Olavo de Carvalho

Eu, Apolítico – Política “for real dummies”: a arte de processar

Um dos aspectos mais importantes da guerra política é, sem dúvida, a guerra judicial, isto é, aquela que se dá no seio do Judiciário, consistindo em cada um dos oponentes se utilizar de processos e de outras armas jurídicas existentes (ou não, principalmente no caso da nossa esquerda), entre as quais temos o processo como  a mais destacada.

Sim, é fato que processar alguém não só pode ser como de fato é uma arma extremamente poderosa quando o assunto é jogar a política. A esquerda, ciente disso, usa e abusa dos processos e até mesmo das ameaças de processos, ainda que o adversário não tenha de fato feito o que quer que seja que demande medidas judiciais. A direita, porém, apesar de já ter ciência disso – já que já foi avisada até mesmo por um de seus filósofos prediletos, Olavo de Carvalho, tanto em textos quanto em um vídeo a ser citado posteriormente neste artigo -, se recusa terminantemente a fazê-lo ou, quando decide por processar alguém, o faz de forma errada.

Quando se recusa terminantemente à batalha judicial de fato, as desculpas, todas mais ou menos inválidas pelas mais diversas, e ao mesmo tempo mais parecidas, razões, abundam: “Não é todo mundo que aguenta ficar lutando o tempo todo!”, falam alguns que já não lutam por 15 minutos sequer; “Não nos igualaremos à esquerda!”, falam outros que certamente estão entre os direitistas que já deram o que tinham de dar.

Quando se propõe a processar alguém, o direitista médio normalmente erra o alvo e ameaça não aqueles seus inimigos que de fato deveria ameaçar com processos, mas sim meros divergentes táticos que lhe falaram, ainda que de um jeito um tanto rude, coisas que esse mesmo conservador (liberais, em geral, não o fazem) certamente não queria ouvir, por quaisquer motivos.

Já passou da hora, então, de alguém, ainda que um apolítico, propor, em alguns passos muito simples, uma espécie de padrão de ação de ataque que a direita poderia executar quando tiver de lidar com a esquerda no terreno jurídico.

1- Conheça o terreno

Primeiro, já para se diferenciar da esquerda e evitar tanto acusações isentonas do tipo “nossa, mas direita e esquerda são só duas faces da mesma moeda” como acusações direitistas de “ain, vocês viraram esquerdistas de sinal trocado!”, é necessário que o direitista tenha o mínimo de conhecimento sobre a legislação brasileira vigente, representada, é claro, pela Constituição Federal de 1988, quer a adoremos, quer a repudiemos.

Não convém, portanto, tentar processar pessoas com interpretações malucas da letra da lei, assim como não é conveniente inventar crimes ainda não tipificados para ameaçar outros de processo, e a explicação para isso é simples: mentira tem perna curta, e, em política, mentir requer uma habilidade que a atual direita brasileira não tem.

Além disso, quando se está em minoria, é importante aprender a lutar não com o que se quer ter, mas sim com o que se tem, e tanto direita quanto esquerda de fato já tem muitas armas em mãos, com a diferença de que a nossa esquerda totalitária adora justamente inventar novas armas do nada ou deturpar as “armas” originais para seus objetivos.

Se for esperta, a direita deve, pois, agir com a verdade e, no caso de os esquerdistas mentirem como tanto adoram, rotulá-los aos olhos do público como canalhas, fascistas, entre outros tantos adjetivos. Ou é isso, ou  a batalha já começa metade perdida, já que uma diferença entre as duas iria para o espaço se a direita começasse também a mentir ou a deturpar a lei.

2 – Se você tem medo de perder, você já perdeu

Lembram-se do vídeo de Olavo citado anteriormente? Pois é. Nesse vídeo (cujo link não tenho), o hoje revolucionário contrário ao “estamento burocrático” – porra, Olavo, pelo menos poderia falar “establishment” ou “burocracia” para ficar mais elegante e menos tiozão nacionalista – explica a seus devotos justamente que, em política, a utilização dos meios judiciais é uma arma das mais válidas a serem exploradas também pela direita.

O ponto alto para este que vos fala, no entanto, é quando o filósofo campineiro discursa sobre como muitos direitistas não aceitam processar os seus adversários políticos porque acham que isso não vai levar a nada, já que a justiça atual está totalmente a favor da esquerda brasileira, e, para convencê-los do contrário, cita como exemplo a parábola cristã do juiz iníquo, que, segundo Olavo, acabou por ceder alguma espécie de ganho de causa a uma comunidade que lotou sua mesa com pedidos e mais pedidos referentes a certo problema que lá havia.

