensamento de esquerda hegemônico. É que as perguntas elaboradas refletem a já existente hegemonia esquerdista nos ambientes escolares e acadêmicos, fato que inclusive é muito citado pela própria direita ao reclamar do contraste entre a profusão de textos universitários sobre autores como Karl Marx, Michel Foucault, Jacques Lacan, Bertolt Brecht e Jean-Paul Sartre e o solene ignorar da obra de tantos outros menos à esquerda, dentre eles Ludwig von Mises, Milton Friedrich, Friedrich Hayek, Edmund Burke e Eric Voegelin.

Quando vamos ao contexto escolar em si, então, o argumento fica mais estranho, pois seria impossível cobrar do aluno que dê uma resposta para a qual a escola não o prepare antes. Como poderia o vestibulando, então, adivinhar que era “x” e não “y” a resposta demandada pelo ENEM se a escola não o tivesse previamente preparado para “x” ou, mais ainda, se sua preparação fosse para “y”?

Se é para expor algum tipo de plano esquerdista educacionalmente doutrinário, não seria mais exato e menos contraproducente, então, discorrer sobre como a mudança do ENEM de um exame meramente avaliativo da qualidade de ensino para um exame admissional em universidades as mais variadas teria sido um plano da esquerda para consolidar uma já existente mentalidade de doutrinação de crianças e jovens ao invés de legar ao público uma explicação inexata por sua lógica invertida e lacônica por ser exposta sem exatidão?

De novo a Escola sem Partido, de novo o conservadorismo imprudente

Histórias da direita que dá furo – Ano 2030:

“Comeu um pedaço de bolo e dividiu com um amigo? Só pode ter sido doutrinado por Paulo Freire e Antônio Gramsci!”

Nem todos os direitistas, entretanto, caem nesse erro e muitos, inclusive, explicam de maneira coerente com sua narrativa (o que não significa necessariamente que estão certos, mas apenas que pelo menos são coerentes com o que pregam) uma possível relação entre o conteúdo da prova do ENEM e a educação brasileira como moldada atualmente, apesar de muitos desses direitistas aparentemente não terem lido documentos como a LDB/96 e os PCNs antes de reclamarem sobre o possível efeito ao invés de procurarem liquidar as possíveis causas.

Seria essa falta de informação, então, o único e o maior erro da direita, certo? Ledo engano. Sempre que há polêmicas como essas, correm os ineptos a propagar, aos quatro ventos, serelepes e confiantes, a ideia de uma Escola sem Partido, ou seja, a ideia de que é necessário proibir a doutrinação escolar esquerdista para evitar que esta mesma doutrinação aconteça.

Nada mais enganoso e, ao mesmo tempo, nada mais “gugudadá”, como diria um dos mais entusiásticos defensores de tal projeto, em termos políticos.

Ora, ao mesmo tempo em que propor projetos de lei considerados extremos por muitos é uma excelente forma de fazer pressão e conseguir outros objetivos pari passu, não é esse o espírito que noto em boa parte da direita ao defender de maneira entusiasmada tal proposição legal. Fazê-lo com objetivos políticos e não moralizantes seria, afinal, uma demonstração máxima de gramscismo, doutrina política que a direita se recusa a seguir para não se igualar moralmente à esquerda, como se política, principalmente no Brasil, fosse o lugar ideal para se dar uma de freira quando se julga ter a verdade em mãos.

Defendem o projeto, portanto, não, como alega o supracitado defensor, como “forma de pressão dialética sobre a esquerda”, mas como uma panaceia educacional e política instantânea que, progressivamente, minaria por si só as ambições da esquerda no âmbito cultural. Defendem-no, pois, não por pragmatismo, mas por uma espécie de crença fanática de que um dia a verdade se revelará, não precisará ser defendida e triunfará sobre as mentiras pérfidas, cruéis e, pasmem, esquerdistas da Nova Esquerda.

