Politicamente Correto

Eu, Apolítico – Canal Livre e o Politicamente Correto: três anos depois, o que sobrou? (Ou: Ensaio sobre o Politicamente Correto)

Pela enésima vez, estive revendo o debate sobre o Politicamente Correto promovido pelo Canal Livre com a participação do filósofo pernambucano Luiz Felipe Pondé, mais conhecido por escrever o Guia Politicamente Incorreto da Filosofia e menos conhecido por ter passado a escrever, mais ou menos desde a época em que ocorreu o supracitado debate (abril/maio de 2013), livros que são melhores peças detratoras contra Pondé do que qualquer crítica genérica, tediosa e nonsense do típico esquerdista tupiniquim.

Sendo considerado por alguns um marco em termos de debate sobre a praga PC, é uma entrevista a que se deve assistir com atenção, posto que nos revela muita coisa, mas apenas se formos procurar que conclusões políticas podemos tirar desse episódio e de tudo o que se seguiu depois, desde manifestações até eleições, passando, é claro, pelo lado internet do debate político.

Hora, portanto, de palpitar sobre como analisar não apenas nem tanto a discussão canal livresca em si, mas principalmente o próprio Politicamente Correto, sua ascensão e suas implicações atuais.

Primeiro, e talvez, por incrível que pareça, muitíssimo importante, já passou da hora de se admitir que, definitivamente, nenhum programa de entrevista da televisão brasileira merece ser o palco de qualquer debate com valor político.

Falo isto não só por o Canal Livre ser, como é evidente há muito tempo para todos aqueles detentores do mínimo de sensibilidade televisiva, um sonífero dos mais potentes, mas também pelo fato de as discussões por lá parecerem de uma natureza tão genérica e tão vaga que, como efeito provavelmente indesejado, podem aumentar ainda mais o desinteresse das pessoas por qualquer tema abordado pelos entrevistadores.

O problema, na verdade, é que o programa da Rede Bandeirantes não é uma aleatória exceção, mas uma infeliz regra na televisão brasileira, apenas levando-a ao extremo da chatice e do tédio por sua forma, como já mencionado, que cura qualquer insônia.

Qualquer telespectador brasileiro percebe, outrossim, que o problema também transparece no conteúdo. Convidados com caras que inspiram tédio e com falas mais mortalmente tediosas ainda (Pondé, aliás, é rara exceção), perguntas visivelmente escritas para adular o convidado ou para confrontá-lo de forma muito indireta e muito insossa, entrevistadores pouco dispostos a sair da vulgaridade genérica e superficial que se esperaria de uma conversa de jantar familiar de quarta na pizzaria, não em uma entrevista sobre política, tudo isso e mais um pouco, no fim, só contribui para o fingimento de que não se está barateando o debate enquanto tudo o que se está fazendo, de fato, é torná-lo mais tedioso do que a polêmica sobre o cara que quebrou uma placa do Youtube ou do que o vídeo do Pirula sobre o incêndio no Museu da Língua Portuguesa.

Se existe algo a se fazer nesses programas, o que deve ser feito é aprofundar o uso de frames, ao invés de, como na maior parte das vezes os entrevistadores desejam, se ficar argumentando sobre tecnicalidades às quais, no fim, ninguém presta atenção (com razão, diga-se de passagem).

Segundo, chamar qualquer jornalista brasileiro, tirando raríssimas exceções, de politicamente incorreto atualmente é uma piada de extremo mau gosto. Pior ainda em se tratando de certo ex-membro do Castelo Rá Tim Bum, membro hoje mais conhecido por ter sido dispensado de um programa que, de ícone do politicamente incorreto e do humor ácido contra os governantes – rótulos, aliás, altamente questionáveis, pois me parece, vendo com os olhos do Octavius de 2016, ter sido apenas mais um dentre tantos casos de isentismo artificial que pululam na imprensa brasileira -, passou a ser considerado, em seus anos de crepúsculo, a simbiose perfeita entre a praga PC e a “rebeldia” chapa-branca presente, atualmente, em 99 de cada 100 esquerdistas brasileiros.

Acorrentados por um código moralista até parecido com um puritanismo, só que dez vezes pior, o que os jornalistas brasileiros de maneira geral vêm fazendo é, justamente, apertar ainda mais suas correntes, garantindo que os que nunca os quiseram livres possam agir com ainda mais tranquilidade, correndo risco praticamente zero de terem confrontados e desmascarados seus esqueletos totalitários dentro do armário (ou nem tão dentro assim).

