Leonardo Sakamoto

O São Paulo Fashion Week das Falácias – A moda progressista de Gregório Duvivier

Após ler a brilhante resposta do economista liberal Rodrigo Constantino a Gregório Duvivier sobre o novo espantalho deste contra os “reaças”, resolvi também posicionar-me e descer o cacete nisto que se convencionou chamar de artigo.

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Ridendo castigat Sakamotores – A falta de coerência do feminismo sakamotiano

Sim, meus amigos, é hora de rirmos do famoso blogueiro da extrema-esquerda, Leonardo Sakamoto, um dos filhos da PUC que utiliza o espaço e o dinheiro desta mesma PONTIFÍCIA Universidade CATÓLICA para, entre outras coisas, poder se manter como blogueiro fazendo campanhas para o neo-ateísmo, para o feminismo em sua forma mais extremista e, por corolário, para a absoluta legalização do Aborto, entre outras causas que, muito curiosamente, de católicas ou mesmo de tolerantes com a opinião religiosa nada têm.

A cara de Leonardo Sakamoto ao ver as primeiras zoações deste blogueiro há alguns meses: "Não pago internet para você ferir meus sentimentos, cara".

A cara de Leonardo Sakamoto ao ver as primeiras zoações deste blogueiro há alguns meses: “Não pago internet para você ferir meus sentimentos, cara”.

Para os que lembram da primeira vez que ri da cara do japonês progressista – o que, aliás, é quase um paradoxo considerando a história japonesa, em especial com relação ao tema “tolerância religiosa”-, farei, basicamente, o mesmo esquema neste post, comentando uma por uma as alegações do nosso filósofo e cientista político pós-moderno-leninista-trotskysta-marxista-feminista-anarquista-socialista-comunista. Desta vez, porém, nossa conversa será, provavelmente, mais longa, pois são mais besteiras para comentar.

Bialmente falando, então, aos trabalhos. Basicamente, o texto de Sakamoto fala sobre os desejos de nosso Simone de Beauvoir de calças para o Dia da Mulher do ano passado. Como, entretanto, não creio que os desejos de Sakamoto tenham mudado, tendo, aliás, fortes evidências para crer nisto (como o fato de ter repostado, hoje, o pior texto do Sakamoto de 2013), listá-los-ei e comentá-los-ei um por um.

Após uma curta (ufa!) introdução, Sakamoto deseja que:

1) A partir de agora, o sobrenome do marido não deverá ser imposto à sua companheira contra (sic) vontade dela, como uma marca de ferro em brasa delimitando a propriedade. (Atenção aos leitores desatentos: falo da imposição que continua existindo por parte de pais e maridos apesar da (sic) legislação garantir a escolha da mulher.)

Primeiro, se temos, por qualquer dos lados, uma imposição de qualquer coisa e não uma conversa, uma negociação, já temos um problema de relacionamento, pois temos duas pessoas que, pelo visto, não estão na mesma sintonia nem tem um bom acordo  para os dois sobre como os problemas da casa serão resolvidos – afinal, se, já no começo, o marido impõe à mulher  um item, este marido, provavelmente, continuará impondo tudo, inclusive o papel que a mulher deve ter no relacionamento.

Segundo, algo que me deixou muito curioso: Como assim “pais” (e suponho que Sakamoto, feminista até o dedo do pé, tenha excluído as mães ao usar o vocábulo “pais”) impõem um nome? Impõem à filha  que tenha o nome do marido, ou impõem que a filha tenha o sobrenome paterno?

Vemos, então, que, como na outra oportunidade, Sakamoto continua não se fazendo entender. O problema, porém, é que, pelo visto, ele mesmo não consegue entender muitas coisas:

2) O currículo escolar será aprimorado para que, nas aulas de língua portuguesa, os meninos e rapazes possam compreender o real, objetivo, profundo e simples significado da palavra “não”.

Para Sakamoto, então, o currículo escolar não deve ser aprimorado porque grassa, na nação brasileira, o analfabetismo funcional inclusive nos meios universitários – o que, aliás, não surpreende quando vemos que até Sakamoto conseguiu um doutorado quando, olavianamente falando, não deveria ter nem o diploma do primário com tal domínio do próprio idioma -, mas porque alguns boçais não entendem o que as mulheres querem dizer por “não”.