Tolos! Partem, antes de tudo, de duas premissas bizarramente equivocadas. Primeiro, esquecem-se de que, se projetos de lei conseguissem ser a solução instantânea para todo tipo de problema, principalmente no Brasil, nosso povo certamente seria dos mais legalistas e não, ao contrário, dos mais antilegalistas de todos os tempos. Trocando em miúdos, creem piamente que a força da lei, ainda que com uma fiscalização frágil e cambiante inerente à fiscalização brasileira, por si faria com que um dos povos culturalmente mais refratários ao chamado legalismo, ao império da lei, lhe obedecesse, o que subverteria todo o processo sutil empregado pela esquerda nos últimos 40 ou 50 anos, isto segundo a própria narrativa adotada pela direita para explicar a política tupiniquim.

Em segundo lugar, mas não menos importante, nossos sebastianistas de quinta categoria acreditam ainda mais fervorosamente que, sem apelar à guerra cultural e apelando apenas ao senso moral dos brasileiros, conseguirão em pouco tempo a desejada inversão de papéis entre direita e esquerda na mente do cidadão comum. São, pois, duplamente tolos, porque se esqueceram de ler o tomo de Hannah Arendt sobre as origens do totalitarismo, principalmente na parte em que esta explica que, quando um país beira o totalitarismo (que é o que, segundo a própria direita tupiniquim, está acontecendo), seu senso de moral já está totalmente pervertido, do que podemos concluir que só alguém sem o mínimo de senso de coerência acredita na narrativa liberal-conservadora enquanto repudia a guerra cultural em detrimento do apelo à moralidade popular.

Equivoco-me, aliás: triplamente tolos! Afinal, apenas um nível extremo de tolice messiânica leva o sujeito a crer na salvação rápida, bela e moral de sua própria pele quando se lida com um oponente cujos limites morais são bem mais flexíveis. Hoje e ontem foram o ENEM, o Marco Civil, o financiamento exclusivamente público de campanha, o desarmamento. Até quando a direita politicamente inepta e moralmente arcaica terá, no fim das contas, um amanhã para vislumbrar?

Octavius é graduando em Letras, professor, antiolavette e polemista medíocre. Será que a direita pretende fazer como Luiza e ir para o Canadá em 2018?

Eu, Apolítico – A escola sem partido e a volta dos conservadores sem prudência

Havia reclamado há alguns meses sobre uma ideia muito disseminada nas trincheiras do direitismo conservador brasileiro, a de que a apologia ao comunismo e às outras doutrinas vermelhas deve ser criminalizada no mais tardar ontem. Não me cabe aqui expor novamente que argumentos me levam a rejeitar essa ideia, posto que já o fiz no supracitado texto e em outro no Sociedade Alternativa de Letras, blog de meu amigo Leonardo Levi, mas, sim, me redimir por ter achado que esta teria sido a ideia mais estúpida e mais politicamente ingênua que já tinha ouvido. Daí veio, por parte de alguns aliados do movimento chamado Escola sem Partido, a ideia da criminalização da doutrinação marxista dentro das escolas e das universidades, e fomos surpreendidos novamente.

(mais…)

Guia Politicamente Incorreto da Filosofia (Luiz Felipe Pondé) – Um Resumo

Olá, amigos leitores, como vão vocês? Vamos começar outro daqueles nossos papos?

Hoje, vou falar brevemente com vocês sobre o Guia Politicamente Incorreto da Filosofia – Ensaio de Ironia, do filósofo e professor da FAAP e da PUC-SP Luiz Felipe Pondé.

Como já adiantei no último post, eu achei esse livro de uma clareza e de uma maestria tão grandes que resolvi não só fazer esse resumo com os pontos principais como também usar esse e outros escritos do Pondé nos meus futuros posts, incluindo aquele que será o segundo post da minha série sobre religião, sobre Agnosticismo.

Neste post, porém, vou, basicamente, contar, com mais detalhes do que fiz no último post (Espírito Natalino), sobre o que se trata o livro. Como eu já disse lá, esse livro, ao contrário do que o nome pode acabar sugerindo, não é um livro sobre história da filosofia, ou sobre sociologia da filosofia (se isso existe, rs), ou enfim. Como o próprio Pondé diz, o objetivo desse livro (genial) é o de fazer uma crítica voraz aos valores que estão sendo incluídos na nossa sociedade pelo Politicamente Correto, que o Pondé chama “carinhosamente” de Praga PC (ou Praga Politicamente Correta).