Olavo conclui, então, explicando que o objetivo político de um processo não é necessariamente ganhar a causa na primeira tentativa, mas gerar uma pressão (no nosso caso, política) para que, futuramente, os objetivos dos acusadores sejam alcançados, ainda que uma boa quantidade de dinheiro e de tempo tenha de ser gasta para isso. Segundo o campineiro, então, se alguém não está disposto sequer a devotar recursos financeiros e tempo a uma causa, esse indivíduo só faz transparecer que, talvez, a causa não valha a pena.

Neste caso em específico, de fato, as olavettes estão certas: Olavo tem razão. Digo, porém, mais ainda: se você tem medo de processar um esquerdista e perder, por qualquer motivo que seja, então você já perdeu. O problema é que, nesse caso, a consequência virá não só para você em um curto prazo, mas para todo o país em um médio e longo prazo.

A consequência, aliás, já até veio: mais de duas décadas de domínio cultural petista absoluto. Nesse caso, meus amigos, o medo foi e continua sendo o pior dos conselheiros.

3 – Conheça o oponente

Um dos passos mais importantes quando lidamos com um oponente na guerra judicial é, por óbvio, conhecer o oponente de quem falamos. Para os que procuram perder o mínimo de dinheiro e de tempo e tirar o máximo de poder possível da esquerda, qual é o propósito de ameaçar divergentes táticos, quer de direita, quer não, com processos, inquéritos ou o que quer que seja? Por que não gastar tamanha iniciativa e tamanhos recursos financeiros dificultando a vida do adversário totalitário que até hoje provavelmente nunca sentiu o que é ser processado por alguém?

Outro ponto importante é que, algumas vezes, o curso de ação mais inteligente e mais produtivo pode ser justamente apenas não agir judicialmente, mas deixar as provas para um momento futuro, mas isto se houver outro alvo mais importante e mais urgente. Pegando um exemplo da própria esquerda, qualquer esquerdista sabe que é muito mais rentável politicamente processar Jair Bolsonaro ou Marco Feliciano do que gastar tempo e dinheiro com o tiozão reacionário do Caps Lock que, muito provavelmente, nunca sairá do anonimato e não dará ibope algum para o processo em questão.

Transportando isso para a direita, deixo uma reflexão: será que vale mais processar um divergente tático que o xingou no Facebook, um esquerdista sem público que pode crescer em cima de você ou uma figura pública de esquerda cuja reputação pode de fato ser afetada quando tiver uma ação judicial nas costas?

(Dica: responder a primeira ou a segunda opções não é o que devem fazer aqueles que dizem entender como o mundo funciona, mas, assim, só falando de boas, né…)

4- Conheça a plateia

Ah, a plateia, sem dúvida o elemento a ser o alvo de maior atenção de qualquer combatente político que se preze. O princípio aqui é muito simples: se um vendedor precisa conhecer o público com o qual deseja fazer negócios favoráveis, se um professor deve procurar o conhecimento sobre a realidade dos alunos aos quais legará lições, se um jogador de futebol precisa saber o máximo possível sobre as características do estádio em que disputará uma partida, então o mesmo vale para o jogador político, que precisa conhecer o terreno em que está pisando antes de tomar qualquer ação.

Ficando em um exemplo simples, é conhecimento comum que, apesar de ser crime, a pirataria de jogos ou de programas não é tão mal vista assim entre brasileiros e brasileiras. Outros crimes, porém, são tão repudiados que a mera imputação deles a alguém pode acabar com a vida do acusado em questão de minutos. Entre eles, temos a ameaça de morte, em especial quando praticada contra indivíduos em posição social mais fraca.

Suponhamos, então, um jogador político que tenha, contra seu oponente, tanto o fato de este ter copiado um programa seu ilegalmente quanto o de tê-lo ameaçado de morte. Não há dúvida de que, por mais que os dois atos tenham sido criminosos, processar o oponente pela ameaça de morte refletirá muito mais sobre a plateia do que a acusação de pirataria ou de quebra de direitos autorais, certo?

5- Se estiver atacando, alardeie. Se estiver sendo atacado, aja o mais rápido possível

Explico este princípio com um simples exemplo, para o qual demando o julgamento honesto do amigo leitor. Se os leitores se lembram, o hoje senador (pelo PSB) Romário foi acusado (e, vejam, nem falamos de via judicial aqui), meses atrás, pela revista VEJA de ter certas contas no exterior com algum dinheiro não declarado. Qual foi a primeira ação de Romário? Ele defendeu-se o mais rápido possível e ainda aproveitou para rotular a revista, certo?

