Política

Eu, Apolítico – “How to get away with Matei o presidente”: o Pensador e a Guerra Política

Semanas atrás, o famoso cantor de hip-hop e rap, Gabriel, o Pensador (um de meus favoritos, se não o favorito), completou 25 anos de carreira e, assim como na Era Collor, resolveu novamente matar o presidente em seus versos, o que naturalmente causou reações das mais diversas, desde aplausos à esquerda até vaias à direita.

Falando, aliás, em direita, vários adeptos desse lado do espectro político-ideológico enfureceram-se de tal forma com o lançamento dessa parte 2 da canção só após o fim da Era PT (2003-2016) que passaram a acusá-lo, internet afora, de “hipócrita”, “vendido”, “petista”, “petralha”, entre outras acusações que, por terem sido disparadas até contra Reinaldo Azevedo (!) e Diogo Mainardi (!!), podem estar com os dias contados em termos de força retórica.

A análise política, todavia, dessa polêmica do rapper brasileiro independe de saber se é eleitor do PT, do PSOL ou de algum partido similar. Independe, aliás, até mesmo de ouvir a música, também porque há várias outras bem melhores do próprio Gabriel para ouvir: a interessante “Pátria que me pariu”, as divertidíssimas “En la casa”, “Festa da música tupiniquim” e “2345meia78”, a crítica política em “Sem Saúde”, a icônica (na falta de melhor termo) “Cachimbo da Paz”, etc.

O caso é que, para uma análise política adulta, deve-se começar pela verdade integral dos fatos: não só Gabriel matou o presidente poeticamente e provavelmente escapará ileso, mas também teve e terá tido a ajuda da direita brasileira tanto para o homicídio poético como para escapar das consequências políticas desse ato.

Primeiro, sobre o homicídio poético praticado pelo cantor carioca, Gabriel, o Pensador, só precisaria de um clima político em que Temer fosse tão ou mais odiado do que seus antecessores para compor esse tipo de canção. Seria excelente, por exemplo, que imperasse na mente do brasileiro médio a mentalidade “fora todos, pois são todos igualmente corruptos”, o que daria a qualquer artista o aval (e a licença poética, claro) para atacar com palavras quem quer que fosse o presidente e se sentir moralmente justificado e perdoado para isso.

Creio que nem preciso contar ao leitor, sagaz como sói, o que nossa direita fez: depois do impeachment de Dilma e da ascensão de Temer, a maior parte desses paladinos da moral e justiceiros dos bons costumes entrou de gaiato no navio do discurso “fora todos”, mas não foi ainda expulsa porque vem servindo como bucha de canhão para a militância esquerdista atacar Temer sem dó nem piedade.

Penso ser suficientes, pois, as evidências do porquê de a direita ter ajudado no “assassinato artístico” do atual chefe do Poder Executivo. Ainda assim, por que digo que Gabriel, o Pensador, terá tido a ajuda dessa mesma direita para escapar das consequências de seu crime poético?

É simples, leitor amigo: se “todos são iguais”, mas se é Temer que está no poder justamente no ano em que um cantor completa 25 anos de carreira (marca alcançada por poucos até hoje), qual seria a razão de alguém reclamar por Gabriel escrever especificamente contra Temer? Não seriam, então, esses ataques um ótimo pretexto para o réu (o rapper) tornar a si próprio ao mesmo tempo a pobre vítima dos defensores do presidente, esses hipócritas que têm bandido de estimação (reconhecem isso de algum lugar, amigos de direita?), e o impiedoso juiz da hipocrisia alheia?

Mesmo que o Pensador não tenha qualquer interesse ideológico e que só tenha se aproveitado para voltar ao hall da fama, quem tem mais chance de sair ganhando politicamente: o rapper que pode posar de injustiçado ou os direitistas “apolíticos” que adoram posar de justiceiros dos bons costumes e paladinos da coerência?

