Realidade

O São Paulo Fashion Week das Falácias – A moda progressista de Gregório Duvivier

Após ler a brilhante resposta do economista liberal Rodrigo Constantino a Gregório Duvivier sobre o novo espantalho deste contra os “reaças”, resolvi também posicionar-me e descer o cacete nisto que se convencionou chamar de artigo.

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Notas Mensais – Fevereiro 2014 – Março 2014

Olavettes 1

Em certa divulgação do meu blog, há um sujeito que fala que não debate com abortistas, no caso, eu. Fora a imbecilidade intrínseca ao termo “abortista”, sobre a qual falarei posteriormente, e fora o fato de ser impossível saber se alguém é “abortista” ou não antes de se debater com o cidadão em questão (ou seja, que esse sujeito pode ter debatido com “abortistas” sem nem saber), acho que devo passar, logo, minha ficha aos que queiram ter motivos para não debater comigo: Sou “abortista”, “eutanasista”, “cotista” – apenas racial e apesar de não ter nem chegado perto de precisar de qualquer Cota, mas um dia também explico isso direito, ou seja, paciência, leitor direitista -, corinthiano, apolítico, anti-direitista, anti-esquerdista, ateu anti-neo-ateísta, armamentista, defensor da Pena de Morte, contrário à Prisão Perpétua, agnóstico quanto ao casamento gay e à adoção de crianças por casais gays (apesar de tender a defender mais do que a rejeitar ambas as propostas), agnóstico a parte das premissas da teoria do Preconceito Linguístico, contrário a outra parte das premissas da mesma teoria, anti-anarquista, anti-libertário AO EXTREMO, existencialista e parcialmente diderotiano e nietzscheano, além de acreditar que educação, a partir de certo ponto da vida, deva ser facultativa e de passar perto, muitas vezes, do niilismo e do ceticismo. Ah, e, sim, uso uma foto de anime não só porque curto o anime, mas para ver quantos idiotas usá-la-ão como argumento contra a minha pessoa e em prol de sequer considerar meus argumentos.

E você, aí, se fiando apenas no “abortista”.

Por que não sou um analista de discurso? – Versão abreviadíssima

Podem me acusar, nesta minha nova fase de blogueiro da “extrema-direita”, de várias coisas, menos de eu já ter dito que era um “analista do discurso”, o que não direi em um futuro tão próximo, por uma questão muito simples: Para qualquer um que tenha cursado pelo menos dois anos de Letras com o mínimo de seriedade, não é difícil ouvir, já nas primeiras aulas sobre a Análise do Discurso, que esta, ao contrário da Linguística Textual, não é uma área que tem como enfoque, no momento da análise, o indivíduo em si, mas sim, vulgarmente falando, “as classes”. Ora, se eu questiono até mesmo a existência de classes (ou melhor, de pessoas como meras categorias de pensamento, entre elas a dicotomia imbecil “opressor” x “oprimido”), como vou aceitar e partir dos pressupostos de uma área que tem como premissa básica a existência de classes e, muitas vezes, a existência dicotômica de classes?

Da diferença entre o Socialismo e a Social-democracia

Uma coisa deve ser esclarecida: É lógico que existe uma grande diferença entre o Socialismo e a Social-democracia. No Socialismo, a divisão igual da miséria entre as pessoas é forçada. Na Social-democracia, a divisão igual da miséria entre as pessoas ainda é forçada, mas sob o pretexto de “democratizar o acesso à renda” ou alguma variação disso.

Sheherazade e a direita – Uma clarificação

Quando escrevi o segundo ou terceiro dos meus posts sobre Rachel Sheherazade (porque sei que já a havia citado no meu post sobre o Carnaval, mas não me lembro se a citei antes ou depois disso), ou seja, o texto em que ponho em dúvida sua nomeação como a “musa da direita”, obviamente não pelo “musa”, mas pelo “da direita”, não tive, em momento algum, a intenção de dizer que Rachel NÃO É de direita, nem de papagaiar que não se deva defender Rachel quando se concorda com o que ela diz (ou criticá-la quando for necessário TAMBÉM).

O que quis fazer, ali, foi um questionamento à “nova direita brasileira” e à sua mania de chamar de “conservador” ou “de direita” qualquer um que faça um comentário sequer que vá contra alguma causa progressista, mesmo sem saber sequer se o novo direitista é mesmo de direita e se tem noção do que significa ser de direita e ser de esquerda.

