Notas Mensais

Notas Mensais – Agosto de 2014 – Setembro de 2014

Está surpreso com Dilma ter dito algo como “o Estado é laico, mas feliz é a nação guiada pelo Senhor” mesmo sabendo de sua luta incessante a favor de causas não-cristãs e até anticristãs? Leia com paciência “1984” e parará com essa afetação. (mais…)

Notas Mensais – Julho de 2014 – Agosto de 2014

“Povo xingava a Rachel Sheherazade de nazista, agora fica tudo quietinho quando deputada do PT pede pras FARC matarem o Zúñiga.”

Eu não xinguei a Rachel Sheherazade (aliás, a defendi) e ainda não mandei a deputada do PT tomar onde bem prefira, mas acho impressionante como o povo também ficou pianinho quando alguém chamou um profissional do futebol de psicopata, sendo curtido por outra centena ou duas de bucéfalos. (mais…)

Notas Mensais – Abril 2014 – Maio 2014

A diferença entre religiosos fanáticos e neo-ateus fanáticos é que religiosos fanáticos desejam câncer para quem não segue sua religião, enquanto neo-ateus desejam que, se pegarem câncer, os religiosos não se tratem em hospitais, instituições de origem religiosa, com os mecanismos da ciência, concebida por um bando de catolicões ultrarreligiosos.

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Notas Mensais – Fevereiro 2014 – Março 2014

Olavettes 1

Em certa divulgação do meu blog, há um sujeito que fala que não debate com abortistas, no caso, eu. Fora a imbecilidade intrínseca ao termo “abortista”, sobre a qual falarei posteriormente, e fora o fato de ser impossível saber se alguém é “abortista” ou não antes de se debater com o cidadão em questão (ou seja, que esse sujeito pode ter debatido com “abortistas” sem nem saber), acho que devo passar, logo, minha ficha aos que queiram ter motivos para não debater comigo: Sou “abortista”, “eutanasista”, “cotista” – apenas racial e apesar de não ter nem chegado perto de precisar de qualquer Cota, mas um dia também explico isso direito, ou seja, paciência, leitor direitista -, corinthiano, apolítico, anti-direitista, anti-esquerdista, ateu anti-neo-ateísta, armamentista, defensor da Pena de Morte, contrário à Prisão Perpétua, agnóstico quanto ao casamento gay e à adoção de crianças por casais gays (apesar de tender a defender mais do que a rejeitar ambas as propostas), agnóstico a parte das premissas da teoria do Preconceito Linguístico, contrário a outra parte das premissas da mesma teoria, anti-anarquista, anti-libertário AO EXTREMO, existencialista e parcialmente diderotiano e nietzscheano, além de acreditar que educação, a partir de certo ponto da vida, deva ser facultativa e de passar perto, muitas vezes, do niilismo e do ceticismo. Ah, e, sim, uso uma foto de anime não só porque curto o anime, mas para ver quantos idiotas usá-la-ão como argumento contra a minha pessoa e em prol de sequer considerar meus argumentos.

E você, aí, se fiando apenas no “abortista”.

Por que não sou um analista de discurso? – Versão abreviadíssima

Podem me acusar, nesta minha nova fase de blogueiro da “extrema-direita”, de várias coisas, menos de eu já ter dito que era um “analista do discurso”, o que não direi em um futuro tão próximo, por uma questão muito simples: Para qualquer um que tenha cursado pelo menos dois anos de Letras com o mínimo de seriedade, não é difícil ouvir, já nas primeiras aulas sobre a Análise do Discurso, que esta, ao contrário da Linguística Textual, não é uma área que tem como enfoque, no momento da análise, o indivíduo em si, mas sim, vulgarmente falando, “as classes”. Ora, se eu questiono até mesmo a existência de classes (ou melhor, de pessoas como meras categorias de pensamento, entre elas a dicotomia imbecil “opressor” x “oprimido”), como vou aceitar e partir dos pressupostos de uma área que tem como premissa básica a existência de classes e, muitas vezes, a existência dicotômica de classes?

Da diferença entre o Socialismo e a Social-democracia

Uma coisa deve ser esclarecida: É lógico que existe uma grande diferença entre o Socialismo e a Social-democracia. No Socialismo, a divisão igual da miséria entre as pessoas é forçada. Na Social-democracia, a divisão igual da miséria entre as pessoas ainda é forçada, mas sob o pretexto de “democratizar o acesso à renda” ou alguma variação disso.