Já em um episódio mais recente, o deputado Marco Feliciano, do PSC de SP, vem sendo acusado de tentativa de estupro contra uma ex-colega de partido. Ao contrário de Romário, a resposta de Feliciano, além de bem menos assertiva, demorou bem mais a aparecer. Além disso, por mais que a verdade, segundo os fãs do deputado, tenha prevalecido, fica óbvio que a postura de Feliciano certamente prolongou e prolongará (afinal, houve até abertura de inquérito contra o deputado no STF, como bem relata Luciano Ayan) uma batalha que, dada a gravidade da acusação contra o deputado, poderia ter sido ganha com larga vantagem há muito tempo, correto?

Peço ao leitor, pois, que, independente de preferências eleitorais, me diga com honestidade: ainda que se queira dizer que nenhum dos dois perderá as próximas eleições por causa dessas notícias, quem mais perdeu possíveis novos eleitores ou apoiadores para uma próxima empreitada, quem se defendeu logo de cara e não deixou a conversa se alongar demais (Romário) ou quem demorou a fazê-lo (Feliciano)?

Se forem honestos, descobrirão que há mais moralidade na guerra política (e, por extensão, na guerra judicial) do que supõe a nossa vã direita sedizente esclarecida.

Octavius é professor, graduando em Letras, antiolavette e polemista medíocre. What’s the point in not suing somebody who should be sued, anyway?

Dessacro – Os Ensaios Profanos – De volta ao relativismo total… ou a coisa pior

Ao leitor sempre imparcial que reclamou do primeiro dos ensaios, este então parecerá um sacrilégio completo, posto que desta vez me inspiro claramente em autores de viés antiesquerdista como Flávio Morgenstern (vide o título) e Olavo de Carvalho para desmascarar mais um comportamento sacralizado pelos cretinos de nossa era.

De críticos literários renomados a estudantes de Ciências Sociais emaconhados, de “filósofos” anticonservadores de boteco a estudantes de Letras enfeitiçados pela retórica de vigaristas de cátedras as mais variadas, o que mais se ouve é que devemos, sempre, relativizar nossos valores para, juntos, lutarmos contra o sistema opressor e construirmos o mundo melhor.

Ao olho menos treinado, parece que esse discurso não poderia ser mais perfeito. Quem, afinal, não quer minimizar a opressão que sofre ou mesmo a dor que pode vir a sofrer por empatia com a opressão contra outrem? Quem, além deste ensaísta, não crê na possibilidade de um mundo melhor?

O problema, contudo, é que uma análise em maior profundidade nos faz notar que há no mínimo três problemas com a fala relativista:

1- de coerência interna do discurso

2- de coerência do discurso com a realidade

3- de coerência dos atos do emissor do discurso com o discurso defendido

Começo analisando bem brevemente o terceiro ponto, que comumente chamamos de hipocrisia.

Por mais que se possa dizer, corretamente, que a hipocrisia do defensor de uma causa não a invalida (aplique-se, aqui, a mesma lógica do ensaio anterior), é no mínimo indício de sua invalidade que nenhum defensor do relativismo total consiga se despir de seus próprios preconceitos quando confronta o outro.

O militante ateísta e multiculturalista mais aguerrido, por exemplo, se esquecer de “relativizar” quando, no Brasil, acha absurdo qualquer religioso declarado, especialmente cristão, ser eleito para uma cadeira no Congresso.

Da mesma forma, o cristão tolerante a todos age de maneira muito estranha ao repudiar fortemente aqueles a quem não-cristãos (!) chamam de fundamentalistas cristãos, fora dezenas de outros casos de falso relativismo total que são denunciados, às mancheias, pela direita facebookiana – e quando dependemos desta para algo, meus amigos, puta que lhos paralho, a coisa está feia.

Esse estranhamento, porém, é facilmente explicável quando analisamos os dois primeiros pontos.

O primeiro ponto faz referência à lógica interna desse discurso, isto é, ao fato de que o discurso relativista contradiz a si mesmo logicamente.

A análise a ser feita é bem simples: ora, se o alvo do dito relativista total é construir o mundo melhor e/ou o melhor dos mundos, isto significa que para ele há, neste mundo, elementos a serem corrigidos, ou seja, elementos piores (ué, mas e a história de “tudo é relativo”?) que precisam ser trocados pelo que é, pasmem, melhor (!).

Do mesmo modo, quem tem como meta o combate à opressão só pode enxergar nela um mau valor, a não ser pelo duplipensamento argutamente descrito por Orwell, posto que não se combate valores considerados bons ou indiferentes, o que por si só já desmonta a fraude da inexistência de valores objetivamente melhores do que outros.

Isto nos leva ao segundo e derradeiro ponto: que o discurso relativista contradiz a própria realidade, seja a realidade objetiva, seja a realidade social, construída a partir das necessidades das comunidades humanas organizadas.