Isto significa, na prática, que a motivação de nosso mais novo filósofo da educação (como se Paulo Ghiraldelli Jr. não bastasse) não é a solução de um problema geral, mas a mera proteção de um grupo como se este, apenas por ter sido escolhido como o oprimido da vez, merecesse mais direitos do que os outros. Da mesma forma, não seria anormal, para Sakamoto, que começassem a pulular, por aí, em nome das minorias, leis que censurassem determinadas palavras por estas terem, muitas vezes, conotação negativa. Ah, não, espera, é mesmo, ele não só aceita como defende essas leis.

3) As frases “Onde você acha que vai vestida assim?”, “A culpa não é minha, olha como você tá vestida!”, “Se saiu de casa assim, é porque está pedindo” a partir de agora serão banidas da boca de maridos, pais, irmãos, filhos, netos, namorados, amigos e outros barbados.

Ou seja, a partir de agora, mesmo uma frase que retrate preocupação, ainda que na boca de um pai naturalmente preocupado com a criminalidade que se espraia cada vez mais pela , deverá ser proibida. Da mesma forma, uma frase que pode, inclusive, ajudar a mulher a filtrar desde babacas puros e simples a reais ameaças deverá ser banida da língua (alguém mais lembrou da “novilíngua”?) simplesmente pelo fato de que, para Sakamoto, são frases, e não uma mentalidade de falta de respeito ao outro (que não necessariamente é sempre enunciada, podendo ficar implícita), que causam todas as arbitrariedades contra mulheres. Seria genial, se não fosse, em essência, esquerdista… Ah, não, não seria genial mesmo.

4) Está terminantemente proibido empregar apenas atrizes em comerciais de detergentes, desinfetantes, saches de privada, sabão em pó, rodos, vassouras, esponjas de aço, palhas de aço, aspiradores de pó, cera para chão e afins. A associação direta de mulheres e produtos de limpeza em comerciais de TV está extinta.

Ou seja, são os comerciais os culpados pelo machismo,  e não o machismo culpado pelos comerciais. Aliás, com que direito Sakamoto interfere na propaganda alheia? Seria ele, também, doutor em Publicidade para saber o que é mais efetivo ou não em uma propaganda? Ou será que, para ele, seria válido associar apenas homens à limpeza da casa? Onde está, então, a igualdade nisso, quando apenas um lado pode ser associado às propagandas? Não seria isto, então, misandria?

5) Empresas estão proibidas de distribuir flores no dia de hoje como prova de seu afeto às mulheres. Em vez disso, implantarão políticas para: 1) impedir que elas ganhem menos pela mesma função; 2) não sejam preteridas em promoções para cargos de chefia pelo fato de serem mulheres; 3) não precisem temer que a maternidade roube seu direito a ter uma carreira profissional; 4) seja punido com demissão o assédio de gênero como crime à dignidade de suas funcionárias.

Ou seja, que se interfira no funcionamento e na política interna de empresas PRIVADAS (se bem que Sakamoto não gosta muito desse termo, preferindo socializar, desde que seja o dos outros) para satisfazer os desejos de Sakamoto de igualdade, nos quais nada cita sobre proibir políticas para que homens ganhem menos do que mulheres – o que, aliás, não faz o menor sentido, pois, na maioria dos casos, não é só a função mas também os anos na empresa que contam – ou para que homens não sejam preteridos em promoções para cargo de chefia pelo fato de serem homens (aliás, Sakamoto tem provas de que mulheres são preteridas exclusivamente pelo fato de serem mulheres?), ou, ainda, para que se demita o assédio de gênero como crime à dignidade dos funcionários. Ou será que Sakamoto, em sua ânsia por defender as minorias, se esquece, propositalmente, de que estas também são capazes de cometer atos ruins e de serem preconceituosas?

Antes que me falem, não, eu não acho razoável que se faça qualquer dos quatro itens que Sakamoto apontou dentro de uma empresa. Ocorre, porém, que, no auge de sua mentalidade totalitária, Sakamoto quer proibir até mesmo que se mostre, ao menos uma vez no ano, a apreciação pelo trabalho de uma funcionária. Será que Sakamoto funciona de modo tão totalitário que só conhece a palavra “proibir” ao invés de “desincentivar”?

6) Cuidar da casa e criar os filhos passa a ser visto também como coisa de homem. E prazer e orgasmo também como coisa de mulher.

Isto, é lógico, por meio da imposição pura e simples, não do convencimento ou do incentivo a outras visões sobre o papel da mulher na sociedade. Eis, de novo, o totalitarismo sakamotiano revivendo a novilíingua orwelliana em nome das minorias e do “mundo melhor”.  Gostaria de saber, porém, o que ele fará quando perceber que este “mundo melhor” pode ser uma cilada. Aliás, não quero. Ele teria de escrever outro texto sobre isso, e um texto mal escrito por mês para refutar já é mais do que suficiente.