Sheherazade e a direita – Uma clarificação

Quando escrevi o segundo ou terceiro dos meus posts sobre Rachel Sheherazade (porque sei que já a havia citado no meu post sobre o Carnaval, mas não me lembro se a citei antes ou depois disso), ou seja, o texto em que ponho em dúvida sua nomeação como a “musa da direita”, obviamente não pelo “musa”, mas pelo “da direita”, não tive, em momento algum, a intenção de dizer que Rachel NÃO É de direita, nem de papagaiar que não se deva defender Rachel quando se concorda com o que ela diz (ou criticá-la quando for necessário TAMBÉM).

O que quis fazer, ali, foi um questionamento à “nova direita brasileira” e à sua mania de chamar de “conservador” ou “de direita” qualquer um que faça um comentário sequer que vá contra alguma causa progressista, mesmo sem saber sequer se o novo direitista é mesmo de direita e se tem noção do que significa ser de direita e ser de esquerda.

Além disso, mesmo com a recente declaração dela de que está mais à direita do que à esquerda – o que, a rigor, não significa nada, pois eu mesmo também posso ser considerado como alguém que está mais à direita do que à esquerda e ainda assim quero que a direita e a esquerda morram, como visões políticas, juntas e abraçadas de preferência -, minha principal dúvida ainda persiste: Afinal, será que a jornalista do SBT encontraria o mesmo apoio da direita se ela tivesse, ao contrário, confirmado que está mais à esquerda do que à direita, ou mesmo que é, na verdade, ferrenhamente de esquerda? Quantos desses defensores da liberdade de expressão e da civilização ocidental defenderiam o direito à voz de Sheherazade com a mesma fervorosidade?

Diderotismos 2

Se Diderot estiver certo e um discurso for tão mais poderoso quanto menos palavras tiver (o que, por corolário, torna o silêncio o discurso mais poderoso), então o absoluto silêncio dos então “revolucionários de 13” sobre o crime cometido pelos Black Blocs contra mídia será, sem dúvida, bem mais esclarecedor do que os pronunciamentos intermináveis dos mesmos “revolucionários”, na época, sobre os objetivos de sua revolta.

Sobre o Autor: Octavius é professor, graduando em Letras e polemista medíocre. Ainda espera pelo chororô conservador contra suas citações de iluministas.

Notas Mensais – Novembro – Dezembro 2013

Inspirado em uma ideia inovadora de meu amigo Gustavo Nogy, do blog Ad Hominem – Humanidades e outras falácias, resolvi postar, para a posterioridade e para quem não vier a ver na hora, algumas de minhas notas facebookianas, em especial as um tanto mais extensas. Já esta data, 04/12/2013, foi escolhida por meu blog ter sido fundado em um dia 04, o de Fevereiro de 2011, o que fará com que, no aniversário de 3 anos, quando mudar de plataforma, este tipo de post ser um dos inaugurais e garantidamente constantes (a não ser, claro, que eu perca o acesso à Internet).

Enfim, vamos às notas, que falarão, hoje, na ordem, sobre Cientificismo (sobre o qual ainda falarei neste blog), Humor (sobre o qual já falei no blog por diversas vezes), Linguística (ainda a comentar mais profundamente) e Gregório Duvivier (sobre o qual espero NÃO mais comentar por estas bandas).

PS: A explicação só será dada esta vez. Nas outras, linkarei este post (ou não).

1

“Infelizmente, no Brasil, o cientificismo está “moralizado”, está como uma coisa que não presta, que não deve ser levada a sério, que é uma visão reducionista das coisas.

É, no Brasil e em qualquer lugar do mundo em que as pessoas tenham mais de um neurônio ativo no cérebro. Aliás, existe um lugar específico em que o cientificismo é levado a sério: Na cabeça de cientificistazinho burro que acha que “só através da ciência a gente vai alcançar a evolução da nossa sociedade”, como se a ciência tivesse qualquer pretensão de se envolver nesse tipo de patacoada.

E, sobre o uso do termo “evolução”, Darwin não curtiu isso.