Em suma, se Gabriel não honrou seu codinome e de fato escreveu a canção sem fins de guerra política, imaginem o que fará se resolver pensar. Já a direita, se estava pensando quando atacou o rapper após tanto apoiar o “fora todos”, imaginem o que fará se resolver deixar de pensar.

Octavius é professor, graduado em Letras e polemista medíocre. Nunca imaginou que encararia Gabriel, o Pensador, como um exemplo de G-U-E-R-R-A (GUERRA!) política.

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Eu, Apolítico – William Waack e a privacidade: Orwell explica

Nesta semana, o jornalista da Rede Globo, William Waack, não só foi o centro de uma grande polêmica, mas também teve seu nome estampado em várias manchetes na internet após o vazamento de um vídeo em que, segundo seus acusadores, teria proferido comentários racistas sobre um motorista que buzinava na rua em frente à Casa Branca segundos antes de o jornalista iniciar sua cobertura ao vivo das eleições americanas do ano passado.

Partindo dessa polêmica, alguns debatedores internet afora levantaram a seguinte questão: por mais que o que Waack disse seja repulsivo, não é preocupante que, no mundo em que vivemos, até mesmo o que falamos em privado possa ser alvo do escrutínio do público? Mais ainda: será que essas mesmas pessoas que hoje estão achando maravilhoso Waack ser o alvo da ira pública não pensam que podem ser as próximas?

A primeira pergunta, confesso, parece-me bem coerente, mas não creio ter nada a acrescentar à discussão fora o que já tem sido dito redes sociais afora: de fato é preocupante, pois a fluidez da noção de privacidade acarreta medo, insegurança, falta de confiança no outro, etc.

A segunda questão, por sua vez, é certamente bem mais interessante, pois até mesmo aceitar as duas respostas possíveis requer, por razões diferentes, uma maturidade (ou talvez um cinismo, como prefiram) à qual o debatedor brasileiro ainda não se acostumou, já que, também por várias razões, recusa-se a aceitar a vida como ela é e, principalmente, as pessoas como elas são.

A primeira resposta é: não, de fato essas pessoas não pensam que podem ser as próximas, quer porque superestimam demais a própria “esperteza” e pensam que nunca serão pegas, quer porque se consideram tão virtuosas que nunca sequer passariam perto de pensar nas palavras erradas, quanto mais de dizê-las. Ou seja, em outros termos, são hipócritas, por mais cruel que isso possa parecer.

Já a segunda resposta só pode ser bem entendida com uma analogia com o genial romance distópico 1984, de George Orwell. No final do livro, após ser capturado junto com sua amante, Júlia, o protagonista Winston, então membro do Partido, confronta seu torturador, O’Brien, membro de um escalão mais alto do que o seu, e lhe pergunta o porquê de ele apoiar o partido incondicionalmente se sabia (como dissera antes a Winston) que um dia seria ele o torturado.

As palavras de O’Brien são devastadoras para o leitor, mas não deixam de fazer sentido: o importante, em resumo, não era o indivíduo, por maior que fosse seu posto, e sim a busca pelo poder e pelo controle do pensamento alheio, que eram os ideais reais do Partido. Qualquer sacrifício em nome da causa seria, pois, uma honra, e não um motivo de desespero.

Guardadas as devidas proporções, o mesmo se aplica ao caso Waack: sim, os que hoje lincham Waack publicamente por algo detestável que disse em privado têm plena consciência de que podem ser os próximos, mas o que importa é que a causa que defendem prospere no fim das contas, não importando quantos deverão ser sacrificados para isso acontecer.

Não é, pois, que essas pessoas não entendam que esse tipo de abalo à noção de privacidade tende a levar a uma sociedade de controle do pensamento, e sim que esses linchadores virtuais querem que isso ocorra. Ou seja, em outros termos, são militantes, por mais cruel que isso possa parecer. Orwell explica.

Octavius é professor, graduado em Letras e polemista medíocre. Já achava a expressão “coisa de preto” abominável bem antes de isso virar militância política massificada.

Por que não falo de libertarianismo?