Além disso, mesmo com a recente declaração dela de que está mais à direita do que à esquerda – o que, a rigor, não significa nada, pois eu mesmo também posso ser considerado como alguém que está mais à direita do que à esquerda e ainda assim quero que a direita e a esquerda morram, como visões políticas, juntas e abraçadas de preferência -, minha principal dúvida ainda persiste: Afinal, será que a jornalista do SBT encontraria o mesmo apoio da direita se ela tivesse, ao contrário, confirmado que está mais à esquerda do que à direita, ou mesmo que é, na verdade, ferrenhamente de esquerda? Quantos desses defensores da liberdade de expressão e da civilização ocidental defenderiam o direito à voz de Sheherazade com a mesma fervorosidade?

Diderotismos 2

Se Diderot estiver certo e um discurso for tão mais poderoso quanto menos palavras tiver (o que, por corolário, torna o silêncio o discurso mais poderoso), então o absoluto silêncio dos então “revolucionários de 13” sobre o crime cometido pelos Black Blocs contra mídia será, sem dúvida, bem mais esclarecedor do que os pronunciamentos intermináveis dos mesmos “revolucionários”, na época, sobre os objetivos de sua revolta.

Sobre o Autor: Octavius é professor, graduando em Letras e polemista medíocre. Ainda espera pelo chororô conservador contra suas citações de iluministas.

Defendendo a Indefensável (Ou: A esquerda que deveria temer dizer seu nome) (Ou ainda: Nota de defesa a Rachel Sheherazade)

Após um comentário sobre o recente caso de justiçamento ocorrido no Rio de Janeiro, a jornalista sbtana Rachel Sheherazade (sobre a qual já falei nestas bandas em outras oportunidades), além de ser vítima do repúdio do relevantíssimo e socialmente utilíssimo Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Rio de Janeiro e da Comissão de Ética deste, angariou também contra si os comentários de sempre daqueles que desejam, a todo custo, o “mundo melhor”, mas que sequer conseguem entender o valor da dignidade humana do cidadão comum: Os progressistas.

Ocorre, porém, que, ao contrário das várias outras vezes, a distorção foi tão grande que se tornou inaceitável que não se interviesse em favor da jornalista – o que, para os progressistas, já é um crime em si, já que Rachel é, segundo eles, apenas obstáculo a ser eliminado em prol do “mundo melhor”, o que quer que isto signifique. Apesar, entretanto, das intervenções cirúrgicas de Flávio Morgenstern e de outros, pouco se fez para, de fato, mostrar como Rachel pode ser inocentada e como, mais uma vez, seus detratores mostram as garras da desonestidade intelectual. Bialmente falando, vamos, então, aos trabalhos. Hora de defender Rachel Sheherazade e ensinar seus detratores a exercerem a frieza e a racionalidade acima de tudo.

O compreensível, o correto e o Socioconstrutivismo

Na primeira parte de seu comentário, a jornalista sbtana, após utilizar a palavra-gatilho para a raiva esquerdista (ou, trocando em miúdos, após chamar um criminoso com ficha já considerável de marginal) e após pôr na mesa os mais de 50 mil homicídios anuais ocorridos no Brasil durante o governo petista, fora a quase total ineficiência do sistema jurídico-penal brasileiro, sela com chave de ouro ao dizer o óbvio: Que “a atitude dos “vingadores” é até compreensível.”.

Querendo demonstrar, então, a mais completa ausência deliberada de senso de valor das palavras – o que, como relembra constantemente o filósofo campinense Olavo de Carvalho, é uma herança legada pela educação socioconstrutivista no Brasil – e também um grande mau-caratismo, os detratores de Sheherazade fingiram não entender que compreensível significa, antes de tudo e no discurso de Sheherazade (até que se prove o contrário), “o que se pode compreender” (ou seja, quase qualquer fenômeno natural ou cultural existente) e resolveram, em um gigantesco salto metafísico, igualar o significado de “compreensível” com o de “correto” por meio de nada mais do que leitura mental para, assim, provar que Rachel Sheherazade estaria fazendo “incitação à violência”, “ferindo os direitos humanos” ou qualquer baboseira do tipo.