  Humor: O império esquerdista contra-ataca

Caros controladores do riso alheio, entendam de uma vez: O brasileiro não se “acomoda com a situação” ou é “racista, machista, homofóbico, transfóbico e ateofóbico” por rir do conteúdo A, B ou C ou por fazer piadas com quem quer que seja. Esse tipo de juízo é, no máximo, uma pseudo-psicanálise furada – a ideia de que é o riso é um dos elementos que nos define – aliada a uma petição de princípio cretina – a petição de que, se eu rio de uma piada com o grupo X, logo sou contra este grupo.

O brasileiro, na verdade, se acomoda com a situação por três motivos, que podem estar interligados ou não: É frouxo demais para se arriscar a perder o que tem, não tem ímpeto revolucionário (nem precisa ter, na verdade) e SABE que, por mais que se faça, a estrutura do poder no Brasil, dominada pelo paternalismo esquerdista, não permitirá nada fora do Estado e, principalmente, nada MELHOR do que o Estado, fazendo com que qualquer esforço fora dessa mesma estrutura de poder para ir mudando a situação aos poucos se torne, ao fim e ao cabo, inútil.

O detalhe é que, em um país como este, mobilização só adianta se for para mudar o sistema de cabo a rabo, e o brasileiro não tem o mínimo preparo para fazer isso sem ser iludido por alguém metido a messias, algo de que a grande maioria dos brasileiros também têm consciência. Percebe-se, então, que quem age aqui não é a “indução à alienação pelo humor”, mas a voz da prudência e do bom senso.

Já quanto aos preconceitos listados, eu, defensor das Cotas Raciais, já afirmei isso peremptoriamente e não me arrependo: não somos racistas. O mesmo vale para “homofóbicos” ou qualquer outro adjetivo de denotação negativa. Podemos, sim, ter preconceito contra alguma coisa, só que não como bloco coeso, mas sim como indivíduos incoerentes por natureza e que, por questões tanto naturais quanto culturais E individuais, não têm como pensar o mesmo sobre todas as pessoas, quaisquer que sejam suas características físicas ou psicológicas.

É óbvio que há, no Brasil, racistas, homofóbicos, machistas e tudo o mais que queiram, mas daí a dizer que a entidade “brasileiro”, usada para representar a grande massa da população, é composta por esse tipo de gente é fazer uma generalização apressada e que sequer pode ser provada, visto que não há como medir, sem incorrer em algum vício, o grau de preconceito contra algum grupo de uma massa de 190 milhões de pessoas, o que faz com que essas afirmações (“Somos racistas, homofóbicos, etc”) sejam todas não-falseáveis e, por isso, impossíveis de serem colocadas sob qualquer investigação séria e minimamente fiável.

Esse tipo de frase, portanto, é puro apelo emocional de quinta e nada mais. Aliás, minto, é algo mais sim, é a tentativa por parte de certos grupelhos de inspiração totalitária de, progressivamente, ir criando o ambiente para o que eles querem instalar: Uma sociedade de fracos que precisam, desesperadamente, recorrer a todo tipo de censura possível e imaginável até mesmo quando meramente cogitam que alguém pense mal deles. E, não se enganem, ditar como deve ser feito o humor ou mesmo do que as pessoas devem ou não rir não só é um dos primeiros passos para a construção dessa sociedade, mas também é um dos alicerces ideológicos para alcançar esse fim.

3

“Esse babaquara Olavo de Carvalho nunca ouviu falar em Linguística como ciência, não sabe quem é Saussure e mto menos Joaquim Matoso Câmara Júnior.”

Percebe-se que um babaca desses não leu um artigo sequer do Olavo e já veio falar merda. Cidadão, permita-me esclarecer-lhe: Olavo tanto não sabe quem é Saussure que se apropria de sua noção de signo melhor do que muito estudante de Letras por aí. Se não o fizesse, não poderia afirmar, por exemplo, que, com nosso “método” educacional de boteco, os novos alunos passaram a desconhecer o real sentido das palavras e a crer, piamente, nos sentidos que seus professores, tendenciosos para a esquerda até o último grau, lhes incutiam, e que é justamente isso que faz com que um debiloide possa, por exemplo, criar uma página e fazer um meme chamando Roger Scruton, filósofo conservador aliado às ideias de Winston Churchill, de fascista, ou mesmo que certos sites ditos pragmáticos chamem alguém como Constantino de “a extrema-direita conservadora brasileira”.