O leitor atento deve ter notado, há muito, que, até hoje, 17 de janeiro de 2017, este blogueiro que vos digita, quer em “O Homem e a Crítica”, quer neste “Apoliticamente Incorreto”, pode ter até citado libertários em alguns textos, mas nunca se dignou a escrever um artigo sobre o tema.

Eu poderia dizer, é claro, que, apesar de achar livre-mercado uma patacoada sem tamanho, não tenho conhecimento suficiente para escrever sobre as ideias libertárias em geral por falta de interesse mesmo, tanto que, até hoje, só li A Desobediência Civil, As seis lições e A Anatomia do Estado entre livros considerados libertários.

O caso, porém, é outro. O que me impede em absoluto de falar de libertarianismo são frases como a que cito abaixo, que li em uma discussão de Facebook na página de certo analista político cuja maior característica é o olavismo:

“A união de 2 ou mais indivíduos é uma união socialista.”

Na mente de um sujeito desses, é óbvio que a relação entre pai e filho, entre namorado e namorada ou mesmo entre um par de amigos só pode ser, por lógica (!), uma relação socialista (!!). Para não ser um socialista, então, segundo esse grande pensador que precisa permanecer anônimo e intocado pelo bem da humanidade, é preciso livrar-se do instinto gregário (!!!) e, agregado a ele, das emoções e dos mecanismos biológicos que nos fazem querer criar vínculos com pessoas, pois todo vínculo com outrem é socialismo puro (!!!!).

Ainda bem que nenhum leitor me cobrou nem me criticou, ainda, por não escrever um texto sobre esse tema. Se a crítica vier, a única resposta que poderei dar é mostrar esse artigo e dizer-lhe: “É desse tipo de gente que você quer falar? Você deveria ter vergonha de sequer dar ouvidos a uma galera dessa.”

Octavius é professor, graduando em Letras, antiolavette e polemista medíocre. Teme que, daqui a alguns anos, o Star Wars se torne um filme libertário e crie o lema “não venha para o lado anarcocapitalista da Força, senão viramos socialistas.”

Eu, Apolítico – Baboseira boa é baboseira morta

Após a recente morte de 60 detentos em um presídio em Manaus, veio novamente à tona o velho discurso segundo o qual “bandido bom é bandido morto”. Sendo eu um defensor declarado da Pena Capital para crimes hediondos, certamente concordo com essa frase em gênero e em número, não é, amigo leitor?

Pois é. Para quem me conhece, é evidente que só uma resposta é possível de ser imaginada: não, não concordo, e penso, inclusive, que a direita brasileira deve descartar esse discurso ou alterá-lo parcialmente o mais rápido possível, por mais que pareça ser um discurso muito popular.

Resta, com isso, uma pergunta: mas por quê?

Diga-me como defines e eu te direi quem és

O problema que me soa mais óbvio nessa frase é o da definição das duas palavras que compõem o seu centro semântico.

Primeiro, de que “bandido” se fala exatamente nesse lema? A não ser para uma mente muito perturbada, de todo e qualquer infrator penal não pode ser, já que teríamos de punir com morte desde o ladrão de galinhas até homicidas e estupradores, o que tornaria o sistema punitivo brasileiro um dos mais injustos e desproporcionais do mundo.

Parece-me, na verdade, que, quando a maioria dos adeptos desse discurso o reverberam por aí, pensam, é claro, em criminosos hediondos, como estupradores e homicidas. O caso, porém, é que, da frase em si, não é possível nem obrigatório extrair essa informação específica, e fato é que, na maioria das vezes, tanto adeptos como detratores desse discurso pensarão nele a partir do que está escrito/dito, e não do que possa ter sido o pensamento de quem o veiculou.

Segundo, “morto” por quem, caras pálidas? Pelo Estado, após um julgamento no qual serão garantidos direitos como presunção de inocência, dúvida favorável ao réu, direito à defesa e ao amplo contraditório, recursos e outros mais que compõem o chamado “devido processo legal”, ou por qualquer um que, sedizente adepto da justiça, resolva fazê-la pelas próprias mãos sem julgamento algum e com presunção de culpa para o acusado?