Isto, porém, ainda não significa que a jornalista esteja totalmente a salvo. Afinal, existe, ainda, a parte que de fato poderia comprometê-la. Vamos, então, a ela.

O Brasil anárquico e os analistas de discurso desatentos

Logo depois de ter acionado o segundo termo gatilho para o ataque das esquerdas (ou seja, o “compreensível”, que até o momento não foi provado ser sinônimo de “correto”), Rachel vem, então, com o epicentro de seu comentário:

“O Estado é omisso. A polícia, desmoralizada. A Justiça é falha. O que resta ao cidadão de bem, que, ainda por cima, foi desarmado? Se defender, claro! O contra-ataque aos bandidos é o que eu chamo de legítima defesa coletiva de uma sociedade sem Estado contra um estado de violência sem limite.”

E com a parte que é usada pelos progressistas para justificar que “compreensível” foi usado como sinônimo de “correto”. Afinal, segundo a versão criada ex nihilo por eles, o que Rachel disse foi que, independentemente de qualquer condição, o justiçamento seria legítimo e, portanto, correto.

Acontece que Rachel, no mesmo trecho, deixa claro que não é uma legítima defesa coletiva per se, mas a legítima defesa coletiva de uma SOCIEDADE SEM ESTADO CONTRA UM ESTADO DE VIOLÊNCIA SEM LIMITE. Mas, esperem um pouco, o Brasil não é um dos países mais estatizados do mundo? Pois é. Não fica difícil entender, então, que “sem Estado”, no discurso sheherazadeano, também pode ser interpretado como uma espécie de abreviação para “sem uma atuação eficiente do Estado no campo da criminalidade, coibindo-a e punindo adequadamente aqueles que transgridem a lei”, o que é um fato visível para qualquer um que tenha mais de 6 anos e/ou que já tenha frequentado as ruas dos bairros mais violentos mesmo das cidades interioranas (em minha terra natal e cidade atual, Rio Preto, por exemplo, alguns falam que, em certos lugares, “o filho chora e a mãe tem de fingir que não vê”).

Ocorre, porém, que, pelo visto, como lembrado na famosa entrevista de William Waack com Lamounier, Pondé e Reinaldo Azevedo no programa Painel da Globo News, alguns progressistas parecem pensar no criminoso não como alguém que comete um delito e que deve ser punido de acordo com sua culpabilidade, mas sim como uma espécie de protorrevolucionário que só está cometendo o crime porque não está inserido no Partido e nas atividades revolucionárias.

Eu diria, contudo, que esta análise sobre a mentalidade progressista está apenas parcialmente correta, e que o último trecho do comentário de Sheherazade é uma ótima forma de mostrá-lo.

Direitos Humanos até a página três, Comunismo até o mais amargo fim

Ao final de seu comentário, a jornalista sbtana lança, brilhantemente, um desafio aos chamados “defensores dos direitos humanos” (ironia que ela frisa, na verdade, ao mudar subitamente o tom de voz):

” E aos defensores dos Direitos Humanos, que se apiedaram do marginalzinho no poste, lanço uma campanha: Façam um favor ao Brasil. Adote um bandido!”

E o lança sabendo que, na verdade, esse desafio não será cumprido nunca. Entretanto, ao contrário do que podem pensar a própria jornalista e alguns direitistas incautos – lembrando sempre que eu não sei se Rachel é de direita e que eu desconfio muito de quem a rotula assim -, a recusa não acontece apenas por causa da hipocrisia do que Rodrigo Constantino chama de “esquerda caviar”, mas também, justamente, porque, na sua essência marxista, a esquerda não gosta do chamado “lumpenproletariat” (ou seja, aqueles que não servem à sociedade por meio do trabalho ou que podem servir aos interesses da burguesia, este último ponto já sendo babaquice marxista) e que, em seus regimes, o que ela costuma fazer é, ironicamente, combater, de todas as formas possíveis, o banditismo, principalmente por saber que uma sociedade refém deste banditismo é inviável.