Então, não, “babaquara”, Olavo de Carvalho tem outros defeitos, mas, definitivamente, não padece desse mal que você citou (isso, é lógico, aceitando que Linguística seja ciência e que Linguística seja igual a Sociolinguística, o que não é verdadeiro).

4

O estulto (assim falaria um velho amigo) Gregório Duvivier, ao justificar mais um espantalho, desta vez seu, contra a chamada “extrema-direita brasileira” (que nada tem de extrema nem de bem organizada politicamente), posta o seguinte comentário:

“A coluna de hoje tem suscitado a revolta dos que não entenderam, a revolta dos que entenderam e se sentiram ofendidos, e muitas perguntas sobre minha real opinião sobre o assunto. Aí vai: acho nobre o surgimento de um partido sem “caciques políticos”, isto é, que surja unicamente da vontade popular, como é o caso do Partido Novo. No entanto, não concordo com os ideais utilizados, nem com os padrinhos adotados. Não concordo com o Constantino, com o Von Mises, não concordo com o conceito de Estado Mínimo – e acho que nesse aspecto o partido novo é velho. Sou a favor de um estado presente, não só na saúde e na educação, mas na cultura e no mercado. Isso não significa que eu seja marxista, stalinista, petista ou lulista. Significa simplesmente que ainda acredito na necessidade do Estado fomentar, proteger, intervir. Sonho com mais projetos culturais incentivados pelo governo, mais escolas, mais teatros e hospitais públicos, e de melhor qualidade, mesmo que isso signifique mais impostos. Talvez o velho seja eu, já que o liberalismo e o libertarianismo estão “super em voga”. A vantagem é que eles pregam a liberdade de expressão e nisso a gente concorda. Então, pelo menos, discordem educadamente, senão fica contraditório”

Primeiro de tudo, dada a forma pré-ginasial como a ironia de sua coluna, assim como a daquela escrita pelo “cumpanhero” Antônio Prata semanas antes, foi construída linguisticamente, é de se surpreender que realmente exista alguém que não saiba qual é a real opinião de Duvivier sobre o assunto. Este tipo de pessoa, aliás, é extremamente previsível: Diz que luta pela “pluralidade democrática” e pela “liberdade de expressão”, mas não consegue sequer conceber, sem todo esse espanto, um partido que fuja do que pensa ser a política. Como já disse em outra oportunidade, nessa sobre o filho de Mário Prata, essa noção de “pluralidade política” é de dar inveja a qualquer Stalin.

Em segundo lugar, é muito fácil dizer “não concordo com x ou y” e simplesmente soltar um espantalho pessimamente construído linguisticamente, e depois se surpreender com “a raiva de quem entendeu”. O difícil é escrever um texto formal mostrando do que discorda e com o que concorda – visto que é impossível discordar 100% de alguém. O citado Constantino, por exemplo, não precisou de sarcasmo do maternal para destruir tanto Prata quanto Duvivier, este, aliás, duas vezes seguidas. Ou será que falta ao namorado da ainda mais “intelequitual” Clarice Lispector, digo, Falcão, a capacidade sináptica para debater a sério?

Depois, o comediante faz, talvez, sua piada mais genial até o momento presente: Afirma querer um Estado “mais presente na cultura”, por meio de “mais impostos”. Dear Duvivier, já ouviu falar de “mecenato”? Pois é, eu já, e sei muito bem o que acontece nesse sistema: Financia-se um artista para que este faça certo trabalho, desde que este trabalha NÃO AFETE A IMAGEM DO MECENAS, ou, melhor dizendo, de quem paga o artista. O que levaria Gregório a pensar, então, que o Estado brasileiro, dominado por socialistas de mente totalitária, faria diferente e daria ao artista total liberdade criativa?

Aliás, desculpem, minto, está aí a Literatura Russa de 1920 a 1989 para provar que estou errado… ops, desculpem, engano meu de novo, não está.

E, sim, senhor Gregório Duvivier, o velho aqui é o senhor, e isto é provado ao percebermos que, dos mais de 30 partidos existentes “in terra brasilis”, NENHUM defende Liberalismo ou Libertarianismo. E, olha que curioso, muitos partidos têm, como ídolo-mor, Getúlio Vargas, político dos anos 1920. Se isto não for velhice, perdi a noção de tempo.