Em terceiro lugar, redefinir o termo “politicamente correto” é vital, seja para análises filosóficas, seja para debates políticos. Deve estar claro que digo, com isto, que definir o politicamente correto como uma doutrina que divide o mundo em opressores e oprimidos  e que busca controlar a linguagem em todas as suas formas alegando defesa dos oprimidos não é errado, mas que o fato é que, se houve algo de positivo nas justiçadas sociais de 2015, foi a revelação explícita parcial por parte dos próprios adeptos da praga PC do real intento daqueles que buscam elevar o nível de politicamente correto na atmosfera a patamares ainda mais humanamente intoleráveis.

O segredo está na palavra “empoderamento”. Alegam os justiceiros que o 1984 internetês que promovem mira “o empoderamento das minorias”, sendo a minoria da vez variável dependendo do tipo de militante com quem nos defrontamos.

Cínicos! E tolos os crentes em qualquer intenção sincera por parte dessas pessoas.

De fato, a história muito recente (de 2013 para cá) nos mostra que o objetivo do politicamente correto é mesmo o empoderamento. Pobres minorias, porém, que estão sendo mero diversionismo para esconder que os únicos empoderados, no fim,  serão na realidade os totalitários (chamá-los “aprendizes” seria inadequado, pois há muito passaram desse nível) que, por meio da politização extrema do cotidiano e da censura progressiva da linguagem, atualmente buscam o poder sem dó nem piedade alguma daqueles de cujos dramas reais eles estão se apropriando levianamente.

O politicamente correto, portanto, deve passar a ser definido como “doutrina de natureza cínica e totalitária que, por meio do apelo a uma questionabilíssima dicotomia opressor/oprimido, do controle da linguagem com pretensões evidentes de censura e da superpolitização do cotidiano, pretende empoderar psicopatas aproveitadores de dramas de minorias para tomar-lhes a voz enquanto dizem representá-las enquanto representam nada além do próprio desejo megalomaníaco pelo poder”.

Falando em um dos pontos dessa definição, o cotidiano superpolitizado, chega o quarto e último resquício do morníssimo debate do Canal Livre em maio do 2013: talvez já tenha até passado um pouco do tempo, mas ainda é possível, e vital, diminuir ao máximo as reclamações despropositadas sobre a superpolitização do cotidiano e descobrir formas de utilizá-la justamente contra seus mentores, os politicamente corretos.

Afinal, por mais desagradável que seja a alguém envolver-se na política, o risco de desdenhá-la exatamente durante essa era de praga PC é, justamente, entregar a própria cabeça e a própria liberdade de bandeja aos megalomaníacos do momento.

Denunciar tal megalomania por si só, aliás, não basta nem adiantará a curto prazo, posto que o júri será composto, em grande e relevante parte, precisamente por crias dessa superpolitização do cotidiano.

Omitir-se ou restringir-se a lamuriar-se publicamente, pois, igualam-se e têm como único resultado a consequência da omissão: permitir que alguém tome as decisões por vocês, sendo elas, provavelmente, danosas ao omisso, ao chorão e a todos os que por elas pagarão.

Já passou do momento, em suma, de relegar as discussões canal livrescas ao esquecimento e à insignificância de que são dignas e passar a encarar não só a praga PC, mas a própria política, com a mesma maturidade necessária à vida adulta e civilizada.

Será, porém, que a geração “eu não gosto de ser adulto” e suas antecessoras que lhe inculcaram essa ideia serão capazes de realizar tal façanha?

Octavius é professor, graduando em Letras, antiolavette e polemista medíocre. Torce seriamente para que nenhum conservador venha lhe ordenar que “seje menas”, pois não gosta de xingar sua própria plateia desnecessariamente.

Anúncios

Eu, Apolítico – O politicamente correto, o apoliticamente incorreto e o equívoco parcial de Arthur Rizzi

Recentemente, o colunista do site Minuto Produtivo, Arthur Rizzi Ribeiro, tido como pessoa respeitável por este blogueiro, escreveu um artigo contestando uma matéria do El País que culpa implicitamente os conservadores pelo surgimento do “politicamente correto”. Segundo o pedagogo, “atribuir o politicamente correto ao conservadorismo é picaretagem das grossas”. Até que ponto, porém, teria Rizzi a razão?