Neste último caso, aliás, o que passaria a diferenciar, no Brasil, o civilizado do bárbaro? Seria mesmo uma decisão acertada deixar  a justiça nas mãos de um povo que deu conta de reeleger Lula e Dilma? Que aceitou quase sem resistência intelectual alguma o discurso de que não há diferença significativa entre pequenas e grandes corrupções? Que não só não vê problema, como também chega a achar louvável, compartilhar notícias falsas no Facebook para apoiar ou achincalhar uma causa ou uma pessoa? É a cultura desse povo que deve estar refletida nas leis? O que nos diferenciaria, neste caso, dos facínoras que já grassaram mundo afora?

Diga-me como defines e eu te direi que respostas receberás

Associado a esse problema das definições malfeitas, temos a seguinte situação: é muito fácil fazer um sujeito que adota o lema “bandido bom é bandido morto” passar vergonha em público ou em privado ou ter de se defender prolongadamente (e, lembrem-se, via de regra, na vida política, quem ataca ganha).

Se o sujeito, por exemplo, é fanático por alguma político de passado e/ou presente controverso, é só perguntar: “mas e o seu político predileto? Se bandido bom é bandido morto, então, por causa de a, b e c, ele também seria morto”, objeção à qual um jogador político experiente responderia fácil, dizendo “sim, seria, e não há problema nisso. Parece, na verdade, é que você é quem tem motivos para temer esse cenário e para defender bandido”.

Como, porém, os adeptos desse discurso são os mesmos puritanos que acham a guerra política imoral, o que fariam seria só uma longa e prolixa defesa de suas ideias (dando um ponto ao oponente) ou, pior ainda, uma relativização malfeita do malfeito do ídolo em questão, aumentando as chances de o debatedor passar vergonha e ter de se retratar e/ou ter em cima de si os rótulos de “cego”, “hipócrita” ou “fanático”, além de poder ser frameado como alguém que considera que “bandido POBRE e bom é bandido morto”.

O outro grande frame já foi, inclusive, utilizado “semidiretamente” por mim neste artigo, que é o uso do shaming (“envergonhamento”, em português) com frases como “você deveria ter vergonha de defender a barbárie/ essas ideias retrógradas”. Conecte-se esse rótulo a alguém que viva afirmando publicamente o desprezo aos direitos humanos e será impossível rebater e reverter esse tipo de acusação sem tomar um dano político irreparável (que ocorrerá, é claro, mesmo se o sujeito estiver calado).

Aliás, falando em direitos humanos…

Diga-me como discursas e eu te direi o quão errado és

O problema final do “bandido bom é bandido morto” é que, unido a ele, vem o discurso mais canalhamente burro de todos: o do desprezo aos direitos humanos.

Leitor amigo, coloquemos as cartas na mesa: se você despreza direitos como vida, liberdade e presunção de inocência, você é, no mínimo, um babaca e, no máximo, um sujeito perigoso com o qual pessoas racionais e civilizadas não deveriam sequer trocar palavra, quanto mais ideias.

Se você não os despreza, porém, adivinha? Você é um defensor dos direitos humanos, oras. O caso, na verdade, é que não lhe agrada, assim como não me agrada, o atual discurso esquerdista totalitário e psicopata que infecta essa área das relações humanas.

A solução para isso? Contra-atacar culturalmente e fazer, progressivamente, a esquerda perder terreno nos direitos humanos. Os culpados pela situação atual? A direita omissa e politicamente preguiçosa que, nos últimos anos, só soube produzir, em termos de direitos humanos, baboseiras como “bandido bom é bandido morto”. Como dito no título deste artigo, a melhor resposta a isso é: baboseira boa é baboseira morta.

Octavius é professor, antiolavette, graduando em Letras e polemista medíocre. Provavelmente desrespeitou os direitos humanos e os “direitas” desumanos nesse artigo, mas, até o momento, não se arrepende.