Estar “velho”, entretanto, não significa que você esteja errado (isso, aliás, foi uma falácia lógica por sua parte, visto que a idade de uma ideia não importa em nada para sua veracidade). O que lhe faz estar errado é a lógica, senhor Duvivier, e a sua mais pura falta de embasamento filosófico para fazer qualquer acusação digna a um partido cujo único erro, ao que me consta, é pensar à direita da extremíssima-esquerda.

Por fim, e para encerrar mais um blá-blá-blá progressista, o comediante de porta de esquina, ops, digo, “dos Fundos” nos pede para que discordemos educadamente dele, senão “fica contraditório” com a “liberdade de expressão”. Mas, ora, Gregório, não é mais contraditório ainda com a liberdade de expressão, segundo sua ótica (que está ERRADA, diga-se de passagem, pois discordar educadamente ou não não tem a ver com liberdade de expressão), produzir um espantalho miserável do outro lado e dar mais uma arma para totalitários continuarem a tratar quem deles discorda como um simples atraso de vida?

Sobre o Autor: Octavius é graduando em Letras e, ainda timidamente, tenta se deslocar pelas trilhas da Filosofia e do Comentário Político. Quando se achava o melhor e mais inteligente dos escritores, conheceu o pessoal do Ad Hominem (e muitos outros). Quando se achava o pior e mais burro escrevente, conheceu Duvivier (et caterva).

*Originalmente publicado em “O Homem e a Crítica” em 04/12/2013

Notas Mensais: Janeiro 2014 – Fevereiro 2014

Primeiras notas mensais no novo blog, coincidindo com o aniversário de 3 anos. Aproveitem, leitores.

Algumas palavras sobre a arte de escrever *

Algumas pessoas, após terem lido uma caralhada de textos meus, começaram a espalhar, por aí, o boato de que eu seria um bom escritor. Para estas, então, pode parecer estranho o que falarei a seguir, mas, por menos que eu goste disto, qualquer ser humano com QI acima de 30 e com alguma experiência de leitura filosófica, política ou literária mais elaborada que leia os meus textos perceberá ali um péssimo escritor e um retoricista de nível entre o medíocre e o baixo, tudo isto fruto de uma inteligência, no máximo, mediana, e isto porque, praticamente, não me aventuro fora do gênero que, em tese, mais domino, ou seja, o gênero dissertativo.

Logicamente, minha pouca habilidade mesmo com um tipo de escrita ao qual estou mais habituado não se dá fortuitamente, mas sim por uma série de motivos, dentre os quais posso elencar três principais. O primeiro, e talvez menos importante, é que, por alguma razão, simplesmente não consigo revisar nenhum texto que escrevo. Alguns diriam que seria porque, como qualquer escritor, tenho dificuldade em perceber meus próprios erros, enquanto eu diria que é por pura preguiça em nível agudo mesmo. Ao leitor cabe, então, confiar em quem preferir quanto a esse aspecto (eu, porém, apostaria todas as minhas fichas na segunda avaliação).

Como dito, entretanto o primeiro motivo, apesar de um dos principais, nem de longe é o mais importante. Outro, desta vez bem mais importante, tanto que, possivelmente, o mais importante de todos, é que, após ser advertido por um grande amigo, com razão, que meus textos, apesar de curtos (isso no meio do ano retrasado), eram excessivamente prolixos, entrei em uma espécie de crise estilística e, para fugir dela, tento, até hoje, a cada texto, inovar, seja em questão de tamanho, seja trazendo imagens ou mesmo anexando, a certas palavras, links para catapultar meu leitor a outros posts e vídeos interessantes sobre o assunto tratado.

Lamentavelmente, não senti melhora significativa desde meados de 2012 em qualquer desses setores, não tanto por causa das respostas medíocres que recebo algumas vezes, mas por uma questão de autocrítica: Continuo, apesar de querer escrever menos, escrevendo cada vez mais. E o problema é que estou começando a gostar tanto desse estilo que não sei quando conseguirei me livrar dele.