Em suma, demonstra-se, com este comentário de menos de um minuto, muito mais do que a esperada desonestidade intelectual do totalitarismo progressista. Demonstra-se, também, a total incoerência entre a teoria e a práxis, algo, inclusive, curiosamente, anti-marxista por natureza, e, justamente, a essência totalitarista deste tipo de pensamento. Vale lembrar, por fim, que o que não se deve fazer é, exatamente, cair na bizarra mudança de valor de palavras imposta pelos apologistas da religião política (o que Rachel, nesse ponto, ao menos, não fez). Afinal, como lembra o já citado Olavo de Carvalho em outro artigo seu:

“Mudar o valor e o peso das palavras é determinar, de antemão, o curso dos pensamentos baseados nelas e, portanto, das ações que daí decorram. Quem quer que consinta em adaptar seu discurso às exigências do “politicamente correto”, seja sob o pretexto que for, cede a uma das chantagens morais mais perversas de todos os tempos e se torna cúmplice do jogo de poder que a inspirou. “

Sobre o Autor: Octavius é graduando em Letras, mas se apaixona, cada vez mais, pela Filosofia e pelo polemismo. Espera, até agora, as provas de que “correto” e “compreensível” significam a mesma coisa. Por defender Sheherazade nessa e em outras ocasiões, já foi chamado de “reacionário” e “olavette” ao menos 100 vezes and counting.

Explicando para meus filhos por que nem tudo é passível de discussão – Uma breve reflexão sobre a necessidade da existência de “tabus”

Facebook afora (e também fora do Facebook), não é difícil ver pessoas propagando uma ideia que, de antemão, parece ser muito interessante: A de que tudo é passível de discussão, sendo que o problema, na verdade, não estaria nas ideias a serem discutidas, mas nas pessoas com quem se discutiria. Relevante, também, é perceber como muitas das pessoas que julgam ter descoberto a América quando puderam “desafiar o senso comum” e propor o livre debate de qualquer ideia usam desse tipo de discurso não só para promover as causas que defendem, mas para promover a si próprias como portadoras da máxima virtude, a “tolerância” – o que, para a linguagem progressista, como aponta Olavo de Carvalho, significa o mesmo que pregar a visão única, mas isto é outra conversa.

 

Ocorre, no entanto, que, como nos diz o filósofo Luiz Felipe Pondé em seu Guia Politicamente Incorreto da Filosofia – Ensaios de Ironia, não sou dos que costumam confiar em gente que promove demais as próprias virtudes (ou, em linguagem mais aristotélica, não creio que um homem deva sair enunciando as próprias virtudes por aí). Vamos, então, aos trabalhos de mostrar, sucintamente, para os advogados do mundo melhor em que todos debatam tudo, uma visão pessimista e realista (ou seja, distópica) dos efeitos possíveis de convencer as pessoas de que tudo é passível de discussão.

 
Pondé ao saber da nova moda dos intelectuais facebookianos.
 
Falsos relativistas – Um adendo (Ou: Politicamente corretos, socialmente burros)
 

Vejamos, então, as implicações de propor que não existem tabus, ou seja, que não existem assuntos ou tópicos que não se possa discutir por meio de lógica pura e simples. Primeiro, uma das consequências de se colocar qualquer objeto ou ideia em discussão para indivíduos é que, mesmo com uma discussão inadequada, estes indivíduos podem vir a repensar suas crenças sobre o que está sendo discutido.

 

Se isso ocorre com indivíduos, então imaginem com uma sociedade inteira, composta, justamente, por indivíduos. Ou seja, isto significa que, caso consigamos convencer uma parte relevante de uma sociedade de que tudo pode ser discutido, estaremos a convencendo, por corolário, que tudo, inclusive os dogmas morais sob os quais ela se assenta, podem ser repensados.

 

Acontece que, para a maior parte dos que advogam por esta causa, o que acontecerá será simples: A sociedade provavelmente será convencida, por exemplo e por causa da virtuosidade natural dessa proposição, de que é um absurdo fazer piadas com negros, gays e ateus, mas que não é fazê-las com brancos, héteros e cristãos. Da mesma forma, obviamente se convencerá, de novo pela virtuosidade da proposta, que causas como o casamento gay, a legalização do Aborto, a legalização da maconha, a institucionalização das Cotas Raciais e/ou Sociais em universidades et cetera são naturalmente boas e que é um sinal de atraso e de “reacionarismo” não concordar com elas e não implementá-las de imediato no país.