Eu, Apolítico – Sobre rótulos e imoralidades

Proponho ao leitor uma reflexão. Imagine, amigo leitor, que você, na verdade, vive na Alemanha pré-nazista, em que Hitler ainda não havia chegado ao poder, mas já flertava seriamente com essa possibilidade. Por algum motivo, você sempre desconfiou dos resultados do projeto de Hitler, achando que todo aquele discurso e toda a narrativa nazista seriam, na verdade, só um pretexto para genocídios, censuras, antissemitismo e tudo aquilo que já deveria ser passado em um mundo civilizado.

Um amigo seu, porém, acabou de perder o emprego e está vendo as contas e as dificuldades familiares se acumularem. Sendo um cara mais emotivo do que racional, esse seu amigo ouve um discurso do canalha totalitário em questão e começa a dar sinais cada vez mais claros de estar se tornando um defensor fervoroso de uma ideologia que, para você, só pode gerar tristeza e desespero, inclusive para o seu próprio amigo.

Diante dessa situação, você tem duas opções: ou você simplesmente deixa um bom amigo traçar o seu caminho e cometer um grave erro de que se arrependerá depois, ou você tenta convencê-lo de que dar suporte à narrativa nazista é um erro que não deve cometer.

Para qualquer pessoa normal que ache que sua cabeça estará em risco, é óbvio que a primeira opção é de uma imoralidade tão grande que sequer se deve flertar com ela. O leitor inteligente, portanto, partirá para a segunda opção, e tentará convencer seu amigo, um sujeito altamente guiado pelas sensações e pelas emoções, a não cometer um terrível erro.

Em uma situação como essas, é claro, há diversas formas de convencer as pessoas, mas quero que o leitor escolha entre as duas principais que vemos, considerando, sempre, as características desse amigo. Leitor, para convencer o amigo em questão, o que você acha melhor: ir simplesmente refutando racionalmente um a um os argumentos nazistas ou rotular os adeptos do Nazismo (entre os quais o seu amigo ainda não se inclui) pelo que de fato são, isto é, racistas, egoístas, genocidas e ditadores?

Se escolheu a primeira opção, leitor, imagine que você precisa convencer esse seu amigo da forma mais rápida possível, para que ele, ainda que não se filie à ideologia que você quer, se mantenha bem longe do Nazismo. Ainda acha a primeira opção tão viável?

Creio que, diante desses fatos, os leitores mais sensatos, de qualquer grupo ideológico, em especial o da direita conservadora que se diz antitotalitária e que alega haver um projeto totalitário em curso no Brasil, responderiam nos dois casos com as segundas opções, que são as únicas opções viáveis e morais a serem exercidas.

Pergunto, então: se vocês não achariam imoral rotular uma ideologia totalitária como o Nazismo, e se vocês consideram de fato que a esquerda brasileira abraça um projeto totalitário de poder, por que tanta recusa em rotular a esquerda como de fato creem que ela merece ser rotulada?

Octavius é professor, graduando em Letras, antiolavette e polemista medíocre. Se rotular fosse crime, já teria pegado prisão perpétua. Se ser omisso politicamente fosse crime, a direita brasileira já estaria há muito tempo na fila de espera da cadeira elétrica.

Eu, Apolítico – Triste começo da direita que não conversa com as pessoas

Tenho acompanhado, recentemente, um canal de Youtube chamado Charisma on Command, cujo nome já dá metade da explicação sobre seu propósito: é, em poucas palavras, um canal destinado a dar dicas aplicáveis no cotidiano sobre como podemos ser mais carismáticos e mais bem sucedidos em nossas interações sociais, entre elas, mas não só, as interações políticas.

Uma das dicas mais valiosas dadas por Charlie Houpert, apresentador do canal, é: quando quiser a atenção e o apoio das pessoas para uma causa, procure contar histórias sobre indivíduos concretos, em especial quando sofrem por não terem tido certa oportunidade, em vez de se prender a estatísticas gigantescas ou a ameaças abstratas e, muitas vezes, intangíveis para o homem comum.