Como o livro tem, basicamente, 25 crônicas do filósofo (contando com o Apêndice), contarei apenas as histórias das que mais me chamaram a atenção e listarei as outras ao final deste texto. Ainda assim, insisto, como quase sempre faço nos meus posts, que o leitor não só pode como tem uma visão diferente da minha, o que significa que ele talvez ache outros pontos interessantes do livro que eu não percebi. Portanto, se lerem o livro e gostarem de outra coisa, não hesitem em conversar comigo pelo blog ou por outro meio, pois é possível que eu faça um post com as impressões dos leitores sobre o livro. Também há algumas crônicas sobre as quais falarei apenas no segundo “Dialeticando com Luiz Felipe Pondé”, por uma questão de propósito, mas isso vocês entenderão logo que verem o estilo que terá esse post.

Enfim, hora de começar. Antes disso, porém, quero fazer uma ressalva IMPORTANTÍSSIMA. Se você é o tipo de cara que tem a mente tão infectada pelas ideias de “esquerda” (frise-se as aspas) a ponto de achar que simplesmente discordar do modus operandi do movimento LGBT é ser homofóbico, por exemplo, por favor, não perca seu tempo lendo esse livro nem perca o meu tempo comentando comigo que o Pondé é racista, antissemita, anti-islâmico, homofóbico, ateofóbico ou todo esse mimimi, porque ele não é. Inclusive, ele reafirma seu completo asco a piadinhas de cunho racista ao longo do livro, sempre dizendo que elas são a maior prova de “falta de educação doméstica”.

O primeiro escrito sobre o qual quero falar é o segundo na ordem do livro e se chama Aristocracia – Os poucos melhores carregam o mundo nas costas (lembrando que cada um desses títulos que vou listar são os dos capítulos, não dos textos especificamente). Aqui, o filósofo nos presenteia com a concepção original do termo “aristocracia”, que seria o governo não dos mais ricos, mas sim dos melhores, dos mais virtuosos, e que, na verdade, a culpa de esse tipo de governo não dar certo foi exatamente a persistência dos mais ricos em corromper esse ciclo da virtuosidade.

Apesar de eu achar essa ideia um pouco utópica, ela é importante para entender o fatality que o Pondé dá nos “democratas” no terceiro escrito, chamado A democracia, sua sensibilidade e seus idiotas. Nesse texto, Pondé, ao mesmo tempo em que admite ser a democracia a forma “menos pior” de se governar, pois é a que traz um certo equilíbrio que deixa a busca pela virtude mais acirrada, critica duramente não só o “espírito democrático” e esquerdista criado por marxistas e roussenianos para colocar o povo como santo e digno de toda a glória, mas também a ideia de que todos são absolutamente iguais e que, portanto, têm as mesmas capacidades de opinar sobre as coisas com autonomia, o que, ao falar que a democracia, ao invés de criar conhecimento, criou a opinião pública, Pondé mostra ser uma mentira deslavada.

Porém, é uma outra coisa que Pondé fala que faz esse capítulo digno de nota. A citação que vou colocar a seguir é, sem dúvida, a que marca o espírito não só desse capítulo como do livro todo. Segundo Pondé:

“Uma coisa que salta aos olhos é a tentativa de chamar qualquer um que critique a democracia de   antidemocrático. A sensibilidade democrática é ‘dolorida’, qualquer coisa ela grita. Mas não me engano com ela: esse ‘grito’ nada mais é do que a tentativa de impedir críticas que reduzam a vocação também tirânica que a democracia tem como regime ‘do povo’. O ‘povo’ é sempre opressor, Rousseau e Marx são dois mentirosos. […] Quando aparece politicamente, é para quebrar coisas. O povo adere fácil e descaradamente (como aderiu nos séculos 19 e 20) a toda forma de totalitarismo. Se der comida, casa e hospital, o povo faz qualquer coisa que você pedir. Confiar no povo como regulador da democracia é confiar nos bons modos de um leão à mesa. Só mentirosos e ignorantes têm orgasmos políticos com o ‘povo’.”