George Orwell vendo a lista de todos os esquerdistas que entenderam a mensagem de 1984: "Seria melhor ter ido ver o filme do Pelé", declarou o escritor inglês.

George Orwell vendo a lista de todos os esquerdistas que entenderam a mensagem de 1984. “Seria melhor ter ido ver o filme do Pelé”, declarou o escritor inglês.

Em seguida, vem uma ideia até interessante:

7) Os editoriais dos veículos de comunicação não serão escritos por equipes eminentemente masculinas. Da mesma forma, as agências se comprometem a derrubar a hegemonia XY em suas equipes de criação, contribuindo para diminuir o machismo na publicidade.

Aqui, sou réu confesso quando a questão é concordar com Sakamoto – que, pelo visto, não entende que a conditio sine qua non para que haja mais mulheres nos editoriais e nas equipes de criação de veículos de comunicação é que mais mulheres se interessem por Jornalismo e por essas áreas dentro do Jornalismo, e não a imposição sakamotiana pura e simples. Diria, aliás, que deveria estender essa regra aos artigos de jornais também (pois há mais “hegemonia XY” do que em artigos de jornais?). Afinal, imaginem, podemos nos livrar de gente como Sakamoto, Safatle, Duvivier et caterva e colocar mulheres que saibam acionar mais de dois neurônios do cérebro ao discutirem uma questão. E aí, Saka, aceita esses termos?

Sakamoto, então, resolve levar o totalitarismo além do bem e do mal dos limites do ridículo:

8) O direito da mulher a ter autonomia sobre o próprio corpo e o direito de interromper uma gravidez indesejada não precisarão ser questionados. Nem devem requerer explicação.

Id est, a mulher será absolutamente soberana sobre seu corpo mesmo quando este estiver mantendo uma vida que não a dela e que não gerada por ela unicamente, e quem a questionar sobre qualquer decisão que esta tome (em especial a decisão pelo Aborto, que é o real desejo de Sakamoto) não passará de um mero atrasado que deverá, por corolário, ser reeducado ou ser levado ao ostracismo. Não se deverá levar em conta, portanto, a opinião e os argumentos pertinentes dos melhores “pró-vida”, mas simplesmente relegá-los ao limbo como “interferência indevida sobre a decisão da mulher”.

Da mesma forma, uma mulher irresponsável sexualmente que aborte a torto e a direito terá o direito absoluto de sequer ser questionada pelas pessoas que com ela convivem sobre a retidão desse seu ato contra outras vidas que impediu de florescer (afinal, isso é intrometer-se na decisão soberana da mulher!). Não se deve, então, sequer questionar os motivos de uma mulher para levar uma vida desse jeito, por mais que ela esteja incentivando, com sua promiscuidade, outras a seguirem o mesmo caminho (sim, senhor Sakamoto, isto, segundo suas próprias premissas, também é um incentivo à desvalorização da mulher).

Outro ponto a ser abordado é que, ao contrário de argumentadores apenas pró-legalização do Aborto, Sakamoto sequer fala em motivos sérios (como o estupro, que já não é mesmo questionado, ao menos pela lei), mas apenas em “gravidez indesejada”. O que seria, contudo, um feto indesejado? Será que não passou pela cabeça de Sakamoto, ao menos por um microssegundo, que pode estar propondo aquilo que as esquerdas dizem combater veementemente, a eugenia social?

Ocorre, porém, que nosso ilustríssimo cientista político também está preocupado e cheio das melhores intenções com os partidos políticos:

9) Os partidos políticos não apenas garantirão cotas para a participação das mulheres nas eleições, mas investirão pesado em suas candidaturas a fim de contribuir para que os parlamentos representem, realmente, a sociedade brasileira. Da mesma forma, nomear mulheres como secretárias de governo, ministras e em cargos de confiança, na mesma proporção que homens, será ato corriqueiro.

Ou seja, não é o carisma do candidato ou mesmo suas propostas (ou sua competência, no caso de cargos administrativos) que, para nosso filho da PUC, deverão fazê-lo vencer uma eleição, mas sim o simples fato de pertencer a uma minoria (Ou você acha que não sabemos que você defende a estupidez das Cotas para deputados, Saka?). Realmente, para alguém que julga combater preconceitos, Sakamoto está muito discriminatório, não acham?