Mas, enfim, passando, agora, ao terceiro motivo possível (lembrando que os motivos não são, necessariamente, excludentes entre si), também poderia dizer que alguns dos melhores escritores que eu já vi, apesar de não todos, quase sempre seguirem, especialmente no que se refere a textos opinativos, uma linha de pensamento que, sem muito esforço, conseguem encaixar, perfeitamente, em todas as análises que fazem. Ocorre, no entanto, que, ao me desfiliar do esquerdismo e ao me propor o excruciante desafio de não me filiar a mais nenhum nicho ideológico, perdi justamente isso, uma linha de pensamento minimamente coerente que pudesse usar como parâmetro para análise de teorias, fatos e derivados – tanto que o mesmo cara que dá total respaldo à direita quanto o assunto é ambientalismo, pena de morte ou porte de armas TAMBÉM dá apoio à esquerda em assuntos como o casamento gay ou mesmo as Cotas em universidades públicas (apesar de, principalmente neste último, adotar linhas de pensamento que qualquer um dos grupos dificilmente toleraria, seja por hipocrisia, seja sinceramente).

De tudo isto, então, podemos abstrair que, “quod erat demonstrandum”, quando se tratar de minhas habilidades escritas, o defensor deve tomar cuidado para não cair em desgraça ao defender como prodigioso alguém que, na verdade, pode ser simplesmente mais um dos vários escritores na multidão. Ai de mim, se não pude nascer com as habilidades retóricas de um esquerdista e com as habilidades de escrita de um direitista, mas sim com o inverso disso!

* Não o livro genial de Schopenhauer, mas a arte de escrever em si, alvo de especulações de ordem estética e filosófica

Diderotismo I

Uma das primeiras grandes lições que posso tirar do filósofo francês Denis Diderot em “Jacques, o Fatalista, e seu Amo”, após terminar de ler o genial episódio de Madame Pommeraye, personagem que faz Bento Santiago, de Dom Casmurro, parecer, quando o assunto é vingança, apenas um moleque birrento, e que, nesse mesmo quesito, só perde para Medeia porque a vingança de Pommeraye, ao contrário daquela da mãe grega, não foi efetiva, é algo já enunciado, magistralmente, pelo inigualável e inenarrável Seu Madruga do Chaves, ou seja, que “a vingança nunca é plena, mata a alma e a envenena”.

Imprensa reacionária? Tem certeza, cara-pálida?

Em uma postagem nova, a famosa página da extremíssima extrema-esquerda “Meu Professor de História”, uma sátira bobinha à página “Meu Professor de História Mentiu para Mim”, contra-ataca. Desta vez, para “provar” que a afirmação “reaça” de que a mídia brasileira é esquerdista é fraude, colocam, em uma foto, algumas personalidades conhecidas do grande público (Gentili, Sheherazade, Bonner, Casoy, Datena, etc) e algumas de que, confesso, nunca ouvi falar, totalizando, assim, 20 jornalistas “de direita” no Brasil.O detalhe é que, como dito, boa parte das personalidades colocadas ali ou é de esquerda (por exemplo, Sheherazade, Datena e Arnaldo Jabor), ou é desconhecida do grande público – eu, aliás, truco que a grande massa saiba quem são Rodrigo Constantino, Diogo Mainardi, Luiz Felipe Pondé e Reinaldo Azevedo – justamente porque, ao contrário dos maiores ídolos da esquerda, como Chico Buarque, Caetano Veloso e Jean Wyllys, todos membros da imprensa, esses ditos “direitistas” não têm, a não ser em um ou outro jornal cuja redação não seja um inferno e em que se acredite em diversidade de opiniões DIFERENTES (e não da mesma opinião, fique claro), um grande espaço em qualquer tipo de mídia.

Até mesmo o próprio Jabor, tão chamado pela esquerda de um dos representantes da “extrema-direita” brasileira (o que quer que isso signifique, pois até hoje não descobri), tem sua participação restrita, na programação aberta da TV Globo, a um comentário diário de menos de 2 minutos no Jornal da Globo, que, com seu horário sempre fixo (só que não), deve ter, obviamente, a maior audiência dessa televisão (só que não, novamente).