 

Entretanto, toda esta situação tem dois agravantes e, por incrível que pareça, o menor deles é o político. O detalhe é que, normalmente, as mesmas pessoas que advogam em favor dessa tese claramente relativista não conseguem suportá-la quando se deparam com o “atraso” ou com a “reação”, ou seja, não conseguem sequer admitir que suas ideias para um mundo melhor não sejam amplamente aceitas por todos, e que ainda haja quem tenha a petulância e a ousadia de ridicularizá-las ou mesmo de expressar um temor puro e simples com relação às consequências possíveis dessas ideias quando aplicadas na realidade concreta.

 

O que ocorrerá, então, é que, ao invés de se dar realmente voz para todos os lados de uma questão, a voz será progressivamente cedida, seja por meio de caricaturas do oponente ou de cerceamento de voz mesmo, apenas ao lado que obtiver a hegemonia, ou seja, o domínio dos meios de mídia e de cultura em um país, e isto se dá por um motivo bem simples e que foi muito bem detectado por Olavo: o de que o relativismo real e total é, na verdade, insuportável e inconveniente, pois ele pressupõe que se seja politicamente capaz não só de aceitar a divergência como também de aceitar a possibilidade de que o lado contrário esteja certo em alguns pontos. O problema é que, com o passar do tempo, este lado não será eliminado, mas sim poderá se fortalecer especialmente se vier a sofrer as supracitadas caricaturizações  e censuras (mais ou menos como ocorre com a atual “direita” no Brasil), o que trará, naturalmente, ao lado hegemônico a necessidade de jogar os perdedores no ostracismo. Para isso ocorrer sem maiores problemas, dever-se-á criar justamente o quê? Bingo, leitor, novos tabus, ou seja, o que mudará será apenas o lado que controla o que é tabu ou não.

 

Esse, no entanto, é, como já dito, o agravante político e, portanto, o menor dos agravantes, pois o maior é, sem dúvida, o social. Suponhamos, então, que o relativismo real foi alcançado e que há, de fato, discussão equilibrada sobre todos os tipos de assunto. Caímos, então, em uma segunda consequência. Se todos os assuntos podem ser discutidos sem nenhum tipo de restrição a não ser a de “pessoas ignorantes com que não se discute” e se dogmas morais que formam a nossa sociedade podem ser contestados igualmente sem nenhum tipo de restrição, então, eventualmente, isto significa que o próprio pensamento sobre outros dogmas que pareceriam até então incontestáveis também pode mudar.

 

Ou seja, se não há assunto indiscutível e, principalmente, se não há, para um povo, por mais bem instruído e preparado que este seja contra fraudes ambulantes, tese impossível de se defender, o que acontece é que não há, da mesma maneira, posicionamento impossível de se adotar ou de se mudar, o que quer dizer que se pode abrir brechas, em nosso caso, para discutir e aceitar como corretas a pedofilia, a zoofilia, a necrofilia, o abandono de menores, o estupro de incapazes ou até mesmo o assassinato.

 

Tudo isto, por sua vez, causa, em uma sociedade organizada, exatamente a desorganização de sua moral e, por consequência, a deixa desorganizada em todos os aspectos, pois não terá qualquer valor seguro pelo qual possa se guiar e, portanto, progredir. Ocorre, no entanto, que, hora ou outra, será necessário, para se manter o mínimo de sanidade e de ordem, de início, coagir as pessoas para que vivam ordeiramente. Isto, porém, por si só não será suficiente, pois não existem valores em que os cidadãos se possam fiar e, portanto, não saberão como chegar ao modus vivendi mais ordeiro. Precisaremos, então, criar o quê? Bingo de novo, amigo leitor.

 

Percebemos, então, que, por mais lindo que seja em teoria, o discurso de que qualquer coisa pode ser discutida terá, na prática, dois caminhos mais prováveis e que levarão, finalmente, à necessidade de, justamente, negar o discurso de que tudo pode ser discutido (que, aliás, como bem notou um amigo leitor, Rudy Souza, parece ser indiscutível atualmente). Mas, enfim, né, devo pensar essas coisas por ser “de extrema-direita”, não?

 

Sobre o Autor:
Octavius é graduando em Letras e, nas horas vagas, amante diletante da Filosofia. Foi chamado pela esquerda de “polemistazinho de merda” e pela direita de “progressista safado”. Ficou agradecido, então, pela preferência.
 
*Publicado originalmente em “O Homem e a Crítica” em 23/01/2014