Vê-se, por aí, que os próximos capítulos do livro não serão nada “lights” nas críticas. Mas, é no oitavo capítulo, chamado Os funcionários da educação, do intelecto e da arte, que Pondé destila o máximo de sua crítica aos politicamente corretos. Além de chamar boa parte de seus pares (professores universitários) de pessoas com inteligência mediana (o que eu, como mero estudante, jamais consideraria fazer, a não ser em um caso MUITO extremo), Pondé diz que é por causa da covardia dos medíocres da democracia que o Politicamente Correto sobrevive, pois, por ser uma forma de totalitarismo, dependeria da covardia e da mediocridade, que se referem mais à censura à liberdade de pensamento do que à apatia política propriamente. O filósofo também escracha com quem fala com “propriedade” sobre a “ética”, que ele considera um dos assuntos in voga tanto no meio acadêmico quanto nos “jantares inteligentes” (sobre os quais falarei no próximo post Dialeticando que fizer).

Já no 11º capítulo, chamado Religiões, fundamentalismos e budismo light, o professor da PUC simplesmente “owna” o discurso politicamente correto contra as “religiões opressoras” (Judaísmo e Cristianismo) e anti-“anti-Islamismo”, mostrando que, na verdade, o Islamismo não é metade da beleza que os revolucionários da nova esquerda acham que é. Pondé também detona com os novos budistas de 1 semana, mostrando que o que eles querem, na verdade, não é uma religião, mas sim livrar-se da culpa cristã sem terem que se dizer ateus ou agnósticos, o que seria um “materialismo” extremamente grosseiro.

Alguns outros capítulos de destaque são o 12º (Natureza humana e felicidade), em que Pondé admite o pecado como a melhor forma de examinar o ser humano e critica os que são contrários a se fazer qualquer afirmação sobre a natureza humana, o 13º (A nova hipocrisia social), em que o filósofo critica duramente a infantilização do ser humano promovida pelo politicamente correto com seu discurso ético-moralista, o 16º (Injustiça social, mediocridade e banalidade), no qual Pondé renova suas críticas à ideia democrática de “todos são igualmente capazes de ser inteligentes”, e o 24º escrito (O comércio de ideias), em que o filósofo mostra o quão mau-caráter é o politicamente correto não pelos motivos que eles argumentam, mas sim por proibirem algo que o filósofo considera muito caro para si mesmo e para a humanidade, que é o comércio de ideias, o apresentar ideias que discordem do PC, pois não são “boas ideias”.

Para finalizar, reitero que não é o leitor intransigente que deve ler o livro de Pondé, pois dele nada entenderá a não ser um racismo e uma homofobia que, nos escritos do filósofo, INEXISTEM. Esse é livro para os leitores que pensam, assim como o genial escritor, professor e filósofo, que “ideias não são sempre coisas ‘boas’. Às vezes doem”.

Vou deixar aqui algumas citações interessantes do livro (e o index de capítulos) para aguçar-lhes mais ainda a curiosidade, e encerro por aqui este post. Ficam os meus agradecimentos e o meu forte abraço ao leitor que aguentar ler tudo isso e também ao que procurar tirar suas próprias conclusões sobre o livro, exercendo uma atividade da qual muitas vezes somos privados, seja pela “praga PC” ou por qualquer outra coisa, que é PENSAR.

Sobre o Autor: Octavius é professor, graduando em Letras e estudante autônomo de Filosofia.  Não gostava de Luiz Felipe Pondé por achá-lo excessivamente conservador. Ainda bem que essa fase passou.