Por exemplo, se você quer que João se una ao seu partido político preferido, é mais eficaz contar a João a história de José, que foi vítimas das políticas de governo empregadas pela facção rival, do que apelar ao fato de que 50 mil pessoas com as quais João provavelmente não tem relação foram vítimas dessas políticas, ou ainda para a imoralidade dessas políticas.

Para saber que histórias são mais efetivas, porém, é preciso conhecer o interlocutor e/ou a plateia com quem estamos lidando, e isso pode ocorrer de várias formas, sendo a principal delas o diálogo e, em especial, a parte em que sabemos ouvir o que os outros pensam, querem, apoiam, repudiam e, principalmente, teme.

A esquerda, sem dúvida, é mestre nisso, já que até mesmo esquerdistas mirins de 15 ou 16 anos já sabem, ainda que instintivamente, que pessoalizar é bem mais efetivo do que tornar abstrato. Os esquerdistas, pois, podem até falar em “feminismo” ou “direitos LGBT”, mas sabem que, se não colocarem na mesa casos no mínimo plausíveis de pessoas que sofreram pela ausência de um ou de outro, suas chances de convencerem o público estarão altamente comprometidas.

E quanto à direita? Quanto a eles, que dizem ter ressurgido no Brasil, tudo aponta para um triste (re)começo, já que 8 entre cada 10 direitistas apelam, de forma chata e monótona, a uma moralidade abstrata pela moralidade abstrata ou a um arcano livre-mercado em vez de mostrarem, com casos no mínimo plausíveis, como a ausência de algum dos dois piorou a vida de um indivíduo que tinha/tem planos, sonhos, ambições e desejos, ou seja, alguém com que se pode ser solidário.

É, em suma, o triste começo da direita que não conversa com as pessoas. Que se acha mestre em economia, mas que é reprovada com nota 3, no máximo, em Marketing. Que despreza a política em nome de ideais excessivamente rebuscados e, portanto, intangíveis à maioria, nos campos moral e estético. Que não sabe contar uma história. Que, enfim, só não terá um triste fim pior do que o de Policarpo Quaresma não por suas próprias forças, mas se o adversário enfraquecer demais a ponto de sequer reagir, o que, adivinhem?, não acontecerá.

Octavius é professor, graduando em Letras, antiolavette e polemista medíocre. Quando ouve algum liberal falando em livre-mercado, saca logo sua arma: um travesseiro. Anda pagando de Youtuber no canal Eu Apolítico.

Boas (ou más) novas: Apoliticamente Incorreto também no Youtube

Bom dia, boa tarde, boa noite.

Por uma série de motivos, que variam desde conveniência até certa curiosidade, achei por bem expandir o número de plataformas para que o leitor possa aproveitar (ou não) o conteúdo de Apoliticamente Incorreto sem ter de ficar lendo páginas e mais páginas de texto.

Agora, sob o nome de “Eu Apolítico“, o blog também estará no Youtube de uma forma bem simples: o que eu não achar que possa articular em um texto será articulado por mim por meio da fala e postado como uma espécie de podcast que pode ser ouvido pelo espectador onde melhor lhe aprouver.

Os assuntos? Os mesmos de sempre: política, futebol, filosofia, literatura ou o que quer que venha à minha cabeça no momento.

Os idiomas do canal? Português (língua nativa) e inglês (língua na qual dizem que sou fluente. Espero que estejam certos).

A frequência de postagem? Quando me der na telha.

O tom? O mesmo de sempre, ou seja, quem conhece o blog conhece o canal.

Até a próxima e nos encontramos por aí, seja no WordPress, seja no Youtube.

Octavius é professor, graduando em Letras, antiolavette, polemista medíocre e, agora, vlogger. Sabe que o canal terá no máximo três vídeos, mas não vê problema nisso.