Uma questão genética

Uma das razões pelas quais o colunista democrata cristão rejeita os argumentos do artigo contestado é que, segundo Rizzi, “todo mundo minimamente informado sabe que, nos EUA e, especialmente, no Brasil, a luta contra o Politicamente Correto tem sido uma pauta de pensadores que se dizem conservadores”, do que o leitor deve inferir que seria praticamente impossível que o conservadorismo tivesse culpa no cartório quanto à existência do politicamente correto em si.

Por mais que, de fato, conservadores brasileiros venham lutando até com certa galhardia contra a marcha totalitarista e imbecilizante do politicamente correto – o que, convenhamos, não é mais do que a obrigação de qualquer pessoa sensata, mas vindo de conservadores já é um ótimo sinal de melhora -, e por mais que este que vos digita continue preferindo qualquer conservador a qualquer esquerdista, é inegável: se não culpados, os conservadores foram, no mínimo, cúmplices do politicamente correto por um tempo longo demais que faria com que, no mínimo, os esquerdistas adeptos da praga PC conseguissem colher muito eficientemente o que plantaram em termos de política.

Vamos por partes. Segundo o articulista capixaba, a diferença essencial entre o politicamente correto e o conservador é que, enquanto os conceitos de verdade e de moralidade deste estão atrelados a uma moral eterna e imutável, os daquele se adaptam à verdade política mais conveniente para o momento. Trocando em miúdos, enquanto um conservador dirá que a vida humana é inviolável por princípios, o politicamente correto só enunciará o mesmo se lhe for conveniente para o momento.

Esquece-se o democrata cristão, porém, que, por mais que as premissas sejam diferentes, os métodos de politicamente corretos típicos e de conservadores que apelam ao moralismo (ou seja, à redução do mundo puramente ao elemento moral, uma distorção do conservadorismo que não deixa de ter sua origem nesse sentimento de que a moral guia ou deve guiar o mundo) em nada diferem, e que, cronologicamente, quem apareceu primeiro não foram os adeptos da praga PC, e sim os moralistas que tomavam por base justamente uma moralidade formada a partir de princípios imutáveis e verdades absolutas.

Por exemplo, como bem critica o vlogueiro Clarion de Laffalot por meio de um interessante quiz,  chegou-se ao ponto em que, quando o assunto é sexualidade humana, distinguir um conservador moralista de uma feminista ultrapoliticamente correta se tornou uma tarefa quase impossível, tamanha a semelhança dos discursos, fato que tem duas implicações: a primeira, que a praga PC finalmente viralizou a ponto de poder se radicalizar contra um inimigo que, politicamente inepto, não consegue atacá-la com frames suficientemente bons; a segunda, que a forma do discurso certamente não é nova, isto é, que os PCs certamente aprenderam muito bem com alguém, sendo esse alguém justamente os conservadores moralistas, muitas vezes religiosos fanáticos, todas as vezes chatos ao ponto de serem intragáveis como aliados políticos.

Uma questão instrumental

Não se esgota por aí, contudo, a questão. Rizzi também ressalta, com metade da razão, em certo momento, que “A ferramenta principal dos politicamente corretos é a reforma da linguagem, acreditando que só pode ser pensado aquilo que pode ser dito (quando na verdade é o contrário), o que pode ser dito (com maior ou menor precisão) é aquilo que pode ser concebido mentalmente, seja coerente ou não”.

Metade da razão? Sim, porque Rizzi também se esquece de que uma série de movimentos conservadores e moralistas emprestaram uma ferramenta ao politicamente correto, tendo este a associado ao seu plano de reforma da linguagem: a censura sistemática de tudo o que não se encaixe na caixa de sua ideologia ou de sua moral, sendo a base desta censura sempre causas mais elevadas, como “a moralidade de nossas crianças” quando o assunto é o acesso a jogos violentos ou, na versão esquerdista, “a não-mercantilização da infância” quando o assunto é a proibição da publicidade infantil.

Tal semelhança instrumental, aliás, fica ainda mais transparente quando olhamos para o caso Charlie Hebdo, ocorrido no início do ano na França. Seja sob o pretexto de que “eles estavam zombando da religião alheia, portanto não merecem ser defendidos”, seja sob o pretexto de que “humor não se faz com o oprimido, mas com o opressor”, diversos setores politicamente corretos e diversos setores conservadores bradavam, em uníssono, o mantra cretino “sou a favor da liberdade de expressão, mas…”, usado por 12 a cada 10 sujeitos que abusam do poder de censura caso o tenham em mãos, ainda que pareça que os conservadores estão começando a entender que não é assim que a banda toca.