Sakamoto, ao ser encontrado ostentando seu MacBook, recusou-se a prestar maiores esclarecimentos e gritou: "Fascista! Fascista!" - o que em nada nos surpreendeu

Sakamoto, ao ser encontrado ostentando seu MacBook, recusou-se a prestar maiores esclarecimentos e gritou, contra os membros de nossa equipe, “Fascistas! Fascistas!”. Não ficamos surpresos.

Calma, leitor, estamos quase no fim. Vamos, então, ao penúltimo item:

10) Homens entenderão que “um tapinha não dói” é uma idiotice sem tamanho.

E Sakamoto entenderá, também, o que Nelson Rodrigues queria dizer por “Nem todas as mulheres gostam de apanhar, só as normais”. Mas, enfim, vamos terminar de vez sua lista com algo muito interessante:

11) Por fim, feminismo será considerado sim assunto de homem. E meninos e rapazes, mas também meninas e moças, deverão ser devidamente educados desde cedo para que não sejam os monstrinhos formados em ambientes que fomentam o machismo, como a família, colégios e universidades.

Muito curiosamente, parece que Sakamoto não sabe que setores dentro DO PRÓPRIO FEMINISMO rejeitam sua afirmação, dizendo que feminismo é assunto que apenas as mulheres são capazes de discutir. Ah é, mas esqueci, Sakamoto não gosta de discussão, mas de ponto de vista único. O que ele quer, então, não é que haja um debate verdadeiramente honesto, de lado a lado, sobre as qualidades e os problemas do feminismo, mas a pura e simples aceitação de todo tipo de maluquice que as feministas venham a inventar para que todos não sejam “formados em ambientes que fomentam o machismo, como a família, colégio e universidades”.

Aliás, falando nestas, não foi justamente na universidade CATÓLICA em que Sakamoto leciona que, contra o machismo e a opressão religiosa, se malhou o Papa? E não foi na Fefelixo FFLCH, um dos campi da USP, universidade mais famosa do Brasil, que se promoveu, contra a “homofobia”, o “saiaço”? E não foram, também, os universitários alguns dos que mais se movimentaram contra a suposta homofobia feliciana? De que universidades, então, o nosso aprendiz de Paulo Ghiraldelli estaria falando?

Para finalizar o texto, Sakamoto resolve “omenagear” (sim, com “o” mesmo, pois sua “omenagem” foi indigna de um esmero maior com a grafia correta desse vocábulo contido na última flor do Lácio) as mulheres de sua vida:

Em tempo: aproveito para agradecer novamente às mulheres que passaram pela minha vida e foram fundamentais para que fosse um homem menos idiota.

Em tempo: Então não adiantou muita coisa, Saka. Não adiantou mesmo.

Sobre o Autor: Octavius é professor, graduando em Letras e polemista semi-profissional, além de caminhar, ocasionalmente, pelas ruas da Filosofia. Tem orgulho de ter sido esquerdista e, mesmo assim, nunca ter achado Sakamoto um autor sequer digno de atenção.

Leonardo Sakamoto e o relincho neo-atoa: “Se Deus quiser, o Brasil ainda terá um presidente ateu”

Olá, amigos leitores, este é mais um dos nossos papos juntos, e desta vez vou apresentar-lhes algo mais obsceno do que pornografia zoofílica: o blog do (des)cientista político, jornalista e professor da Progressista Universidade Comunista, digo, da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), Leonardo Sakamoto, cujo Lattes não vale nem a pena procurar.

Sim, é aquele mesmo Sakamoto cuja Filosofia vai desde afirmar que ostentação deveria ser crime previsto no Código Penal a pregar que, já que as escolhas de produtos dentro da ordem capitalista são limitadas, a liberdade não existe e não há motivo para não se destruir o Capitalismo (eis um: manter o mundo a salvo do Comunismo, mas não é isso que quero discutir aqui). Pena que, se fosse realmente discutir tais pensamentos em toda a sua complexidade, precisaria, além de muitos sacos de vômito, de um livro, e não um artigo.

Sakamoto ostentando “Filosofia” e matando de tédio a estátua de Drummond

Hei, porém, de segurar toda a minha ânsia para apresentar ao leitor algo que, talvez, seja o auge que a filosofia sakamotiana já tenha atingido – e o faço única e exclusivamente porque Flávio Morgenstern, do Implicante, ainda não o fez (e pelo visto não fará, pois esperar um novo artigo em sua página está mais difícil do que acreditar em mula-sem-cabeça).