Primeiro, mesmo que não haja forma de se medir objetivamente quais são os melhores valores – e há, já que nenhuma sociedade conhecida permite ou legitima a priori o homicídio injustificado, por exemplo -, a própria pedida dos relativistas para que analisemos os fatos de acordo com seu contexto revela exatamente que consideram (muito) melhor analisar com contexto do que analisar sem contexto. Ou seja, há, no mínimo, um valor melhor a se seguir, ainda que análise social não seja feita por todos.

Segundo, sociedade nenhuma funciona ou sobrevive relativizando tudo. Por isso foi necessário, aos regimes que descartaram o divino, sacralizar o Estado. E por isso, também, nossos relativistas anti-opressão, nossos quadrados redondos, ainda fazem um silêncio quase sepulcral em relação ao que eles próprios chamariam de “ateofobia”.

Octavius é professor, graduando em Letras, antiolavette e polemista medíocre. Jura que “sejerá menas” quando encontrar um relativista total de fato. Acha, porém, que contar com isso é o mesmo que declarar a crença em quadrúpedes sem encéfalo.

Notas Mensais – Julho de 2014 – Agosto de 2014

“Povo xingava a Rachel Sheherazade de nazista, agora fica tudo quietinho quando deputada do PT pede pras FARC matarem o Zúñiga.”

Eu não xinguei a Rachel Sheherazade (aliás, a defendi) e ainda não mandei a deputada do PT tomar onde bem prefira, mas acho impressionante como o povo também ficou pianinho quando alguém chamou um profissional do futebol de psicopata, sendo curtido por outra centena ou duas de bucéfalos. (mais…)

Brasil x Alemanha: a maior goleada é na Filosofia

Ilustre filósofo alemão na terceira idade escrevendo em seu tempo livre:

“O meio mais seguro para não possuir nenhum pensamento próprio é pegar um livro nas mãos a cada minuto livre. Essa prática explica por que a erudição torna a maioria dos homens ainda mais pobre de espírito e simplórios do que são por natureza, privando também seus escritos de todo e qualquer êxito.” (Arthur Schopenhauer em A arte de escrever, traduzido por Pedro Süssekind)

Ilustre filósofo brasileiro na terceira idade escrevendo em seu tempo livre:

Profecia: Tantos começarão a dar o cu que no fim não haverá mais quem os coma.” (Olavo de Carvalho em seu Facebook, mas a pergunta que não quer calar é: será que essa previsão não tem um quê de experiência própria? rsrsrsrs)

E depois vocês reclamam de uma derrota por 7 a 1 em um jogo de Copa do Mundo para a Alemanha. Posers.

Octavius é professor, graduando em Letras, antiolavette e polemista medíocre. Não se surpreenderá se as olavettes, tão fanáticas de tão apressadas e tão apressadas de tão fanáticas, não lograrem êxito em entender que se trata de mera anedota.

Notas Mensais – Junho 2014 – Julho 2014

Devotos de um vigarista – O retorno

Você percebe que Marx influenciou excessivamente as ciências humanas quando vê que, para justificar o método de análise histórica que cria com o “18 de Brumário”, argumenta que pessoas, usando o método anterior, falharam em fazer uma análise justa. Detalhe 1: Pessoas falhando em aplicar um método não significa que o método é falho. Detalhe 2: Marx não dá UMA MÍSERA LINHA de espaço para aqueles aos quais está se opondo, quem dirá refutá-los.

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Crítica à religião que mais cresce no Brasil: o Olavismo

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(Aviso: Antes de vir fungar em minha carótida, caro amigo olavette, quero aqui deixar claros o meu respeito e a minha admiração pelo pensamento de Olavo de Carvalho, do qual divirjo em pontos periféricos e que não abordarei aqui, ao menos não em detalhes. Minha crítica, então, direciona-se única e exclusivamente a vós, e não ao maior filósofo do hemisfério. Se ainda quiserem, depois de isto ser esclarecido, falar que tenho a pretensão de “refutar Olavo”, favor ler os seguintes posts, entre os quais os dois primeiros foram divulgados, há algum tempo, pelo próprio Olavo, e o terceiro foi divulgado há mais ou menos um ano por Flávio Morgenstern, um aluno de Olavo (e, portanto, definitivamente alguém que não quer “humilhar o Olavo de Carvalho”:

Manifesto Jaaviano contra Olavo de Carvalho e outros arrogantes, inconsistentes, desonestos intelectuais e “fechados à diversidade da experiência humana e da realidade que nos constitui” / O Mínimo que Bernardo Lopes precisa saber para não ser um Idiota – O show de falácias de um Lanterna Verde / Eu, Apolítico – Ceticismo x Academia (Ou: Por que desconfiar de Renato Janine Ribeiro et caterva) /

E, caso queiram mais evidências disso, consultem a tag Olavo de Carvalho neste blog)

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