Começaram, porém, tarde demais. Serão, portanto, condenados pela história como aqueles que, se não foram criminosos, foram no mínimo omissos e até mesmo cúmplices por um período de tempo excessivo com os ataques insanos da praga PC. Se cúmplices de crimes também são malvistos pela sociedade, nada mais natural que esse processo ocorra com os conservadores. E que quem tem a esperteza política para capitalizar em cima disso o faça sem dó nem piedade.

Octavius é professor, graduando em Letras, antiolavette e polemista medíocre. Tentou censurar a si mesmo quanto à escrita deste artigo, mas seu esforço nasceu malfadado.

Novas reflexões de um heterônimo rabugento 2: de como a polêmica Boticário prova que os politicamente corretos da direita são os piores

“Em caminho de paca, tatu caminha dentro?” – É com essa pergunta dotada de cacofonia e com algumas risadinhas  que se encerra um dos comerciais a que vocês, brasileiros, tiveram de assistir nos últimos meses. O que isso tem a ver com o que escreverei? Obviamente nada, amigo leitor que já me conhece de outros carnavais e que sabe que este heterônimo adora começar seus artigos com uma piadinha ruim como quebra-gelo. Como creio, também, que meus leitores, ao contrário dos leitores do ortônimo, passam longe de ser mongoloides, sequer gastarei mais linhas explicando o caso que incitou a minha volta a este espaço.

Começo dizendo que não vi, não quero ver e, em alguns casos, tenho raiva de quem gastou mais do que 30 segundos de sua vida vendo e curtindo ou descurtindo um comercial de uma perfumaria. Como, todavia, a polêmica não demorou a chegar aos ouvidos do ortônimo, não me foi difícil obter uma ou duas pieces of information mais do que suficientes para chegar ao seguinte diagnóstico sobre o caso: a polêmica Boticário só prova, no fundo, o que já se vinha falando de outra maneira neste blog há muito tempo, ou seja, que os politicamente corretos da direita são os piores.

Explico: qualquer pessoa com mais de 10 anos de idade e com mais de dois neurônios ativos na cabeça já deve ter ouvido falar muito sobre como os politicamente corretos enganam a quase todos por algum tempo com suas falsas e irrealizáveis promessas de um mundo melhor e com sua mentalidade coletivizante. Comete-se, porém, o erro de sempre se esquecer de que entre os politicamente corretos da esquerda e os da direita há mais diferenças do que pressupõe qualquer vã filosofia política: enquanto aqueles, em nome de um projeto totalitário de sociedade, revestem-se com o manto da tolerância e da inclusão¹, estes, os da direita, tão limitados propagandisticamente de tão moralistas e tão moralistas de tão limitados propagandisticamente e em nome de um projeto no mínimo provavelmente autoritário em essência (porque, sim, desejar corrigir a sociedade moralmente apelando à intervenção estatal é autoritarismo, quando não o totalitarismo em si), insistem em dar aos da esquerda a oportunidade de cobrir-lhes,  quando falam perante o público, com o manto da intolerância, da exclusão e, mais preocupante ainda, da escrotidão.

O politicamente correto da direita é, então, tipicamente um tolo. Balizado na estúpida convicção de que não é a propaganda a alma do negócio “política”, ele crê piamente que, sem  precisar utilizar o próprio cérebro em prol da verdade, esta surgirá das cinzas e, algum dia, as pessoas perceberão que a esquerda estava errada e, finalmente, seguirão bovinamente os ensinamentos de uma direita iluminada sem, nunca, levantar um dedo que seja para a contestação. Na sua tentativa, então, de confiar em algo para além do humano, isto é, em algum tipo de ideal, esse setor mais reacionário da direita se esquece de que quem trabalha, em política, com o ideal não é o lado destro do espectro e que este lado, segundo sua própria propaganda, trabalha com o real, ou, em outras palavras, crê, corretamente, que “política é a arte do possível”, e não a arte do que “eu quero” porque “eu quero” ou porque “a moral da minha Igreja dita x e y, portanto só vou aceitar o mundo desse jeito”.