Curiosamente, apesar de tanto dizerem sobre a imprensa não ser de esquerda, mas sim, para piorar a situação, REAÇA, citaram, com muito esforço, apenas 20 (dos quais 7, pelo menos, nunca vi mais magros, gordos ou meio-pesados) dos milhares de jornalistas, pensadores, opinadores e palpiteiros que, em geral, povoam a imprensa brasileira. Problemático, para eles, é que, se for para citar conhecidos E ilustres desconhecidos, também posso entrar no jogo com gente como Caetano, Chico e Wyllys, mais conhecidos, e, um pouco menos conhecidos, Leonardo Boff, Mino Carta, Matheus Pichonelli, Paulo Nogueira, Paulo Henrique Amorim, Breno Altman, Marcos Bagno, João Pedro Stédile, Emir Sader, Vladimir Safatle, André Singer, Suzana Singer, Mônica Iozzi (ligeiramente mais conhecida), Maurício Meireles (CQC esquerdista), Guga Noblat (outro CQC, assumidamente esquerdista), Marcelo Rubens Paiva, Sírio Possenti, Idelber Avelar, Cynara Menezes, Lola Aronovich, Leonardo Sakamoto, Luís Nassif, Antonio Prata, Bárbara Gancia, Clóvis Rossi, Luís Fernando Veríssimo, entre outros, e isso apenas começando a descida às minudências.

E então, esquerdalhas, não acham melhor dar meia-volta nessa questão de “imprensa reacionária”?

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Já que, pelo visto, ganhei uma horda de fãs, puxa-sacos e afins mesmo antes da divulgação do meu post sobre Frank Jaava por Olavo de Carvalho, quem dirá depois, sinto que devo vir aqui e confessar uma “humilhante” verdade: Eu não sei, não posso saber e nem QUERO saber sobre tudo que existe no mundo, mesmo quando o assunto é filosófico ou político. Desconheço profundamente, por exemplo, as filosofias de Ortega y Gasset, Fichte, Schelling, Bergson, Heidegger, Kelsen, Peirce, William James, John Dewey, Richard Rorty, Voltaire (apesar de que este, garanto, perde de MUITO longe para seu colega iluminista francês, Diderot, imagine então para outros filósofos), São Tomás de Aquino, Santo Agostinho, Plotino, Diógenes (e todos os outros pós-aristotélicos), Cícero e até mesmo Platão.

Quando o assunto é Filosofia Brasileira então, aí é que a coisa piora, pois sou um completo ignorante sobre Mário Ferreira dos Santos (deste, aliás, só conheço uma parte dos comentários em “Assim Falava Zaratustra”, traduzido genialmente por ele), Miguel Reale, Vilém Flusser, Gustavo Corção, Oswaldo Porchat Pereira et cetera.

Do mesmo modo, também não sei responder, por exemplo, se o livre-mercado é, de fato, a panaceia mundial, se deve haver o salário-mínimo, se a verdade é ou não absoluta e objetiva, se a Psicologia como um todo é ou não uma ciência, se qualquer divindade existe ou não (como sempre digo, eu não ACREDITO porque não SEI, não porque sei que não existe), se o Comunismo está de fato totalmente errado, entre tantas outras coisas.

Isto, porém, não é tudo, pois também devo admitir, igualmente “humilhado”, que tenho dúvidas até mesmo sobre o que creio ser certo, e que algumas dessas dúvidas, com o passar dos tempos e com mais debates e leituras, não têm diminuído em nada. Por exemplo, por mais que viva me dizendo favorável à legalização do Aborto, me pego em dúvida, pois, INEGAVELMENTE, não se trata de alguém com culpa no cartório e que, portanto, mereça a morte, mas sim, na maior parte das vezes, de uma vítima de um casal irresponsável ou até mesmo da pressão familiar contra uma mulher que talvez quisesse, de fato, ser mãe. Igualmente, por mais que me julgue um defensor das Cotas, também me pego duvidando sobre este posicionamento, especialmente porque sei que os riscos que envolvem a aprovação desse tipo de medida.

Enfim, o detalhe é que o que quero que os puxa-sacos entendam é que, por mais que gostem de minhas opiniões, EU NÃO SOU INFALÍVEL e, OH, eu MUDO DE OPINIÃO. O que eu mais detesto, aliás, são, justamente, essas amarras detestáveis em que, muitas vezes, um “fã” pode meter seu ídolo, esperando dele o que ele, mais vezes ainda, pode não dar ou mesmo pode não querer dar.

Sobre o Autor: Octavius é graduando em Letras, mas é réu confesso quando o crime é preferir a filosofia. Acreditava no mito da “imprensa reacionária”, mas, felizmente, conheceu as ideias revolucionárias a tempo. Gosta de ter fãs, mas nunca curtiu ser considerado um intocável ou inquestionável.