Desta vez, depois de ficar indignado ao ler em um artigo de Mônica Bérgamo que certo bispo disse acreditar ser natural que um pastor evangélico possa ser Presidente da República no futuro, Sakamoto resolveu assumir de vez seu neo-ateísmo e seu coitadismo antirreligioso e escrever, em algo que se convencionou chamar de artigo, sobre as suas esperanças de ter, no futuro e “se Deus quiser”, um presidente ateu, o que quer que Sakamoto entenda por isso.

O artigo, intitulado Se Deus quiser, o Brasil ainda terá um presidente ateu, começa com tom indignado:

Em resposta à Mônica Bergamo, na Folha de S.Paulo deste domingo (21), o bispo Robson Rodovalho, líder da igreja “Sara Nossa Terra”, afirma que acredita ser natural o país ter um evangélico na Presidência da República no futuro.

Pergunto-me, com toda franqueza, qual seria o problema de o bispo ter essa crença na posse. Afinal, com o crescente número de evangélicos no Brasil, apesar de todas as suas cisões, não é mesmo de se surpreender que um deles ascenda à presidência.

Como, porém, explicação é coisa para os fracos, Sakamoto apenas nos informa que:

Se não me falha a memória, o Brasil teve seu primeiro presidente protestante na figura do presbiteriano Café Filho, que assumiu o país por pouco mais de um ano após o suicídio de Getúlio Vargas, não tendo sido eleito para a função. O ditador Ernesto Geisel era luterano, mas também não foi eleito pelo voto popular. A grande novidade seria um governante protestante que fosse evangélico neopentecostal e suas liturgias da prosperidade e da cura.

Fora o fato de um dos dois presidentes, Café Filho, ter tido, em comparação a seu antecessor e a alguns de seus sucessores, relevância zero para o cenário político brasileiro e de ter sido eleito como vice-presidente quase que na esteira de Getúlio Vargas, e não por ser presbiteriano, e de Geisel não ter papagaiado seu luteranismo por aí, adoraria saber qual é a relevância das “liturgias da prosperidade e da cura” para julgar se alguém será ou não um bom presidente. Estaria Sakamoto tratando todo pentecostal ou neopentecostal como um mero fanático religioso sem cérebro? Ou seria essa uma forma freudiana de projetar a falta de neurônios de Sakamoto em um grupo do qual ele, declaradamente, não gosta?

Café Filho para Sakamoto: “Eu não boto uma hora na lan para ler isso”

Gostaria também de saber qual é a relevância dos dois parágrafos a seguir para o caso:

O número de católicos cai (de 63%, em 2010, para 57%, hoje, segundo o Datafolha) e o de evangélicos não apenas cresce em número (de 24% para 28%), mas também em presença na política partidária. Marina Silva, membro da Assembleia de Deus, hoje está em segundo lugar nas pesquisas de intenção de votos para a eleição presidencial no ano que vem.

E, se por um lado, há parlamentares evangélicos que vociferam contra a dignidade humana, mas outros que atuam na defesa dos direitos das minorias, mesmo nos casos em que há conflito com sua religião. Da mesma forma que ocorre com muitos católicos.

Aliás, também adoraria saber como Sakamoto se formou em Jornalismo sem, pelo visto, passar por qualquer disciplina de Produção de Textos, pois o segundo parágrafo está deficiente quanto aos elementos de coesão, o que, neste caso, compromete também a coerência. Afinal, qual é a relação entre parlamentares evangélicos que “vociferam contra a dignidade humana” (o que quer que isso signifique na novilíngua sakamotiana), outros que defendem “os direitos das minorias” e a previsão do bispo?

Parece, então, que o mistério continuará, pois o blogueiro “pogrecista” muda completamente de assunto e mostra, de novo, mais indignação:

Além do mais, no fundo, isso não tem importado muito. Uma vez chegando ao poder, independentemente de sua crença, políticos atendem às demandas de grupos religiosos conservadores com vistas à chamada governabilidade ou visando às eleições.

Pena para ele, porém, que exista algo chamado “promessa de campanha”, que os evangélicos e outros conservadores não esquecem, o que deveria acontecer também com todo o eleitorado brasileiro que votou em uma candidata que prometera, em carta aberta, não se movimentar politicamente em prol da legalização do Aborto, mas que o faz praticamente desde que assumiu a presidência.