Capítulos:

Introdução

O politicamente correto e o general Patton

Aristocracia – os poucos melhores carregam o mundo nas costas

A democracia, sua sensibilidade e seus idiotas

O outro

Romantismo e a natureza

Sexualidade, mulheres e homens

A beleza e a inveja

Os funcionários da educação, do intelecto e da arte

Viajar jamais

A tragédia do keeper (o “bom partido”)

Religiões, fundamentalismos e budismo light

Natureza humana e felicidade

A nova hipocrisia social

Teologia de esquerda ou da libertação

A culpa

Injustiça social, mediocridade e banalidade

Hipocrisia em tempos de guera

Ditadura 

Leitor

Bovarismo

Canalhas cheios de amor

Baianidade

Os “sem iPads” do Reino Unido

O comércio de ideias

Apêndice 

Citações:

“Com a Revolução Francesa e a democracia (que a primeira não criou exatamente porque foi muito mais um regime de terror autoritário), os idiotas perceberam que são em maior número, e de lá para cá todo mundo passou a ter de agradá-los, a fim de ter a possibilidade de existir (principalmente intelectualmente). O nome disso é marketing. Todo mundo que pensa um pouco vive com medo da força democrática (numérica) dos idiotas. O politicamente correto é uma das faces iradas desses idiotas” (A democracia, sua sensibilidade e seus idiotas)

“Nada é mais temido por um covarde do que a liberdade de pensamento. Toda forma de totalitarismo (o politicamente correto é uma forma de totalitarismo, e essa forma está presente na palavra ‘correto’) sobrevive graças às hordas de inseguros, medíocres e covardes que povoam a educação e o mundo da cultura e da arte” (Os funcionários da educação, do intelecto e da arte)

“A mídia muitas vezes parece uma reunião de centro acadêmico de ciências sociais na forma de simplificar o mundo ao nível de uma menina de 12 anos” (Os funcionários da educação, do intelecto e da arte)

“Até golfinhos conseguem ser ateus, porque o ateísmo é a visão de mundo mais fácil de ter: a vida é fruto do acaso e não tem sentido além dos pequenos sentidos que ‘inventamos’.” (Religiões, fundamentalismos e budismo light)

“Se você quiser acertar numa análise que envolva seres humanos, continue a usar o pecado como ferramente para compreender o comportamento humano: orgulho, ganância, inveja e sexo continuam a mover o mundo (a luta de classes nada mais é do que um caso de ganância e inveja). O culto da ciência como conhecimento seguro do futuro humano sob controle das experiências ‘em laboratório’ degenerou no culto do ser humano como tendo controle do que ele é e do que pode vir a ser. O próprio nascimento do Estado moderno e sua burocracia de controle do cotidiano também marcaram esse processo, na medida em que a experiência da organização da vida carrega em si um sentimento de potência positiva” (Natureza humana e felicidade)

“Dizer coisas coisas como todo índio é legal, pobre é sempre gente boa, gay é sempre honesto, ‘eu não gosto de dinheiro’, quando na realidade todo mundo tem sua dose de miséria, além de vaidade barata, simplifica (como sempre, o pior efeito da praga PC é a burrice que ela cultiva) a natureza humana, nos impedindo de pensar em nós mesmo de modo adulto. […] Fingindo ser contra o mundo do mercado e do dinheiro, o politicamente correto é um dos seus produtos mais vagabundos em termos de qualidade. Entre a felicidade e a autoestima, prefiro o pecado” (Natureza humana e felicidade)

“Todo mundo sabe que a substância última da moral pública é a hipocrisia, por isso quem nega esse fato é em si o primeiro hipócrita” (A nova hipocrisia social)

“Não existe a possibilidade de associarmos ética ou moral aos princípios de marketing, como se faz hoje em dia. E o politicamente correto é uma forma de marketing político e ético”. (A nova hipocrisia social)

“Ninguém precisa de Nietzsche para matar Deus, basta chamar um teólogo da libertação.” (Teologia de esquerda ou da libertação)

“A canalhice sempre pagou bem nesse mundo, e o politicamente correto é uma das novas formas de canalhice que assolam o mundo da cultura, da academia e da mídia”. (Canalhas cheios de amor)

*Originalmente publicado em “O Homem e a Crítica” em 27/12/2012. O leitor entenderá com a republicação de outros posts.