Não raro vemos esse tipo de pessoa levantar a mão e perguntar: “ah, mas não é direito das pessoas não gostarem de algo e se manifestarem contra?”. Evidente que sim. Tanto eu como o ortônimo seríamos dois dos primeiros a insurgirmo-nos contra qualquer tipo de censura. Como meu jovem e inexperiente amigo brasileiro explicou detalhadamente há alguns dias, no entanto, quando se confronta um sujeito militante que fala besteira, o caso não é de censura, também porque não se invoca o aparato repressor estatal nesses casos, mas de chamá-lo ao bom senso para evitar que, na ânsia de papagaiar suas ideias pelo mundo melhor, o supracitado acabe, na verdade, trazendo prejuízo à própria causa por não ter medido direito não só que ideias defender, mas que palavras usar.

Ou, traduzindo para o contexto da “polêmica”, todo grupo militante tem o direito de pedir a seus adeptos boicote contra o que quer que lhe venha na cabeça. Resta saber, ainda assim, o que os neutros pensarão sobre o caso. Os politicamente corretos da direita, por exemplo, certamente vêm fazendo, há muito tempo, boicote contra um produto chamado cérebro (recusam-se, afinal, a usá-lo). Sua iminente derrota em mais esse equívoco político nos mostra, sem dúvida, que os neutros certamente acharam esse boicote muito aceitável… só que não.

Ludovico Kasprov é jornalista e trabalha de heterônimo nas horas vagas. E não é que mais um de seus posts concorre ao prêmio Jean-Paul Sartre na categoria “coisinha mais feinha do pai”?

 ¹ Aos que vierem falar que esse manto colocado pelo politicamente correto de esquerda pode ser facilmente desnudado, concordo, só que o problema não é tanto que manto eles colocam sobre si mesmos, mas sim o que colocam sobre seus adversários.

PS (por Octavius): Acabei vendo o tal comercial da Boticário e, seriamente, senti o mesmo que Flávio Morgenstern sobre o caso todo.

Das mentiras que ninguém quer que você saiba que são verdades

“O problema não é ser, ter sido ou vir a ser de esquerda em algum momento da vida. O problema é nada ter aprendido com isso.”

“Nada mais liberal do que um comunista na oposição; nada mais conservador do que um comunista na oposição.”

“Onde há fumaça há fogo. Onde há um brasileiro há ditos populares de quinta categoria.”

“Quem cala, consente (sic). Quem põe vírgula entre sujeito e predicado como na frase anterior (e acha que está certo) também consente, mas em não mais encher o saco dos outros com gramatiquices.”

“A diferença entre o brasileiro médio e o direitista médio é que, até o momento, o brasileiro ainda não se mostrou propenso a crer em contos de fadas.”

“Deve-se agir com o nacionalismo e com o amor da mesma forma: o sentimento até pode existir, mas é necessário que se evite fazer merda em seu nome.”

“Para saber por que o politicamente correto é uma religião, é só perguntar ao religioso médio o que deveria acontecer a quem satiriza seus ídolos. Os politicamente corretos da direita, os olavettes, também contam neste caso.”

“Aos inimigos, a ‘polêmica’. Aos amigos, o ‘senso crítico’. A mim, o outro lado da rua é, para os ‘amigos’, a serventia da casa.”

“Esfinges são só mulheres sem segredos.”

“Envelheçam! Envelheçam depressa! Mas não a ponto de negarem a realidade falando em ‘complexo de vira-lata’.”

Octavius é professor, graduando em Letras, antiolavette e polemista medíocre. Garante que, entre os inimigos, certamente seu codinome não é “beija-flor”. Pergunta-se se os politicamente corretos da direita passarão a encher seu saco depois deste post.

Quebrando o Encanto do Progressismo: Japoneses e o Politicamente Incorreto

“Muitos samurais eram funcionários públicos preguiçosos e beberrões”

Só por isso, já seria mais do que recomendável dar pelo menos uma olhadela no Guia Politicamente Incorreto da História do Mundo (Leya, 2013), do genial jornalista Leandro Narloch. Francamente, quem crê na versão antiamericana da Segunda Grande Guerra, na versão brasileira de cultura japonesa como apenas um punhado de danças e músicas “bonitinhas” e na versão rousseauniana sobre o homem japonês ou é inocente demais (o que, por não acreditar em inocência política e derivados, descarto de cara), ou desinformado (e digo mais: desinformado porque quer). Vejamos, então, se, mesmo antes de ler o ensaio de Narloch, posso trazer alguma luz sobre aspectos a nós desconhecidos da sociedade japonesa.

(mais…)