Digo, aliás, que é muito bom, no atual panorama, que ainda exista alguém capaz, tanto em política quanto em retórica e argumentação, de questionar a inviolabilidade e a inquestionabilidade de certas causas dos progressistas. Sakamoto poderia, então, argumentar, como fez durante um bloco de sua entrevista ao Provocações, que estou tentando esconder meu viés conservador sobre as coisas. Lamentavelmente, de novo para ele, nunca escondi de ninguém, por exemplo, minha favorabilidade à legalização do Aborto, algo que qualquer conservador rejeitaria, com certa razão, peremptoriamente (Apesar disso, assumo, estou reconsiderando essa posição, e já reconsiderei minha posição sobre as religiões e sobre outras histórias que contei no artigo linkado acima).

O que não reconsidero, no entanto, é minha postura contrária à psicopatia de certos progressistas que têm tanta certeza da veracidade de seus dogmas que se acham no direito de julgar como errada toda e qualquer ideia conservadora e todos os que a eles se associem. Pelo visto, Sakamoto é um desses progressistas.

Mas, caros amigos, não pára por aí, pois Sakamoto trouxe, como exemplo do “rabo-preso” entre políticos eleitos e movimentos conservadores, o que chamou de “combate à homofobia por meio da educação”, que, segundo ele:

avançou pouco na atual administração federal, menos por conta da pressão de deputados da bancada evangélica e mais por esse cálculo político.

De fato, adoraria saber quem são esses deputados evangélicos que, pelo visto, não pressionaram o governo por conta do absurdo kit-gay e da ideia estapafúrdia de que uma educação que sequer dá conta de ensinar leitura e cálculo aos aprendizes deveria perder tempo com valores que devem ser aprendidos no ambiente doméstico, pois já saberei em quem não votar nas próximas eleições. Afinal, de “políticos com o rabo preso” e “que posam de imparciais” já estamos cheios, ou, pelo menos, é o que o próprio Sakamoto deixa implícito em seu artigo.

Falando em seu artigo, aliás, eis mais uma informação desconectada do contexto da previsão do bispo:

A pesquisa Datafolha, deste domingo, mostra que os católicos podem ser menos conservadores que os evangélicos em alguns temas (como a adoção por casais do mesmo sexo), mas ainda assim, na resultante final, a nossa sociedade não se coloca de forma progressista com relação aos direitos individuais.

E uma pergunta que não quer calar: Exatamente por qual motivo nossa sociedade – ah, essas entidades sempre misteriosas e nunca bem delimitadas – deveria se posicionar “de forma progressista” ante os direitos individuais? Sakamoto deve se esquecer de que existe o outro lado, o conservador, da política, apesar de ele mentir dizendo que “não tem problemas com blogueiros conservadores”.

Está cansativo, amigo leitor? Pois é, concordo, mas agora é que as coisas ficam interessantes, pois Sakamoto se lembra do que pretendia discutir e afirma que:

Particularmente, ficarei chocado no momento em que o Brasil eleger um presidente declaradamente ateu que não precise esconder isso de seu eleitor com medo que o seu caráter seja, estupidamente, julgado por conta disso.

Ao que parece, o embusteiro progressista parece se esquecer de que, até que se prove o contrário, não existe moral ateia e, portanto, os limites morais de um ateu dependerão única e exclusivamente de seu humor e de sua vontade, o que faz com que a preocupação acerca de seu caráter, apesar de na maioria dos casos exagerada, seja, sim, plausível. Mas, pelo visto, os conhecimentos de Sakamoto sobre Filosofia da Religião são rasteiros e guiados por um senso comunista de espiritualidade (ou seja, materialismo (!!!) dialético aplicado à religiosidade), pois, em seguida, fala que:

(Tenho certeza que FHC e Dilma são, no máximo, agnósticos não-praticantes. Mas tiveram que ajoelhar e dizer amém. E o agnóstico Getúlio Vargas, que tomou o poder através de um golpe, instituiu o ensino religioso nas escolas públicas, em 1931, em nome da governabilidade.)

Primeiro, como ateu agnóstico, gostaria sinceramente de saber como se pratica o Agnosticismo. Será que devo ficar papagaiando “não sei se Deus existe” por aí? Ou será, talvez, que “praticante” seja um rótulo que só se deva dar a quem tem a obrigação de seguir uma série de ritos e dogmas  para se aproximar da divindade?