Teste de cegueira ideológica

Apresento ao leitor a seguinte citação, retirada de um livro não muito famoso:

“Quando é o poder que diz ao povo aquilo em que é preciso crer, está se referindo a uma ‘espécie de religião política’, raramente preferível à precedente […] Ao fim e ao cabo, o conteúdo específico do novo dogma importa pouco […] O essencial é a nova ‘plenitude de poder’, já que o poder temporal impõe também as crenças que lhe convêm. Controlando a escola, ele transforma a instrução, que supostamente deveria trazer a liberação, em ferramenta de uma submissão ainda maior; ele apresenta como dogmas imutáveis ou, pior, verdades científicas, as últimas decisões políticas […] A religião tradicional queria controlar a consciência do indivíduo, fosse exercendo ela mesma o poder temporal, ou delegando a este a tarefa de reprimir. A religião política, por sua vez, poderá vigiar e orientar diretamente tudo. […] O território da nova religião ultrapassa de longe o do antigo; em consequência aumenta também aquele que o indivíduo terá de defender.”

Lanço, agora, três perguntas:

1- Você concorda até que ponto com o autor?

2- Quem você acha que é o autor de cujo livro a citação foi retirada?

a) Mestre (e, para alguns, uma deidade) Olavão, em “O Imbecil Coletivo”

b) O libertário Marcos Bagno, em “A Norma Oculta”

c) A maior filósofa do hemisfério, Marilena Chauí, em “O que é Ideologia?”

d) O filósofo búlgaro Tzvetan Todorov, em “O espírito das Luzes”

e) O reaciotário Luciano Henrique Ayan, em “Desvendando o Esquerdismo – Guia para Iniciantes”.

3- Você considera que este autor tem o DIREITO de continuar a escrever livros (caso discorde dele)?

Saberão a segunda resposta em breve (ou nos comentários mesmo).

Sobre o Autor: Octavius é graduando em Letras e, obstinadamente, procura desvendar os enigmas da Filosofia. Perguntaria a um certo membro do Ad Hominem como é ser odiado por olavettes e esquerdistas ao mesmo tempo, mas, além de já conhecer esta sensação, só se mistura com libertários durante o happy hour.

*Originalmente publicado em “O Homem e a Crítica” em 31/01/2014

Introdução

E, como prometido ao leitores de O Homem e a Crítica, finalmente dá-se o pontapé inicial em “Apoliticamente Incorreto”, o novo blog que também terá alguns posts do blog antigo para situar novos leitores e para melhor criar “tags”. Ainda assim, algumas explicações precisam ser dadas.

Primeiro, como os leitores bem sabem, o nome que venceu, de fato, na enquete não foi “Apoliticamente Incorreto”, sugestão de meu amigo Arthur Rizzi Ribeiro, mas “Octagon”, sugerido por um outro amigo, Francisco Razzo. Ocorre que esse nome já estava ocupado no WordPress em todas as suas variações, o que fez, então, com que eu precisasse me fiar no plano B, que deu certo.

Isto significa, portanto, que vamos de “Apoliticamente Incorreto” mesmo. Porém, cabe também explicar o significado deste nome para o contexto do blog. Basicamente, como os leitores bem sabem, após um longo período no comunismo (brincadeira, foi só um ano e meio) e muitas desilusões com ideologias em geral, este blogueiro decidiu que não mais analisaria a realidade por ideologias políticas, mas pela lógica e pela própria realidade em si, e percebeu, então, que não era nada mais do que um apolítico sem medo da polêmica. Por isso, talvez este nome seja justamente o que melhor traduza o espírito deste blog: A polêmica sem subordinação a qualquer ideologia e sem medo do “politicamente correto”, de qualquer lado que ele venha.

Enfim, como devem ter percebido, não sou bom com introduções nem com finais. Verei aqui se posso colocar meus podcasts também no site e começarei a mandar bala assim que estiver com maior tempo livre. Até lá, até breve, amigos leitores.

Sobre o Autor: Octavius é graduando em Letras e ainda inicia seu caminho pela Filosofia. Deveria ter verificado se Octagon poderia ter sido utilizado em seu blog, mas não adianta chorar pelo leite derramado.