Marxismo

Eu, Apolítico – A escola sem partido e a volta dos conservadores sem prudência

Havia reclamado há alguns meses sobre uma ideia muito disseminada nas trincheiras do direitismo conservador brasileiro, a de que a apologia ao comunismo e às outras doutrinas vermelhas deve ser criminalizada no mais tardar ontem. Não me cabe aqui expor novamente que argumentos me levam a rejeitar essa ideia, posto que já o fiz no supracitado texto e em outro no Sociedade Alternativa de Letras, blog de meu amigo Leonardo Levi, mas, sim, me redimir por ter achado que esta teria sido a ideia mais estúpida e mais politicamente ingênua que já tinha ouvido. Daí veio, por parte de alguns aliados do movimento chamado Escola sem Partido, a ideia da criminalização da doutrinação marxista dentro das escolas e das universidades, e fomos surpreendidos novamente.

(mais…)

Anúncios

Notas Mensais – Junho 2014 – Julho 2014

Devotos de um vigarista – O retorno

Você percebe que Marx influenciou excessivamente as ciências humanas quando vê que, para justificar o método de análise histórica que cria com o “18 de Brumário”, argumenta que pessoas, usando o método anterior, falharam em fazer uma análise justa. Detalhe 1: Pessoas falhando em aplicar um método não significa que o método é falho. Detalhe 2: Marx não dá UMA MÍSERA LINHA de espaço para aqueles aos quais está se opondo, quem dirá refutá-los.

(mais…)

Eu, Apolítico – Notas para a discussão da criminalização da apologia às “doutrinas vermelhas”

Existem ideias estúpidas. Existem ideias muito estúpidas. Existem ideias que nem néscios completos teriam. E existe, com a política de hoje, a “criminalização da apologia ao socialismo e outras doutrinas vermelhas”, ideia esta que, apesar de bem embasada na lógica, é, politicamente, se não apenas prova da inépcia política da direita, também suicídio. Aos trabalhos, então, de explicar ao amigo John Aley (quem primeiro me pediu) e a todos os interessados, a seguir, primeiro por que esta criminalização é, hoje, uma má ideia, depois por que razões é, em essência, péssima ideia.

(mais…)

Um teste científico-piruliano (e melhor do que o acadêmico-científico) para identificar religiões

Leitor, como você já deve estar cansado de saber, houve, recentemente, todo um imbróglio em torno de uma decisão tomada por um juiz (cujo nome não me recordo nem convém ao momento) e que pregava que, por não terem as “características essenciais” a uma religião, Candomblé e Umbanda não seriam religiões e, portanto, seus adeptos não poderiam se beneficiar da lei de liberdade religiosa atualmente vigente no país.

(mais…)

O óbvio ululante: Um recorte

"Envelheça, leitor, envelheça depressa, com urgência, envelheça!"

“Envelheça, leitor, envelheça depressa, com urgência, envelheça!”

“Não me interessa a expressão numérica da ‘festiva’. O que importa é sua capacidade de influir nos usos, costumes, ideias, sentimentos, valores do nosso tempo. Ela não briga, nem ameaça as instituições. Mas, em todas as áreas, as pessoas assumem as poses das esquerdas.”

Nenhuma máxima melhor do que esta para começar o recorte de O óbvio ululante: primeiras confissões, do reacionário autodeclarado e maior teatrólogo de todos os Brasis já existentes, Nelson Rodrigues. E foi justamente como reacionário, e não como teatrólogo, que Nelson, o obsessivo pelos amigos (e como o sabia Otto Lara Rezende), pela pobreza e pela morte, entre outras coisas – afinal, o próprio se dizia “uma flor de obsessão”-, nos legou não só um apanhado de frases geniais sobre as esquerdas brasileiras como também uma pletora de textos em que, como um dos melhores senão o melhor dos moralistas brasileiros, disseca com precisão cirúrgica e por meio dos dramas cotidianos a alma humana. Vejamos, então, o que há de melhor no Nelson dessa obra.

(mais…)

Teste de cegueira ideológica 2

Após o retumbante fracasso de alguns dos meus leitores no primeiro destes testes, em que a resposta certa era obviamente o filósofo húngaro Tzvetan Todorov, resolvi aplicar este segundo, desta vez com um livro mais famoso, apesar de apenas mais ou menos famoso.

(mais…)