Segundo, na época do agnóstico Getúlio Vargas, e ainda na nossa, e também em todas as épocas conhecidas, havia uma ligação muito forte entre senso de moralidade e religiosidade – o que não significa que todo ateu é imoral, apenas que não há moral que se sustente baseada em ateísmo-, o que fazia e faz com que muitos educadores, como os que elaboraram a LDB de 1996 (chupa, Sakamoto!), se movimentassem para tornar pelo menos facultativo o ensino religioso em escolas públicas. Oh, estariam então os educadores de 1996 pensando em “governabilidade”?

FHC, o “neoliberal de direita”, não curtiu Agnosticismo e Ateísmo

Sakamoto, porém, prefere continuar com a ladainha progressista e parafraseia o que disse dois parágrafos antes:

O fato é que o Brasil aceitaria mais facilmente alguém que acredita em Deus mesmo com uma fé diferente da sua do que alguém que não acredita ou não tem certeza disso.

E o fato é também que o Brasil tem boas razões para isso, e elas se chamam Joseph Stalin e Mao Tsé-Tung. Para Sakamoto, no entanto:

No dia em que isso ocorrer, creio que atingiremos a maturidade como democracia. 

Isso porque, é óbvio, maturidade democrática tem tudo a ver com as pessoas descartarem completamente a moral que aprenderam e começarem a trocar o minimamente certo apreço dos evangélicos pelas causas cristãs pela muito duvidosa conduta de ateus (na verdade, provavelmente neo-ateus, mas finjamos que os eleitos não defecarão pela boca sobre as religiões) acerca de assuntos morais. É, de fato, não consigo entender tanta complexidade filosófica, também expressa quando diz que:

Não porque ateus são melhores, longe disso.

(Btw, Tio Stalin curtiu esse seu quase-deslize.)

Por fim, Sakamoto volta ao velho blá-blá-blá de militante progressista e diz que isso seria melhor

pelo fato de que teremos compreendido que, se o governante zelar pela dignidade e igualdade de direitos de todas as crenças, sua fé pessoal é tão importante quanto o time de futebol pelo qual torce.

Pena, porém, que democracia não se resume a igualdade de direito das crenças nem a progressismos baratos. Faz parte da democracia, também, a organização política e a conquista do eleitorado. Se um ateu apresentar propostas atraentes e não for um prosélito antirreligioso (que deve ser o que Sakamoto entende por ateu), não sei se nossa população realmente o tiraria do bolo. Aliás, qualquer palavra sobre isso é mera especulação e, até que se prove o contrário, reclamação vazia progressista.

Enfim, era isso, amigos leitores. Sei que o artigo ficou cansativo, mas isso se deu porque refutei parágrafo por parágrafo de um autor que, pelo visto, acha que retórica e prolixidade andam juntas. Digo sinceramente que, se tivesse escrito o texto sem o 2º, o 3º, o 4º, o 5º e o 6º parágrafos, teria sido bem mais convincente.

Aproveito, também, para convocar outros ateus, dentre eles o libertário Luciano Takaki, o conservador de direita Renan Felipe dos Santos, o liberal de centro-direita Rogério Jorge da Silva Figueiredo e o conservador de esquerda Luz nas Trevas, além de eu mesmo, para se candidatarem, no futuro, à presidência do país. Ou será que a religião de Sakamoto, o marxismo heterodoxo, não lhe permitiria votar em quem põe em dúvida aquilo que ela prega? Se não for o caso, agradeço pelo voto antecipadamente.

Sobre o Autor: Octavius é professor, graduando em Letras e diletante da Filosofia. Acha que a lei deveria punir mais seriamente o crime de lesa-inteligência.

*Originalmente publicado em “O Homem e a Crítica” em 30/07/2013

Esquizofrenia no País dos Petralhas – As novas do esquerdismo nacional

Confesso que não gosto de falar em “inversão de valores”, “fim dos tempos”, “fim da família” e todos esses blá-blá-blás de conservas medrosos que não manjam porra nenhuma de militância política, mas, sinceramente, leitores e amigos meus, vocês não acham meio estranho que, na mesma quinzena em que Tuma Jr. faz denúncias, em rede nacional, de abalar qualquer República (não, uma fábrica de dossiês dentro de um governo NÃO É aceitável), e em que explode uma guerra civil na Venezuela contra a ditadura maduro-chavista-comunista (e aliada do governo brasileiro, ainda por cima) que lá impera, o assunto mais discutido seja uma declaração de uma jornalista de uma rede de televisão aberta que ostenta, apenas, a terceira maior audiência do país?

Esta, entre outras, é uma das novas do esquerdismo nacional, que foi, em menos de 30 anos, de Drummond a Marcelo Rubens Paiva, de Antônio Cândido a Marcos Bagno, de Ferreira Gullar a Marilena Chauí, Emir Sader, Cynara Menezes, Leonardo Sakamoto, Fernando Gallo, entre outros, ou seja, que foi de intelectuais e literatos de renome e de respeito ao tipo mais escroque possível de seguidor de qualquer ideologia: O militante cultural que se faz de moderado e, principalmente, de “democrata tolerante” para, na verdade, mostrar que a única tolerância que realmente tem é com aqueles que concordem com seus ideais irrestritamente.

Índice

Intelectual da esquerda midiática, Fernando Gallo, fazendo “cara de coerência”

Ocorre, porém, que não é apenas na mídia e na literatura que temos dados interessantíssimos a serem analisados. Tomemos, por exemplo, as universidades brasileiras (e, logicamente, seus universitários), hoje comprovadamente dominadas por uma grande maioria, como diria o jornalista campinense Olavo de Carvalho, de “comunistas ou companheiros de viagem”, id est, de comunistas e de pessoas com tendências fortes ao esquerdismo.

O mais interessante caso para análise, nesse sentido, é o do conceito de família, um dos conceitos-base sobre os quais se assenta o que se convencionou chamar de “civilização ocidental”. Um dos argumentos mais utilizados pela esquerda universitária para defender que se mude o conceito de família é o de que as palavras, naturalmente, têm a tendência a terem seus significados alterados com o passar do tempo, como se pode ver, por exemplo, com o caso de termos como “ideologia” (apesar de eu mesmo ter minhas ressalvas quanto às mudanças de significado desse termo) e com palavras como “saber”, entre outras.

Este, naturalmente, seria um argumento, se colocado de maneira isolada, muito respeitável e coerente. Muito curiosamente, a mesmíssima esquerda universitária, porém, chia contra qualquer um que use a expressão “cidadão de bem” para designar os que deveriam ser protegidos do Lumpenproletariat afirmando que, na Alemanha nazista (ou seja, há quase 70 anos) e em um obscuríssimo jornal da KKK nos EUA (isso quando a KKK ainda tinha alguma força, o que, suponho, seja há mais de 30 anos), a expressão “cidadão de bem” era usada apenas para brancos e que, portanto, qualquer um que a utilize hoje, depois de passado todo esse tempo e de terem acontecido diversas mudanças no panorama mundial, com certeza tem os mesmos objetivos do NSDAP e da KKK. A mudança semântica, então, só é válida para algumas expressões? Ou será que, apesar de quase todos acabarem usando essa expressão para designar também os proletários, a esquerda não consegue  reconhecer a primazia da língua viva sobre uma tradição que, neste caso, sequer se pode provar que nos tenha influenciado e com isso manter um mínimo de coerência e de lógica dentro de seu próprio pensamento?

Por fim, é também interessante notar que tanto a esquerda midiática quanto a universitária – apesar de esta fingir, com todas as suas forças, odiar aquela, chamando-a de, como se diz?, “ultraconservadora” – fazem um esforço mental impressionante para colocar as difusas e obscuras manifestações brasileiras como mais legítimas do que as venezuelanas ao rotular estas como golpismo puro e simples, e não como o grito legítimo de um povo que, dizem “as más línguas e a boca pequena” (citando Gabriel, o Pensador, um dos poucos ícones ainda tragáveis da esquerda brasileira), sequer tinha, para si, comida e papel higiênico. Muito mais estranhamente, porém, do que nos outros casos, os mesmos que acusam os civis venezuelanos de “golpistas” louvam, por meio do uso do vocábulo “revolução” (e de seu derivado “revolucionário”), elites intelectuais extremamente minoritárias de Rússia, China, Vietnã e Coreia do Norte et cetera que deram, às viagens de Marx, terrenos férteis e pilhas de cadáveres.

É, meus amigos, eis a vida, a intelectualidade, a coerência e a “tolerância ao pensamento divergente” no País dos Petralhas.

Sobre o Autor: Octavius é professor, graduando em Letras e amante diletante da Filosofia e da Política. Chamaria a mídia brasileira de ultraconservadora, mas já consegue comer com garfo e faca há alguns anos. Apesar de odiar a direita tanto quanto a esquerda, concorda com aquela quando diz que “socialismo” e “liberdade” são intrinsecamente opostos entre si.